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terça-feira, 16 de junho de 2020

Bem-Vindo ao Século 21


Após tantos meses de distanciamento social devido à crise sanitária, imposta pela Covid 19, boas lições foram acumuladas pelos humanos do século 21. Cada vez mais fica confirmado o velho adágio tantas vezes lembrado pelos mais antigos de que “todo mal traz um bem”. As coisas já estão visíveis e chegando pra ficar.
Possivelmente e guardando as proporções de tamanho, infraestrutura socioeconômica e hábitos culturais das diferentes sociedades poderemos, com muita esperança, viver num mundo novo e mais magnânimo em vários sentidos. A crise que hoje vivenciamos veio estabelecer novas e oportunas regras de convivência até por uma questão de sobrevivência. O progresso tecnológico desenfreado repercutindo de forma muitas vezes maligna aos viventes, independente das naturezas racional ou irracional, levou a que guerras, ganâncias econômicas e politicas, epidemias e degradação ambiental fossem registradas na recente trajetória da Humanidade. Historiadores, sociólogos, geógrafos, ecologistas, entre outros profissionais, já previam o que agora estamos atônitos testemunhando. Curioso e estarrecedor é que, ao contrário das dantescas e históricas guerras travadas no século passado, o Coronavírus (ou Covid 19) pode matar muito mais seres humanos do que se imagina ou preveem. Diante dessa cruel realidade, o historiador e cientista, israelense, Yuval Noah Harari (jovem nascido em 1976) foi taxativo ao afirmar num dos seus recentes ensaios que “a batalha decisiva (contra a Covid19) trava-se dentro da própria humanidade”.
Lendo, recentemente, a famosa obra de Harari, intitulada de 21 Lições para o Século 21 (publicada no Brasil pela Companhia das Letras) tomei uma grande lição ao concluir que a chave do sucesso da humanidade sobre o Coronavírus será perseguir a difícil união entre os povos com vistas às tangíveis solidariedade e confiança. Quando qualifico de “difícil união” refiro-me, obviamente, às imensas diferenças politicas, econômicas e religiosas que vigoram neste mundo em que vivemos. Foi baseado nestas três dimensões de organizações sociais que desenhamos o modus-vivendi que construímos ao longo da História. Muitas idas e vindas, muitos altos e baixos, vitórias e desgraças, sucessos e insucessos nos trouxeram a esta Babel do século 21. Harari, noutra obra magistral da sua autoria, Sapiens: Uma Breve História da Humanidade destrincha essa trajetória desde a remota era do Pithercanthropus Erectus. Vale à pena conferir. Ele é instigante e revolucionário nos seus pensamentos. 
O Novo Normal, pós-Pandemia, que tanto se fala e está por vir, vai exigir muita solidariedade e confiança entre as nações, os governantes, lideres internacionais, assim como entre os homens e mulheres comuns. Segundo Harari, “hoje, a humanidade enfrenta uma crise aguda não apenas por causa do Coronavírus, mas também pela falta de confiança entre os seres humanos”. Ora, é isto que estamos testemunhando a toda hora. Um bom exemplo conjuntural vem da total desconfiança que produzem os informes e boletins oficiais da Organização Mundial da Saúde – OMS. Como confiar numa entidade que se diz Senhora Guardiã da Saúde planetária e confessa tantos equívocos cometidos, resultando por confundir multidões ao redor do globo? Por mais desconhecido que seja o maligno vírus, a OMS devia sempre se precaver ao manifestar resultados dos seus estudos e pesquisas. Diante de quadro tão frouxo e incerto é de esperar que o humano do século 21 esbarre num dos mais fantásticos desafios sem que precise usar de uma arma ou disparar uma bomba arrasadora. A guerra que venha a ser travada neste século virá à base do conhecimento (Tecnologia da Informação - TI e Inteligência Artificial - IA) e do fundamental desenvolvimento biotecnológico. Naturalmente que uma pergunta não cala: é grande o risco que se corre? Com certeza. Daí a exigência da confiança e solidariedade entre os povos.
Num cenário de dimensão tão grande e diante de tantas hipóteses revolucionárias não é demais se dizer que o século 21 está começando agora. Bem-Vindos e Bem-Vindas!

Nota: Ilustração obtida no Google Imagens.


PS.: Com este post homenageio o Amigo Geógrafo e Professor (UFPE), Jorge Fernando de Santana, que me instigou à leitura da obra de Yuval Harari.  

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