sexta-feira, 23 de julho de 2010

ShelterBox: Uma bonança, depois da tempestade

Uma coisa é ouvir falar, fazer idéia e imaginar como funciona. Outra é ver a coisa acontecer e surtir efeito. E quando o efeito desejado supera a expectativa, melhor ainda.
Estes últimos dias, tenho acompanhado e contribuido, como Deus me permite, com a operação de ajuda aos flagelados das enchentes de junho na Mata Sul, do estado de Pernambuco. Fiz muito pouco, diante da envergadura e trabalho de outros que estão pondo a mão na massa e fazendo tudo acontecer. Refiro-me, novamente, à operação ShelterBox, promovida pelo Rotary Club International.
Esta semana, junto com outros rotarianos, visitei o sitio de montagem das tendas-abrigos, na cidade de Água Preta, na região fustigada pelas águas. O que pude ver é simplesmente gratificante. Enche de felicidade qualquer cidadão que participe do processo.
Passada a avalanche, restou a destruição, com efeitos nocivos, no seio de uma sociedade pacata, trabalhadora e cheia de projetos. “O meu mundo se acabou... estou acabado. Só me resta esperar o fim... Perdi filhos, mulher, outros parentes, casa e meu ganha-pão.” Foi o lamento doído de um popular, “náufrago” da enxurrada. Conta-se também a história do cidadão que tinha oito casinhas, morava numa dessas e alugava as sete restantes. Vivia da renda desses aluguéis. Não sobrou nada... Ficou “sem eira, nem beira”, como se dizia antigamente.
Mas, meu Deus, enquanto há vida, há esperança e, eis que, aos poucos, tudo tende a retomar seus cursos normais e a vida volta a ser exaltada. A ordem é reconstruir.
Assim que, ainda num cenário de desastre – pontes destruídas, ruas arrasadas, povo em abrigos coletivos e rios determinando novas, e até surpreendentes, conformações geográficas – brotam soluções inteligentes, frutos, sobretudo, da solidariedade humana. O esquema do Programa ShelterBox do Rotary tem, na medida, essa característica.
Logo mais, quem estava arranchado, muitas vezes amoquecado entre panos sujos, vendo crianças, aos magotes, fazendo xixi e cocô, por todo lado, poderá usufruir de seu próprio cantinho, provido do que se faz de necessário para uma vida digna, como teto, limpeza, água pura, comida, lazer e segurança. Somente o fato de poder dormir em paz, sabendo que o rio não vai lhe expulsar do local, já vale por tudo. Na prática, são pessoas que vão sair de moradias subnormais (bote subnormal nisto!), como, por exemplo, um jirau, debaixo da ponte que caiu. Vão experimentar o que nunca imaginaram provar. Vão dispor, além de abrigo seguro, de banheiros, cozinha comunitária, refeitório coletivo, luz elétrica, TV comunitária, entre outros benefícios. Outra coisa inesquecível, uma cena que me deleitou no campo de trabalho, foi ver a meninada da redondeza, em algazarras e excitação, a espera da casa nova, buscando se comunicar com os voluntários ingleses, montadores da vila, descobrindo algumas palavras em inglês, para manifestar com a própria voz, a alegria de viver aquele momento. Uma graça... “Oia, my name é Tiago. Visse?” Como quem queria dizer: não me esqueça não, por favor. Visse? Aquilo, no final das contas, se constitui na maior novidade e representa uma nova dinâmica para quem vivia na simplicidade da vida rural nordestina, do Brasil. Uma vidinha quase esquecida. Será que Deus mandou a torrente para colocá-los sob os olhares da sociedade? Para encerrar esta conversa semanal, preciso registrar algo muito importante: essas barracas ShelterBox não são qualquer barraquinha que conhecemos, por essas nossas bandas. É uma coisa, digamos, sofisticada, por conta de dispositivos tecnologicamente avançados. Por exemplo, permitem ambientes internos arejados, graças a um inteligente sistema de ventilação, duplas “paredes”, uma espécie de colchão de ar, com material resistente e protetor contra raios solares intensos, mais fechamento de segurança com duas “portas”, defensivos contra insetos e elementos de ambientação funcionais. Vamos e venhamos, sair de um jirau pendurado debaixo da ponte para dormir em solo firme e abrigado é uma benção do céu. O mesmo céu que castigou em forma de tempestades. Indiscutivelmente, para muitos, depois da tempestade veio a bonança chamada ShelterBox.
Uma pergunta, porém, sem resposta, pelo menos agora, é: saberá essa gente preservar este patrimônio que estão recebendo. Eis, então, outro desafio: monitorar e orientar o assistido. Coisa para depois...
Nota: Fotos da autoria do próprio Blogueiro. Veja a exibição de slides no topo da Coluna da Direita.

13 comentários:

augusto disse...

Parabéns Girley!
Você é Brasileiro duas vezes.
Augusto Rodrigues

Cristina Henriques disse...

Um trabalho memorável para nossos irmãos que perderam tudo - casas.
Cristina Henriques

Jorge Castro disse...

Caro Girley,
Fico muito gratificado ter você como companheiro. Essas ações nos torna possível acreditar nos homens. Valeu.
Um forte ABRAÇO
Jorge Castro

pedrorivera5 disse...

! Lindo trabalho...¡¡¡¡

Andre Mahon disse...

Meu Caro Girley,
Uma enchentes natural destruiu e uma enchente solidaria de boas pessoas como nos ira reconstruir..

Abracos
Andre Mahon

Marcus Buim disse...

Girley, parabéns pelo trabalho que Rotary está fazendo por aí !
Grato pelo seu empenho pessoal na divulgação do projeto.
Abraço,
Marcus Buim
(RC S. Caetano- SP)

Ana Maria Menezes disse...

Girley, ao ver teu esforço a fim de conseguir inserir a participação do Rotary (de quem és membro) nesse trabalho de ajuda aos fragelados, você responde muito bem ao que fala o apóstolo Lucas 12-48 "a quem muito foi dado muito será cobrado". ana maria menezes - recife

Adilson Carneiro disse...

GIRLEY: SE SOLIDARIEDADE FOSSE UM RIO VOCE SERIA O AMAZONAS
MEU ABRAÇO
ADILSON CARNEIRO

Adriana Paes Barreto disse...

Oi, Tio!
Parabéns pelo trabalho solidário! Não contive a risada quando você citou o pirralho. Achei fofinho... Hihihihihihi!
Bjos,
Adriana Paes Barreto.

Adriana Paes Barreto disse...
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Zemarcus disse...

Caro Girley
parabens pelo excelente trabalho...enquanto isso existem politicos visitando os mocambos novamente prometendo melhoras que nao foram feitas nos quatro anos de mandato...infelizmente os candidatos sao impostos (pratos feitos) pelos partidos...haja democracia...abracos Zemarcus

Carlos Antonio Domingues disse...

Girley valeu o trabalho desenvolvido pelo Distrito e por alguns companheiros como Você que deram a contribuição decisiva.
Estou repassando sua mensagem para outros companheiros tomem conhecimento.
Carlos

Mucão disse...

Parabéns, Girley!

Como sempre, é um homem sempre prestativo a construir uma realidade melhor para aqueles a sua volta. E por "a sua volta" entenda os limites dos teus sonhos e do teu conhecimento.

Fico feliz em ver o tamanho da sua disposição para prestar auxílio a esse povo que tanto foi castigado pela chuva (quando já não é castigado pela vida!).

Grande abraço do Rio Grande do Sul!
Saudades de vocês aí do Recife!