sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O Bonito de Pernambuco

A gente sai por aí fazendo turismo e se encanta com belezas várias, muitas vezes sem muito encanto ou importância. Talvez, por puro prazer de viajar leva a que admiremos mais as belezas distantes e esqueçamos as que se encontram bem perto. Por exemplo, lembro de que existem cariocas que nunca subiram aos morros do Pão de Açúcar ou do Corcovado, mas enchem a boca ao dizer que subiram a Torre Eiffel para deslumbrar Paris lá do alto. Aliás, amigo meu, já falecido, alto funcionário da ONU (Organização das Nações Unidas), na Ásia, parisiense nato, garantiu-me nunca haver subida a famosa torre da sua cidade. Não é engraçado? Esta semana deparei-me com situações que me fizeram lembrar essas coisas.
Foi preciso acompanhar um amigo argentino, meu hóspede, ao interior de Pernambuco, querendo ver de perto nossa paisagem caipira. Fomos ao Agreste pernambucano e descambamos pela Zona da Mata, centrados na aprazível cidade de Bonito. Meu amigo ficou encantado com a paisagem. As serras da região, a vegetação, as cachoeiras que existem por lá, a gastronomia e, por fim, o modo de ser da gente local. Vimos inclusive uma vaquejada, o que foi muito oportuno. Ele se encantava e me fazia ver o que, de modo geral, não valorizo adequadamente. Não posso negar que é tudo muito bonito, simples e ao nosso alcance.
A gente do interior de hoje é bem diferente da que vi no passado, pelas bandas de Fazenda Nova, Caruaru e Garanhuns, terras dos meus ancestrais e por onde ando desde os meus ontem. É uma gente antenada, charmosa e atualizada. Por isso, já sabem receber com competência e, cheio de dengos, sem pedir homenagem aos metidos citadinos do Recife. Se brincar tem mais matuto na capital do que no interior.
Precisamos curtir (eu preciso) mais o que nosso interior oferece, porque vale à pena conferir certas coisas, como o Ecoparque de Bonito, onde o arvorismo e o banho de cachoeira fazem a festa do visitante. Ou então, meter-se na mata – Mata Atlântica salva – e alcançar os locais denominados de Pedra Redonda e Véu da Noiva, com belas cascatas e vegetação luxuriante, sem falar no coral formado pelos cantos da passarada nativa. O acesso é pela PE-103, novinha em folha, de traçado muito sinuoso e cheia de beleza a cada curva (cuidado com as curvas!). No alto da Serra, a 950m de altitude, o panorama é monumental. Dá uma sensação prazerosa de se encontrar mais perto de Deus e tendo o som do vento friozinho, como única música a soar nos ouvidos. Embora habitante das encostas dos Andes, meu amigo, me mostrou o quanto é belo aquilo tudo. Depois dos banhos de cachoeira e de saborear um arrumadinho de carne seca, batemos retirada das entranhas das serras e alcançamos as terras de Zumbi dos Palmares. Visitamos uma área que logo, logo, será inundada pelas águas represadas por uma das barragens que servirão de proteção às cidades de Palmares, Água Preta e Barreiros, tantas vezes atingidas pelas enchentes do rio Una. Se, por um lado, fiquei satisfeito pela garantia que o povo ribeirinho terá no futuro, por outro, fui abatido pela tristeza de saber que coisas belíssimas serão cobertas pelas águas represadas. O Engenho Verde, que pertenceu ao Barão de Bonito, vai desaparecer do mapa. No fundo da barragem (chegará a 80m de profundidade) vão ficar jóias preciosas de ambiente bucólico e importante conjunto arquitetônico da casa grande do Engenho (Vide foto a seguir), onde hoje funciona um Hotel Fazenda, com restaurante típico (buchadinhas e a cabidelas no cardápio) e parque aquático lotado de turistas, na tarde de domingo passado. O padrão, contudo, é sofrível... Fiquei sabendo que o Barão vendeu aquele engenho a Hermilo Borba e foi lá onde nasceu o conhecido teatrólogo pernambucano Hermilo Borba Filho. A propriedade, hoje, pertence a um empresário da cidade de Bonito. Vai ter que ser bem recompensado ao ter seu belo patrimônio desapropriado pelo Governo Estadual.
Pois é, Pernambuco é Bonito. Visite-o.
NOTAS: (1) As fotos são do Blogueiro. (2) Nossos agradecimentos aos amigos Valdir Silva e Plínio Farias, de Bonito, que nos ciceronearam nesse belo passeio. (3) Agradecimento a Jorge Morandi pela visita e provocação do passeio.

7 comentários:

Prof. Artur Reis disse...

É isso aí meu amigo Girley. Últimamente tenho ouvido muito relatos de pessoas que passaram finais de semana em Bonito e se encantaram com a beleza da região. O boca-a-boca é muito mais forte que a comunicação tradicional, portanto acredito que em breve esse lugar se tornará um dos principais destinos turísticos do nosso interior pernambucano. Abraços

Ailton da Mata disse...

Girley, boa noite !
É como diz o dito popular, estava tão perto de mim e eu não vi, se fosse uma cobra tinha me mordido; parabéns por mais uma de suas boas crônicas.
Um abraço
Ailton da Mata

Danyelle MOnteiro disse...

Bom dia professor,
Fico muito feliz em saber que aos poucos as pessoas começam a comentar e conhecer Bonito, afinal de contas, temos muita história pra contar e "os pássaros que cá gorjeiam não gorjeiam como lá"... ah meu agreste central, terra de gente simples e hospitaleira, de histórias mil, comadre florzinha, da tocha, botijas e almas penadas... lindas cachoeiras, ventinho frio, pedaços de Mata Atlântica, além das paisagens estonteantes... fiquei até imaginando o Sr. comendo uma buchada ou uma cabidela... bateu a fraqueza depois?
Ah, meu Bonito, só me resta declarar o meu amor:
"Entre o agreste e a mata, onde a natureza canta...",
Nasceu por encanto Bonito, portentoso e radiante...,
Solo fértil, gente viril, paz e trabalho, riquezas mil..."
Um grande abraço dessa matuta que lhe adora e muito obrigada pela divulgação da minha cidade... valeu boi!
Danyelle Monteiro

Maria Adélia Bandeira de Mello disse...

Oi Girley, fico feliz que vc. também descobriu as belezas de Bonito-PE. Eu sou apaixonada pelo local, onde tenho uma pequena fazenda e onde me refugio quando a cidade grande me esquenta a cabeça.É um lugar abençoado, que espero, o homem não destrua. Conheci Bonito logo que casei e, do terraço da casa, avistava a Serra em frente, toda verde, sem nehuma clareira. Hoje, é só clareiras e pouco verde. Pecados do progresso... Cést la vie! Sua prima, M.Adelia Bndeira de Mello

Paulo Rogerio disse...

Olá, professor! Ao visitar o Facebook, interessei-me pelo seu comentário e decidi acessar o seu blog. Parabenizo-lhe e parabenizo-me, ao mesmo tempo, primeiro pela experiência vivida por V. Sa. em ter visitado e apreciado nossos ares, segundo, a "mim mesmo", por ter a honra de morar e aproveitar essa riqueza. Bonito, palco de história e tradição! Bonito dos engenhos, do Massacre do Rodeador (fato que deveria ser explorado e divulgado pela sua importância e relevância), Bonito do ataque dos Cabanos e da Revolta do Quebra Quilo, Bonito dos bacamarteiros e do Bumba-meu-boi, Bonito, cídade singular, desde suas origens até sua localização, "um jardim suspenso entre o Agreste e a Mata", já dizia Agamenon Magalhães. É o aroma das flores pairando no ar, onde ecoam os gritos e os sons dos movimentos sociais e culturais, onde sua arquitetura adorna suas ruas e onde eclode a riqueza e a simpatia deste povo "ilustre e varonil". Nossa história é contada por pessoas de vários segmentos sociais: Violeiros, cantadores, pintores, artesãos, escritores e poetas que expressam nas artes e registram nos anais da história, o anseio e o orgulho de revelar as exuberâncias e os hábitos de sua terra e de sua gente. um super abraço, e estamos sempre de braços abertos!

Paulo Rogerio (bancário, por profissão; professor, por opção!)

João Cunha disse...

Girley, parabéns pelo teu Blog.
João Cunha

Anônimo disse...

Parabéns professor,pela sua grande matéria,o senhor soube valorizar e descrever como ninguém um dos grandes pontos turisticos do interior de Pernambuco(Uma das 7 maravilhas pernambucanas),Também relatou que passou pela PE-103,mas esquceu ou não passou pela Cia da Coalhada(localizada entre Sairé e Camocim de São Félix).Lá, o senhor e seu amigo, teriam saboreado um dos pratos típicos dos nordestinos "a coalhada",e diga-se de passagem a melhor coalhada que os senhores poderiam imaginar.
Fui informada pelos funcionários de que a coalhada e os derivados de leite que os mesmos oferecem como opçao de lanche ou café da manhã são fabricados na fazenda,onde está cituada a Cia da Coalhada(Faz. Vale do Jatobá)onde também conversei com a gerente do estabelecimento e pude conhecer o laticínio.
Recomendo a quem for ver de perto as belezas de Bonito dar uma paradinha na Cia da Coalhada conferir as delícias que lá conheci como queijo coalho bem assadinho,coalhada,queijo lacinho e iorgute totalmente natural(nos sabores ameixa e goiaba)e ainda um ambiente natural,tranquilo e um ótimo atendimento.Tenho certeza que seu amigo argentino teria adorado!!