Além de não saber exatamente por onde começar, falta-me um adjetivo adequado e capaz de expressar meu encanto e minha surpresa por esse país oriental. Fantástico poderia ser um deles. Mas, ainda acho pouco. Retumbante, é forte mas, talvez se ajuste. Voltei fissurado. Aquilo lá é tão pouco comum que um caboco nordestino, como eu, se abestalha e não sabe para que lado olhar. É monumental, pronto!
Tudo isto, quando eu menos esperava e achava que já conhecia tudo de mais belo que havia sobre a face da terra. Qual nada! A sensação foi de que fui parar num “planeta” diferente: pujante, esplendoroso, tradicional e, ao mesmo tempo, moderníssimo. A China me arrebatou
Mais incrível, ainda, é lembrar que se trata de um país de regime comunista e poder central forte e atuando. Não dá pra entender como conseguem administrar aquela coisa. A ficha ainda não caiu. Sinto-me meio zonzo, até agora, pelo excesso de novas e surpreendentes informações que acumulei.
Ao longo da sua formação, contudo, o país passou pelas mãos de mais de dez dinastias, entre as quais a Zhou, a Tang e Yuan. É uma história de mais de dez séculos. Observem que na China foram inventados o papel, a imprensa, a pólvora, que são coisinhas corriqueiras nos nossos dias, mas que, à época, revolucionaram o mundo. Além disso, os chineses são, há séculos, seculorum, exímios artistas na música, pintura, teatro e cerâmica. O que vi recentemente, in loco, são provas concretas desses talentos. Chega a ser emocionante se postar diante de tanta beleza.
Essa história e civilização, contudo, registra muitos pontos negativos: a maioria da nação vivia oprimida e muitas vezes escravizada. Muita fome e miséria. O regime imperial tratava o povo com mão de ferro, privilegiando alguns muito poucos com o conforto de viver como vassalos, em torno do Imperador, na Cidade Proibida, assim denominada por ser vedada à entrada do homem comum.
A situação se tornou insustentável e em 1911 ocorreu a queda do Império, sendo proclamada a República da China, sob a liderança de um certo Sun-Yatsen, nos seus primeiros anos. As disputas políticas da época levaram os chineses a uma sangrenta guerra civil entre os anos de 1945 e 1949, resultando na vitória do Partido Comunista Chinês que passou a governar sob a regência de Mao Tse-Tung, substituído, após a morte, em 1976, por Deng Xiaoping. Mao planejou a economia do país, redimiu o povão da situação opressiva e se transformou num ídolo nacional. Até hoje seu mausoléu com o corpo embalsamado é a maior atração para os chineses que visitam a Praça da Paz Celestial, em Pequim. Pude ver, semana passada, uma fila quilométrica de pessoas querendo ver de perto o "deus" Mao embalsamado numa redoma de
O país é certamente o maior mercado mundial. Pense no que sejam 1,4 bilhão de pessoas para alimentar, vestir, educar, divertir, transportar e etc. A economia cresce em ritmo galopante, a uma media anual de quase 10%. O Produto Interno Bruto (PIB) atingiu em 2009 a espetacular marca dos 4,91 trilhões de dólares americanos. Eu disse trilhões! Recentemente a China ultrapassou a economia japonesa e é agora a segunda maior do mundo, ultrapassada apenas, e por enquanto, creio eu, pelos Estados Unidos.
Fora isto, a China de hoje é monumental em tudo que se possa imaginar. É onde existe o maior número de gruas em ação. É onde mais se constroem rodovias, pontes, viadutos e túneis, altíssimos edifícios, aeroportos – cada um mais belo do que o outro – e vai ter logo em breve a maior usina hidroelétrica do mundo com capacidade de quase quatro itaipus.
Eu visitei um “planeta” diferente, chamado China.