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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Insanidade Cultural

Tenho notado que uma das minhas postagens, intitulada de Apagando a História, publicada em 24/09/2009, tem sido acessada com grande  freqüência. O tema, de fato, é interessante e nele faço dura critica à Caixa Econômica por não haver adotado providências  para instalar seu Centro Cultural, no Marco Zero do Recife, onde funcionava a Bolsa de Valores de Pernambuco e Paraíba. Ao invés disso, abandonou ao bel prazer dos vândalos e drogados. Isso foi em 2009. Veja mais clicando no link: http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/06/apagando-historia.html.
Agora, contudo, três anos depois, tive a satisfação de, num desses últimos domingos, num passeio pelo Recife Antigo, encontrar o referido Centro, recém-aberto ao público e oferecendo uma exposição inaugural que teve tudo a ver com o meu Apagando a História. Sob o titulo de 1908 – Um Brasil em Exposição, com a assinatura de Margarida da Silva Pereira, como curadora, tive a oportunidade de ver de forma organizada e didática o que foi a Exposição Nacional do Rio de Janeiro de 1908, em comemoração ao centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas.
Essa exposição foi montada na Praia Vermelha, no bairro da Urca e durou quatro meses. A mostra se constituiu numa vitrine do Rio de Janeiro da Belle Époque. Capital da Republica, a cidade era tida como “a sala de visitas” do país. Embora fosse uma exposição nacional, havia alguns pavilhões de outros países, entre os quais Portugal e Egito. Foi uma coisa monumental. Palácios magníficos foram construídos que, durante o certame, serviram de locais para eventos dos mais variados, principalmente comerciais, culturais e sociais. Vide fotos, a seguir.

O mais surpreendente, porém, é perceber que tudo aquilo desapareceu por completo. Conhecendo o Rio de Janeiro como conheço e, em particular, a região onde ocorreu o evento, fico impressionado como nada restou. Talvez, alguma pouca coisa tenha sido aproveitada pela antiga Universidade do Brasil, hoje, Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Se houvesse rigor na preservação do patrimônio histórico deste país, aquilo lá estaria de pé e, certamente, seria uma grande atração turístico-cultural do Rio e do Brasil. É assim que ocorreria em qualquer lugar civilizado do mundo. Veja os exemplos da Torre Eiffel, do Grand Palais e do Petit Palais, em Paris, que são patrimônios preservados da grande Exposição Universal de 1889. Até hoje estão lá e são importantes pontos de atração turística mundial. Todo mundo quer conhecer Paris e, em estando lá, correm para subir ao alto da famosa torre. Pois bem, percorrendo, naquela tarde de setembro passado, a exposição no Centro Cultural da Caixa fui quase tomado de revolta, por perceber que nada daquilo resta no Rio de Janeiro.
Infelizmente o Brasil sofre dessa insanidade. Lembro de casos que ficaram na história de algumas cidades. A abertura da Avenida Presidente Vargas, no Rio de Janeiro, foi um crime! Em dois tempos destruíram o miolo da antiga cidade, apagando páginas preciosas da história social do Brasil Colonial. Outro caso clamoroso ocorreu no Recife, quando o Prefeito da cidade, lá pelos anos 70, resolveu prolongar a larga Avenida Dantas Barreto, aliás, de pouca serventia até hoje, derrubando quarteirões de ruas históricas, casarios coloniais e igrejas seculares. Apagaram mais da metade da história do bairro de São José. Nessa fúria, desapareceu a tradicional Rua Augusta e a Igreja dos Martírios, motivo de tristeza para muitos. Uma lástima...  Outra coisa, que me ocorre lembrar, no Rio de Janeiro, é a concepção arquitetônica daquela atual Catedral da cidade. Na minha opinião, um monstrengo. Um formato de oca indígena. Certamente, teve a influência do modernismo de Brasília. Mas, sinceramente, nada a ver com o Rio. A antiga catedral tem outra beleza e diz mais da história da cidade. Vide foto, a seguir. 
Até em Caruaru, a simpática cidade do Agreste pernambucano, sob influencia de Brasília, também, fizeram o mesmo. Destruíram a antiga Igreja Matriz e construíram uma horrenda oca indígena ou piramide oitavada, para substituí-la. Francamente... Foto a seguir.
Saindo do Centro Cultural da Caixa, circulei pelas ruas e avenidas do Velho Recife e observei que entre os poucos prédios restaurados existem outros que são verdadeiras ruínas. Em alguns até já brotam pequenas florestas. Veja foto abaixo, que fiz na ocasião. É incrível. Está lá, pode conferir, na Avenida Rio Branco.
Desse jeito, vão mesmo continuar permitindo que a História seja apagada. É isto que chamo de insanidade cultural. Onde anda o IPHAN?

NOTA: Fotos obtidas no Google e da autoria do Blogueiro

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