domingo, 2 de agosto de 2009

A gente vê cada coisa!

Eu havia planejado, para esta semana, falar um pouco sobre a novela Sarney/Senado. Vinha acompanhando essa pouca vergonha e juntando peças para compor uma postagem. Comentei isto como um amigo e, de pronto, ele me retrucou dizendo que seria muito chato ler meu Blog tratando dessa “coisa” já tão batida e que, na opinião dele, eu deveria primar por uma linha mais divertida, contado causos, comentando sobre costumes e folclore e sobre observações anotadas em viagens. Claro que é uma opinião isolada, mas, que merece minha atenção. Ao mesmo tempo, cheguei à conclusão de que o tema Sarney já está mesmo muito explorado e analisado por pessoas que, melhor do que eu, o fazem.
Convencido de que iria passar batido, sem minha conversa mole semanal, dei de cara um assunto, como se diz, atualmente, bizarro: fiquei pasmo com uma pessoa que conheci, num almoço festivo na 5ª feira passada. Ela, mesmo sendo moradora do Recife, do bairro de Boa Viagem, me afirmou que não conhecia Olinda! Já pensou? Não é pernambucana, mas, já vive aqui, há mais de vinte anos. Haja alienação... Como é que pode. Viver no Recife e não se interessar de conhecer o Alto da Sé e as igrejas seculares o casario e tudo mais que Olinda tem... Fiquei espantado com aquela “burrice”. “A Senhora nunca esteve em Olinda?” perguntei novamente, somente para confirmar. “ Não conheço bem... só passo por fora, nunca fui lá em cima... só vi de longe e parece que é bonito”. “Sei! Mas, isto é uma pena. A Senhora não viu o mais belo e, eu diria, que ainda não mergulhou na história do Brasil. Vá agora, quando sair daqui deste almoço”. “Ah! Hoje não vai dar, não. Vou ter que ir correndo ao Shopping...” Impressionadíssimo, resolvi encerrar o diálogo, pedir licença e me despedir. Não sei como, ao me afastar, consegui dizer que havia sido um prazer conhecê-la, quando, na verdade, foi um desprazer cruzar com aquela "pirua" ignorante e alienada.
Ainda espantado com o episódio, lembrei-me de outras passagens engraçadas, bem parecidas. Nos idos dos anos 60, quando fui pela primeira vez ao Rio de Janeiro, ficando hospedado na casa de primos, uma das primeiras coisas que manifestei foi minha vontade de conhecer o Pão de Açúcar. Para minha admiração, os primos só conheciam aquele cartão postal carioca visto a distancia. Mesmo sendo cariocas. Foi um assanhamento geral. Todo mundo levantou o braço e disse que iria também. Fomos todos, juntos e pela primeira vez!
Outra ocasião, dessa vez em Paris, conheci uma Senhora, francesa da gema, coroa de seus 70 anos, segundo meus cálculos, que nunca havia subido à Torre Eiffel. Já pensou? Um ícone do turismo mundial, visitada por milhões a cada ano e ser ignorada por uma nativa parisiense.
Parece que isto é muito comum, mesmo. Dizem que a maioria esmagadora dos cariocas nunca foi ao Corcovado, rezar no pé do Cristo, seja por falta de dinheiro ou desinteresse mesmo. Muitos preferem ir a Paris e fazer o que aquela coroa francesa, que conheci, nunca fez.
Pois é... Viver no Recife e nunca haver dado um pulinho em Olinda, é demais para minha cabeça. Foi, não foi, ando por lá. Sem ter nem pra quê... Adoro (é o verbo adequado) caminhar nas ladeiras da Marim dos Caetés, entrar nas igrejas, admirar a beleza do casario, bater papo com os artesãos em atividade, tomar um café num misto de galeria e casa de chá, ou uma caipirinha num dos botequins instalado num casarão histórico.
Olinda, bom não esquecer, é patrimônio da humanidade e uma das maiores atrações turístico-culturais do Brasil. Não pode ser pensada ou tratada de modo marginal. Salvo por pessoas marginais... que existe, onde menos se espera.
Visite Olinda, ela é linda! E procure conhecer sua história. Saindo de lá você será outra pessoa. NOTA: Fotos do blogueiro, numa tarde de sabado olindense.

8 comentários:

Bruna Siqueira disse...

Oi, Girley! Concordo em gênero, número e grau com você. Ignorância é uma coisa muito triste, mas muito mesmo. Mas aquela ignorância vinda de alguém que tem dinheiro, é pior ainda. Dá raiva, vontade de mandar tomar banho. Ela deve ser uma das milhares de pessoas em Pernambuco que vê Olinda como um lado "marginal" do Estado, muito aquém do que o Shopping Center Recife tem para oferecer.. Ah, faz-me rir...
p.s - Uma pena que Olinda seja tão maltratada, só dá motivo para essas peruas bestas falarem bobagem.
Bjs,

Bruna

Carlos Antonio Domingues disse...

OI Girley!
Sarney, o do Maribondo picador, todos sempre souberam e calaram. Agora não tem quem agüente tanta noticia da “quadrilha com sede no Maranhão”. (valeu a opinião seu leitor)Falar de amenidades é mais agradável. Os caso noticiados – para mim comuns em nossas vidas.
O companheiro e amigo já perambulou pela Estrada Velha de Beberibe; Sitio Caiara, Estrada de pau seco (fica na divisa de Jaboatão e Recife). (Eu andei nestes lugares nos 50 60)e que dizer dos Morros que rodeiam nosso Bairro – Alto do Céu, Alto Santa Izabel ,Linha do Tiro. Eu e Marlene aproveitamos algumas tardes para caminhar por eles e vejo quantas existem no Recife não aproveitada em beleza tranqüilidade.
Abraços
Carlos Antonio

Arlégo disse...

Caro Girley, você ficou perplexo com um fato que a natureza explica. As coisas quando são grande demais não podem ser vistas de perto. Imagine alguém que da ponta da calça queira olhar para um edifício de 40 andares. Certamente irá cair de costas e não enxergará o último pavimento. Para fazê-lo é preciso que nos afastemos. O mesmo ocorre com pai e mãe, quando estão ao nosso lado. Por mais que mais os amemos não poderemos saber o quanto são árvores tão grandes, pois só poderemos medi-los depois que tombam. Tudo depende de um referencial. Você vê toda essa grandeza em Olinda, que de fato bem merece, porque tem uma vivência internacional como poucos. Parabéns pelo desabafo, com o qual concordo embora compreenda o fora que a tal "perua" deu. Abraços e bom Fim-de-semana. Arlégo

Corumbá disse...

Grande Girley:

Muito bom seu comentário! Tenho me policiado muito com esse meu hábito comodista de estabelecer rotinas e não sair do espaço que crio onde moro. Sou carioca e nunca fui ao Pão de Açucar (bem verdade que era por causa da fila). Morei no Recife e demorei muito tempo para me deslocar pela região metropolitana.
Agora em Belo Jardim, vivo me insistindo para pegar a moto e me perder e de quando em vez o faço. Interessante, conheço coisas que muitos habitantes nem sabiam que existia.
Valeu, não posso deixar cair a peteca. É preciso circular!
Grande abraço,
Corumbá

Anônimo disse...

Girley Isso prá mim também é um sacrilégio. No meu recente livro -Amor in Concert - falo das belezas e da cultura do nosso Recife. Muitas pessoas me perguntaram como é que eu conhecia tudo aquilo, que muitas coisas nunca ouviram falar. Paciência. Tem gente que tem olhos mas não vê. Um abraço, Leony

Mauro Gomes disse...

Pois caro Girley,
Sei de pessoas que, depois que foram morar na beira mar de Boa Viagem, nunca mais foram à praia. Confesso que há muitos pontos turísticos de nossa região metropolitana que não conheço. Acho que é o efeito psicológico de saber que eles estão aqui pertinho e, quando eu quiser, poderei ir facilmente visitá-los. Ocorre que vai ficando sempre prá depois....

Mauro Gomes

Daniel Breda disse...

Girley, vou começar aparentemente me contrapondo a ti, embora não seja exatamente a intenção. Acho injusto comparar Olinda à Torre Eiffel ou ao Corcovado. Explico: estes são monumentos específicos, pontuais, simbólicos também, mas ainda são meros locais de visita. Olinda, como bem expusestes, é muito mais!! Enxergar a cidade-patrimônio como museu para ver, bater foto e comprar souvenir é muito pouco. Olinda é reduto com alma, com cultura local, com vida a ser explorada; são as tapicoqueiras, os artesãos, os artistas, os bares, a cultura popular. Não é um amontoado de pedras seculares, mas um relicário da alma pernambucana, da cultura brasileira. Lugar para ser vivido, e não somente admirado. Pobres dos que têm o privilégio de viver num centro urbano com bons shoppings centers, boas marcas à mão, boa gastronomia, dispondo de um centro histórico de origens quinhentistas à mão e não aproveitam a complexidade da sofisticação contemporânea, da regalia do consumo à regalia da cultura.

Forte abraço!

Roberto Pinto disse...

Girley
Quando comecei a ler "A gente vê cada coisa" e vc disse que não iria falar de Sarney eu tinha certeza que vc iria comentar a mudança de partido de um candidato derrotado a deputado federal que afirma que não está mudando para se candidatar mas as razões outras não ficaram claras.
Político não pode passar muito tempo trabalhando pelo partido sem cargo......
abs
Roberto Pinto