sexta-feira, 18 de julho de 2014

Balanço da Copa

A Copa do Mundo acabou. O Brasil viveu 30 dias em clima de férias coletivas. Muita festa e muita animação nos quatro cantos do continente brasileiro. E o bom de tudo é que ocorreu na mais perfeita ordem. Disso não temos a menor dúvida. Não fosse o “chocolate” dos 7 x 1 aplicado pelos alemães sobre nossos canarinhos, a festa estaria rolando até agora. Fica para outra ocasião. Mesmo sem a alegria e entusiasmo geral dos brasileiros houve festa até o apito final com a vitória da seleção germânica, que se tornou tetracampeã do futebol mundial. Não faltou torcedor para as equipes que chegaram à final no Maracanã, no último dia 13. A festa ainda foi maior porque foi a Argentina que fez o confronto final com a Alemanha e, com isso, arrastou muitos milhares de vizinhos hermanos para assistir ao jogão. E, de fato, foi um jogão.
O clima de hoje é de ressaca e de balanço. O Brasil, por várias frentes, faz um balanço geral para avaliar a execução do projeto. Tudo muito providencial em face das expectativas e criticas que foram desenhadas ao longo dos vários meses que antecederam ao evento.
Vários têm sido os caminhos para avaliar a chamada Copa das Copas. Pelo lado dos gastos com as construções dos estádios, hoje chamados de arenas, estamos carecas de saber que foram dos mais extravagastes, quando comparados com outros tantos em países sedes de Copas passadas, suscitando criticas das mais fortes, dentro e fora de Pindorama, e se transformando, desde logo, em objeto de avaliação pelos meios competentes, pelos parlamentares de plantão e pela sociedade cada vez mais cobradora. Em ano de eleições é prato cheio para todos.
Com uma economia mau humorada, no dizer do Professor Jorge Jatobá (Economista da CEPLAN Consultoria, do Recife, em artigo na revista Algomais – Nº 100 de Julho de 2014), convém mesmo que se proceda a uma avaliação minuciosa de tudo. E esse tudo tem de passar pelas obras superfaturadas que devem ter ocorrido a três por quatro, as construções inacabadas de infraestrutura nas cidades sede, os “elefantes brancos” que se tornarão muitas das arenas levantadas, os projetos de mobilidade urbana que sequer saíram do papel e passam a enfeitar temporariamente (muito em breve serão descartados) prateleiras de gabinetes de Brasília e um sem número de outros aspectos.
Quem pensou que a Copa das Copas traria grande progresso e franco desenvolvimento para o país, pensou errado. Tirando as ampliações – requeridas mesmo que não houvesse Copa – de alguns poucos aeroportos, as construções das arenas e entornos de algumas dessas, não me ocorre listar mais nada.
E empregos? É coisa discutível e de natureza diferente!
“Na realidade, a Copa do Mundo é simplesmente uma grande festa que, como toda festa, gera oportunidades de trabalho temporário e de curta duração” é o que lembra o Professor José Pastore, num lúcido artigo publicado n’O Estado de São Paulo de 15.07.14. Ele tem razão. É só ver o que acontece em cada carnaval. O mesmo articulista registrou que a Embratur estimou que a Copa criaria 1 Milhão de empregos e o Ministério Esportes anunciou que, com efeitos a longo prazo, seriam gerados 3,6 Milhões de empregos. Quanta ilusão!
Segundo Edson Domingues, da UFMG, apenas 185 Mil empregos foram gerados pelo torneio e, assim mesmo e na grande maioria, temporários e ligados às atividades de turismo, alimentação, transportes, produção e venda dos badulaques inerentes ao evento.
Mais estrangeiros do que se esperava aportaram no Brasil durante a Copa. Estima-se que foram cerca de 700 mil. Para atender as demandas desse contingente, fora o de brasileiros que se deslocaram para as cidades sede, muitos empregos temporários foram gerados. Mas, terminado o evento, tudo cessa. Tomara que esses estrangeiros voltem em tempos de férias e não de Copa. Aí, sim, poderemos falar de efeitos duradouros.
Enquanto isto, e aos poucos, a vida volta ao normal e as preocupações, sem festa e sem qualquer  graça, passam a ser a inflação que cresce a cada dia, o crescimento pífio da economia, o Governo mais preocupado em se manter no poder do que governar e as perspectivas de uma campanha política de nível rasteiro, que só prejudica mais ainda o país.



Para encerrar o papo de hoje, lembro que o mundo está de olho no Brasil. Ontem, por exemplo, foto acima, vi uma matéria do Financial Times, no qual o periódico britânico dá mais uma estocada na situação econômica brasileira: refere-se às dificuldades atualmente enfrentadas pelo país, com uma inflação anual próxima aos 7% e um crescimento do PIB projetado em  1%. “Outro 7 x 1! Dessa vez no campo da economia” diz aquele jornal, num certo tom de gozação. É doloroso pensar nisso e vê-lo comparado ao “chocolate” alemão no Mineiraço.  

NOTA: Ilustração colhida no site do Financial Times de 17.07.14    

 

2 comentários:

Susana González disse...

Muy interesante tu artículo, yo creo que no deben olvidar q todavía tienen en dos años, otra ventana al mundo y que lo invertido será parte de ese próximo evento, donde también tendrán muchos visitantes que desearán visitar esas ciudades que una vez conocieron. Besos
Susana Gonzalez

Antonio Lucas disse...

Amigo Gilrey
O conteudo da postagem expressa verdades que desnudam o comportamento e as atitudes dos dirigentes do futebol brasileiro.
Parabéns pela análise.
Com o abraço de
Antonio Lucas