domingo, 9 de agosto de 2009

Amazônia – Planeta Água

Acabo de voltar de Manaus, a bela capital do Amazonas, no coração da mítica Selva Amazônica, onde passei três dias. Há pelo menos dez anos sem ir até lá, fiquei impressionado com o crescimento e mudanças na estrutura urbana que vi. É outra cidade. Passada a efervescência que a caracterizou, nos anos 80 e 90, com o movimento comercial alavancado pela Zona Franca, a cidade se mostra hoje mais madura e com ares de Metrópole. Por lá, acredite, na se vê pedintes, nem ambulantes ou limpadores de pára-brisas nos semáforos. A cidade é limpa e, segundo me informaram, tem uma violência mínima e, apesar do calor, não vi ninguém nu da cintura para cima ou em trajes sumários ou indecorosos. Os turistas que circulam não são mais aqueles ávidos por comprar e comprar. Ao invés disso, são os interessados em ver de perto tudo que se fala e se propala sobre o pulmão do planeta: o verde luxuriante da floresta, a rica fauna e a imensidão aquática. É um lugar onde podemos cruzar com pessoas de todas as procedências, falando os mais distintos idiomas.
Dos programas turísticos não podem faltar um passeio pelos rios e igarapés (pequenos rios, por onde só circulam canoas), um contato direto com os animais silvestres e a vegetação e degustação da cozinha regional, sempre às voltas com os pescados. Sem falar no Teatro Amazonas, que é uma atração à parte.
Sem muito tempo para fazer turismo – fui numa missão de trabalho – ainda tive a chance de adentrar o Rio Negro e alcançar o ponto de encontro das águas deste com as do Rio Solimões e, a partir dali, formar o Rio Amazonas, que desagua no Atlântico. A bordo de uma pequena embarcação, conhecida como voadora, com capacidade de levar dez passageiros, fui, com companheiros de viagem, ao citado encontro, que eu já conhecia, mas quis rever. É um belo espetáculo da natureza. Impressiona ver como a cor do Negro – assim devida ao PH que se forma na região que corre, desde os confins da Colômbia – não se mistura ao do Solimões, de cor barrenta, por conta do solo que atravessa desde o alto dos Andes, no Peru. Mas, viver a Amazônia é entrar em contato com um mundo cheio de hábitos e costumes bem particulares. É um outro mundo, dentro do Brasil. Lembra muito alguns países asiáticos, seja pelo biótipo do homem local (há teorias que garante ser de origem asiática) ou pelas formas de viver. E, aquela profusão de canoas, barcas e navios circulando, carregando pessoas e mercadorias, tem uma cara danada de Sudeste da Ásia.
Outra coisa que me deixa fissurado, na Amazônia, são as lendas que fazem o imaginário daquela gente maravilhosa. Eles acreditam em coisas incríveis. Nesta viagem ganhei um livro (Emoções Amazônicas – Bernadino, Francisco R.) que narra coisas fantásticas, algumas das quais pincei para esta postagem.
A primeira delas fala da origem do fruto do guaraná. Os Saterê-Maués, índios que vivem entre os rios Maués e Andirá, garantem que na região havia três irmãos órfãos, dois rapazes e uma linda moça, que de uma gravidez indesejada deu a luz um menino com belíssimos olhos negros. Por ciúme e inveja os tios o mataram aos cinco anos. Desesperada a mãe, antes de cremar o cadáver, arrancou-lhe os olhos e plantou-os na floresta, pedindo ao Deus Tupã (a maior divindade indígena), que o devolvesse a vida em forma de vegetal (foto). Assim, nasceu o guaraná, que se transformou numa marca do Brasil, em forma de bebida energética e afrodisíaca. Uma beleza!

Outra lenda incrível, fala do boto vermelho, mais conhecido como Boto Cor de Rosa. Essa é demais. Acontece que o boto, um cetáceo que habita os rios da Amazônia, tem uma massa cefálica maior do que a do homem e é capaz de estabelecer relações especiais com este. É personagem central de lendas fantásticas. A mais interessante diz que tendo genitália muito semelhante aos humanos, seja homem ou mulher, são muitos os casos das relações intimas entre homens e boto fêmea e mulheres com boto macho. O incrível mesmo, vem depois, é que há registros civis de crianças como sendo "filhos do boto". É demais! Para mim, é uma desculpa amarela. A ultima lenda, que selecionei, é a de que mulher menstruada não pode viajar de barco porque pode atrair o boto, que tentará arrebatá-la. Dizem que tem nego que morre de medo de perder a companheira, assim como tem mulher doida para viver o sonho de transar com um deles. Ao mesmo tempo, se necessário for, a mulher menstruada não pode entrar pela proa ou popa do barco de um pescador. Tem que embarcar pelo meio da canoa, para que haja uma boa pesca.
São muitas historias fantásticas que correm pela imensa Amazônia. É preciso ver de perto esta região, testemunha maior do que se conhece por Planeta Água.
Nota – Foto do Blogueiro e outra (semente do gauraná) obtida no Google Imagens. Quem quiser ver imagens da genitália do boto femea confira no Google Imagens. São tão eróticas que tive acanhamento de postar.

15 comentários:

Geraldo Pereira disse...

Girley
O seu texto de hoje está ótimo, porque sendo claro, tem um estilo simples e fácil. Uma leitura amena, então! Tenho uma viagem marcada para o Amazonas no final do ano - e a gripe? -, mas ainda não sei se vou, haja vista todos os meus medos dos porcos que espirram e contaminam. Mas, se for, fique certo de que hei de tomar a sua crônica na algibeira, contanto que possa conhecer a intimidade hídrica do lugar. Viva!

Adierson Azevedo disse...

Prezado Girley,
Girley
Parabens pela sua publicaçao Amazonia - Planeta Agua! Jamais fiz uma viagem tao extensa e profunda como a sua limitando-me a ir umas 2 vezes a Belem do Pará. No entanto, basta dar uma volta no entorno de Belem para ser fazer uma idéia da grandeza daquele patrimonio.
Adierson Azevedo

Antonio Azevedo disse...

Meu caro reporter Girley - Bom texto sobre a Amazônia...
Antonio Azevedo

Mauro Gomes disse...

Girley é cultura.
Mauro Gomes

Leony Muniz disse...

Ôi, Girley
Você sabe que leio e me deleito com as suas crônicas. Hoje retornei à Amazonia com as suas palavras. Lembrei de cada lugar daquele paraíso. A cidade, a Zona Franca, os nossos amigos Amado, Jacó, Hugo de Almeida, o encontro das águas, o teatro maravilhoso. Infelizmente as pessoas pensam Amazônia apenas como floresta, cobras, macacos e índios, como uma curiosidade. Esquecem que isso é ainda o que resta do nosso Brasil autêntico, uma cultura que, aos poucos, vamos perdendo. Mais uma vez parabéns. Abraços, Leony

astrodobrasil disse...

Amigo Girley,
Em primeiro Lugar um feliz aniversario,vidalonga,efelicidade plena, junto aos que o cercam.
Presenciei estas cenas em 1974 quando visitei Manus é uma realidade explendorosa que você conta com muita peculiaridade. Parabéns.
Não deixe de publicar
Mario Cunha

Susana González disse...

Girley:

Precioso tu artículo verdaderamente invita a ese lugar, para mi tan lejos de hacerlo realidad, por lo que goce muchismo tu narración. Ojalá nos puedas contar más de ese bello lugar y de otros que visites. Con cariño.

Susana González

Wilma disse...

Girley,
Não conheço a Amazonia,mas você relata tão bem,que sinto como se lá estivesse.Parabéns!
Grande abraço.

Wilma.

JOSE DO RECIFE disse...

Amigo Girley, bom dia!
Queremos parabenizá-lo pelos excelentes temas abordados e pelo seu ANIVERSÁRIO transcorrido no dia de ontem.
JOSÉ MÁRIO e CRISTINA.

Luiz Bezerra de Carvalho Jr. disse...

Meu caro Girley Brazileiro:
Sua crônica sobre “Amazônia – Planeta Água” depõe a favor de que seu nome deveria ser Brazileiro com esse.
Sobre a lenda da origem do guaraná é que me faz ser contrário à cremação dos nossos corpos.
Sempre há possibilidade de virarmos algo útil uma vez sepultado no chão batido.
Ainda que isto não aconteça nos prestaremos como adubo dos bons.
Um abraço.
Luiz Bezerra de Carvalho Junior

Jonas Gomes (Manaus) disse...

Prezado Girley
Q bom q gostaste de nossa cidade.
Na próxima vez me envia um e-mail que será um prazer ajudá-los a conhecer melhor nossa região. E com certeza ouvirão muitas lendas que aprendi com meus avós, pais e os soldados da borracha.
Um abraço a todos
Jonas Gomes
Manaus-Am)

Dricka disse...

Olá
Nem sei como cheguei ao seu blog, mas o fato é que cheguei e amei.
Estarei sempre por aqui.
Bjs

Anônimo disse...

Caro Girley, como filho da terra e radicado em Pernambuco fico lisonjeado com vossos comentários que retratam como as peculiaridades amazonidas são inigualáveis, bela beleza, singularidade e importância que todos os brasileiros deveriam valorizar mais. Em 2014 valerá a pena assistir um jogo da copa no berço da maior floresta inundada do planeta. Sds Restony

Anônimo disse...

nada disso manaus é sexo

Anônimo disse...

sinto muito te informar: em MANAUS HOMENS E MULHERES CONTINUAM QUASE NUS...O FORRO DAQUI DEIXA FANQUEIROS NA XON (SEXO PURO) ESQUEÇA forro do nordeste MEUS AMIGOS DO SUL FICAM ENLOUQUECIDOS COM MANAUS. ADORAM EZATAMENTE PQ nao tem terra igual... sou de fortaleza va ao youtube e veja(forro manaus casal dançando sexo)forro sex manaus ... forro homem com homem... e descubra oque é sua terra. abraços .