domingo, 9 de setembro de 2012

Ainda resta Esperança

Eu cresci e me formei ouvindo dos mais velhos que todo governo era formado de ladrões e corruptos. Meu pai, principalmente, vivia esbravejando e reclamando da bandalheira que imperava nas esferas governamentais, de todos os níveis. Aquilo era para mim uma cantilena. Assisti inúmeras crises políticas e econômicas neste país e a cantiga era a mesma: é tudo “farinha do mesmo saco” e da mesma qualidade, isto é, ruim. Saia governo, entrava outro e a esperança de lisura e honestidade parecia ser sempre a coisa mais remota para todos, no meu circulo familiar. Aos poucos fui entendendo e absorvendo a idéia. Meu velho se encantou pelo passe mágico da morte, no primeiro dia do Plano Cruzado de Sarney, em 1986. Lembro que o primeiro cheque que emiti, na nova moeda foi, justamente, para pagar o féretro dele. Pai morto e enterrado, permaneceu na minha mente a imagem e lembrança de um homem que não se cansava de criticar os governos e as roubalheiras republicanas. Houve época que aquilo me irritava muito e eu atribuía aquela manifestação, à enfermidade e arteriosclerose do velho. “Não tem um que preste. É tudo ladrão. Tenho pena de vocês que vão comandar a nação do futuro. Do jeito que a coisa vai não sobrará nada... Também, num país que não tem justiça para colocar todos eles na cadeia, só pode dar nisso.” Eram palavras repetidas por ele, pronunciadas com certa gagueira, muito comum quando ficava estressado. Vendo as ocorrências após sua morte, terminei por admitir, talvez tardiamente, e achar que o velho tinha toda razão. Lembro que ele não alcançou o caso Fernando Collor, com PC Farias e, mais recentemente, das roubalheiras do Governo Lula e seus mensaleiros, entre outros tão sérios quanto.
Tenho prá mim que ele teria vibrado com o despejo que foi dado a Collor, taxado de ladrão. Igualmente, entraria em êxtase com o atual julgamento e devidas condenações no Supremo Tribunal de Justiça da cambada de ladrões dos cofres públicos, sob a égide de Lula-laaaaaaaá.
Na verdade, não sei se por ele ou por mim mesmo, chego às raias da emoção vendo o desenrolar desse processo. É, de fato, algo sem precedentes no Brasil e quiçá na America Latina, região onde muito desses processos devem ser levados a efeito. Do México à Terra do Fogo, o que mais rola é corrupção. Pobre America Latina.
Pegar a revista Veja, da semana passada, e ver a sugestiva capa com duas mãos segurando uma grade de penitenciária, na posição de "por trás", e a legenda de “Até que Enfim” me sugere um momento histórico nesta nação. Sinto firmeza e a certeza de que o Supremo Tribunal Federal vai mandar, para as jaulas de criminosos, uma penca de ladrões engravatados, numa ação inédita na Terra Brasilis. Acompanhar, pela TV, o julgamento dessa tropa é algo semelhante a um bom filme de Hollywood. Daqueles de julgamentos nas courthouses americanas, tudo com muita pompa e circunstâncias. Gosto que me enrosco das escaramuças travadas entre alguns Ministros, porque dão um toque especial de suspense e leva o espectador ao auge do interesse e emoção. Dá prazer assistir as tiradas inteligentes do Ministro Joaquim Barbosa, (Foto a seguir) corajoso relator do processo. Aliás, é bom de registrar que ali está um digno preto que enche de orgulho a raça negra desta Nação. É um nome que, certamente, a história vai guardar. Ele vem condenando os corruptos sem pena e sem dó. Sujeito corajoso e que rompe com vontade e fervor a cultura maligna dos assaltos ao erário publico. Taí, daria um grande Presidente da República. Lancei a candidatura. Pronto!
O mesmo não pode ser dito dos Ministros Lewandowski ou Toffoli, que – foi, não foi – tentam colocar “panos mornos” para livrar as caras de alguns dos acusados, o que termina por manchar seus próprios nomes. Em tempos de comunicação instantânea, chega a ser desconcertante e lamentável ver as comparações que são feitas entre estes e o brilhante Joaquim Barbosa. Para mim, eles estão sendo alvo de verdadeiras condenações publicas, pela exposição negativa, sobretudo o jovem Dias Toffoli, refém do esquema lulopetista. Pensando bem e rigorosamente, é coisa que mancha, também, o próprio Supremo Tribunal, preocupado, acredito, em capitalizar a oportunidade de ouro que está tendo para impor respeito e se consolidar como sendo a mais suprema e confiável instituição nacional. Até porque, dúvidas não faltaram de Norte a Sul e de Leste a Oeste, no período pré-julgamento. Por tudo isto, paira no ar uma fresca sensação de que ainda resta uma esperança para que o Brasil se revele como sendo um país sério e democraticamente justo. O STJ está passando a limpo o “gigante pela própria natureza e impávido colosso”.
Tomara que esta onda saneadora pegue e garanta um futuro seguro às novas gerações brasileiras e que meu velho descanse em paz, vendo, de onde estiver na eternidade, raiar um tempo de retidão e ordem, para que haja progresso.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens

Um comentário:

Assis disse...

Girley,

É triste e vergonhoso, não obstante necessário, o motivo de sua crônica de hoje.

Francisco de Assis