sábado, 28 de fevereiro de 2009

Chile: cenário exuberante na América do Sul

Assistir a vitória do Sport Clube do Recife sobre o Colo Colo, dentro de casa, foi tão bom quanto rever Santiago, depois de quatorze anos sem ir até lá.
Para minha surpresa, encontrei a capital chilena com um novo perfil. É impressionante como conseguiram, em tão pouco tempo, transformar a cidade numa metrópole de padrão internacional. Dá gosto transitar pelas largas, bem tratadas e limpíssimas, avenidas, alamedas e parques. E mais: túneis imensos, viadutos, trevos viários complexos e passagens inferiores, que terminam por conferir à cidade um trânsito ágil, com motoristas tranqüilos e seguros. Os serviços de transporte de massa é outro detalhe importante, destacando-se o metrô agora mais extenso e com novas linhas a serviço da população, além de muito limpo. Inúmeros estacionamentos subterrâneos dão uma imagem clean à cidade. Não existem as populares áreas a céu aberto ou carros estacionados pelas calçadas ou imprensados a cada lado das ruas e avenidas, atrapalhando o fluxo de transito, como e vê na maioria das cidades brasileiras. E, tem mais, não vi engarrafamentos de veículos. Talvez nessa época de férias. Não sei noutras épocas do ano.
Pelo visto, o Governo investiu maciçamente na estrutura urbana, enquanto que a iniciativa privada se encarregou de dotar a cidade de arrojados edifícios, dando uma imagem futurista de grande impacto para o visitante.
Fica claro que rolou muito dinheiro e isto dá uma idéia da pujança econômica que o país vive nesses últimos vinte anos.
Outra coisa que salta aos olhos do visitante brasileiro é o fato de não haver pedintes nas esquinas e semáforos. Limpador de pára-brisas? Nem pensar! Menores abandonados à sorte, tampouco. O povo que circula pelas ruas, em geral, desfruta de uma boa qualidade de vida e revela muita dignidade. Não vi descamisados (embora o calor de 30 graus), descalços ou maltrapilhos.
Bom... É assim, pelo menos, na capital. Não sei no interior.
O Chile não tem montadoras de veículos e importa tudo que o chileno sonha ter. Santiago está repleta de carrões, das marcas mais sofisticadas, das mais diversas procedências, circulando numa nice, sem medo de assaltantes. Ocorre que os impostos são muito baixos e um carro sai por menos da metade do preço no Brasil. Meus filhos, que estavam comigo nesta viagem, ficaram babando com o preço da sofisticada Masserati 2009, de um amigo chileno, que foi de US$ 220.000,00. No Brasil um carro igual não sai por menos de US$ 500.000,00. Isto, quando é vendido, uma vez na vida. São Paulo, pode ser...
Sempre gostei muito de visitar o Chile por ser uma experiência muito instigante. Já andei por lá quatro vezes. A conformação geográfica desse país é muito especial. Trata-se, na prática, de uma extensa “língua” de terra – encostada na Cordilheira dos Andes e escorregando pelo Oceano Pacífico – dotada de imensa diversidade. Em menos de 24 horas, por exemplo, fizemos um recorrido de, no máximo 150 km., desfrutando de uma bela praia no Pacifico, em Viña del Mar, e de uma estação de sky, no alto dos Andes, no Valle Nevado. Isto na região central do país, arredores da capital. A visão da Cordilheira, coroada de neves eternas, dão um especial toque ao cenário de Santiago. Não tem “pau de arara” que resista. Haja exclamações! Mais tempo tivéssemos, alcançaríamos o mais severo deserto do planeta, o Atacama, no Norte do país, ou, viajando no sentido Sul, teríamos chegado à bela região dos lagos chilenos. Fica para outras ocasiões.
E, se o assunto for gastronomia, não há quem resista às iguarias da cozinha chilena, misto de espanhola, crioula e mapoche. Come-se muito bem no Chile. Como especialidade, o que se destacam são os frutos do mar. Peixes deliciosos, crustáceos exuberantes, como a centolla – imenso caranguejo – que pela raridade e sabor da carne pode custar, no mercado público, a bagatela de R$ 400,00 a unidade. O sujeito precisa ter muitos pesos chilenos na carteira e muita coragem para enfrentar uma conta dessa ordem. Além disso, saboreiam-se com facilidade outros produtos do mar, entre os quais as ostras magníficas, ouriços, lagostas, locos e peixes deliciosos como o côngrio e a reineta. Para quem for por lá, aconselho pedir um popular Chupe de caranguejo e loco. É de comer ajoelhado, lamber os beiços e sentir vontade de repetir. Ah! Já ia esquecendo de registrar que o Chile é especialista na produção de salmão. É de lá, aliás, o salmão que em geral consumimos no Brasil.
Outro destaque desse maravilhoso país é a produção vinícola e isto merece outra postagem, que logo seguirá. Nesta não cabe mais...
Foi bom voltar ao Chile que, sem dúvidas, se constitui num cenário diferenciado na América Latina.

Nota: Fotos do Blogueiro e do Google Imagens.

6 comentários:

Edvaldo Arlego disse...

Caro Girley, você é um menestrel internacional. Canta os países como
louvaria sua própria terra, com elegância e profundidade. Dizem que
coincidência não existe, mas no próximo dia 12 de março, quando Recife completa 472 anos e a Academia Recifense de Letras, l3 de existência,estarei às 19 horas, no auditório da Biblioteca Pública, promovendo o
lançamento do livro O RECIFE DOS MEUS SONHOS, que mostra a cidade como gostaríamos que fosse, talvez bem parecida com a Santiago que você nos mostrou: livre dos engarrafamentos, da violência, dos meninos de rua e de tudo aquilo que nos perturbam a todo instante. Será um livro polémico porque baterá de frente com preservacionistas e
ambientalistas de plantão e políticos interessados apenas nos votos que a miséria lhes proprociona. Caso tudo isso não bastasse, o livro ainda apresenta ao leitor o melhor coral da cidade: ???????? - Surpresa. Gostaria de contar com a sua presença. Abraços, Arlégo

Anônimo disse...

Caro Girley

Gostei muito dos comentários e a forma colpquial que voe tem de colocar as coisas e expor os fatos.
Eu não conheço o Chile apesar da admiração que tenho pelo país. Voce já priorizou uma próxima viagem para mim.
Entretanto pelo seu entusiasmo pelo Sport , vejo que serão muitas as viagens e pelo entusisasmo e o Magrão pegando todas já aguardo seus comentários de Töquio sua velha conhecida.
De Florianópolis um abraço do companheiro e amigo

Anônimo disse...

Girley,

È muito bom o passeio que fiz ao Chile através do agradável passeio que fiz na leitura do teu Chile.
Penso que temos muitas coisas boas assim tb dentro do nosso país, tipo Jurerê internacional em Floripa. é uma pena que a nossa Recife - veneza brasileira - deixe tanto a desejar.
Um abraço da amiga Mônica

Tarciso Calado disse...

Meu Caro Amigo Girley, Parabens,pela excelente reportagem do Chile. Se já tinha vontade de ir, agora devo apressar a minha ida ao Chile. Tarciso Calado

Ogib disse...

Caro Girley - Sempre me delicio com suas bem traçadas linhas. Viajo junto contigo. Parabéns.

Julio Torres Silva (Chile) disse...

QUERIDO HERMANO GIRLEY
CON GRAN PLACER HE LEÍDO TU COMENTARIO SOBRE LA BREVE VISITA QUE HICISTE CON SONIA E HIJOS A CHILE. ADEMÁS DE TU EXTRAORDINARIA CAPACIDAD DE EXPONER EN POCAS PALABRAS TU BUENA EXPERIENCIA DE ESTOS CORTOS DÍAS, NOS DAS A TUS AMIGOS CHILENOS UNA VISIÓN OPTIMISTA Y ESTIMULADORA DE LA CIUDAD, QUE -AL MENOS PARA MI- NO ES TAN BUENA COMO TE PARECIÓ A TI. PROBABLEMENTE POR ESTAR TAN INMERSOS DENTRO DE NUESTROS PROPIOS PROBLEMAS NO VISUALIZAMOS LAS BONDADES QUE SANTIAGO NOS ESTÁ BRINDANDO, Y ES POR ELLO QUE NO INTERNALIZAMOS LOS FACTORES POSITIVOS QUE TU PONDERAS. POR ELLO TE AGRADEZCO NO SÓLO LA OPORTUNIDAD DE HABERME REENCONTRADO CONTIGO Y TU FAMILIA TAN QUERIDA, SINO QUE ME HAGAS REVALORIZAREL CONTEXTO EN QUE VIVO. CON AGRADECIMIENTO Y AFECTO LES ENVÍO UN GRAN ABRAZO TU HERMANO JULIO