quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Bolonha, um lugar especial

Percorrer a Itália é sempre muito prazeroso e, de algum modo, difere das viagens por outros países europeus, tendo em vista as inúmeras e sequenciadas atrações turísticas e históricas do país. Há, na verdade, uma enorme densidade de atrativos, sempre muito próximos e imperdíveis. Eu nunca me furto a uma oportunidade de voltar à Itália. Da recente viagem, sinto-me provocado a comentar alguns momentos, que julgo atrações imperdíveis, como os três dias em que estive na cidade de Bolonha, na região da Emilia Romagna, Norte do país.
Já andei por Bolonha, ao menos uma meia dúzia de vezes e, sabendo que não se trata de uma cidade comumente incluída no roteiro turístico dos brasileiros viajantes, sempre aconselho uma parada por lá, justificando com a ideia de que se trata de uma Itália autêntica, menos invadida de hordas turísticas costumeiras e que oferece um leque de grandes atrações, tais como: um
patrimônio histórico-cultural invejável – em 510 A.C. era uma cidade Etrusca. No século II A.C. foi colônia romana. Com a queda deste Império passou para o Império Bizantino, instalado em Ravena. Depois disso passou pelo domínio Papal. Entre os séculos 18 e 19 foi ocupada por Napoleão Bonaparte e na 2ª. Grande Guerra foi intensamente bombardeada –  além do que é um importante centro de negócios, superado apenas por Milão, tem um centro universitário secular, sede da primeira universidade do Ocidente, quiçá do mundo, e é sitio de cenários arquitetônicos de rara beleza (atenção para as arcadas dos prédios), foto acima, gastronomia de primeiríssima linha, povo alegre, gentil e hospitaleiro (menos cansado do fluxo turístico dos que os de Roma, Florença ou Veneza) e, por fim, um comércio refinado seja nas casas de pastas artesanais, presuntos, salames e especiarias até às lojas de vestuários e acessórios das melhores grifes do planeta, como aquelas da muito chique Galeria Cavour. É, sem dúvidas, uma das cidades mais ricas da Itália.
Minha sugestão: estando em Bolonha, não troque por nada uma caminhada, sem pressa, pela Via Dell´Indipendenza, a principal da cidade, desde seu inicio, próximo a estação ferroviária Bologna Centrale, observando as lojas, as pessoas e prédios seculares.
Pare na Catedral de San Pietro, foto acima, reze se tiver fé, e depois siga até a Piazza Maggiore, onde se encontram a Fontana Del Nettuno e a Basílica de San Petronio. Durante sua trajetória, pare para espiar as estreitas ruas transversais, como as Vias Marsala, Goito, Del Monte e Altabella, entre outras, cada uma mais bonita do que a anteriormente vista. Fotos abaixo. Pare, um pouco, e tome um autêntico expresso italiano. Não falta onde. Ou entre numa gelateria e deguste um delicioso sorvete feito por quem inventou esse negócio danado de bom e, já na praça, beba da água jorrando no bebedouro da Piazza Maggiore, bem em frente do Nettuno. Dizem que quem bebe dessa água, desejando voltar outras vezes, volta!


Feito isto, mergulhe nas ruas que começam na Piazza e curta intensamente o complexo de lojinhas dos mais variados propósitos. Coisa bem italiana, desde os tempos de Marco Polo. É um deslumbre. Você precisa caminhar mais lentamente ainda. Têm comidas, vinhos, lenços e gravatas, joias e bijouterias, doces e salgados, bolsas e sapatos, bares e restaurantes, casas de pastas artesanais, presuntos e salames. Foram os bolonheses que inventaram o salame. Tem também queijos. Muitos queijos. Experimente o parmesão com uma geleia artesanal ou com um pouco de vinagre balsâmico cremoso. Inesquecível! Tem também as mais belas frutas e verduras. Carnes e peixes.  Fotos a seguir.


Quando faço isto, fico meio perdido em meio a tanta beleza reunida, de forma simples, ordenada, limpa e convidativa. Você ficará, também. Entro num bar mais antigo do que o Brasil e tomo boas taças de vinho, com os tira-gostos de cortesia, que é uma coisa que acontece somente ali. Saio de volta à rua e quando levanto a vista, percebo que estou diante das duas mais importantes torres da histórica Bolonha: Garisenda e Asinelli, que resistiram ao tempo, conflitos sangrentos, bombardeios, e inclusive terremotos. (Foto acima). Tradicionalmente, as famílias locais construíam torres para marcar seus respectivos poderios econômicos. A cidade chegou a ter centenas delas que desapareceram com o tempo, por motivos diversos. Uma coisa incrível. Se tiver fôlego e coragem suba na Torre Asinelli. A vista deve ser linda. Sem coragem, nunca fiz isto. Nas imediações da praça das duas torres observe o Palazzo della Mercancia, uma construção de mais de 800 anos, sustentada por vigas de madeira resistente ao
tempo e aos traumas das disputas a que foram alvo.
De resto, curta muito a rica gastronomia do lugar. Não deixe de provar a autêntica pasta à la bolonhesa.

Se tiver tempo, explore as oportunidades de compras na Via Massimo D´Azeglio, que começa na Piazza Maggiore. Recomendo uma lojinha bem no inicio da rua, especializada em lençaria e gravatas. Gosto de comprar ali. Coisas finas e preços justos.

NOTAS: Fotos da autoria do Blogueiro.

DICA OPORTUNA: Precisando de acompanhamento turístico em Bolonha ou cidades da Lombardia, Toscana, Vêneto e arredores, conte com Simone Amorim, (simone@blogsoulfashion.com), brasileira de Pernambuco, residente em Bolonha e profunda conhecedora da Itália. Entre no Blog dela clicando em: www.blogsoulfashion.com

8 comentários:

Cristina Carvalho disse...

Companheiro Girley!! Que descrição maravilhosa. Passiei pelas ruas, avenidas, conheci pontos e monumentos importantes, salivei diante das iguarias e...acordei. Não deixe de fazer essas resenhas de suas viagens e compartilhar,ensinando a quem ainda não conhece, por exemplo, Bolonha. Nota 1000 Antes de viajar para conhecer a Europa vou precisar de um orientador - coaching?? Parabéns!! Quero ler outras.

José Artur Paes Vieira disse...

Rapaz qdo passei por lá, já foi "da gota serena"... Hoje, no máximo, é pizza bolonhesa !!!! Parabéns !!!!
José Artur Paes Vieira

Antonio Carlos Neves disse...

Já estou embarcando kkkk

Dilson Menezes Barreto disse...

Ler seus comentários é como se a gente estivesse viajando por esses lugares da Europa maravilhosa. Grande abraço.
Dilson Menezes Barreto

Pedro Brasileiro disse...

Tio, a Itália é boa demais. Ainda não conheço Bologna, mas se for, tentarei passar mais de um dia lá só pela sua sugestão.
Pedro Brasileiro

José Carlos Lucena disse...

Que aula, meu primo Girley! Que aula......
José Carlos Lucena

Simone Amorim disse...

Adorei o post Girley Brazileiro. Que honra ver meu nome no artigo. Voltem sempre queridos pra nossa Bolonha.
Simo Amorim

Gilson Edmar disse...

Extraordinário, Girley.
O seu texto me transporta para lá, no período do meu Pós-Doutorado.
Gilson Edmar