quinta-feira, 22 de março de 2012

Duas paradas inesquecíveis

O sol não havia raiado totalmente quando partimos na direção sul buscando um caminho para chegar a Roma. Deixamos a cidade de Mestre (vizinha à Veneza), onde pernoitamos. Circundamos a Laguna de Veneza debaixo de frio intenso, típico da estação invernosa, que este ano foi das mais severas. Imaginávamos que, à medida que avançávamos, naquela direção poderíamos encontrar temperaturas mais agradáveis e a neve ficaria para trás. Qual nada! Foi naquelas estradas que vislumbramos campos cobertos pelo típico manto alvo da neve acumulado na temporada. Bonito, sem dúvidas, para quem não está acostumado a esse tipo de paisagem. Atravessamos uma região com muita água, muitos canais e lagoas, na grande maioria congeladas. Lugares cuja base econômica é a agricultura e pecuária. Muitos vinhedos esperando a hora de rebrotar e produzir. Estufas já se preparando para a safra anual.
Vislumbrando paisagens deslumbrantes ao atravessar as regiões do Vêneto, Emilia Romana, uma pontinha da Toscana, a Úmbria, até alcançar o Lázio, onde se situa Roma, a Cidade Eterna.
Na Emilia Romana, fizemos uma parada de, mais ou menos, duas horas em Ravena. Nunca havia estado nessa cidade. Nunca havia me chamado a atenção, embora que localizada numa das regiões que mais aprecio na Itália e por onde andei várias vezes. Confesso que foi uma bela surpresa. A cidade tem grande importância histórica por ter sido a terceira e última capital do Império Romano do Ocidente, entre os anos 402 e 476. As outras capitais foram Roma e Milão. Em Ravena, um tal de Odoacro, rei da tribo germânica dos bárbaros Hérulos, destronou o Imperador Rômulo Augusto e pôs fim ao Império Romano do Ocidente e se tornou o primeiro rei bárbaro de Roma. Sujeitinho valente...
A cidade fica próxima do litoral Adriático. Quando chegamos, era hora de despertar e o comércio começava abrir suas portas. Frio intenso e muita neve (suja, aliás) nas ruas e praças. Vide Foto.


Restos de muralhas e um portal tipo arcada denominada de Porta Adriana – em homenagem ao Imperador Adriano – no centro da cidade, coisa bem típica nas cidades italianas. Logo de cara observei uma coisa bem interessante: os habitantes da cidade usam muito a bicicleta, como meio de transporte. Jovens e velhos, sem exceção. Vi senhoras idosas, muito elegantes e embaladas em capas de frio pesadas, pedalando duas rodas, na maior tranqüilidade. (Veja só a foto a seguir) E, tem uma coisa, lá os ciclistas são respeitados. Circulamos pela Praça Baracca, zona central, e a rua de comércio principal. Visitamos o túmulo de Dante Alighieri e a catedral de São Vital famosíssima pelos mosaicos que a adornam. Tomamos um café e partimos, com vontade de ficar. Um lugar é bom, quando nos deixa com vontade de retornar! Voltarei!
Era pouco mais do meio-dia quando chegamos à cidade de Assis (Assisi, em italiano), Província de Peruggia, na Úmbria. A razão da parada era bem objetiva: orar e beijar a pedra do túmulo de São Francisco. Além disso, visitar mais uma bela cidade medieval da Itália. A história do Santo é muito conhecida mundo afora. Tanto pela propagação dos devotos, quanto pelos escritos e pela cinematografia (Irmão Sol, Irmã Lua). Minha cunhada Flavia, do nosso grupo na viagem, devota do Santo e de Santa Clara (a Irmã Lua) se debulhou em lágrimas, movida pela emoção, visitando o Santuário. De fato, é muito tocante entrar naquela monumental Basílica de Assis (Vide foto a seguir) e ajoelhar-se no túmulo do Santo. As obras de arte em afrescos, contando a história do Santo, são de rara beleza. Nossa chorona não teve saída. Faltou lencinhos... Depois de São Francisco, ela foi chorar, também, na Igreja/Mausoléu de Santa Clara. Para isso, contudo, teve que escalar um morro íngreme – desanimador para mim – apoiada no meu compadre, marido dela. Mas, valeu. O que não faz uma devoção... Devoções à parte, impossivel não registrar a beleza da cidade. O cenário medieval, por si só, já é motivo de uma visita. Quem for arquiteto, por exemplo, mergulha de cabeça numa fonte de história e estilos arquitetônicos, sem fim. É monumental! (Vide a foto abaixo) Terminada a nossa peregrinação em Assis, enfrentamos a última etapa da viagem até Roma, onde chegamos por volta das oito horas da noite. Mas, isto é assunto para outra postagem.
NOTA: As fotos que ilustram são da autoria do Blogueiro.

5 comentários:

Giovanni Scandura disse...

Girley: boa noite!!
Não gosto de comentar sobre suas maravilhosas andanças, para não ser repetitivo, tipo:
adoreiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!! Ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!! Solvi num gole só!! A gente vê e sente os lugares descritos e tem vontade de conhecer ou rever, porque você deixa tudo mais bonito e gostoso, então quando regado a Brunello de Montalcino..noooooooooooooooooooSSaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Para provar que estou sendo verdadeiro, aqui vai uma crítica terrível: VOCÊS ESQUECERAM DE DÁ MILHO AOS POMBOS DA PRAÇA DE SÃO MARCOS..Kkkkkkkkkkkkkkk
Valeu, Amigô!!
Ah: guardo com carinho aquele alfinete para camisa social que trouxe da Argentina!!
Abraços do Giovanni

Araujo disse...

Giley, agora sei como comentar. Adorei não só os comentários, mas as fotos. Nunca estive em Ravena e fiquei curioso. Assis já conhecia, mas suas histórias ainda nos enriquece. Abraço, Leandro

Geraldo Casado disse...

Meu caro Girley, Seus comentarios, sempre lucidos e inteligentes, trazem os lugares para dentro de nossas casas/ A Italia um dos paises mais belos de Europa/ trago guardado ( among my souvenirs )- O Blog do GB é necessário/continue/Geraldo Casado

Dulce Diniz Nadruz disse...

OI AMIGO
Mais uma vez adorei o passeio. Um abraço e até Roma.
Dulce Diniz Nadruz

Ina Melo disse...

Amigo querido,
Todas as vezes que leio o teu Blog faço uma inesquecível viagem. Que lindas as fotos! Viajes muito pois só assim nos levarás com paixão para conhecer ou rever lugares tão especiais. Abraços.
Ina Melo