O tempo passou e a, cada ocasião que visito Fortaleza, percebo que a coisa continua crescente e até mesmo acintosa. No fim de semana passado, por exemplo, um compromisso social me levou à capital cearense, cada vez mais atrativa no segmento turístico. Bons e muitos hotéis, com lotação completa, infra-estrutura de receptivo diferenciada, parques temáticos, bons restaurantes, muitos turistas e, principalmente, muita hospitalidade. A moçada de lá tem sido competente. Estão dando um “banho” nos pernambucanos e nos baianos.
Mas, tem uma coisa negativa: a prostituição reinante, sob o olhar grosso das autoridades continuam presente por toda parte. É o chamado turismo sexual que atrai levas e mais levas de europeus às terras e praias paradisíacas nordestinas. Tive oportunidades incríveis de testemunhar o que rola na terra de Iracema, a virgem dos lábios de mel, segundo José de Alencar.
A pedido da minha esposa, fomos numa manhã ensolarada a um prestigiado, badalado e recomendado bar na praia do Futuro. Dá gosto ver a estrutura montada e observar os ambulantes oferecendo frutos do mar, artesanatos, salada de frutas tropicais, entre outros itens. No meio dessa tropicália aparecem as contemporâneas iracemas cearenses vendendo, sem pudor ou sem cerimônia, corpinhos bronzeados e cheios de dengos e fricotes. Os marmanjos turistas se deliciam e percebem ter condições de escolher a dedo. Para facilitar a caça, vi numa mesa colada à nossa um “agente de turismo” oferecendo garotas através de um vistoso book com artísticas fotografias. Os comentários e acertos comerciais, entremeados das mais estonteantes interjeições, eram tratados abertamente e ao alcance dos nossos ouvidos. Claro que fiquei incomodado e bati retirada. Os caras eram estrangeiros, cobertos de tatuagens, com roupas extravagantes e, simplesmente, indecentes. A idéia era exibir seus atributos físicos. Todos! Roupas molhadas, já viu... Procuramos um bom restaurante para almoçar e retornamos, para uma pausa, ao Hotel. Ali, observei, novamente, que a maioria dos hóspedes, espalhados pelo grande lobby, era italiana. Adoram o Ceará. Uma mulherada fogosa faz realizar seus mais extravagantes sonhos eróticos. Um coça-coça e quem-mequer danado das iracemas, alegra a vida fácil dessa gente forasteira. Dizem que muitas delas se “arrumam” e, sem pestanejar, se mudam de “mala e cuia” – no dizer do cearense – para as terras estrangeiras. Nem sempre se dão bem... Muitas sofrem e ficam a míngua buscando soluções de retorno.
Os caras chegam a Fortaleza e Natal – locais mais apreciados – via vôos fretados ou linhas comerciais. Vide foto comentando um cartaz promocional, abaixo. Chegam aos bandos e têm perfis de homens amadurecidos, geralmente empregados de chão de fábrica de empresas grandes – montadoras de veículos, siderúrgicas, entre outras – com costumes grosseiros e sem nada a perder. Alguns são premiados com viagens, pela alta produtividade no oficio. Vêm dispostos ao que der e vier. As tolas se entregam, de corpo e alma, enquanto embalam o sonho de uma aventura na Europa.

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
Outra NOTA: José de Alencar é um clássico da literatura brasileira e escreveu o famoso romance "Iracema, a virgem dos lábios e mel". Por onde andar noutro oriente, que me perdoe a má comparação>