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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sempre nova Fazenda Nova

É bem comum que admiremos mais os lugares distantes e esqueçamos o belo que temos por perto. Parece que o simples fato de saber que determinada atração turística se encontra à mão, termina sendo sempre deixada para depois. Cariocas que nunca subiram ao Corcovado e pernambucanos que nunca assistiram à encenação da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém é fato bem mais comum do que se imagina.
Estes últimos dias, andei pensando sobre essa coisa, ao visitar por duas vezes um mundo que, embora fazendo parte da minha história de vida, vem sempre me surpreendendo e se renovando com sua paisagem peculiar de Agreste Semiárido. Refiro-me às plagas pernambucanas de Fazenda Nova – terra dos meus ancestrais – e Brejo da Madre de Deus, localidades situadas na Região do Agreste Central  de Pernambuco.   
Muitos são os pernambucanos que não têm ideia da riqueza natural daquele mundo mesclado de aridez e brejo, de serras e vales formando um ecossistema que pode deslumbrar um visitante.
Em Fazenda Nova, além da Nova Jerusalém, o visitante não pode deixar de visitar um museu a céu aberto, o Parque das Esculturas Nilo Coelho, para admirar as obras de arte esculpidas e cinzeladas no granito bruto da região, por artistas da terra, formados pelos admiráveis mentores, Diva e Plínio Pacheco, durante a construção da cidade teatro. Foi muito suor e sangue nas veias para extrair a pedra, tratá-la e transformá-la numa permanente exposição de figuras populares do povo nordestino. Vide fotos a seguir.
Num ambiente onde arte cênica abunda, a Mãe Natureza parece aderir ao movimento e se engalana para deslumbrar o visitante. Não é à toa que muitas companhias e produtores de cinema escolhem a região para locação das suas produções.
Outra característica local é a afabilidade da gente local. Antenados e atualizados, no tempo e no espaço, o homem brejense de Fazenda Nova ou da sede do município mantém sinergias diferenciadas capazes de nivelá-los aos hábitos e costumes dos grandes centros. Aliás, percebo que já não existe mais o antigo caipira, nosso tradicional matuto. A programação de TV chega aos mais escondidos grotões dos nossos interiores. Nas brenhas do Brejo da Madre de Deus (PE) é bem comum avistar uma tremenda antena parabólica sobre uma tênue casinha que inacreditavelmente consegue sustentar aquele moderno estrupício. 
Estimulado pela turma jovem (filho e sobrinhos) fiz, semana passada, um programa que nunca me atrevi, quando jovem, ao enveredar pela mata agreste recheada de cactos dos mais diversos, facheiro, coroas de frade e mandacaru, agaves, muitas cercas de avelós (Euphorbia tirucalli) e frondosos  juazeiros (Zizyphus joazeiro), entre outras espécies, para alcançar o alto de uma serra, denominada de Caiana. Trata-se de um lugar remoto, inacessível no passado e somente agora com uma trilha aberta. Nos meus tempos de menino devia ser um lugar para os caçadores mais atrevidos da região. Rara beleza é a forma que encontro para descrever. Quase tudo preservado. O homem poucas vezes andou por lá. A vegetação é de beleza indescritível e totalmente silvestre. Belo programa. (Vide Fotos a seguir) 
 O cume da Serra é uma belíssima formação rochosa, com coloração ferrugem, denunciando, quem sabe, a presença de elementos ferrosos na sua constituição. No alto daquela montanha, admirando meio mundo do meu universo e respirando puro ar da natureza, impossível não pensar: Deus existe!
Pois é. Vendo tudo aquilo me ocorre a ideia de como seria bom um maior aproveitamento turístico de áreas como a que acabo de descrever. Um teleférico ligando Fazenda Nova ao alto da Caiana, por exemplo. Faltam empreendedores, falta poupança, falta um inventário acurado das atrações turísticas no estado. Faltam... muitas coisas. Mas, a velha Fazenda Nova se revela sempre nova. 

NOTA: Fotos do Blogueiro 

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...