sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sobre a Dívida Externa

A imprensa nacional de hoje (22.02.08) não mediu palavras quando anunciou o “Fim da Divida Externa” brasileira.
Conversando com alguns amigos, durante o almoço, fui indagado como isto podia acontecer de uma hora para outra. Alguém me perguntou: “quer dizer que o Brasil liquidou a divida externa que tinha? Aquela que assustava todo mundo?”
Ora, este assunto tinha mesmo que gerar muita conversa. Afinal, foi um tema que se constituiu, no passado recente, motivo de dor de cabeça para todo brasileiro (pelo menos os instruídos) e uma das maiores bandeiras políticas das oposições. Foi, não foi, o mote da divida externa era lembrado, dava samba, comícios e passeatas, deixando a sociedade em polvorosa. Não posso esquecer de que houve época em que se fazia conta de quanto o brasileiro já devia ao nascer; propunha-se plebiscito nacional para decidir por uma moratória; governo declarava moratória internacional e por aí ia. Um verdadeiro inferno econômico, com desastrosas repercussões sociais.
Qualquer brasileiro de 20 anos, ou pouco mais, sabe dessa historia muito bem. Planos econômicos, mudanças de moedas, confiscos de contas bancárias, inflação galopante, juros escorchantes (palavrinha estranha, até hoje), congelamentos de preços, o “diabo a quatro”, tudo por conta da divida externa. O que restava – e até o que não restava – de saldo, na conta do Governo, era consumido pelo pagamento dos juros da dívida externa. Somente juros, porque o principal só Deus sabia a quantas ia. Negociavam-se as dividas, “empurrando com a barriga”, mas, era um problema sem fim! Aliás, era muito comum se dizer que tinhamos uma dívida eterna. Vejam só...
Lembro, também, dos boatos alarmantes de que a dívida seria cobrada, de qualquer jeito, pelos credores internacionais, e que seria paga com territórios da Amazônia. Que loucura.
Mas, hoje, de repente, não mais que de repente, como num passe de mágica, eclode a noticia do fim da dívida! Alvíssaras! O que sempre foi motivo de preocupação é agora desmistificado e saudado, como não poderia deixar de ser, com um foguetório do Governo.
Imagino que, esta noite, tem uma infinidade de brasileiros que vai dormir feliz da vida. Sim, porque havia, também, o boato de que a dívida iria chegar a um ponto tal que todo trabalhador brasileiro teria que contribuir compulsoriamente para uma “vaquinha” com a qual o Governo iria saldar a danada da divida.
Desconfio que meu amigo que perguntou se a divida havia sido liquidada, ficou meio decepcionado quando lhe expliquei que a coisa não é bem assim.
Acontece que houve uma interpretação errada e generalizada quanto a noticia veiculada. Na prática, o Brasil não liquidou – de repente – a sua divida externa. O que de fato aconteceu é que, segundo o Banco Central, janeiro fechou com reservas monetárias suficientes para pagar a atual divida externa, no montante de US$ 197,7 Bilhões, e ainda ficar com uma laminha de US$ 4 Bilhões guardados no Tesouro Nacional. Nunca antes, neste país, (ui! não sei de onde tirei esta expressão) isto havia ocorrido. Trata-se de um fato histórico-econômico dos mais auspiciosos. É para ser festejado, de verdade.
Acontece que, mesmo com dinheiro em caixa, seria bobagem pagar a divida de uma vez. Temos prazos infinitamente elásticos para isto, o que é bom para a economia do país. Ao menos avisado, fica difícil entender bem o mecanismo que rege essas operações.
O meu amigo pôs a mão na cabeça e, não teve dúvidas em esbravejar: “agora deu! Num instante vão achar no que torrar essa grana arretada e, com pouco mais, vamos estar outra vez preocupados com esta infeliz dessa divida externa”. Imagino que, se ele assistiu ao noticiário da TV, à noite, deve ter ficado mais decepcionado ainda ao ouvir o Presidente Lula afirmar, em Buenos Aires, que precisamos é nos endividar mais, buscando dinheiro no exterior para investimentos na modernização das infra-estruturas econômica e social do país.
O presidente não está errado. O Governo agora tem cacife e moral para ir à cata de empréstimos e financiamentos no exterior, porque o país tem como pagar. Respaldado pelas boas perspectivas de ampliação desse cacife.
É simples entender tudo isto: este quadro otimista é sustentado pela estabilidade econômica que reina no país, a inserção do país no cenário economico internacional, pelo crescimento da produção nos três setores econômicos, o constante aumento das exportações, a inacreditável valorização do Real, a grande entrada de dólares com a chegada dos investidores estrangeiros que, além de encontrar refúgio seguro para suas aplicações, estão apostando, ou melhor, acreditando no Brasil, visto que o mercado brasileiro experimenta uma excelente tendência de crescimento e o país se revela como um lugar seguro para instalar plataformas de produção e sediar hubs estratégicos de comércio globalizado.
Foi isto que rendeu as divisas que hoje se acumulam no Banco Central e é isto que vai, como disse, hoje, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, “blindar o Brasil” diante da crise internacional que avança, a passos largos, com seu epicentro nos Estados Unidos. Comemoremos, porque temos motivos para isto.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

3 comentários:

Anônimo disse...

GIRLEY,
ESTOU CONVENCIDO QUE TEREI DE LER SUAS INTELIGENTES COLOCAÇÕES EM SEU BLOG RECENTE E QUE DEVERÁ AOS POUCO SER CULTUADOS PELOS MELHORES AVISADOS.
DÍVIDA EXTERNA, TER LASTRO ANTECIPADO PARA SALDAR O TOTAL DO ENDIVIDAMENTO. É IMAGINAR O QUANTO SE COBRA DE IMPOSTOS E COMO SÃO MAL EMPREGADOS. A DÍVIDA INTERNA CONTINUA NO CAOS, FORNECEDORES, INSS, LADROAGENS INTERNAS QUE SE FOREM ENXUTOS OS DESVIOS ENCONTRAREMOS A CHAVE DO PAGAMENTO SIMPLES A TODOS OS CREDORES INTERNOS. O BRASIL É MAL, MUITO MAL ADMINISTRADO PELOS PTs QUE AÍ ESTÃO. REDUZAM-SE OS IMPOSTOS,AUMENTEM AS RETIRADAS DAS APOSENTADORIAS DO POVO, AUMENTE-SE O PAGAMENTO DAS APOSENTADORIAS. AUDITEMOS AS CONTAS PÚBLICAS, OS CARTÕES CORPORATIVOS, OS MENSALÕES, OS SANGUE SUGAS, IPTUs, TAXAS DE BANCOS QUE GANHAM JUROS, OS GANHADORES DE LOTERIAS E VEREMOS UM NOVO BRASIL MAIS JUSTO E COERENTE. ABAIXO A AUTORIDADE INEFICIENTE, CHULA, QUE OCUPA CARGOS SEM TER A DIGNIDADE DO TRABALHO, SENDO APENAS UM FACILITADOR DE DESVIOS DE TODAS AS ORDENS. PARABÉNS ENTÃO COMO? POIS É, A LULA QUE SEGUIU O QUE HAVIA SIDO FEITO PELOS TÉCNICOS ANTERIORES. PELOS GOVERNOS ANTERIORES MESMO MEDIOCRES TEM ELES A CERTEZA DE QUE ARRECADAMOS DEMAIS PARA ENGANAR TÃO BEM A POPULAÇÃO. EXIJAMOS REDUÇÃO DE IMPOSTOS E INVESTIMENTOS NO SETOR PÚBLICO QUE JUSTIFIQUE O QUANTO SOMOS EXPLORADOS POR AUTORIDADES QUE VEEM O CONTRIBUINTE VIVO E IMAGINA MATA-LOS COM MAIS IMPOSTOS. CONTINUAR O ENDIVIDAMENTO, LÓGICO NÃO PODEREMOS PARAR É PRECISO INVESTIR, PERGUNTAND AGORA QUAL O LIMITE DE INVESTIMENTOS POSSÍVEIS SEM QUE TENHAMOS DE PEDIR EMPRESTADO? POIS É SE ESTANCAR A CORRUÇÃO, A IMPUNIDADE, A CERTEZA DE QUE SER LADRÃO NO BRASIL É AMPARADO POR POLÍTICOS, SE ACABAR UM POUCO COM ISSO O BRASIL INVESTIRÁ MUITO EM BENEFÍCIO DE MUITOS. VAMOS PENSAR E SUGERIR O QUE FAZER?

ALBERTO BRAYNER 81 8851 8117
www.fmaplauso.com.br

Girley Brazileiro disse...

Girley:

Você disse: "Sim, porque havia, também, o boato de que a dívida iria chegar a um ponto tal que todo trabalhador brasileiro teria que contribuir compulsoriamente para uma “vaquinha” com a qual o Governo iria saldar a danada da divida."
Não foi boato nem compulsoriamente, mas a "vaquinha" existiu naquele apelo DÊ OURO PARA O BRASIL. Lembra-se?

Marcos Aurélio

Girley Brazileiro disse...

O comentário acima, no qual aparece a minha foto, foi feito pelo leitor Marcos Aurélio. Por falha técnica saiu com sendo do autor do Blog.

Marcos,
Lembrou bem. Onde terá sido depositado esse ouro?
Girley