terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Recife, quem te viu e quem te vê

Há quase sete anos fiz uma postagem, com grande repercussão entre os leitores, criticando o estado de abandono da cidade do Recife, descrevendo a situação desesperadora, sobretudo da região central, mergulhada na sujeira e total degradação.  Era na gestão PTista.
(vide:http://gbrazileiro.blogspot.com.br/2009/recife-uma-cidade-abandonada.html) Na ocasião relatei a vergonha que passei ao ciceronear um amigo paulista em visita à cidade e interessado em conhecer a área central e, sobretudo, os canais da “famosa” Veneza Brasileira.
Na recente semana pré-carnavalesca precisei ir a uma agencia bancária no bairro do Recife Antigo e, dadas as dificuldades de estacionamento, resolvi usar um serviço de taxi. Saindo do bairro do Derby, o motorista rumou ao destino pela Avenida Conde da Boa Vista, artéria central da cidade, e pela qual raramente transito. O que vi, fez-me rememorar o “desastrado passeio” que fiz com meu amigo paulista em 2009. Na condição de passageiro tive a chance de observar o estado geral da avenida – que, em minha opinião, devia se constituir num cartão postal da cidade – e rápido conclui que se trata de um espaço urbano degradado e, na verdade, abandonado pelas autoridades municipais. A avenida está completamente despreparada para receber os muitos turistas que baixam na cidade, nesta época de carnaval. Reconheci que o processo (nacional) de urbanização acelerada produziu uma tremenda deterioração da dita Veneza Brasileira. A visão geral é desoladora. Lixo por todos os lados, ambulantes invadindo as calçadas, disputando espaço entre eles e com a massa de transeuntes, copos descartáveis e latas usadas de cerveja e refrigerante espalhadas pelo meio-fio e, para completar, um transito desorganizado que assusta qualquer cidadão de são juízo. Aliás, será difícil para qualquer engenheiro de trânsito estabelecer uma ordem civilizada por ali, com aquele sistema estapafúrdio criado pela Prefeitura Petrália. Colocaram linhas preferenciais para ônibus – nos dois sentidos – na espinha dorsal da avenida, entremeada de várias estações mal construídas, hoje em estado desprezíveis. Em cima disso, a atual prefeitura, ao implantar o sistema BRT, começou a construir outro tipo de estação, melhor estruturada, que, por falta de grana, foram abandonadas pela metade deixando um rastro de desleixo e má impressão para um eventual visitante e para os nativos, é claro. Fico desesperado com coisas dessa natureza.
Lembro que estudei no antigo Colégio Marista (hoje com as atividades encerradas), nos tempos de adolescência e juventude, situado num dos primeiros trechos da Conde da Boa Vista. Conheci aquilo lá numa época áurea. Avenida limpa, bem frequentada, iluminação atualizada e comércio elegante. Tudo bem, que a cidade cresceu! Ninguém pode esquecer. Mas, será que essa expansão tinha que passar por esse processo de degradação urbana? Faltou responsabilidade dos administradores municipais. Bem como falta educação para nossa gente. É inadmissível que, nos tempos atuais, o cidadão ignore a existência dos coletores de lixo postos à disposição. Parece incrível, mas é justamente ao redor desses coletores que se acumulam mais detritos. Tenho a impressão que o sujeito tenta “acertar uma cesta”, erra e fica por isso mesmo. Isto, sem falar na coleta que é falha também. E a sujeira cresce a cada hora. Não tem limpeza urbana que dê jeito.
É verdade, também, que a maioria das cidades brasileiras têm, hoje, suas áreas centrais com problemas cruciais escancarados. A população urbana cresceu aceleradamente nos últimos trinta anos e o Recife não estaria imune a esse processo. Mas, infelizmente, constato que a situação por aqui é bem mais grave do que outras capitais, na própria região. Se a população metropolitana cresceu desordenadamente, que as cidades tratem com prioridade esta situação, até mesmo por uma questão de saúde publica. Pensando bem, não é à toa que o estado lidera as estatísticas de casos de microcefalia na atual crise da saúde. A sujeira impera, a população está habituada a essa sujeira e pouco se liga nas consequências.
Conversando com algumas pessoas a respeito desta situação ouvi relatos assustadores sobre a periferia da capital. Nos altos, córregos e canais do Recife a gente vive num completo abandono. Falta educação pra essas comunidades se ajustarem ao mundo civilizado. Minha secretária doméstica contou-me que o sujeito morre, o corpo é jogado no canal, a família e os amigos ligam para a Prefeitura ou policia que levanta o corpo e providencia o sepultamento. Incrédulo, perguntei a razão dessa coisa dolorosa. Recebi a explicação de que a família não podendo arcar com os custos de um enterro, usa dessa infame estratégia.  
Chega, por hoje, não preciso dizer mais nada. Tenho muita saudade do Recife da minha juventude.

NOTA: Sem fotos ilustrativas para não assustar os potenciais visitantes e os leitores de fora.


16 comentários:

Francy disse...

Eu sinto saudades daquela Avenida, onde funcionavam 3 divisões
Do Departamento de Recursos Naturais, da SUDENE, de
Saudável memoria..Eu trabalhava na Divisão de Cartografia.

valerio guidotti disse...

Girley um prefeito que espera a Anta para o velório da via mangue bosta,onde o gov federal só entrou com 2% ,é um verdadeiro Poste,Recife está com muito azar 12anos de Putistas e 4 de Geraldo Pulha ,vamos tentar colocar um prefeito

Antonio Carlos Neves disse...

Realmente primo é lamentável ver como se encontra nossa cidade
Antonio Carlos Neves

Francy Pimentel Gomes Guttierrez disse...

Recife, minha cidade de coração, merece mais respeito do poder público. ..
Francy Pimentel Gomes Guttierrez

Maria Zuleida disse...

Realidade triste, mas verdadeira. Parabéns pela crônica.
Maria Zuleida

Elda Galvão Diniz disse...

História triste das capitais como um todo! Recife não é minha cidade natal, mas adotada como residência, fico decepcionada com o descaso, que no passado foi considerada a capital do NE, dizem hoje que foi superada por Fortaleza ou Salvador, sei lá, mas todas tem problemas semelhantes.
Elda Galvão Diniz

Ran disse...

Lembro dos nossos carnavais em Olinda, bem diferente da selvageria de hoje.

Unknown disse...

Parece saudosismo, mas todos sentimos saudades dos tempos de infância. Não sei a razão. Pode ser, também, que não tínhamos formado os conceitos que temos hoje. Todas as vezes que isso acontece eu me surpreendo vendo as coisas de forma diferente da que via quando era novo. Acho que as coisas mudaram, tudo se amontou, o trânsito virou um caos, os perigos se multiplicaram, elegemos as mesmas porcarias. São capitais hereditários, passam os governos e o poder de pai para filho, numa desavergonhada ganância de poder, e o povo, idiota, vota neles. Vamos mudar isso. Vamos eleger todos diferentes, vamos atualizar nossos líderes. vamos votar em gente diferente, que nunca teve complicações na políticas, administrativos, financeiros, criminais. Não precisam estar condenados, basta que tenham sido suspeitos, aí teremos outro Brasil.

J.Artur disse...

Prezado Girley, 2 coisas:
1. SÉRIA = Lembra dos japoneses saindo da arquibancada e coletando todos os resíduos. Está circulando pelo Face a situação que deixaram as arquibancadas após desfile das escolas de samba cariocas... Lá como cá.
2. GAIATA = Alguém pintou numa lixeira de poste "CHÃO"... para o pessoal jogar mais lixo nela...
É tudo triste, mas es vero....
Abração,

Conceição Pimentel disse...

Muito triste, passei também pela Conde da Boa Vista recentemente e fiquei estarrecida e me pergunto : o que restou da minha cidade tão linda ???????
Conceição Pimentel

Ranulfo Cunha Filho disse...

Ontem lembrei dos nossos carnavais em Olinda, que maravilha!!!!, quanta diferença da selvageria dos dias de hoje. Recife, realmente uma cidade sem dono e sem lei.
Ranulfo Cunha Filho

Ana Fernandes de Souza disse...

Realmente cunhado : Recife , quem te viu e quem te vê !!!
Ana Fernandes de Souza

Ina Melo disse...

Concordo com você amigo querido! Eu também sou uma grande observadora e sem defender política nenhuma, pois com as minhas muitas décadas vividas, acho que todos olham apenas para o seu umbigo. Lamento é que, com todo o crescimento urbano e populacional o nosso povo continue a ignorar as regras da boa educação. Por mais que se ensine a não jogar lixo nas ruas, eu que andava de ônibus e fiz várias confusões, quando reclamava das pessoas que jogavam papel, garrafas, pela janela. Agora mesmo, duas amigas alagoanas e que moram à beira do paraíso em Maceió, meteram o pau, é assim que se diz, nas nossas praias(Boa Viagem) que acharam sujas e abandonadas. Eu discordo. A praia todos os dias é limpa e se você vai pela manhã, não encontra sujeira, mas com a chegada dos banhistas, mesmo com sacolas distribuidas, lixeiras e tudo mais, ninguém se preocupa. e joga o lixo em qualquer lugar. Será que precisamos ter um Gari por pessoa, para manter a cidade e as praias limpas? Por que só o Governo tem obrigação? Nós também devemos ter educação e amor pela nossa cidade. O que precisa é de multas para quem jogar lixo no chão! Desculpa amigo, eu sei que estás certo, o ontem com a população menor era outra coisa! Eu também o vivi! No Brasil ainda falta tudo, inclusive o amor pelo País.Abraços de uma quarta-feira de cinzas!
Ina Melo

José Carlos Lucena disse...

Lamentável meu primo Girley Brazileiro. Mas, São Paulo não fica atrás. A gestão Haddad (PT) acabou com minha cidade. Ele defende o verde: o mato cobriu as ruas e avenidas rsrs. Buracos em todas as vias. Há pouco resolvi andar de metrô e fazer um tour pelo centro velho. O metrô, magnífico. O centro.........não ousaria levar um visitante. Drogados, mendigos.....uma sujeira sem fim. Difícil chegar à Catedral da Sé. Dá nojo e dá medo. Então, não é só Recife. Onde há prefeito da "quadrilha" a situação é igual. Triste, desesperançoso. Abraço.
José Carlos Lucena

Manoel Quintas disse...

Amigo Girley
Folgo em receber o belo artigo que escreveu sobre a nossa querida Recife. Não resisti em fazer um comentário pelo tanto que o assunto me sensibiliza e por ser escrito pelo o amigo.
Parabéns mais uma vez. Grande abraço, Manoel Quintas.

Ieda Q. de Freitas disse...



Faço minhas as suas palavras.Recife fede.
Também estive no centro, e fiquei deveras decepcionada!!
Ieda Freitas