segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

EDUCAÇÃO DE BASE: PROBLEMA NACIONAL

Muito frequentemente, estamos às voltas discutindo os principais fatores que inibem o desenvolvimento sócio-econômico brasileiro e, quase sempre, o fator educação e qualificação profissional dos recursos humanos é lembrado como um dos mais problemáticos.
No Fantástico, da TV Globo, de ontem (17.02.08), uma reportagem especial expôs, mais uma vez, as dificuldades pelas quais passam milhões de crianças – de Norte a Sul, de Leste a Oeste – para ter acesso à educação de base, que é por onde começa a preparação do capital humano de um país.
É impressionante e lamentável como aqueles brasileirinhos, mostrados na reportagem, sofrem e se desgastam para chegar a uma escola pública, a maioria desaparelhada, precária nas suas instalações e contando com professores mal qualificados e com desestimulante remuneração. Há escolas que funcionam, no dizer de alguns nativos, “debaixo de um pé de pau”, com professoras leigas e voluntárias, “inocentes de pai e mãe...”
Alguns se deslocam caminhando quilômetros até chegar a uma estrada vicinal, onde esperam um ônibus velho, carcomido e inseguro, que os leva à escola na vila ou cidade, como a mostrada na reportagem, no estado de Minas Gerais. Outros, no interior do Nordeste, valem-se de caminhões que circulam superlotados, tal qual um pau-de-arara. Em Maceió, outro exemplo, usam uma canoa furada – a reportagem mostrou um garoto esgotando a água que fazia na canoa, com uma caneca de flandre – totalmente insegura, na qual navegam meia hora numa lagoa até alcançar uma ilhota onde está a escola. Outros mais, são expostos a travessias e margens de rodovias de alto movimento, como a Anhangüera, em São Paulo, percorrendo a pé, o trajeto quase sem fim, que os leva a escola. São crianças entre 6 a 12 anos de idade! Os mais velhos tomando conta dos mais novos, protagonistas de um modelo cruel, que se repete de modo corriqueiro e, pior, como um traço cultural, em todos os quadrantes do País. Doloroso.
Faltam escolas, faltam professores, falta responsabilidade social dos gestores e do povo que não sabe (ou não tem como) exigir o que de direito, num regime que se diz democrático. Pensando bem, não têm esclarecimento, porque não têm instrução, porque não têm educação, enfim, porque não têm nada.
Cristóvão Buarque – o maior defensor da educação no Brasil de hoje - num dos seus muitos artigos em defesa da educação de base, como fator principal para o desenvolvimento, com o sugestivo titulo de “O Capital Esquecido” afirmou: “Nosso governo, mesmo quando olha o Brasil pelo lado do povo, e não mais da elite, continua vendo educação como um serviço obrigatório, ou mesmo uma assistência, sem atribuir a ela o devido valor de vetor da evolução do País. A educação ainda não é vista como o maior capital que um país pode ter: seu povo educado. Este é o maior de nossos desafios, daqueles que se preocupam com educação: convencer o governo Lula de que educação é capital. Se não fizermos isso, nosso governo vai continuar falando mais em economia, em tarifas comerciais, em contêineres, estradas e hidrelétricas, do que em professor, escola e criança.”

Todo mundo sabe, muito bem, como Buarque, Ministro da Educação, foi afastado do Governo Lula. Pelo telefone. Injunções políticas e espúrias. O que foi uma lástima.

Resultado é que temos um país de baixíssima classificação nos ranks mundiais que medem níveis educacionais. Em Pernambuco, por exemplo, jovens ora sendo engajados em novos projetos que se instalam no estado, com uma suposta formação de base, precisam ser requalificados, para atender as exigências do empregador. A esmagadora maioria não sabe interpretar um simples texto ou realizar uma elementar operação aritmética. Se são desse nível, como seguir uma instrução de trabalho?

Quando, os brasileiros do futuro vão ter uma escola digna e formadora de uma sociedade justa e uma economia desenvolvida, quando?

Só Deus poderá responder, porque nós, pobres mortais do Brasil destes tempos, temos pouco a dizer e muito a lamentar.

Nota: Fotos obtidas no Google Imagens. Em cima crianças da zona rural, a caminho da escola, em Goiás. Na foto seguinte, crianças a espera da professora que não vem, em Alagoas.

6 comentários:

Mauro Gomes disse...

Os exemplos do que a educação do povo pode fazer por um país são muitos conhecidos(Corea do Sul, Japão, Europa do pós-guerra. O Brasil precisa se espelhar nesses países, caso contrário seremos eternamente uma promessa não concretizada.

Ana Maria Menezes disse...

Girley, o problema da educação de base neste país é tão grande quanto cruel. Grande não só em termos númericos ou seja em número de analfabetos ou semi-analfabetos, como na extensão da desgraça e da miséria que afligem todos os que se encontram neste nível de total falta de instrução basica. Cruel porque ao meu ver os políticos preferem manter esse status quo. Todo aquele que sabe ler e escrever, começa a avaliar a exigir mais dos seus representantes; Consequentemente obter voto de uma pessoa instruída não é tão fácil quanto do analfabeto que justamente por ser analfabeto terá uma condição humilde e certamente aceitará com mais facilidade a troca do voto por um prato de feijão. Os políticos preocupam-se com suas eleições ou re-eleições com a criação de um "projeto eleitoral"que os leve aos postos que cobiçam. Eles não estão preocupados em educar ninguém. Daí porque nossa responsabilidade em defender nossos irmãos "cegos" desses hipócritas se torna ainda mais imperiosa. Nunca esqueça do que é dito no Evangelho de S. Lucas 12:48 "A quem muito foi dado muito será cobrado" Obrigada pela oportunidade. ana maria menezes

Celso MIranda disse...

Amigo Girley,
Seu comentário é por demais oportuno.Talvez possamos iniciar uma discussão mais abrangente sobre a matéria e chamar mais pessoas para participarem. Senão vejamos; Fui aluno do Colégio Penambucano, hoje Ginásio ( tão sofrido nos ultimos anos) Excelente os professores e 100% de aprovação no Vestibularo;outros existentes na época IEP,Colégio de Aplicação, João Barbalho.
Sempre defendi e defendo que se não tivermos uma revolução educacional que o país precisa não iremos a lugar algum.
Como membro do PDT partido da "Primeira Escola Pública de Dia Completo" CIEPS leia-se Leonel Brizola,coloco que a sigla não é o mais importante, importante é a causa defendida e ouso sugerir ao amigo, iniciarmos um debate mais profundo sobre este tema, que teve continuidade no Governo Lula em 2003 com o nosso Cristovão e que foi paralizado.
Tambem podemos comentar "Sobre a Lei de Diretrizes e Bases de 1996" - "progresão continuada",comentar sobre a adoção pelo Governador do Distrito Federal Jose Roberto Arruda(DEM)da Seleção por competência dos candidatos à Diretores, da implantação em Brasíla da promoção do horário integral por meio de atividades extracurriculares fora da escola, não no sistema ideal de horário integral na própria escola,mas é um grande passo.
Sem alguna ações continuadas e lógicas, com metas a lacançar continuaremos a ver cenas das que o amigo citou mostradas na televisão.
Ainda sugiro divulgarmos o site do Cristovão - wwww.cristovam.com.br, onde todos os interessados poderão ter acesso ao documento "A Revolução na Educação em 23 itens".
A participação tem de ser de todos, pais, mães, clubes de serviços, esportivos sociais, entre outros.Há necessidade de unificarmos o discurso e as ações para não pulverizarmos.
Parabens Girley pelo comentário
Celso Miranda

GB disse...

Celso,
Obrigado pelo comentário e pelas sugestões. Estamos à disposição para esse debate que você sugere.
Você pode, inclusive, dispor do espaço do Blog do GB.
O site de Cristovam (fui aluno dele no Curso de Economia) será incluido entre os indicados pelo Blog. Examine depois.
Volte sempre.
Meu abraço especial.
GB

Rinalva Silveira disse...

Olá Girley:

Li o seu artigo sobre educação. Concordo com você quando diz que
temos muito
o que fazer para melhoria do nosso país. Todavia, discordo da
alfinetada que
você deu em Lula. Sou fanzona dele. Na 1º eleição não votei nele
porque não
acreditava que ele fosse capaz de conduzir esse país. Mas justiça se
faça,
ele está indo muito bem, melhor do que o esperado. Estando à frente
de uma
pequenina empresa vejo o quanto é difícil lidar com pessoas. A toda
hora
somos surpreendidos com as condutas dos que nos cercam. Imagine
administrar
um país do tamanho do nosso. É impossível não ter problemas. Se ele
sabe ou
não das falcatruas não sei, mas pela complexidade dos problemas,
talvez ele
tenha que fazer vistas grossas. Acredito nele, votarei nele para
qualquer
coisa que ele se candidatar. Possa ser que no futuro eu me decepcione.
Espero e torço para que isto não aconteça.
Porque você discretamente não fala sobre o seu livro no blog? As
pessoas
iriam adorar ter acesso a ele.
Um abraço,
Rinalva Figueiredo da Silveira
(81) 3339-3166
rinalva@hotlink.com.br

Girley Brazileiro disse...

Rinalva amiga,

Muito obrigado pelo seu comentário sobre a materia no Blog do GB. Fico muito honrado com sua visita e, claro, com sua participação.
Agora deixe-me comentar seus comentários:
1 - Eu não alfinetei o Presidente Lula. Eu critiquei o Governo Brasileiro, de um modo geral. Este e os muitos outros que antecederam. O desprezo que se dá à Educação, neste país, é histórico. Tenho certeza que vc concordará comigo.
2 - As pessoas difíceis de lidar, que vc encontra ao seu redor, são as que não tiveram a devida educação, a educação digna, da qual falo no Blog. Com este exemplo você corroborou com a minha tese. Se tivessem tido a formação digna e a educação adequada, não lhe surpreenderiam tanto. Apesar de que, vc sabe, isto depende, também, do carater do sujeito.
3 - Admiro a sua admiração ao Lula. Mesmo com toda a corrução que se espalhou no Governo dele. Claro que ele tem qualidades. Acho ele inteligentíssimo. A prova é que chegou aonde chegou. Tiro o chapéu.
Seu amigo,
Girley Brazileiro