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terça-feira, 23 de maio de 2017

Brasil: Um Trem Fantasma

Semana passada publiquei um post que, de algum modo, embora sem muita certeza, referi-me a uma possibilidade de alento na negativa pressão econômica brasileira. Pensei, confesso, que havíamos chegado ao fundo do poço e que, num finca-pé para cima, começávamos a respirar tranquilos. O mote era a pergunta: parou de piorar?
Mal publiquei o artigo e eis que, no mesmo dia (17.05.17), um novo escândalo político explode em Brasília que, naturalmente, abalou o restante do Brasil. Dadas as proporções desse pipoco, é bem provável que a chamada “delação do fim do mundo”, da Odebrecht, virou fichinha de banca popular.
Alguém, nesses dias tumultuados, comparou o Brasil a um trem fantasma, de um popular parque de diversões. Achei divertida e, ao mesmo tempo, uma boa comparação. De fato, o Brasil parece ser aquele brinquedo que, a cada curva e no escuro, nos dá um susto. Pode ser uma comparação debochada diante da gravidade do caso, mas, tem seu sentido figurado compreensível .
Trem fantasma da Mirabilandia (Recife) colhida no Google Imagens
Não posso entender como um Presidente da República pode receber nas caladas da noite, fora da obrigatória agenda oficial e num local pouco condizente (subsolo) do seu Palácio, um sujeito reconhecido como mau caráter, réu na Lavajato, e com toda pinta de quem busca faturar benesses para seus negócios escusos. Mais do que isso, chegar com firme propósito de trair a confiança do Excelentíssimo Senhor interlocutor, ao gravar clandestinamente, tantas barbaridades. Eu, sendo Presidente da República, como foi no caso, dava ordem de prisão para um criminoso daquele perfil, na hora. Mas, não! O Presidente foi passivo e o resultado foi aparecer na fita como comparsa do canalha. Aí, cabe a pergunta: por que Temer não o fez? Que privilégio tem esse cara? Ascendência sobre a autoridade máxima do país? No que será ele melhor dos que os outros réus, hoje presos? Vamos e venhamos, foi uma demonstração de total submissão política de um animal político tarimbado, como se imagina ser o Senhor Michel Temer. Um tremendo deslize para quem se propõe impor moral e colocar o País nos trilhos. As desculpas amareladas que estão sendo produzidas não têm surtido os efeitos esperados. 
Um crime nas caladas da noite de Brasilia

Por outro lado, é bom lembrar, tem sido estarrecedor o cinismo desse tal de Joesley Batista (Grupo JBS) ao fazer declarações tão absurdas sobre sua capacidade de dominar setores das altas cúpulas dos três poderes nacionais, comprando procurador e juízes, a base de muito dinheiro. E, bote dinheiro nisso. Fico incrédulo como esse sujeito que se ufana de poder dominar tudo e em todas as instancias, escapa ileso e se manda para viver em Nova York lépido e fagueiro gozando das caras dos bestas que deixou pra trás nesse Brasil combalido. Roubou todos os compatriotas, deu uma banana bem dada e se escafedeu. Pobre Pindorama. Como somos primários! 
O resultado disso tudo é esse estado de perplexidade que, mais uma vez, tomou conta da Nação. Nosso trem fantasma parece estar distante do final da sua trajetória. Desconfio que muita gente sobrará pelo meio do caminho ou morrerá de susto até o fim do circuito.
Meus amigos(as), observem que as perspectivas tentadas apontam para mais um longo tempo perdido para o crescimento do Brasil, como se não bastasse o que perdemos no governo pífio de D. Dilma. Nem os melhores especialistas tem tido capacidade de desenhar um provável cenário ideal. Minha esperança é que, passado tudo isso, refundem a nossa República. Mas, como se diz no popular, “com que roupa?”. O (ainda) atual Presidente que vestia uma roupa de probidade e dignidade está nu! Nu e sem chão. O que ele pisava, agora é movediço e ele vaga a mercê da sua insegurança e surpreendente inabilidade.
Que essa turbulência passe – porque todas passam – e possamos respirar tempos amenos e de bons alentos.
Para concluir, digo que tive muita dificuldade de produzir este post. Ensaiei três vezes. Também, muito normal porque não sou cientista político. E mesmo que fosse estaria rebolando num vagão desse trem fantasma. Como não passo de um enxerido, peço a Deus, que dizem ser brasileiro, que tenha piedade de nós.
Boa viagem nessa desconfortável locomotiva é o que desejo a todos e todas leitores (as).

NOTA: As fotos ilustrativas foram obtidas no Google Imagens.

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