quarta-feira, 18 de julho de 2012

Desnacionalização - Assunto Novo

Acredito, como quase todo mundo, que a globalização da economia veio para ficar. É um caminho sem volta. As relações entre países, sozinhos ou reunidos em blocos político-econômicos, é um processo que se aprofundam celeremente, ainda que surjam, aqui ou acolá, opositores ao processo. Não é nada fácil. Pelo contrário, é bem complexo e em alguns casos é cruel. Exige inteligência, experiência e estratégias bem desenhadas para serem seguidas e, por isso mesmo, vem privilegiando poucos países e grandes corporações, sobretudo as que reúnem condições favoráveis de competitividade.
Semana passada, numa conversa com empresários membros da Associação do setor Metal-Mecânico brasileiro, em São Paulo, este assunto veio à tona e, de repente, entrou-se por uma conversa nova: por incompetência governamental e falta de competitividade empresarial – custo Brasil, baixos investimentos em infraestrutura, tecnologia ultrapassada, recursos humanos despreparados, etc. – o Brasil sofre um processo de desindustrialização, seguido por algo pior que é a acelerada desnacionalização das empresas nacionais. Desnacionalização era a novidade da conversa. Agucei meus ouvidos para este novo papo e, de fato, senti a ficha caindo. Mesmo aderindo ao processo da economia globalizada, fazendo parte de blocos políticos e econômicos, entre outras facetas, o Brasil vem perdendo, a passos largos, o terreno que em princípio esperava conquistar. Preocupante! As empresas brasileiras estão perdendo competitividade no duro jogo do mercado internacional e não lhes resta outra saída a não ser se associar ou se vender a um grupo estrangeiro ou empresa multinacional.   
Pois é, agora já não são apenas as grandes e tradicionais multinacionais (Volks, Ford, Fiat, Renault, Ottis, Honda, Schindler, Chevrolet, entre muitas outras) que dominam nosso mercado interno. Além dessas mais conhecidas já começam a surgir outros nomes de peso e, aos poucos, tomam conta de setores importantes da economia e do próprio mercado interno, dantes bem brasileiro. Exemplos marcantes: a TAM já não é mais brasileira e sim chilena. Foi chupada pela LAN Chile. Vão adotar (por enquanto) a denominação LATAM. Vide foto acima. A rede de supermercados Pão de Açúcar, de Abílio Diniz, foi recentemente vendida ao Casino francês. E o popular Extra foi junto. O pernambucano Bompreço já foi, há muito tempo, para as mãos do Wal-Mart. Outra empresa de renome, também de Pernambuco, a Koblitz é outra dividida com franceses e agora se chama Areva-Koblitz. As companhias regionais de eletricidade foram, quase todas, vendidas a espanhóis. Recentemente, a aguardente Ypióca, lá do Ceará, foi vendida à Diageo, fabricantes dos Johnnie Walker e Smirnoff. A tradicional promotora brasileira de feiras e exposições, Alcântara Machado, já não existe mais. Foi vendida à Reed Exibitions, de origem inglesa e líder mundial desse tipo de negócio. Quem não se lembra da mega rede genuinamente nacional de cinemas de Luiz Severiano Ribeiro? Para respirar, teve que se associar à rede internacional Kinoplex/UCI, isto é, existe, mas, não aparece. Isso vai acontecer com outras siglas! Resta pouca coisa de destaque, entre as quais a Embraer, por exemplo. Vai que já deve haver algum gigante interessado nela. São alguns exemplos que me ocorrem no momento. Ouvi outros nomes, mas fiquei tão impressionado com a lista, que terminei perplexo.
Diante desse quadro resta-nos – ainda que impotentes – questionar o Governo de plantão e apelar para que esteja atento a essa triste realidade e apresse as tais reformas prometidas no palanque eleitoral: fiscal, previdenciária, do Estado etc. etc. Incentivar o consumo, como estão fazendo atualmente  não vai resolver o problema. Tem que mexer na estrutura e não na conjuntura, porque o buraco é mais em baixo, minha gente. Não podemos pensar num país pujante e líder regional – 6ª. Economia Mundial – numa trajetória tão desconcertante.
E por fim, uma pergunta que não cala: será que vamos mesmo nos transformar num país de base econômica calcada na produção de commodities, por um lado, e mera plataforma de prestadoras de serviços de empresas estrangeiras, por outro? Tenha dó...
Nota: Foto obtida no Google Imagens 

3 comentários:

Oscar Rache disse...

Prezado Girley,
Infelizmente a Desnacionalização vem no vácuo da Desindrustialização. A Industria já foi 33% do PIB e hoje é 21%. Nos ultimos 10 anos o índice cai, ano a ano, sem interrupção. A indústria de transformação, que gera mais valor, caiu mais ainda. O que cresceu não foi a área de serviços, como em paises mais ricos. Foi a agricultura.Lembra o programa da China? Fortissimos investimentos em Educação; Priorizar a exportação; Investir forte na industrialização.(sem prejuizo da agricultura). Nós estamos fazendo exatamente o contrário: Nada de educação, menos indústria e incentivos á importação. Claro que não pode dar certo. Enquanto nós incluimos 35 milhões de pessoas na economia, com Bolsa Familia, que cria dependência(18% da população), enquanto a China incluiu 400 milhões, com trabalho.(30% da população).
Quando eu era jovem o Brasil era o país do futuro. Ainda não é o país do presente e, se tudo continua como está, em 20 anos seremos um país que já passou. Uma Pena. Nosso Brasil é um país fantástico. Precisamos fazer algo. Penso que se nós empresários não fizermos ninguem fará. É preciso fazer alguma coisa.
Abraços, Oscar Rache Ferreira

Corumbá disse...

Brilhante, mais uma vez!

Danyelle Moneiro disse...

Boa tarde professor,

Infelizmente essa é a realidade e não acredito que os governantes não estejam percebendo, acredito sim, que boa parte foi comprada. Ao invés de realizarem as reformas estruturais tão necessárias ao país, lançam medidas pontuais que não resolvem o problema, a exemplo do Plano Brasil Maior. Em relação ao domínio econômico por outros países já parece tendência, mas quiçá também seremos invadidos por novas nacionalidades na ocupação do nosso espaço geográfico, em algumas cidades como em Santa Cruz do Capibaribe, já tem empresário preocupado com a nova vizinha, os chineses...

Grande abarço,
Danyelle Monteiro