segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

INOCÊNCIA PUERIL

A inocência das crianças é quase sempre coisa muito divertida. Na missa do domingo passado, assisti a uma cena simples, porém muito divertida. Uma senhora veio receber a comunhão com uma filhinha de, aparentemente, cinco anos. Após receber a eucaristia, imagino que teve dificuldades de explicar à filhinha que ela, ainda, não podia comungar. A garotinha chegou a abrir a boca e esperar uma hóstia. Ora, se todo mundo come, por que não posso comer também, deve ter pensado a inquieta menina. Vai ver ela estava com fome. Tive que achar graça na situação.
Esta história me fez lembrar outra passagem, também por ocasião de uma comunhão. A velhota, muito vaidosa, cabeleira tingida de lilás, talvez rosa choque, perua até dizer basta, cheia de balangandãs e extremamente falante vai à missa com uma netinha, imagino que da mesma faixa de idade da garota da missa de domingo. Na hora da comunhão deixa a garota no banco e vai receber a comunhão. Retorna contrita, cabeça baixa, mãos postas tocando no queixo e encaixada entre os peitos avantajados, ajoelha-se e fica lá por um bom tempo orando. A netinha observa intrigada a “tristeza” daquela cena de repentino recolhimento da avó perua e ao final, quando a coroa, digamos, volta ao seu normal, a menininha se sai com uma verdadeira pérola: “Vovó, foi ruim? Tem gosto de que?”. O episódio foi relatado a Deus e o mundo, pela estridente vovó, causando o maior sucesso.
Boa também foi a de uma garotinha, filha de colegas de trabalho, que nunca havia observado o tamanho da barriga de uma mulher grávida e manifesta sua admiração quando uma amiga da família chega à sua casa, em meio de uma festa de aniversário, e se sai com um diálogo inesquecível: “Êita neguinha, tu tá é gorda!”. A grávida muito feliz diz: “Tô gorda não. Tô esperando um bebê. Ele está aqui dentro da minha barriga”. A meninha, muito admirada, não teve dúvidas e atacou com outra pergunta: “Ôxente, e como foi que tu engoliu esse bebê?”. Inocência pura.
Acho que todo mundo tem uma boa para contar. Eu mesmo, no meu dia-a-dia de pai, vivi momentos deliciosos com meus inocentes filhos.
Não posso esquecer que Manuela, com sete anos de idade, num telefonema, comigo em Tóquio (Japão), me pediu que na volta eu trouxesse uma caixinha de morangos, que ela gostava muito. Como trazer de tão distante, com tantas horas de vôo, uma caixa de morangos? Inocência pura, também.
Já José Antonio - o Tico - meu caçula, nos fez passar por duas boas: a primeira foi quando ele ainda usava fraldas e aprendia a falar. Entrou na sala, cheia de visitas, com a descartável pesada de xixi e cocô, pedindo para a mãe trocar a fodinha! Foi demais. A casa quase vem abaixo com tantas risadas do “público presente”. Explico: quando minha esposa o chamava para trocar a fralda suja, dizia carinhosamente: “Vamos trocar a fraldinha”. Ele entendeu desse modo... paciência.
A outra de Tico foi também impagável: certa manhã de domingo, ele veio com Sonia, ao meu encontro na sede do Country Club (Recife), onde eu havia passado por um treino na quadra de tênis. Eu ainda estava de short e raquete na mão, conversando com companheiros de cancha, quando o guri entrou e correu feliz para me abraçar e disparou com a seguinte pergunta: “Painho, tu já jogou pênis hoje?” Foi hilário! A partir desse dia, meus amigos, no Clube, quase sempre perguntavam se eu ia jogar pênis...
É gostoso ser criança. É fantástico observá-la. As franqueza e pureza da infância são encantadoras.
Dos meus filhos crianças, hoje bem crescidos, dois dos quais já casados, resta a saudade dos tempos de inocência.
Agora, estou à espera dos netos, para viver novos e deliciosos episódios pueris.
Nota: Ilustrações tiradas do Google Imagens.

4 comentários:

Geraldo Pereira disse...

Meu Caro Girley
Essa crônica, dando conta de alguns episódios infantis, está ótima. Talvez tenha sido uma das melhores de seu Blog. Você soube contar a história que desejava - a da Missa -, mas cuidou em preencher o restante do espaço com outras. E o fez muitíssimo bem!

Geraldo Pereira

José Artur Paes disse...

Meu caríssimo Girley,
Também estou anotando historinhas infantis, só que do meu neto, um tal de Tiago e que hoje manda na família.
Uma das melhores: Deitado no banco traseiro, com a cabeça no colo da avó, coloca a mão nas costas e diz: "Vó, tô com muita dor na coluna... deve ser estresse...". Com 6 anos ele sabe lá o que é "stress" ???
Outra: Letícia, mãe do Tiago, sempre recomendando que ele fale com as pessoas, dê bom dia, boa tarde, etc. etc.
No elevador do prédio, um cara cizudo não fala com ninguem, mas na saída a Letícia, a título de despedida, diz: Bom dia. O cara não responde e o Tiago: "Como é que se diz, hem???"
Abração,
José Artur Paes Vieira de Melo
55 81 3265.6142 - Mobil 55 81 8780.6142

Wilma disse...

Muito bom lembranças dos nossos filhos quando crianças.Agora mesmo estou revivendo com meus netos.Ainda a semana passada minha nora com os 3 no cinema,Thiago o mais novo,com 3 anos,ainda não havia ido ao cinema e incomodado com o som alto pediu á mãe: mainha me dá o controle prá baixar,tá muito alto.Ri de embolar, minha nora contando!
Breve vc contará sobre os seus.
Abraços.
Wilma.

Inêz disse...

Caro amigo
Para começar o ano com essa sua deliciosa crônica de coisas de crianças, é realmente um começar
de nova epoca, com a sabedoria das
crianças sempre deliciosas.Como sabe ja sou avó, e estanto tão longe ele ( Dudu) sempre me pergunta se estou no avião...deixa meu coração apertado mais a certeza que ele estar sempre a minha espera.
Quero te desejar um 2009 com essa criatividade ainda mais aguçada nesse seu blog, além de muita saúde e paz para sua família.
Fui passar o Natal com os filhos e netos da minha irmã Celina em Amesterdam,ela ja não esta aqui entre nós, mais deixou seu legado,
sei que você lembra-se muito bem dela...Foram momentos maravilhosos.
Um grande abraço
Inez Mota
Porto/Portugal