sábado, 23 de janeiro de 2010

Miremos o exemplo chileno

Ando atento aos atuais movimentos políticos no Brasil, neste ano de eleições gerais, e prevejo um festival de baixarias como “nunca visto na história deste país”.
A sede pelo poder, tanto em nível local, quanto nacional, promete “brindar” à família brasileira passagens pouco comuns.
Mal começou o ano – e muito antes de começar a campanha oficialmente – o que já se vê são os palanques armados e o bateboca desmedido se multiplicando para gáudio da mídia voraz. Adjetivos chulos e desabonadores, é claro, começam a ser compulsados largamente, sem cerimônia e em profundo desrespeito ao eleitor e aos bons modos sociais.
Se em janeiro a coisa anda nesse pé, faço idéia do que podem ser os meses de campanha propriamente dita. Ainda bem que vamos ter uma Copa do Mundo nesse meio tempo que vai, de algum modo, empanar o noticiário político e, quem sabe, venha baixar o fogo da politicagem barata, que estamos vendo neste momento.
Bom seria que o clima da política brasileira se aproximasse do modelo chileno. Acompanhei o recente processo eleitoral naquele país irmão e pude observar passagens dignas de louvor, com demonstrações apuradas de uma democracia consolidada e amadurecida. Os dois candidatos que foram ao segundo turno, semana passada, não pouparam oportunidades de revelar, antes de qualquer coisa, amor e respeito ao Estado e à Nação. O remate do processo foi simplesmente brilhante: Michelle Bachelet, que presidiu o Chile, nesses últimos quatro anos, com fantástica aprovação de 81%, mesmo derrotada nas urnas ao não eleger seu candidato e ex-presidente Eduardo Frei, fez questão de se apressar e cumprimentar o vencedor Sebastián Piñera, mal encerrada a apuração das urnas, desejando sucesso à sua gestão. Por amor ao Chile e confiante na continuidade do processo de desenvolvimento sócio-econômico do país, o próprio Frei foi ao encontro da Piñera e, num gesto largo e com espírito democrático, posou para a imprensa mundial abraçando o vencedor e desejando sucesso.
Acontece que o Chile tem hoje uma sociedade desenvolvida, com forte inclusão das camadas mais humildes, graças a uma política que priorizou a educação e a saúde, nos governos recentes, após a nefasta era de Pinochet, o ditador sanguinário. Povo educado, com saúde e atuando socialmente sabe o que quer e leva ao sucesso democrático qualquer nação.
Comento tudo isto, a propósito do que vem ocorrendo, agora, no Brasil. Como ficaria a situação, caso Lula saísse derrotado nas urnas, digo, vendo sua fraca candidata – opinião pessoal – derrotada? Será que teria coragem de ir ao encontro do vitorioso e repetir os gestos de uma Bachelet ou de um Frei? Tenho dúvidas, mesmo sabendo da capacidade de contornar problemas que o Lula tem, embora que, esse não será um problema qualquer! Quanto a Dilma, esta poderá enfrentar muitas dificuldades. Segundo se comenta abertamente e relatos de conhecidos que já tiveram oportunidade de sentar à mesma mesa de reuniões, ela não engoliria facilmente uma derrota. Geniosa e temperamental, como demonstra ser, teria que fazer, das tripas, coração.Haja emoções. Aguardemos, né? Eis aí um desafio gigante: a propalada democracia brasileira passará por uma prova de fogo, em outubro vindouro. Tomara que prevaleça o equilíbrio emocional entre os partidários politicos e tenhamos um período de paz social e desenvolvimento econômico, que é certamente o desejo do povo brasileiro. E, como conselho, sugiro que miremos o exemplo chileno.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

5 comentários:

Hugão disse...

Meu caro Girley
Aqui em Pindorama não existem "adversários" políticos e sim "inimigos". O detalhe já diz tudo. O que o Lula quer é briga, já chamou o Sergio Guerra de babaca. Se a assaltante candidata (o Stalin também foi salteador de estradas) virar presidente acho que vou dar uma de Alain Delon que emigrou para a Suiça quando da eleição de François Mitterrand. Achava ele que o presidente eleito era comunista. Uma boa opção seria o Chile. Meu abraço. Hugo

valerio guidotti disse...

Amigo so quero saber quando os militares vao tomar o poder ,em1964 tinha 12 anos e acho que a bandalheira era menor,estao roubando e achando graça,finalmente comparar (dilma/micheletti)eh de lascar abraços valerio

Baiano da Nigéria disse...

Girley
O exemplo do Chile, alem da civilidade que expressou, pra mim revelou uma tendencia confirmada nas eleições senatoriais em Massachussetts. Veja só, em novembro passado, o Partido Democrata havia perdido os governos estaduais da Virginia e de New Jersey. Esse último era controlado pelo partido havia uns 20 anos e, a Virginia, a uns 12.
Ja a eleição em Honduras, apesar das trapalhadas do governo de facto e do presidente deposto, deu Partido Nacional (direita).
No Chile, deu direita capitalista depois de 20 anos de Concertacion; e, agora em Massachussetts, um desconhecido Republicano desbanca uma favorita Democrata que, há exatos um mês atrás, ostentava uma diferença de 30 pontos percentuais. Tratava-se de uma eleição monótona que todos sabiam o resultado. Afinal, era o estado mais azul (cor dos Democratas de lá) da federação que detinha 100% de sua bancada federal, o governo do estado, e maiorias esmagadoras nas duas casas do parlamento estadual.
Pois bem, em menos de um mês o Republicano desconhecido venceu com 5% de vantagem ou 105.000 votos. Foi um terremoto politico mais devastador que o do Haiti!!! Segundo a imprensa local, a vaga deixada por Ted Kennedy seria ocupada por uma Democrata numa eleição que pareceria uma coroação. Não teria a menor graça. Era lapada de primeira.
Meu amigo, percebo certa fadiga de material na esquerda governista em todos os recantos das americas e acho que se o mote do governo for comparar as gestões de FHC vs. Lula, a candidata do governo pode não chegar ao 2º turno. Agora, que vai ser engraçado, isso vai!!!
Abraços,
Baiano da Nigéria

José Artur Paes Vieira disse...

Meu caríssimo Girley,
Feliz coincidência. Passei 9 dias no Chile de onde cheguei na terça (19). Hoje li seu MIREMOS O EXEMPLO CHILENO.
Como sempre, você foi competente na análise do que ocorreu naquele país. E eu tive sorte de presenciar o antes, o durante e o depois do dia da eleição (17). Uma lição da mais absoluta democracia, civilidade nas manifestações populares e nas dos líderes vencidos e vencedores. Um grande carnaval de rua, sem violência ou baderna. Centenas de pessoas aglomeradas na praça, comemorando. E o governo vencido era dominante há muitos anos...
Outra coisa. O Chile comemorou em 2009 o ano do Bicentenário da Independência... E eu lá !!!!
Abraço e parabéns pelas colocações,
José Artur Paes Vieira de Melo

orlando chalegre disse...

Prezado Girley:

Mesmo distante do convívio pessoal dos amigos, entre eles você, pois hoje lhe escrevo de Curitiba, onde estou inciando uma nova jornada de vida, tenho acompanhado seus comentários e vejo neste último verdades ditas com muita clareza, o que sempre os caracterizaram.

Comentando este, vejo o quanto nossa classe política é pautada no revanchismo e preocupada com a conquista do poder sem se preocupar prioritariamente em servir ao estado, mas e principalmente aos seus interesses pessoais.

Precisamos no entanto excluir deste comentário aqueles que, mesmo minoria, não agem desta forma, porém são ofuscados por aqueles outros.

Orlando Chalegre