sábado, 12 de maio de 2012

O PODER DO VOTO

De certo modo não me surpreendi com a derrota de Sarkozy nas urnas. Em duas recentes viagens a França, a última em fevereiro passado, percebi que as coisas não estavam muito favoráveis para o lado dele. O povo na rua, os taxistas, balconistas e os desempregados não estavam, aparentemente, dispostos a reconduzi-lo a um novo mandato.
Um ano antes, noutra visita a Paris, recordo haver assistido um forte protesto em plena Avenida dos Champs Elisée e, por fim, os cartazes colados nas paredes da cidade davam claros sinais que a resposta nas urnas seria, de fato, a de domingo passado.
Acontece que em qualquer lugar do mundo – naturalmente onde há democracia – quando a Economia anda bem, o povo empregado e podendo comprar o que comer, vestir, pagar suas contas e se abrigar, qualquer governante será sempre bem avaliado e com chances concretas de ganhar uma eleição. Na Europa de hoje a coisa anda meio complicada. Meio não... muito complicada.
As recentes eleições, nos diferentes países do Velho Continente demonstraram claramente o clima de insatisfação que se respira praquelas bandas. Na Espanha foi a oposição que levou a melhor. Na Grécia a coisa vem desandando há bom tempo e não poderia ser outro senão o resultado registrado. E o pior é que lá as coisas são bem mais difíceis e não estão conseguindo formar um governo de coalizão que venha tirar o país do fundo poço. O que se teme no caso da Grécia é a saída da Zona do Euro. Isto pode gerar uma tremenda crise na União, já que a moeda única tem um especial simbolismo para o Bloco. Hoje são 17 países adotando o Euro. A crise atual é a maior prova de fogo.
Na França, para reforçar o descontentamento geral é importante lembrar a tradicional força do espírito nacionalista dos franceses. Não são poucas as correntes políticas que condenam a adoção da moeda comum, embora que outras muitas aplaudam o fortalecimento político e a paz estabelecida entre os signatários da União Européia. Historicamente falando, o país sofreu com os freqüentes conflitos, com vizinhos, que teve por administrar. A União nasceu na época do pós Guerra e teve entre as principais referencias o empenho de livrar o Continente das guerras devastadoras. O Euro – a moeda comum – é coisa mais recente. Foi fruto de um longo processo de nivelamento econômico entre os países membros. Achavam que os desníveis já haviam sido superados. Pelo visto, agora, nem tanto.
Sarkozy sai de cena, prometendo retiro total. Sai sorridente (?) e disposto a curtir a dolce vita com Carlinha. Diz haver cumprido sua missão e as promessas de campanha. Os franceses, aparentemente, não estão seguros disto. Mas, é bom observar que a diferença de votos dele para François Hollande foi bem pequena. Melhor assim, porque confere fôlego a uma necessária oposição. Os franceses precisam encontrar o caminho das pedras, para não submergir. A Europa e o Euro precisam de uma França forte politicamente e de seu povo satisfeito da vida. Tomara que os socialistas que agora assumem o poder sejam suficientemente inteligentes para conduzir o país por um caminho tranqüilo e sem turbulências. E, que consigam conversar político e corretamente com a Chanlecer Ângela Merkel, da Alemanha.
Mesmo atolados na crise, os europeus continuam dando lições, mostrando o poder do Voto Consciente numa sociedade democrática.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens

Um comentário:

Baiano disse...

Girley,
Sarkozy perder já esta previsto por todo mundo. Ele não foi capaz de agregar Le Pen e nem Bayrou no palanque do 2º turno. Me pareceu o Serra no 2º Turno de 2010 quando ele demorou demais para atrair Marina para o palanque dele!!!!
Baiano