Alguém já observou como está fraco o entusiasmo dos
brasileiros para a próxima Copa do Mundo, na Rússia? Faltando menos de
um mês para inicio da competição e não se vê o movimento que lembre outrora. Mesmo
considerando o fato de que o último certame ocorreu aqui no Brasil e, quem sabe,
estejamos comparando, continuo achado tudo muito morno. Não fosse a crônica esportiva
mencionando a proximidade do evento, pouco se fala e pouco se opina. Os
costumeiros palpites e as discussões acirradas sobre a equipe selecionada nem
de longe se comparam com o que víamos no passado. Nas reuniões sociais que
tenho participado e nas dinâmicas redes sociais o assunto passa quase despercebido.
Está tudo muito distante. Tanto quanto a própria sede dos jogos.
Onde tremulam as bandeirinhas verde/amarelas? Cadê as ruas
enfeitadas e pintadas com motivos alusivos? Bom, talvez ainda seja cedo, mas, a
verdade é que não se vê muito entusiasmo da nossa torcida.
Tenho pra mim que dois motivos concretos estão gerando
esse baixo entusiasmo. O primeiro é ainda o trauma gerado pelo acachapante Mineiraço
de 7 x 1 que tomamos da seleção alemã, dentro de casa, em 2014, justo quando os
brasileiros queriam espantar o fantasma do Maracanazo
de 1950. Apanhar dos uruguaios de 1 x 0 foi fichinha. Mas, aquele episódio da
última Copa dificilmente será esquecido. A decepção ainda dói na alma esportiva
do Brasil. A nova geração que engrossava a torcida brazuca da última Copa – meninada de 10 a 14 anos – anda com “um pé atrás”
e sem firmeza para torcer desbragadamente. Para quem já foi campeão ou
derrotado noutras oportunidades, mesmo não perdoando o Mineiraço, leva na esportiva. Vamos ver o que vem por aí. Levantar a
Copa em Moscou pode ser revigorante.
Ah! O outro motivo é essa crise político-econômica que abate
o país. Torcer com alma e vibração custa algum esforço e pode ser caro. Com 13
milhões de desempregados registrados, fora os que procuram emprego pela
primeira vez e os nem-nem (nem estuda
e nem trabalha) vai ser difícil se entusiasmar. Fora isto, é de se considerar
que poucos, muito poucos, se aventurem ir às praças e locais onde telões
exibirão as partidas do campeonato, em vista da insegurança reinante, sobremodo
nas grandes cidades.
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| A derrota de 1950 ainda é lembrada. Aquele Maracanazo doeu demais. |
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| E o recente Mineiraço é ferida aberta. |
Mas, tem uma coisa a registrar: certamente que o Governo já faz
figa e torce fortemente pelo sucesso da Canarinha, para embalar a alma do eleitorado. Num ano de eleições! Já pensou?
Afinal, historicamente, nada como um Carnaval
e uma Copa do Mundo para "anestesiar" o brasileiro bom de bola e com samba no pé,
no meio de uma crise política. Aliás, sendo ao contrário não seria Brasil.
Vê se você, caro leitor ou cara leitora, se anima! Compre
sua bandeirinha. Coloque uma camiseta verde e amarela e arranque da garganta o “é Hexacampeão!”. Afinal de contas, isto também
é cultura. Não é mesmo?
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

