quarta-feira, 30 de maio de 2012

Competência Estratégica

A estratégia das feiras de negócios ganha, cada vez mais, maiores espaços e mais dinamismo, entre os empresários brasileiros. Semana passada estive em São Paulo para ver de perto a Feira da Mecânica Internacional, voltada à promoção da indústria de bens de capital, com ênfase na apresentação de modernas tecnologias do setor. Evento grandioso, um dos maiores do mundo, o maior da América Latina. Atrai imenso publico – do mundo inteiro – sempre superando marcas anteriores. Acontece a cada dois anos e, por força do ofício, tenho tido a oportunidade de visitar, nos últimos dez anos.
Esse é o tipo de Feira que enseja a possibilidade de se avaliar o estado atual, assim como as tendências de produção e consumo de bens de capital no país. Na edição deste ano tive uma preciosa chance de avaliar a pressão da temerária onda de desindustrialização que tanto
se fala no Brasil de hoje. 
Durante minhas andanças, pelo pavilhão de exposição, tive a sensação de que, embora os capitães da indústria reclamem e esperneie, o evento de São Paulo revelou sinais de recuperação. A começar pela quantidade de expositores e visitantes compradores, que me pareceu surpreendente. Não entendo, por exemplo, como empresa em crise – sem encomendas e baixo coeficiente de utilização da capacidade instalada – tenha condições de se apresentar com tanta galhardia e, até mesmo, alegoria. É monumental a montagem dessa Feira. Verdadeiras obras arquitetônicas. Pensando bem, coisa pouco vista em feiras no exterior. Vide foto acima.
Mas, alegorias à parte, o que importa mesmo é saber o movimento de negócios. Durante três dias, andei para um lado, voltei por outro e conversei com alguns empresários, catando explicações para entender as tais tendências do mercado. Não posso negar que ainda há ceticismo por parte de alguns. Mas, é verdade, há também os que demonstram entusiasmo e falam claramente da retomada da produção.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – ABIMAQ  (http://www.abimaq.org.br/) dá contas de perdas crescentes na produção local de bens de capital. E trabalha com um indicador sensível à opinião pública que é a do desemprego. Instalou um imenso painel na fachada da sua Sede em São Paulo, com o que denominou de Desempregrômetro (um neologismo) que mede o número de empregos que deixam de ser gerados por conta da onda de importados que entram no país. A contagem remonta ao ano de 2006. Segundo a Associação, entre 2006 e 2011, o saldo negativo da Balança Comercial de produtos industrializados acumularam um total de R$ 150,00 Bilhões. Se os 800 itens (numero estimado) importados houvesse sido produzidos localmente responderia por mais de 4,2 milhões de empregos.
Entre os mais otimistas – porque estão vendendo – conversei com quem, no primeiro dia de feira, vendeu três máquinas de grande porte. “Já tirei o custo da exposição, aqui na Feira”, falou-me todo animado. E isto era na manhã do segundo dia do evento. No fim da tarde, ele mesmo me falou que quando dei às costas, ele fechou nova encomenda. Ora, Vivas! Desse mesmo empresário ouvi elogios à política do Governo que promoveu a desvalorização do Real.  Segundo ele, essa coisa pode imprimir mais entusiasmo no seio da classe produtora. “Acredito que seja ainda cedo, mas, o câmbio no tamanho de hoje (Naquela hora era US$ 1.00 = R$ 2,08) pode mudar o fluxo violento da chamada desindustrialização”. Ele acha que, isso pode dificultar a avalanche das importações de máquinas e ferramentas. A feira tem alguns aspectos a considerar: grande afluência de publico, vendas ascendentes, com empresas investindo em máquinas, cientes da necessidade de se tornar competitivo.
E, por falar em competitividade, os chineses antes muito visitados, vieram, como sempre, com seus pequenos estandes, segundo pude observar, meio que “entregues às moscas”. Vide Foto abaixo. Acredito que isso pode ser explicado pela imensa gama de  máquinas, equipamentos e ferramentas chinesas que já são vendidas largamente no Brasil por representantes comerciais, ou por empresas que vendem as chinesas, com grife brasileira. A Tramontina, por exemplo, vende seus produtos, nos Estados Unidos ou Europa, com um desconcertante "Made in China". É o Custo Brasil que provoca essa onda. Lembro, também, que há fabricante de confecções de Santa Cruz de Capibaribe (PE) que prepara a modelagem de suas peças e manda para produção na China. Chega tudo bonitinho e com a etiqueta da empresa pernambucana. A situação é delicada e temos que abrir os olhos. O Desempregômetro  aponta essa distorção.

Porém, acho, por fim, que uma feira dessas é de fato uma Competente Estratégia de mercado e dá entusiasmo ao crescimento industrial.

NOTA: Visitei a Feira como integrante da Comitiva do Sindicato das Industrias Metalúrgicas, Mecânicas e Material Elétrico de Pernambuco – Simmepe.
NOTA 2: Fotos do Blogueiro

3 comentários:

Roldão Gomes Torres disse...

Girley.
Leio sempre suas crônicas no seu blog.
Sobre essa da desindustrialização,vc mostrou que a indústria vai bem sim senhor,o que existe é perda relativa de poder e riqueza. Antes os industriais eram tudo,principalmente os paulistas (aqui os usineiros,agora há outra fontes de poder financeiro e político. A perda é relativa ,daí ao chororô.)
O agro business e o setor serviço crescem mais e ocupam espaços de poder.
É uma nova realidade.
Um abraço,seu colega de Católica e SUDENE.
Roldão Gomes Torres.

Ina Mello disse...

Oi amigo.
Você é sempre muito bom no que escreve.
Ina Mello

Liliana Falangola disse...

Ótimo, Girley!

Como sempre, ficamos bem informados com o seu blog.

Liliana Falangola