quinta-feira, 16 de junho de 2011

A União (sempre) faz a Força.

Duas semanas atrás, comentei – constrangido – sobre a situação difícil pela qual passa hoje o Estaleiro Atlântico Sul - EAS, diante dos atrasos e complicações para concluir e entregar sua emblemática primeira encomenda, o petroleiro João Cândido, lançado ao mar açodadamente, em maio do ano passado (07/05/2010). Dada a delicadeza do assunto, tive o cuidado de restringir a circulação da postagem apenas num grupo selecionado de pernambucanos ou pessoas ligadas ao tema e defensores de Pernambuco. A razão foi bem simples: preservar a boa imagem que o estado goza nos ambientes externos, do Brasil e do exterior.
Quando tomei esse cuidado, quis deixar, nas entrelinhas, uma mensagem de que se trata de um assunto do interesse de um grupo particular e capaz de fazer algo em defesa do projeto, que representa a alavancagem da nova indústria local e, ao mesmo tempo, a retomada da indústria naval brasileira. Acredito que ninguém discorde...
Claro que o assunto já vazou, Pernambuco afora, e a grande imprensa nacional (O Estadão, em 28.05, por exemplo) explorou o caso, repercutindo negativamente aqui e alhures. Outros veículos vêm fazendo o mesmo, o que é extremamente negativo.
No final daquela postagem desejei que o problema fosse resolvido o mais rápido possível, à medida que entendo (meio mundo pernambucano também entende) que a solução será fundamental para consolidar o EAS, o novo Pernambuco industrial que se constrói e a própria nova indústria naval nacional.
Ocorre, porém, que o assunto já roda em comentários, críticas e, até mesmo, em "campanhas" perniciosas – notadamente a partir das falanges políticas opositoras – o que pode ser catastrófico para o estado. Lamentavelmente, nada a estranhar para quem conhece a típica cultura politiqueira local. O que faz medo é que logo, logo, comecem a aparecer discursos desfavoráveis de concorrentes cariocas e paulistas ou gaúchos e catarinenses. Aí, sim, a coisa vai pegar
É preciso que haja, urgentemente, uma campanha de conscientização geral por um discurso uniforme, de preferência padronizado, que seja feito por todo e qualquer pernambucano – independente da matiz política – em defesa urgente, não apenas do Estaleiro, mas da nova industria naval, da de Petróleo e Gás e a Automobilística, enfim, do novo Pernambuco que desponta. Mais do que nunca, cabe o clichê de que “não podemos perder a chance que se abriu agora”, caso contrário, seremos condenados a uma definitiva estagnação. É agora ou nunca, minha gente!
As lideranças políticas estaduais devem esquecer – ao menos momentaneamente – suas diferenças ideológicas ou eleitoreiras e de mãos dadas defender, com “unhas e dentes”, como se dizia antigamente, esse projeto naval âncora do nosso novo estado industrial.
Nesse ambiente de união, vamos esquecer o, já distante, 7 de maio de 2010 e o palanque eleitoreiro montado na ocasião. Vamos esquecer as falhas e defeitos estruturais do João Candido. Vamos esquecer, também, que a construção do navio foi simultânea à construção das instalações do estaleiro. Chega de desculpas e de acusações. Que cessem o caçar bruxas. Ao invés disso, vamos enaltecer o esforço que se faz de corrigir as falhas e de entregar o navio pronto e apto a singrar os sete mares, com bandeira brasileira tremulando e enchendo o peito do pernambucano, ao dizer: isto é um produto de Pernambuco, construído com suor nordestino.
Pelo menos dessa vez, sejamos cidadãos politizados, de primeira categoria. Será um bom exercício, lembrando sempre que é a “a união que (sempre) faz a força”.

NOTA: Não é preciso foto ilustrativa.

6 comentários:

Verônica Néry disse...

Girley:
Eu sou como você, uma entusiasmada com a minha terra.
Gente de fora chegou na minha casa só faço dois caminhos: Instituto Ricardo Brennand e Porto de Suape (passando pela Ponte do Paiva).
Li o primor de comentário feito por você sobre os problemas com o João Cândido, que, por sinal, soube antes e li o bastante. Contristada como você. Raivosa com os comentários sarcásticos e caáusticos... Estou convencida que o caminho sugerido:'um discurso uniforme, de preferência padronizado, que seja feito por todo e qualquer pernambucano – independente da matiz política – em defesa urgente, não apenas do Estaleiro, mas da nova industria naval, da de Petróleo e Gás e a Automobilística, enfim, do novo Pernambuco que desponta'.Éo melhor mesmo. Precisamos ser fortes e unidos.
Obrigada pela oportunidade de lê-lo.
Verônica Néry
(blogveronicanery.blogspot.com)

Anônimo disse...

Prezado Girley sua preocupação com certeza são de todos os brasileiros e não só de Pernambuco, pois a indústria naval pertence ao Brasil e não estamos concorrendo com o sul do Brasil nem sudeste nem norte estamos concorrendo com a máquina Chinesa que além de remeter suas riquesas naturais a preço de banana escravizão seus trabalhadores. Falar em política de oposição hoje é a mesma coisa de falar da própria imagem porque torce contra o sucesso de uma indústria como o estaleiro é a mesma coisa que torce contra o futuro do próprio filho.Vamos trabalhar e construir o futuro dos nossos filhos e nosso povo.

Corumbá disse...

Na verdade, amigo Girley, se nosso governo estadual também tivesse essa preocupação de acabar com esse discurso eleitoreiro - vide BR 232 aos pedaços - ficaria bem mais fácil termos um discurso de defesa de nossa terra.
Mas se os políticos não adotam essa postura, vai ficar cada vez mais difícil ufanarmos por nosso Estado.

Edna Claudino disse...

Prezado Girley

A máxima que intitula sua portagem - A União faz a Força - é extremamente verdadeira. Daí, o grande esforço da FIEPE para o desenvovimento do ASSOCIATIVISMO PATRONAL, e aí você entende bem do assunto. Mas, vejo a grandeza de sua chamada, pois ela provoca ao "ASSOCIATIVISMO PERNANBUCANO", em prol de manter acordado o desenvolvimento de um gigante que passou décadas adormecido.
Motivada por suas palavras e sabedora (aliás, como todas e todos) que as falácias do universo político atravancam o progresso, deixo a sugestão de conhecer, provocar e convocar o PIB intelectual das nossas universidades, que se outrora falavam que não existia motivação de formar profissionais para um mercado desaquecido, agora estão num ambiente de expor e colocar a serviço seus conhecimentos.
A exemplo, na UPE existe um curso de especialização, em nível de pós graduação, em engenharia de soldagem e, por informações, sei que ninguém do EAS, Petrobrás e etc, apesar de convidados se interessaram em interagir com seus docentes e alunos.
E para não ficar só em palavras, e atendendo a sua convicta convocação, me coloco a disposição para construir essa e outras pontes que forem necessárias.
Afinal, temos que contribuir com cenário que nos orgulhe em dizer que somos PERNAMBUCANOS, não por um passado, mas sim por um presente e futuro que permita mudar quem sabe o nosso hino:
...No passado o teu nome era um mito,
Hoje, És o sol a brilhar no infinito
És a glória na terra a brilhar!...

Força!
Edna Claudino

Anônimo disse...

Prezado Girley,

Muito pertinente esta sua matéria, sou economista formado pela UNICAP e trabalho para uma empresa que presta serviços para o Estaleiro Atlantico Sul e hoje existem dificuldades que a diretoria esta empenhada em resolver e até o final deste mês sera lançado ao mar a plataforma P55 e atualmente esta sendo produzido o terceiro navio.
Acredito que apesar das dificuldades o Estaleiro e as empresas prestadoras de servço estão empenhadas em para que esta obra se torne um orgulho para os Nordestinos e Pernambucanos.

Dirson Machado

Danyelle Monteiro disse...

Professor Girley,
De fato nós, como Pernambucanos apaixonados que somos pelo nosso Estado, apesar dos grandes desafios impostos, temos que defender os investimentos realizados visando não só o crescimento econômico, mas porque através do mesmo o principal rebatimento é no social e aí seguem algumas estimativas realizadas pelo governo só para ilustrar melhor o que quero dizer: estima-se que apenas a PDVSA e a Petroquímica Suape com suas fábricas de PTA, POY e PET, juntas gerariam 28.600 empregos na construção, 11.400 empregos na fase de operação, sendo 3.300 diretos e 8.100 indiretos (segundo fontes seguras) fora o EAS (Estaleiro Atlântico Sul); isso sem mencionarmos os vultosos investimentos que foram e estão sendo realizados, ou seja, já se gastaram muitos dólares para abandonar o projeto agora, é só segurar o aperto, corrigir as falhas, fazer o que tem de ser feito de forma ambientalmente correta e avançar, com foco em qualidade e num processo de melhoria contínua, afinal de contas, esses projetos já tomaram uma dimensão muito maior que Pernambuco, o que a gente percebe é que nosso Estado está sendo cada vez mais ocupado por brasileiros de outros Estados e outros que estão até voltando ao Brasil, corroborando com a tese de que esse sonho não é só pernambucano, mas um sonho nacional.
Avante Pernambuco, avante Brasil!
Abraço pernambucano,
Danyelle Monteiro