Sexta-Feira passada, anteontem, perdi aproximadamente três
horas no caótico trânsito do Recife. Temo que esteja cada vez mais distante o
dia em que possamos circular com o mínimo de tranqüilidade e fluidez na nossa
metrópole. Houve ocasiões em que comparei a situação com o que vejo em São
Paulo, onde só se fala em dezenas e centenas de quilômetros e quilômetros de
engarrafamentos diários no trânsito. Contudo, guardando as devidas proporções e
considerando a estrutura urbana da capital paulista, o recifense padece de
situações bem mais graves. Para complicar o quadro, faltam ao recifense mais
educação, disciplina e habilidade no manejo dos seus veículos. Cá prá nós, tem
muito motorista “barbeiro” nesta cidade. Uma mudança qualquer no transito –
tentando solucionar gargalos – termina provocando, muitas vezes, problemas
maiores. Foi o caso recente da adoção do binário Estrada do Arraial-Estrada do
Encanamento. Aquela região está na maior balbúrdia. Tem motorista que não sabendo,
ainda, das mudanças, termina provocando o maior transtorno. As linhas de ônibus
ainda não conseguiram se atualizar para o novo circuito. Foi uma sexta-feira
negra pelas bandas do Parnamirim. Mas, não foi somente por lá! Pela rádio fui
sendo informado dos entraves nas zonas Sul e Oeste, nas saídas da cidade (Brs 101
e 232), Avenidas Agamenon Magalhães, Domingos Ferreira e Imbiribeira, ou seja,
o Recife inteiro. Um caos... E o povo entrando em polvorosa.
Mas, enquanto parado ou em marcha lenta, vi “desfilar” aos
meus olhos uma infinidade de placas de propaganda eleitoral – que já
emporcalham a cidade – (Vide foto acima) de candidatos a vereador ou prefeito da capital que, francamente,
tem caras pelas quais não dou nada... Digo, não me inspiram a mínima confiança.
Muitos são daqueles que se candidatam por esporte. Tem sim, esse tipo de
gaiato! Lembro de um, funcionário da SUDENE (onde fiz minha carreira
profissional) que se candidatava a algum cargo, de dois em dois anos, para ter
licença do trabalho por um longo período. Era um preguiçoso profissional
acobertado pela legislação eleitoral. Não se via nem sombra da campanha do
sujeito. Coisas de Brasil.
Na pratica, tenho a certeza de que a esmagadora maioria
desses candidatos a vereadores e muitos dos candidatos a Prefeito são pessoas
desprovidas das noções básicas dos papeis dos cargos que postulam. Não têm
noção do que vão fazer, não sabem o que vem ser uma ideologia partidária,
desconhecem o modelo político nacional vigente, não sabem o que seja a ética na
política e, enfim, não sabem de nada. Somente uma coisa eles sabem: que vão
embolsar uma grana preta todo mês e... “os eleitores que se explodam”, no dizer
do humorista famoso. Mas, tem uma coisa, isto não ocorre somente no Recife.
Todo mundo sabe que isto é uma praga nacional. É uma lástima.
Agora, se a questão, contudo, fosse apenas o trânsito
caótico, ainda restaria a esperança de que aparecesse um engenheiro de transito
ou um especialista qualquer nesta área e que, com autoridade técnica,
encontrasse um modelo de mobilidade adequado a esta cidade antiga e mal
planejada. O danado é que outros problemas se multiplicam em progressão
geométrica e os edis – vereadores e prefeitos – de plantão só sabem administrar
as futricas politiqueiras, interessados em não apagar o fogo que aquece as suas
sardinhas, já cozidas há muito tempo. A recente arenga nas hostes petista
recifense é o melhor exemplo dessa pouca vergonha. O Recife precisa urgente de
um trato digno. Está pedindo socorro. As recentes administrações assumiram um
compromisso sem ter a noção do que assumiram. Mobilidade, limpeza, segurança,
saúde e educação para as populações mais pobres, transporte publico digno e
disciplinado, requalificação de artérias urbanas, hoje inviabilizadas, mas, de
grande valia para a dinâmica da Urbe, (como as Avenidas Guararapes e Conde da
Boa Vista), criar vias especificas, com faixas prioritárias, destinadas a
circulação de veículos com quatro ou mais passageiros, como acontece em Sydney,
na Austrália, tirar veículos das ruas (rodízio de placas e estacionamentos
proibidos), requalificar e restaurar áreas de interesse turístico, para atender
as demandas crescentes, iluminar a cidade, hoje às escuras e propiciando a
malandragem e insegurança. Tudo isto, entre outras coisas que uma boa equipe
técnica vai identificar facilmente. A cidade precisa de um choque de gestão,
porque a que está aí não sabe o que é isto. O Recife pede socorro e o eleitor
tem a responsabilidade de saber escolher. Vote certo e teremos uma chance de
melhorar.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
