“Estou com raiva do Cristo desde que ele foi eleito uma das sete maravilhas do mundo. Foi um absurdo. A estátua não tem nenhum valor artístico. Seria maravilhoso implodir aquele bagulho, um espetáculo.” São palavras do ator Paulo César Pereio, numa entrevista a revista Veja, desta semana (Veja de 30.04.08, p. 48). Incrédulo, li na entrevista que o sujeito resolveu lançar uma campanha para implodir o Cristo Redentor. Dizendo-se ateu, pessoa paradoxal e ex-comunista, justifica-se dizendo que o monumento enfeia a paisagem carioca. Êita lapa de doido!Fico pensando como uma coisa tresloucada dessas pode acontecer. Ah! Tenha paciência, esse cara quer aparecer. Vai ver está sem trabalho nos palcos e no cinema. Isto, aliás, é bem provável porque, com aquela cara de desequilibrado, deve ter diretor correndo dele.
Indiscutivelmente, o Cristo é um ícone do Rio de Janeiro e do Brasil. Sinto imenso prazer ao vê-lo estampado em propagandas turísticas por onde ando mundo afora. Ele está para o Brasil, como a Torre Eiffel para Paris, as esculturas de Michelangelo para a Itália e a Estatua da liberdade para Nova York. Ou seja, é a nossa marca!
Esta coisa maluca me faz lembrar incríveis episódios de ataques a famosas obras de arte espalhadas pelo mundo, particularmente na Europa, igualmente ícones de seus respectivos países.
Pessoas, geralmente turistas estrangeiros, são atacadas pelas síndromes de Stendhal e Davi, que provoca confusão mental e alucinações e traz transtornos psíquicos latentes, especialmente diante de obras do renascimento italiano.
Psicologicamente transtornado e sentindo-se humilhado pela perfeição e beleza anatômica do Davi de Micheangelo, exposto em Florença, Pietro Cannata (imagino o traste) danificou a obra com marteladas certeiras, no ano de 1991.Outra obra de Michelangelo, a Pietá, foi atacada em 1972, pelo louco geólogo Laszio Toth (parece que húngaro) que entrou na Basílica de São Pedro, em Roma, e com machadadas danificou a obra, gritando “Eu sou Jesus Cristo”. Hoje, a Pietá é protegida, dentro de uma capela, por um vidro blindado e é mantida a distancia dos loucos. Em 1969, quando estive pela primeira vez em Roma, quase pude tocar a imagem. Ela ficava ao alcance de qualquer visitante.
Mas, não são apenas as esculturas os alvos dos loucos soltos pelo mundo afora. A
Mona Lisa, o mais famoso quadro de Leonardo da Vinci, de 1503, pertencente ao acervo do Museu do Louvre, em Paris, foi alvo de dois ataques, no ano de 1956: no primeiro, um anônimo lançou ácido danificando a parte inferior da tela, logo recuperada. No mesmo ano, no dia 30 de dezembro, um turista estudante boliviano lançou uma pedrada arrancando parte da pintura, que é sobre madeira de álamo. O débil mental foi preso e levado para uma prisão psiquiátrica. Depois disso o quadro é protegido por uma placa de vidro blindado.O quadro mais agredido, contudo, foi a Ronda Noturna de Rembrandt (1642) pertencente ao Rijksmuseum de Amsterdã (Holanda). Gosto demais desse pintor e deste quadro em particular, que considero a sua mais importante obra. Em 1915, um sapateiro desempregado riscou a tela, que é imensa e ocupa um único salão do Museu, causando leves
danos. Em 1975, um desconhecido desferiu 13 facadas na tela, algumas com 80 cm. E 1990, um holandês jogou ácido sulfúrico sobre a obra. Depois dessas ações desatinadas a Ronda Noturna, devidamente recuperada, só pode ser vista a distancia e a salvo dos pereios da vida.É impressionante o número de débeis mentais espalhados pelo planeta, destruindo obras de arte.
Claro que outros episódios podem ser lembrados, como o que ocorreu, final do século passado, quando os Talibãs destruíram as maiores estátuas de Buda que havia no mundo, uma delas com 53 metros de altura, esculpidas nas montanhas do Afeganistão. O motivo apresentado por eles, que são islâmicos radicais, era de que aquelas imagens históricas contrariavam sua religião. É, na verdadeira expressão da palavra, uma barbaridade! E, haja barbaridades, soltas por aí...
Essa idéia maluca do Paulo César Pereio deve ser repudiada pela sociedade brasileira. O Cristo Redentor, embora nem se compare com as obras antes citadas, é nosso ícone maior. É, sim, uma maravilha do mundo moderno e tem que ser preservada e protegida. Salvemos o Cristo da “sanha pereiana”.
Da minha parte, garanto que nunca mais vou pagar para assistir um filme ou uma peça de teatro cujo protagonista, ou mesmo coadjuvante, seja esse ator desmiolado. Pode ser uma retaliação tola, mas me tranqüiliza.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.




