sábado, 11 de julho de 2015

O que está ruim pode piorar

Quem sabe, dentro de alguns dias, D. Dilma venham a ter razão ao afirmar que a crise internacional seja a responsável pelas sérias dificuldades pelas quais passa, atualmente, a economia brasileira. Sim, porque até agora não passa de uma “desculpa de amarelo”. Tem sido apenas uma tentativa de enganar a comunidade internacional. A crise de hoje foi toda forjada aqui dentro no governo dela mesma. E as perspectivas não são nada boas...
Vejamos, então, as razões das perspectivas piores: primeiro, a crise que reina na Europa, com a Grécia em clima de falência não pode ser nada bom para meio mundo, incluindo o Brasil. Tudo vai depender das negociações que rolam, neste fim de semana, entre a República Helênica e as autoridades da União Europeia, em Bruxelas. As responsabilidades que os gregos assumirem e as possibilidades de executá-las, definirão o quadro a seguir. A dívida, que é impagável, com o acréscimo que agora pleiteiam do Banco Central Europeu (Vide foto a seguir), de Euros 53,4 Bilhões, se tornará do tipo que vai levar para as calendas gregas (*). Se já era difícil antes, acredito que pior será daqui prá frente.

O segundo motivo, no qual D. Dilma pode se pendurar, é o que se desenha prasbandas da China. A coisa começa a se complicar por lá, também. E esta pode ser uma razão muito mais forte do que a primeira. Nossa dependência é bem maior neste caso. Tudo indica que “estourou uma bolha” que os filhos de Mao inflaram nos últimos anos. O dragão se agitou e anda querendo pegar a turma que esbanjava. A Bolsa de Xangai deu um chabú, em três semanas registraram-se perdas de US$ 3,2 Trilhões (na China os números são sempre fora do normal!), o Banco Central Chinês socorreu com uma injeção de US$ 81,0 Bilhões para os grandes bancos do país, mas, a coisa não garantiu a recuperação. Os chineses estão com as mãos na cabeça.  (Fotos a seguir)

  
Ao mesmo tempo, o FMI reviu seus estudos e já antecipou, esta semana, que a economia brasileira, ao invés de recuar 1%, como anunciado antes, vai decrescer 1,5%, este ano. Olha aí, pessoal, o resultado disto é que o que estava ruim pode ficar pior.
Diante de tantas incertezas, tive a curiosidade de pesquisar dados das relações comerciais entre o Brasil e as duas economias em crise. Consultei as estatísticas do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e descobri coisas bem concretas e que podem revelar os riscos que corremos. Vejamos a seguir.
Com a Grécia – ela em separado – nossas relações comerciais são irrisórias, não causam nenhum temor, nossas exportações, para aquele destino, não passam de US$ 0,1 Bilhão. O país, além de ser um minúsculo mercado (11 milhões de habitantes) foi em 2013 nosso 82º parceiro comercial. Representa 0,1% do comercio exterior do Brasil. Isto, então, não é nada. Os produtos principais das nossas vendas são: café (40% das exportações), açúcar, calçados, fumo, minério de ferro e automóveis. Tudo em quantidades insignificantes em se falando de comércio internacional. O saldo da balança comercial é sempre favorável ao Brasil. US$ 36,0 milhões em 2013.
Já no caso da China a conversa é outra. Mercado fantástico de 1,3 Bilhão de Habitantes e PIB de US$ 10,36 Trilhões. Pense no que seja abastecer esse mundão! Somente em 2014 o Brasil mandou, para consumo dos chineses, toneladas de mercadorias, de diferentes naturezas, que resultou num valor total de US$ 46,0 Bilhões. O Brasil é o 7º maior vendedor para o mercado chinês. Observem que isto representa muita coisa. Ao mesmo tempo, é verdade, compramos deles toneladas de produtos, sobretudo manufaturados (98% das compras), mas, o saldo da balança comercial tem sido sempre favorável ao lado brasileiro. Em 2014 foi de US$ 3,28 Bilhões. É bom, ? Se os chineses entrarem em recessão as exportações brasileiras poderão sofrer tremendo baque. E aí, vem a pergunta mais adequada: para onde venderemos as “montanhas” de soja, minério de ferro, petróleo bruto, açúcar e fumo que habitualmente são produzidas justamente para atender as demandas daquele destino?
Desse modo, minha gente, preparemo-nos para escutar discursos atualizados da nossa “presidenta”. Certamente, mais clamorosos. O bicho pode (vai) pegar.

 (*)Calendas (daí o termo calendário) era o primeiro dia de cada mês no calendário romano. Não havia o termo calendas no calendário grego. Quando os romanos ironicamente falavam das “calendas gregas”, queriam referir-se a uma data que não existia.


NOTA: Dados estatísticos obtidos em www.brasilglobalnet.gov.br e fotos no Google Imagens.

6 comentários:

Elda Galvão Diniz disse...

Como sempre nos explicando direitinho cada assunto que acontece no mundo ! Gosto de ler seus artigos, explana de uma maneira simples e fácil de entender. Sou sua fã, desde muito tempo.
Elda Galvão Diniz

Eliana Pereira disse...


Prezado Girley,

É isso aí: os discursos calorosos, mas pouco convincentes, estão na ordem do dia. Os inocentes irão aplaudir e os sábios deverão recuar mais e mais. Artigo de excelente qualidade e profundo conhecimento. Leio e releio. Estou sempre à espreita de mais um. Parabéns sempre!!!

Abraços, Eliana Pereira

Ana Fernandes de Souza disse...

Gosto muito de suas postagens cunhado, me ajuda a entender melhor a razão dos nossos problemas financeiros nacionais e internacionais.
Ana Fernandes de Souza

Manoel Quintas disse...

Caro Girley
Se estava preocupado com os rumos de nossa economia desastradamente comandada pelo ex-presidente e pela atual presidente do Brasil, com suas observações tão pertinentes, os horizontes ficam para lá de sombrios, para não dizer catastróficos !
Grande abraço,
Manoel

Danyelle Monteiro disse...

Os números dizem muito...todos de olho na China.
Danyelle Monteiro

Elda Galvão Diniz disse...

Como sempre nos explicando direitinho cada assunto que acontece no mundo ! Gosto de ler seus artigos, explana de uma maneira simples e fácil de entender. Sou sua fã, desde muito tempo.
Elda Galvão Diniz