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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Tiro no Pé

Meu sobrinho marcou casamento para o próximo mês de junho, no Rio de Janeiro, cidade onde ele e a noiva vivem. Quando escolheu a data não sabia ou mesmo nem estava programada a Rio+20, conferencia das nações Unidas sobre o meio ambiente. O resultado foi que quando soltou os convites, para amigos e parentes espalhados no Brasil e exterior, que os convidados ficaram sem vagas em hotéis da Cidade Maravilhosa, já que não eram participantes da Rio +20. Bati tudo, encomendando vagas, para mim e minha família, em várias agências e redes hoteleiras. Trabalho perdido. E, as poucas que havia, as tarifas eram de preços astronômicos. Recebi proposta de diária a R$ 2.500,00. Em hotel banal... Bom, achei que não iria ao casamento, até que os noivos negociaram um hotel mais simples, num canto proximo a praia de Jurujuba (vide foto ao lado), em Niterói, para abrigar a família Brazileiro. Com um detalhe: pagamento antecipado, desde Abril, caso contrário as vagas seriam cedidas à alguma delegação estrangeira. A mocinha das reservas enchia a boca para falar Rio +20, naquele sotaque bem carioca.
Com algum tempo fiquei sabendo da manobra que os hoteleiros fizeram para extorquir as delegações estrangeiras inscritas no conclave. Fecharam pacotes para todo o período da Conferencia, a preços absurdos, bloqueando as vagas para agências nacionais e estrangeiras. Mesmo sem que houvessem concretizados as vendas desses pacotes, a resposta para quem desejava uma vaguinha, pelo amor de Deus, era sempre negativa. Fechou-se o tempo e ninguém conseguia reservar hotel na cidade.
Agora, a menos de um mês do evento, diante de denúncias oriundas de vários pontos do planeta, o governo – não sei de qual nível, federal ou local – descobre a manobra espúria e dá duro. “Fizeram um acordo” com os ladrões e solapadores do turismo científico nacional e obrigaram a prática de tarifas civilizadas e conforme o mercado. Com um detalhe – que considero uma jogada de mestre – de obrigar que os pacotes vendidos sejam revistos e o dinheiro devolvido às “vitimas”. Isso em Dólar valorizado (R$ 2,00) deve ter sido um “Deus nos acuda”. No meio da confusão gerada, descobre-se, também, que houve gente que foi obrigada a comprar um pacote que abrangia todo o período da Conferencia, mesmo que só permanecesse no Rio por um ou dois dias (já fui vitima dessa manobra, em Petrolina, durante evento do segmento agroindustrial). Aí, o hotel, ciente da vaga nos dias restantes, vendia o pacote OUTRA VEZ! Faça ideia do tamanho dessa safadeza! Bando de larápios. Estou revoltado, porque fui vitima desse cambalacho, ao não encontrar vagas na cidade e ir parar numa prainha de pescadores – com todo respeito – da aguada Niterói – com todo respeito, outra vez – embora que me conformando com a paisagem ao fundo da Baia da Guanabara, mostrando o Rio, o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor, no alto do Corcovado.
Que esse episódio sirva de alerta para o período da Copa do Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016). Qualquer deslize será prejuízo para a imagem do turismo no Brasil, pelo resto dos tempos. Os potenciais visitantes, ao invés de explorados, devem ser recebidos com descontos promocionais, carinhos, cafunés e colinhos. Que partam com saudades e vontade de voltar. Que espalhem nos seus países de origem que o Brasil é belo e bom de ser visitado. Já registrei, outro dia, aqui no Blog, que a África dó Sul fez tudo certinho e o fluxo turístico aumentou significantemente, depois da Copa de 2010. Foi depoimento de agente receptivo que colhi, in loco, numa passagem que fiz naquele país, ano passado.
Para terminar nosso papo semanal, recordo que há duas semanas tratei de assunto semelhante a este, ao criticar a incompetência dos empresários do turismo no Brasil, denunciando a fuga do turismo de negócios para os países vizinhos, principalmente a Argentina. Lástima porque o Brasil se presta bem para essa dinâmica e rentável atividade, mas o setor privado vem dando “tiros nos pés”. Quanta ignorância. Quanta falta de tino empresarial.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...