sábado, 9 de maio de 2026
Uma ponte para o futuro
Como esperado 2026 vem nos brindando de episódios políticos palpitantes. O Brasil está latejando. Na expectativa de eleições gerais em outubro e, desde o maio corrente,as coisas prometem muitas emoções. O Presidente Lula promete se candidatar, embora com um prestígio bem abalado, enquanto a oposição vem mobilizando forças para, não apenas desbancá-lo, mas, sobretudo derrubar o PT da posição de mando. A situação aponta para uma campanha recheada de lances imprevisíveis. Note-se que, em tempos de Inteligência Artificial (IA) as redes sociais vão dominar as telas e sacudir a sociedade como nunca antes. Quem viver verá. Muito embora episódios palpitantes tenham sido registados nos dias recentes – derrotas politicas do Governo, corrupção expostas pelo Caso Banco Master, encontro de Lula com Trump, entre outros – um fato de relevante importância perdeu espaço de repercussão na mídia deixando o grande publico sem as devidas e atualizadas informações. Refiro-me à ratificação de inserção do Brasil no bojo do Acordo Comercial União Europeia – Mercosul.
Trata-se, a meu ver, de importante passo político-econômico para os dois blocos e projeta possibilidades de progresso e avanços tecnológicos, sobretudo para os quatro países integrantes do bloco sul-americano. Até aqui foi um longo processo, arrastado por 27 anos de muitas negociações. Recordo, inclusive, que como representante da SUDENE (à época dirigente da área de Cooperação Internacional) e do Ministério da Integração Nacional, cheguei a participar das primeiras reuniões internacionais que tratavam desse Acordo. Os representantes dos dois blocos se encontravam em debates periódicos aqui no Itamaraty, em Brasília, na busca de formatar os alicerces do Acordo. Foram momentos de grande aprendizado e de construção do que hoje se tornou realidade. Após me aposentar da SUDENE acompanhei, ao longe, o desenrolar do processo, e sinto satisfação por ver no que deu. Na prática o processo ainda depende da adesão/ratificação de vários países, a maioria integrantes da União Europeia. Entre esses a França se destaca e vem protelando a ratificação plenamente e desempenha um papel de opositor ao acordo, nos termos atuais, alegando preocupações com a concorrência agrícola dos produtos sul-americanos. Alega regras ambientais; diferenças sanitárias e regulatórias, entre outros aspectos. Contudo, o Acordo foi adiante em face da adoção, pelos europeus, de uma “vigência provisória” contemplando boa parte comercial do Acordo. Com efeito, as transações começam a vigorar, mesmo antes da ratificação completa de todos os países europeus. Como o Brasil já ratificou, desde 1º de Maio se encontra no circuito. Feito isso, cabe uma questão pertinente: afinal, o que isto significará para o Brasil? A resposta é bem clara ao apontar que o acordo, ao mesmo tempo em que poderá trazer ganhos importantes, projeta muitos riscos e desafios adiante para a classe empresarial brasileira. Primeiro haverá um aumento das exportações, sobremodo com produtos do agronegócio (carne, café, açúcar, frutas, suco de laranja, soja etc.), minerais e alguns produtos industriais. Como a União Europeia, formada por 27 países, com alto poder compra e mais de 400 Milhões de consumidores, as perspectivas são das mais promissoras. Por outro lado, os brasileiros podem se beneficiar com a redução de tarifas nas compras de máquinas, medicamentos, carros, modernos aparatos tecnológicos, produtos químicos, dentre uma infinidade de outros itens. Dureza será, por exemplo, para os empresários brasileiros saber enfrentar a concorrência europeia que exigirá investimentos em inovação, aumento da eficiência, melhoria da qualidade dos produtos e investimento em tecnologia. Temo que sem isso o Brasil fique condenado a se tornar, tão somente, o grande abastecedor agrícola dos europeus. De cara, alguns setores menos competitivos, terão que “abrir os olhos” para não perder mercado hoje consolidado. Entres estes arrisco lembrar o do automotivo, maquinas e equipamentos, químico e farmacêutico. Enfim, o Acordo que pode representar uma Ponte para o Futuro, deve ser atravessada com cautela e Inteligência, visto que representará um ponto de inflexão na trajetória econômica brasileira. Vamos esperar NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
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5 comentários:
Cada país pode ainda impor seus vetos, mestre. A França, por exemplo, os fará. Vamos ver como funciona. Há braços.
Muita pirotecnia, acompanham atos pretensamente políticos eficazes, é a dança de um novo “ritmo” de poder querendo testar sua eficácia, sem passar dos antigos dois pra lá e dois pra cá travestido da nova roupagem de um mundo virtual onde tudo acontece testando o novo brinquedinho.
Sem se lembrar que menino que brinca com fogo termina fazendo pipi nas calças. Um tal de bota e tira, morde e assopra que já vem tomando a paciência de muitos pragmáticos. Como diria o Catatau, “oh Deus, oh dia, oh vida.” E nada de novo tudo mais do mesmo.
Amigo Girley , boa noite . Excelente a sua reflexão .
Durante anos Trabalhei vendendo produtos fundidos para França . As peças eram exportadas Brutas .
Quando passaram para 36 horas semanais , começamos a exportar as peças desbastadas . A França ficou cara .
Na sequência desenvolveram produtos na india e Turquia e perdemos
Mercado devido a preços .
Agora exatamente no momento em que o acordo inicia , temos um projeto de 5:2 .
Ficará mais difícil a Nosa competitividade .
Sinto que no primeiro momento não teremos com reagir . O acordo é um
Sonho que poderá se tornar pesadelo .
Ah e mais um detalhe . Nos exportava nos do Porto Suape mas a partir 2015 Suapemviriubum
Porto de cabotagem
E eu tinha que mandar o produto por Santos ou pecem
Só tenho um comentário. Tudo isso depende de condições de equilíbrio ecológico. Nossos poderes são limitados pelas leis da natureza. As Leis da Termodinâmica, especialmente a da Entropia, determinam tudo. Abraço, Clóvis.
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