terça-feira, 19 de julho de 2011

Voando sem Segurança

Se tem uma coisa na vida que me choca e me abate, posso garantir que é o tal do acidente aéreo. Talvez porque uso muito este tipo de meio de transporte, não sei bem... Ou então, pelas conseqüências trágicas em que resultam e tomo conhecimento. Na semana que passou senti, mais uma vez, a sensação de insegurança para voar, até porque dois dias depois do acidente da NOAR, aqui no Recife, tive que embarcar rumo à cidade de Fortaleza (CE) e de lá retornar antes do fim de semana.
Eu sempre digo, com alguma convicção, que não tenho medo de avião. Aparentemente não tenho. Entro e desembarco, em qualquer um, com muita facilidade. Mas, na verdade verdadeira, sempre peço a Deus, com muita fé, por uma viagem tranqüila. E quando o avião toca em solo firme digo sempre: Deo gratias! (graças a Deus)
Estes dias estive pensando que, no passado recente, vem ocorrendo relativamente muitos acidentes aéreos. Nem falo de aviões de pequeno porte, inclusive helicópteros, que toda semana cai algum, Brasil afora, e passam despercebidos pelo grande publico. Falo, mesmo, é dos grandes desastres: Fokker 100, da TAM, em cima da cidade em São Paulo ao decolar em Congonhas, ainda na década de 90; o avião da Gol “atropelado” por um jatinho particular irresponsável; o espantoso acidente da TAM, também, que derrapou na pista de Congonhas (São Paulo), quatro anos atrás, explodindo nas instalações da própria companhia no outro lado da avenida subjacente à pista; o terrível acidente com o avião da Air France que mergulhou, aqui defronte, no Atlântico e, por fim, esta semana, o aviãozinho da NOAR que se estraçalhou e explodiu em plena cidade, num dos bairros mais populosos do Recife. Teve outro, que não faz muito tempo, também, de uma banda de música brega que desabou sobre o bairro do Engenho do Meio (Recife), espalhando pânico nos moradores.
Quantas vidas forma ceifadas em questão de minutos! Eu não saberia calcular o número de vitimas fatais dessas catástrofes. O que sentiram? Como encararam a morte inevitável? Será que sentiram a chegada da maldita? Isto ninguém sabe e nem pode avaliar. Por outro lado, impossível contar as vitimas que ficam chorando seus mortos! A meu ver, são as maiores e mais sofredoras.
Falha humana ou da maquina são as mais comuns das explicações. O abominável motivo da manutenção relaxada das aeronaves e a pressão das empresas para colocar no ar aviões sem condições técnicas, mesmo sob protestos do comandante escalado, a cata do vil metal é doloroso e frequente explicação. Tem coisa pior? Lembro que o avião da TAM que explodiu nas dependências da própria empresa voou sem condições mecânicas. Num país mais rigoroso uma empresa como essa teria sua licença cassada. Na China, por exemplo, foi assim. Depois de vários e terríveis acidentes, algumas empresas foram banidas dos céus e as que sobraram vivem debaixo de rigoroso sistema de fiscalização técnica. Na África, algumas companhias aéreas não têm permissão de voar para ou na Europa e Estados Unidos, por total falta de condições técnicas. São essas coisas que assustam pobres mortais, quem nem eu.
No Recife, depois do desastre desta semana um novo debate cresceu e nem tão cedo será esquecido: a localização do aeroporto dos Guararapes. Inaugurado pelo Governo JK (década de 50) e construído aproveitando a pista deixada pelos americanos, na época da 2ª. GG no subúrbio do Ibura, era uma localização privilegiada, em face da ausência de aglomerados urbanos ao seu redor. A cidade cresceu e hoje sufoca a pista e a estação de passageiros. (Vide Foto acima). Os aviões modernos, mais possantes e mais pesados descem no Recife quase tocando as casas e prédios da região. O aeroporto de São Paulo/Congonhas é outro absurdo. Nem é bom falar. Dá medo daqueles que a gente nordestina chama de medo medonho. Lisboa (Portugal) é outra cidade que tem aeroporto dentro da área urbana. Há outros que são no meio do mar como o Santos Dumont, no Rio, o Osaka- Japão (Vide foto a seguir) e Hong Kong – China. São aeroportos como esses que assustam uma cidade a toda hora. No caso de acidente, nos momentos de decolagem ou aterrissagem, não tem apelação. Mata quem é passageiro, mata quem está em terra e mata do coração quem assiste.

Está na hora de se pensar numa norma internacional que obrigue a localização de aeroportos bem distantes das zonas urbanas e que nada mais seja construido no seu entorno. No Recife e em São Paulo (Congonhas) medidas devem ser tomadas para afastar os riscos de tragédias maiores. O comandante do avião da NOAR, entre os mortos do acidente, foi um herói ao evitar a queda sobre uma casa ou se estraçalhar de encontro a um dos muitos edifícios da região que caiu. A coisa teria sido mais trágica. Diante disso, Deo gratias! NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

6 comentários:

Danyelle Monteiro disse...

Boa noite professor,
Concordo com sua sugestão de se construir os aeroportos em áreas distantes da zona urbana, apesar de achar que no caso do aeroporto dos Guararapes não deixou de ser uma falha logística... em todos os livros de história, ao analisarmos as histórias das civilizações o que percebemos? As pessoas sempre ao redor de rios e mares, logo, com o passar do tempo não poderia ser diferente pras bandas de cá.
Acredito que esse tipo de morte na maioria dos casos é instantânea, primeiro o susto e em frações de segundos... digo na maioria dos casos porque nesse avião da NOAR uma mulher tentou sair mas não deu tempo e explodiu coitada.
Às famílias das vítimas só nos resta desejar paz...
Grande abraço,
Danyelle Monteiro

Mauro Gomes disse...

Meu caro, infelizmente jamais teremos certeza se os procedimentos de segurança estão sempre sendo seguidos. Já se notíciou até que as falhas nos controles de tráfego aéreo proporcionam constantes situações de risco no ar e nós, inocentemente, não sabemos de nada.
Temos que cobrar responsabilidades. Mas diante da corrupçào e falhas humanas, só nos resta mesmo entregar a Deus.

Mauro Gomes

Vera Lucia Lucena disse...

Realmente é assustador um Aeroporto, básicamente, no centro da cidade. Nos causa um grande pavor. Até quando?
Vera Lucia Lucena

Erika Karina disse...

Este é um assunto demasiadamente polêmico e que deve trazer muito pano pras mangas ainda. Pois, por mais que se projete um aeroporto afastado da cidade e que este tenha sido estudado e projetado para permanecer em área isolada, a própria estrutura do aeroporto irá proporcionar o deslocamento das pessoas para suas proximidades, devido as oportunidades trazidas pelo aeroporto. O que vai nos direcionar a muitas outras vertentes. Ao meu ver, nos cabe portanto a responsabilidade da cobrança continua para que este tipo de problema não caia no esquecimento.

Angela Barreto disse...

Parabéns, caríssimo Girley, por mais um brilhante artigo, já compartilhado com todos os amigos do Facebook.
Sempre que voo, vou e volto rezando. Não me sinto à vontade nunca, apesar de saber que o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo.
Como moro bem perto do aeroporto do Recife e vejo com frequência aeronaves decolando da minha janela, estou sempre pedindo a Deus que proteja aquele avião e todos os seus passageiros, levando-os ao seu destino em total segurança.
Afetuoso abraço e o meu agradecimento por mais esta sua gentileza.
Ângela Barreto

ORLANDO CHALEGRE disse...

Prezado amigo Girley:

De volta à Curitiba, volto também a acompanhar seu Blog e fazer meus comentários sobre seus sempre atualizados e oportunos artigos. Vejo este problema de aeroportos conviverem com áreas urbanas da mesma forma que vejo o crescimento desordenado das cidades, bem como da ocupação das áreas marginais das estradas que cortam algumas cidades brasileiras. Contrariando as colocações do Mauro Gomes, eu diria que esses problemas semelhantes poderiam ser resolvidos com uma simples proibição através de uma legislação pertinente, mesmo com todos os atrativos que no caso os aeroportos oferecem para desenvolvimento de negócios. Lembrando que para os casos do crescimento das cidades, a legislação existe (planos diretores), mas falta o cumprimento da mesma. Enfim voltamos sempre à mesma dificuldade brasleira em resolver seus problemas, ou seja a inoperância dos poderes constituidos. Um grande abraço

Orlando Chalegre