sexta-feira, 15 de maio de 2026
Blusinhas ao Léu
Aplaudi pouquíssimas coisas do nosso atual Governo. Quase nada. Recordo, porém, de uma medida que olhei com simpatia intitulada, correntemente, de Taxa das Blusinhas (estabelecida para cobrança de 20% de imposto de importação nas compras até US$ 50,00), muito efetuadas através de sites tipo Shopee, Shein e AllExpress. Simpatizei não por ser contra produtos importados. Muito pelo contrário. Sou liberal e entendo que produto importado pode custarmenos face aos preços internos, ter melhor qualidade e ser capaz de induzir o processo de aperfeiçoamento da produção nacional. Além do que gerar receitas fiscais, combinado com a coibição do contrabando. Estas, aliás, foram justificativas de sustentação da Medida. A coisa não somente agradou a uma infinidade de pequenos produtores e parecia ir muito bem, dando provas de eficácia, entre as partes beneficiadas e para o próprio Governo. Prova disto, inclusive, foram os resultados de arrecadação de impostos de importação que chegaram ao montante de RS$ 9,6 Bilhões, desde agosto de 2024, quando a Medida foi adotada, até Abril recente. Terça Feira (12), porém, para surpresa de meio mundo, o Governo resolveu dar uma marcha à ré e, numa Medida Provisória (MP), determinou o fim da Taxa. Assim, “adeus viola”. Blusinhas ao Léu! Ao Congresso resta analisar o caso e, dentro de 120 dias, bater o martelo.
Ora, meu Deus, neste momento está na cara de que se trata de mais uma manobra de caráter populista do Governo petista para agradar o eleitorado freguês dos sites de produtos populares e tentar levantar os índices de popularidade que anda despencando a cada dia. Como já dito, melhor explicando minha posição, considero que a renuncia fiscal em tela pode representar coisa de menor importância, dado que, os “parcos” Bilhões de Reais que deixam de ser arrecadados, serão insignificantes diante dos resultados eleitorais projetados. Resta saber qual a opinião dos varejistas brasileiros que experimentavam mais tranquilidade na comercialização dos seus produtos, enfrentando menor concorrência, por exemplo, de produtos chineses que entram “pra valer” e na grande maioria praticando dumping no processo de comercialização. Sem esquecer que isto vale, também, para grandes redes de lojas que, com razão, montaram suas plataformas de vendas na Internet. Se as grandes podem se ressentir, imagine os pequenos produtores de confecções (blusinhas!), artigos de couro (calçados e similares), entre outros. Aqui em Pernambuco, tenho certeza, que a retirada da Medida vai atingir em cheio os produtores de confecções localizadas no chamado Polo de Confecções do Agreste (Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru) onde a atividade se constitui na base econômica regional. Tenho experiência profissional de lidar com esse ramo industrial, e no citado Polo, desde a época da abertura comercial dos anos 90, quando pude dar assistência técnica (à época dirigente da Sudene) e depois nos anos 2003-2006 (quando atuando no Governo do Estado). Sei bem das dificuldades locais e já imagino o que pensam os produtores locais e em particular as costureiras que se esmeram nos modelitos e nos acabamentos dos vestuários que produzem, querendo concorrer à altura, ou melhor, com as confecções chinesas, vistas por lá como “demodê” e mal acabadas. Desconfio que o Governo deu um “tiro no pé” porquanto, sem calcular melhor, pode estar promovendo uma onda de desemprego e falências de pequenos produtores espalhados pelo país. E desempregados não garantem votos! Não falta quem diga, Brasil afora, que O Governo Lula atuou contra o micro e pequeno empreendedor. Concordo. Vi ontem numa entrevista, prefeito de uma das cidades do Polo afirmando que no seu município (Toritama/PE) conta com 3.287 unidades de produção, muitas das quais instaladas nas próprias residências. São costureiras trabalhando dia e noite. A dinâmica é tal que, durante as noites, o que se escuta são os ruídos das máquinas de costuras e plena atividade. São essas costureiras que vão sentir a insensibilidade governante que temos no posto maior da Nação.
Em Santa Cruz do Capibaribe (Foto acima) se estima que, a cada fim de semana, 150 Mil compradores acorre ao Centro da Moda da cidade. Graças à Taxa das Blusinhas os negócios cresceram a taxa de !9,2%, em 2025, e o Estado de Pernambuco recolheu 18,5 Bilhões de Reais e ICMS. Vamos e venhamos é um valor expressivo gerado por micro e pequenos produtores que, agora, vêm seus negócios atropelados por uma insanidade do Governo Central. O que ainda restará para incrementar essa guerrinha eleitoral? E sem as blusinhas? Nota: Fotos ilustrações obtidas no Google Imagens.
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