Há quase
sete anos fiz uma postagem, com grande repercussão entre os leitores,
criticando o estado de abandono da cidade do Recife, descrevendo a situação
desesperadora, sobretudo da região central, mergulhada na sujeira e total
degradação. Era na gestão PTista.
(vide:http://gbrazileiro.blogspot.com.br/2009/recife-uma-cidade-abandonada.html) Na
ocasião relatei a vergonha que passei ao ciceronear um amigo paulista em visita
à cidade e interessado em conhecer a área central e, sobretudo, os canais da “famosa”
Veneza Brasileira.
Na recente semana
pré-carnavalesca precisei ir a uma agencia bancária no bairro do Recife Antigo
e, dadas as dificuldades de estacionamento, resolvi usar um serviço de taxi.
Saindo do bairro do Derby, o motorista rumou ao destino pela Avenida Conde da
Boa Vista, artéria central da cidade, e pela qual raramente transito. O que vi,
fez-me rememorar o “desastrado passeio” que fiz com meu amigo paulista em 2009.
Na condição de passageiro tive a chance de observar o estado geral da avenida –
que, em minha opinião, devia se constituir num cartão postal da cidade – e
rápido conclui que se trata de um espaço urbano degradado e, na verdade,
abandonado pelas autoridades municipais. A avenida está completamente
despreparada para receber os muitos turistas que baixam na cidade, nesta época
de carnaval. Reconheci que o processo (nacional) de urbanização acelerada produziu
uma tremenda deterioração da dita Veneza Brasileira. A visão geral é
desoladora. Lixo por todos os lados, ambulantes invadindo as calçadas,
disputando espaço entre eles e com a massa de transeuntes, copos descartáveis e
latas usadas de cerveja e refrigerante espalhadas pelo meio-fio e, para
completar, um transito desorganizado que assusta qualquer cidadão de são juízo.
Aliás, será difícil para qualquer engenheiro de trânsito estabelecer uma ordem
civilizada por ali, com aquele sistema estapafúrdio criado pela Prefeitura
Petrália. Colocaram linhas preferenciais para ônibus – nos dois sentidos – na
espinha dorsal da avenida, entremeada de várias estações mal construídas, hoje
em estado desprezíveis. Em cima disso, a atual prefeitura, ao implantar o
sistema BRT, começou a construir outro tipo de estação, melhor estruturada, que,
por falta de grana, foram abandonadas pela metade deixando um rastro de
desleixo e má impressão para um eventual visitante e para os nativos, é claro.
Fico desesperado com coisas dessa natureza.
Lembro que estudei
no antigo Colégio Marista (hoje com as atividades encerradas), nos tempos de
adolescência e juventude, situado num dos primeiros trechos da Conde da Boa
Vista. Conheci aquilo lá numa época áurea. Avenida limpa, bem frequentada,
iluminação atualizada e comércio elegante. Tudo bem, que a cidade cresceu!
Ninguém pode esquecer. Mas, será que essa expansão tinha que passar por esse
processo de degradação urbana? Faltou responsabilidade dos administradores
municipais. Bem como falta educação para nossa gente. É inadmissível que, nos
tempos atuais, o cidadão ignore a existência dos coletores de lixo postos à disposição.
Parece incrível, mas é justamente ao redor desses coletores que se acumulam
mais detritos. Tenho a impressão que o sujeito tenta “acertar uma cesta”, erra
e fica por isso mesmo. Isto, sem falar na coleta que é falha também. E a
sujeira cresce a cada hora. Não tem limpeza urbana que dê jeito.
É verdade,
também, que a maioria das cidades brasileiras têm, hoje, suas áreas centrais com
problemas cruciais escancarados. A população urbana cresceu aceleradamente nos
últimos trinta anos e o Recife não estaria imune a esse processo. Mas,
infelizmente, constato que a situação por aqui é bem mais grave do que outras
capitais, na própria região. Se a população metropolitana cresceu
desordenadamente, que as cidades tratem com prioridade esta situação, até mesmo
por uma questão de saúde publica. Pensando bem, não é à toa que o estado lidera
as estatísticas de casos de microcefalia na atual crise da saúde. A sujeira
impera, a população está habituada a essa sujeira e pouco se liga nas consequências.
Conversando
com algumas pessoas a respeito desta situação ouvi relatos assustadores sobre a
periferia da capital. Nos altos, córregos e canais do Recife a gente vive num
completo abandono. Falta educação pra essas comunidades se ajustarem ao mundo
civilizado. Minha secretária doméstica contou-me que o sujeito morre, o corpo é
jogado no canal, a família e os amigos ligam para a Prefeitura ou policia que
levanta o corpo e providencia o sepultamento. Incrédulo, perguntei a razão
dessa coisa dolorosa. Recebi a explicação de que a família não podendo arcar
com os custos de um enterro, usa dessa infame estratégia.
Chega, por
hoje, não preciso dizer mais nada. Tenho muita saudade do Recife da minha
juventude.
NOTA: Sem
fotos ilustrativas para não assustar os potenciais visitantes e os leitores de
fora.