quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Vivendo em Oz

Os degredados ingleses, jogados na distante Austrália, numa colônia penal denominada de Nova Gales do Sul, hoje a cidade de Sydney, ficaram espantados com aqueles animais de porte médio e que caminhavam aos pulos, carregando um filhote numa bolsa do próprio corpo. Perguntaram aos aborígenes habitantes da terra o nome do bicho. Sem entender o idioma daqueles forasteiros, os habitantes do território responderam com a palavra kanguru, que significava “não entendo o que vocês estão falando”. Pronto. A partir desse episódio o animal, símbolo do país, passou a se chamar de kanguru e acabou-se. Estou na Austrália, um país fantástico, e já me apresentaram um kanguru. Aliás, a um monte desses. Até alimentei-os! (Vide foto) Quando os ingleses, a partir de 1776, mandaram, por castigo, para este fim de mundo um magote de ladrões e assassinos, certamente não previram que o território se transformaria num autentico e belíssimo paraíso. Bela, aprazível, gente bonita e hospitaleira, a Austrália é um amor a primeira vista. Os malfeitores da tradicional sociedade britânica tomaram jeito e brindaram ao mundo esta sociedade diferenciada. Até hoje eles são lembrados com monumentos nos sítios históricos de Sydney. A independência do país se deu em 1º. de janeiro de 1901, quando as seis colônias britânicas do continente australiano se juntaram e instituíram uma federação num sistema democrático liberal. De todo modo, o país continua fazendo parte da Comunidade Britânica. A Rainha Elizabeth II está com sua efígie cunhada na moeda corrente e a mítica Rainha Vitória é lembrada com estátua, em praça pública, diante de prédio belíssimo que foi seu próprio Palácio Real, hoje transformado em elegante Shopping Center, no centro de Sydney. (Vide foto a seguir) A Austrália é, portanto, um país jovem. Apesar de jovem, é tecnologicamente avançado e industrializado. Próspero e multicultural. Aqui vivem pessoas das mais distintas origens, formando um mosaico cosmopolita de rara beleza. Indianos e chineses. Árabes e brasileiros. Gente dali e de acolá compõem essa sociedade plural e, sobretudo, rara. O sol daqui nasceu para todos e de forma generosa.
Na minha visão, essa gente tem um quê, digamos, de inglês abrasileirado dado o entusiasmo de vida reinante. Pense nisto, inglês descontraído, divertido e cheio de charme. Tudo na mais perfeita ordem. Lembro, com isto, o trânsito organizado e silencioso, a segurança, a limpeza e o respeito ao próximo.
Com o cenário acima descrito, o país goza de excelentes posições nos diferentes ranks de comparação internacional das nações, seja em qualidade de vida, tendo em vista os cuidados com a saúde, a esperança de vida, educação publica, o meio ambiente e a ordem social ou no que tange à liberdade econômica e ás proteções civis e de direitos políticos. A cidade de Sydney já foi mostrada como melhor lugar do mundo para se viver. A Austrália é o segundo país com o maior IDH (Indice de Desenvolvimento Humano) do mundo. O país participa da maioria das organizações politicas mundiais.
Como estamos sendo ciceroneados – eu, minha esposa e meu filho caçula – por jovens (minha filha e o marido) obviamente temos tido oportunidade de conhecer também os ambientes jovens. O happy-hour cada fim de dia, já observei, é uma verdadeira instituição. Os bares a beira mar, bem instalados e de clima descontraído fazem a festa do cair da tarde. Interessante que a coisa é de tal ordem que o comércio varejista fecha as portas às cinco da tarde. Apenas na quinta-feira permanece até mais tarde e eles chamam de shopping-night. Isso me deixou muito impressionado. Como pode uma coisa dessas? No Brasil essa é melhor hora de se ir às compras. Até os shoppings fecham! Fiquei intrigado. A excessão fica para os grandes supermercados, que permanecem abertos e até as dez da noite. “Precisamos viver a vida com amigos, em família e curtir esse clima de paraíso”, explicaram minha filha e meu genro australiano que vivem, a beira mar de Sydney, no belo bairro de Dee Why. Fiquei feliz por eles.
Rodeada de mares belíssimos, praias de paisagem deslumbrante, cheias de surfistas (o surf é uma mania nacional), a Austrália – pronunciada, no sotaque nativo, de Oztrália – conquista o visitante na chegada e de cara. Assim o país é muitas vezes carinhosamente chamado de Oz. Estou feliz por viver esta temporada em Oz. Mas atenção: nada ver com o clássico filme! Os australianos pegaram a carona, é claro, e o resultado turístico tem sido ótimo. Divertido, foi o que fiquei sabendo, que os norte-americanos chegam aqui, às tuias, crentes de que estão mesmo num lugar além do arco-íris. Tolinhos...
NOTA: As fotos são do arquivo pessoal do Blogueiro

9 comentários:

Ogib disse...

Tá que curte, heim, amigo. Espero tê-lo de volta a tempo de nos brindar com sua presença, sempre querida, no nosso V Encontro.

Um abraço
Ogib

Danyelle Monteiro disse...

Bom dia professor,
O perigo que faz é a pessoa gostar tanto e não querer mais voltar... interessante a origem étnica desse povo, que inclui bandidos... e com o nosso Brasil não foi tão diferente, degradados portugueses, africanos e índios(os quais talvez possamos comparar com os primeiros habitantes de lá)... mas afinal de contas, quando foi que o negócio desandou por aqui? A nossa mistura difere tanto da mistura de lá, será que a culpa foi e é do clima que interfere no metabolismo? Visão um tanto naturalista, mas não dá para entender... será que é um problema metafísico, energético ou o que?
De qualquer forma, os cangurus são lindos, fofos, pelo menos a natureza dos animais ditos "selvagens" continua intacta, com sua centelha divina totalmente harmonizada.
Grande abraço pernambucano "visse",
Danyelle Monteiro

Manuela Allain Davidson disse...

Sobre os degredados britanicos que foram "condenados" a morar neste fim de mundo "down under"... Nao precisava ser assassino. Muitas familias foram mandadas pra Oz por roubarem pao pra alimentar a familia - numa epoca em que o UK estava longe de ser terra de oportunidade. Os degredados de Oz vieram pra reconstruir as vidas, recomecar, colonizar. Os do Brasil acharam oportunidades de voltar pra metropole, explorando a colonia - sem muita ligacao emocional com a nova terra. Situacoes similares mas Historias e periodos de maturidade bem diferentes...

Fernando disse...

Caro Girley, da forma como voce descreve me sinto ai, curtindo com amigo as belezas desse paraiso. Abraço forte a todos.
Fernando Jordão

Susana González disse...

No cabe duda que fuiste escogido por Dios, que envidiable vida, pero mas como sabes disfrutarla y al publicar tus artículos, nosotros, simples mortales, podemos disfrutar un poco de eso. Pero lo que más deseo es que disfrutes a tu hija, eso es lo más preciado en la vida. Besos para todos los tuyos.

Lucila disse...

Girley,
Joanesburgo é um escândalo, não é?? Limpa, organizada, bonita, multicultural, com o seu povo alegre, receptivo... Temos muito o q aprender com eles!! Adorei os sul-africanos!! E fiquei muito encantada com as cidades de Joanesburgo, Cape Town e Pretória. Adorei todas!!
A Austrália ainda é e sempre será o meu sonho de consumo!! Aliás, acho que de muitaaaaa gente, né?? Adorei seu post... Deve ser mesmo um dos melhores lugares no mundo para se ir, passear, conhecer, sentir, tirar fotos, se divertir... Parabéns pelo blog, sempre acompanho seus comentários...
Obrigadaaaaaaa pela oportunidade de viajar um pouquinho, nem que seja pelas suas fotos e pelas suas belas palavras!!
Bjs e boa viagem de volta ao Recife,
Lucila (da Fecomercio).

Angela Barreto disse...

Girley...

Fascinada, li toda o texto sobre o país de Mandela.
Não conheço Joanesburgo. Apenas por fotografias, mas que me atrai por demais. Sem conhecer pessoamente, amo o continente africano desde criança.
Sensação igual ou ainda mais atraente, foi ler sobre a sua visita à Austrália, ou melhor,sobre o país dos Cangurus, um bichinho por demais inteligente e carinhoso.
Tenho paixão pela Austrália!!! Sua narrativa foi bastante eloquente e o parabenizo pela escolha dos países para suas férias com a família.
Viver bem é fazer exatamente o que você fez, amigo.
Um abraço e até logo mais!!!
Angela Barreto

Hugão disse...

Caro Girley

Ter sido degredado britânico convenhamos, é bem melhor do que ter sido degredado português que significa em última análise, que a metade ou talvez mais desses indigitados aqui vieram a aportar por denuncias, inveja, desafetos, politicagem, cobiça da mulher alheia e toda a sorte de maleficios que a
herança portuguêsa nos legou. Daí a Austrália e o Brasil hoje. O que são e o que representam. Melhor é não falar. Meu abraço. Hugo

Anônimo disse...

fotos lindas
e q delícia de viagem

bju pra vc e até a próxima

http://qrolecionar.blogspot.com