sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Impossível Calar
Confesso que ando me esquivando de postar algo mais contundente sobre assuntos políticos. Particularmente nesses tempos de campanha eleitoral. Mas, impossível calar, nesta semana. Estou indignado. E talvez seja importante começar dizendo isso sem rodeios: estou indignado como cidadão brasileiro.
Não porque tenha sido revelado mais um episódio da interminável disputa política brasileira. Não porque eu seja contra um ministro ou simpatizante de outro.
Estou indignado porque aquilo que veio a público, esta semana, envolve justamente a instituição que deveria representar, para todos nós, o último refúgio da Justiça.
E quando a confiança na Justiça começa a desaparecer, o problema deixa de ser de um ministro. Passa a ser de todos nós.
O relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro André Mendonça trouxe à luz mensagens e informações que apontam para uma relação muito chegada entre o ministro Alexandre de Moraes e o mafioso, ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Entre os elementos divulgados estão contatos – pouco republicanos – entre os dois e referências a questões relacionadas às investigações que atingiam o banqueiro. Há também informações sobre contratos de elevado valor envolvendo o escritório da esposa e filhos de Moraes. Repugnante.
Eu não preciso — e nem pretendo — afirmar que isso constitui crime. Não me cabe considerar. Mas me cabe perguntar: o que significa tudo isso?
Por que um ministro do Supremo mantinha uma relação dessa natureza com um banqueiro que posteriormente se tornou alvo de uma investigação que resultou no maior escândalo de corrupção que se tem conhecimento, no Brasil? Isso é normal?
Se é, que sejam explicados. Se não é, que se investigue.
O que não considero aceitável é que se espere do cidadão brasileiro que simplesmente feche os olhos e diga: “não aconteceu nada”. No mínimo, aconteceu uma grave crise de confiança. E talvez seja justamente aí que esteja a maior importância da atitude de André Mendonça.
Ao retirar o sigilo do relatório e defender que o assunto seja levado ao plenário do Supremo, Mendonça colocou uma palavra que parece estar se tornando rara na vida pública brasileira: transparência.
Não desejo salvadores da Pátria. Mas, sim, instituições corretas e capazes de sustentar a tão decantada Democracia.
Depois do pipoco inicial, que assustou o Brasil é inacreditável que venha ser travada l uma uta vergonhosa de um ministro contra outro. Que vergonha.
Desejo, sim, o Supremo contra qualquer suspeita que possa atingir a sua própria credibilidade.
Quero que todos sejam tratados com o mesmo rigor até porque ninguém pode estar acima da lei. Nem mesmo quem tem a responsabilidade de interpretá-la.
Bom recordar que, nós brasileiros fomos ensinados a respeitar as instituições nacionais. Precisamos continuar respeitando-as
Mas respeitar uma instituição não significa ser obrigado a aceitar tudo o que seus integrantes fazem. Ministros não são santos. Toga não é imunidade moral. E o Supremo Tribunal Federal (STF) é uma instituição fundamental da República. Como calar diante de tanta corrupção. Por que deveria ser diferente com um ministro do Supremo? E não me venham dizer que questionar um ministro significa atacar o STF. Pelo contrário, é defender a Nação. Afinal, questionar, investigar e esclarecer aquilo que possa comprometer a imagem de um ministro é uma forma de proteger o Supremo. E que não haja nenhum tipo de vergonhosa solidariedade corporativa destinada a proteger seus próprios integrantes. Seria vergonhoso mais uma vez.
A proposito do desmantelo, o próprio presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu que os indícios exigem encaminhamento institucional e afirmou que a autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades.
É exatamente isso que eu espero. limites
Precisamos lutar por um Supremo respeitado. Não calemos!
sábado, 22 de agosto de 2026
Salvemos a Imperatriz
Não é comum que eu escreva sobre questões tão específicas da vida urbana brasileira, embora seja bem interessante. Minha pauta, como sabem os leitores deste Blog, costuma transitar por temas mais macros, sobretudo aqueles relacionados à política, à sociedade e aos caminhos que estamos construindo para o nosso país. Mas, desta vez, abri uma exceção ao ser convidado por amigos para participar de uma manifestação empresarial em defesa da recuperação da Rua da Imperatriz, no centro do Recife. O convite me fez refletir. E aceitei porque acredito que o abandono daquela importante artéria da nossa cidade não é apenas um problema dos comerciantes que ainda resistem por ali. É uma questão que diz respeito a todos nós recifenses. Quem, como eu, conheceu a Rua da Imperatriz em outros tempos certamente guarda alguma lembrança. Durante décadas, ela foi uma referência do comércio recifense, um lugar de passagem, de compras, de encontros e de convivência. Tinha movimento, lojas, pessoas e vida. Hoje, infelizmente, a realidade é outra. A degradação física, o enfraquecimento do comércio, a insegurança e a redução da circulação de pessoas criaram um ambiente que pouco lembra a rua que tantos recifenses conheceram. E quando uma área tradicional de uma cidade chega a esse estágio, não estamos diante apenas de uma dificuldade econômica. Estamos diante de uma perda urbana. Uma rua não é somente um conjunto de imóveis, calçadas e estabelecimentos comerciais. Ruas também guardam histórias. São testemunhas silenciosas das transformações de uma cidade. Por elas passaram gerações de pessoas, comerciantes, trabalhadores, estudantes e famílias. Algumas fazem parte da própria memória afetiva de uma população. Por isso, recuperar a Rua da Imperatriz deveria ser muito mais do que reabrir lojas ou aumentar o faturamento do comércio local. É preciso devolver-lhe vida. E devolver vida a uma área degradada não é tarefa simples, nem responsabilidade exclusiva de um único segmento. O poder público tem, evidentemente, um papel fundamental. Cabe-lhe garantir segurança, limpeza, iluminação, conservação dos espaços públicos, mobilidade e condições mínimas para que moradores, trabalhadores e consumidores possam voltar a frequentar aquela região. Mas também não podemos imaginar que o poder público, sozinho, resolverá tudo. Os empresários e comerciantes precisam participar desse processo. Proprietários de imóveis também têm responsabilidades. A sociedade, por sua vez, precisa voltar a olhar para o centro da cidade não como uma região a ser evitada, mas como um espaço que merece ser recuperado e ocupado. Há, portanto, uma palavra que considero essencial nesse debate: parceria. Precisamos superar a velha lógica de que, diante de um problema urbano, cada lado procura imediatamente apontar o culpado. O empresário culpa o poder público. O poder público responsabiliza o comércio. O cidadão reclama de todos. E, enquanto isso, a degradação avança. Não é disso que o Recife precisa. Precisamos de um projeto de recuperação do centro que tenha continuidade, planejamento e participação. Um projeto que não se limite a uma intervenção pontual ou a uma ação de ocasião. A Rua da Imperatriz poderia ser, inclusive, um bom ponto de partida. Sei que estudos vêm sendo realizados para avaliar as possibilidades de revitalização daquela área. Considero importante que a Universidade Federal de Pernambuco/SUDENE e outras instituições participem desse esforço. Uma intervenção urbana dessa natureza não pode ser feita sem conhecimento técnico, planejamento e visão de futuro. Mas há algo que também precisa ser levado em consideração: a experiência de quem vive diariamente a realidade da rua. Proprietários de imóveis e comerciantes defendem, entre outras medidas, a possibilidade de reabrir a Rua da Imperatriz ao tráfego de veículos leves. Representante da Prefeitura do Recife, presente no encontro em tela, assim prometeu. Muitos acreditam que a circulação de automóveis poderia facilitar o acesso dos consumidores, aumentar o movimento e contribuir para devolver vitalidade ao comércio. Confesso que não tenho conhecimento técnico para afirmar que essa seja a solução. Mas tenho uma convicção: ela não pode ser simplesmente descartada. Se aqueles que trabalham e investem na rua há anos percebem uma relação entre a atual configuração da via (um grande calçadão) e o esvaziamento do comércio, essa percepção precisa fazer parte da discussão. Ao mesmo tempo, não me parece correto transformar essa questão em uma disputa entre automóveis e pedestres. O objetivo não deve ser escolher um lado. O objetivo deve ser descobrir qual modelo de circulação e ocupação pode efetivamente devolver vida à Rua da Imperatriz. A recuperação da Rua da Imperatriz poderia integrar uma iniciativa mais ampla de revitalização do velho centro do Recife, estimulando a ocupação dos imóveis, a recuperação das fachadas, a instalação de novos negócios, a valorização do patrimônio histórico e, principalmente, a presença permanente das pessoas. Porque cidade viva é cidade ocupada. É preciso segurança para que haja circulação. É preciso circulação para que haja comércio. É preciso comércio para gerar empregos e atrair pessoas. E é preciso preservar a história para que a modernização não transforme o centro em um lugar sem identidade. É justamente aí que vejo a importância da mobilização empresarial à qual fui convidado. Ela pode representar algo maior do que uma reivindicação de comerciantes. Pode ser um alerta para toda a cidade. O Recife não pode se acostumar com a decadência de seus espaços tradicionais. Não podemos considerar natural que ruas que já foram importantes centros de convivência e de atividade econômica sejam progressivamente abandonadas. Não podemos assistir passivamente à deterioração de imóveis históricos, à perda de atividades comerciais e ao afastamento das pessoas. Vide foto a seguir.
Uma cidade que abandona seu centro corre o risco de abandonar também parte da sua própria memória. E não estou defendendo um retorno ao passado. O Recife não precisa voltar a ser a cidade de décadas atrás. Precisa, isto sim, construir um futuro melhor aproveitando aquilo que o passado lhe deixou. Talvez seja esse o maior desafio que temos diante da Rua da Imperatriz. Não se trata apenas de recuperar uma rua. Trata-se de recuperar a possibilidade de que aquele espaço volte a ser um lugar de encontro, de trabalho, de comércio e de convivência. Um lugar onde o recifense possa caminhar, comprar, conversar, trabalhar e sentir que aquela rua pertence novamente à cidade. A Rua da Imperatriz é apenas uma parte de um problema muito maior. Muitas outras artérias estão largadas ao abandono, mas pode também ser parte de uma solução. Se conseguirmos unir poder público, iniciativa privada, universidade e sociedade em torno de um objetivo comum, talvez possamos começar a mudar essa história. Não devemos esperar que a Rua da Imperatriz desapareça para depois lamentar a perda. Ainda há tempo de recuperá-la. E, ao fazê-lo, estaremos recuperando muito mais do que o comércio de uma rua. Estaremos recuperando um pedaço da memória, da dignidade e da própria alma do Recife. Foto do Blogueiro.
sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Reféns da Polarizção
Após muitas idas e vindas, dúvidas e desencontros, tensões e rangeres de dentes, as campanhas eleitorais começam, prá valer, neste domingo,16 de agosto. Por tudo quanto assistimos, nesses dias de pré-campanha, emoções muito maiores irão rolar e a luta ferrenha pelo poder mostrará suas garras, seus perrengues e as gravidades que o processo poderá revelar ao longo da jornada. Serão, aproximadamente, sessenta dias nos quais milhões de brasileiros conviverão com um ambiente de estresse e questionamentos, pavimentando seus caminhos às urnas para escolher seus representantes na cúpula alta do Poder.Como qualquer brasileiro responsável, considero que será um momento importante para que a Democracia Nacional se confirme, bem como uma preciosa oportunidade para que a Nação reflita sobre um fenômeno que, há alguns anos, vem contaminando a vida pública nacional: a polarização política. Não sou ingênuo e sei que, naturalmente, a divergência de ideias é saudável. A História revela que, em toda sociedade democrática, existem diferentes visões sobre as dimensões sócio-políticas, sobremaneira as da economia, saúde, educação, segurança publica, política externa. E no Brasil não podia ser diferente. Contudo, no nosso caso, o problema tronou-se extremamente complexo porquanto as divergências deixaram de ser fatores que visem ao aperfeiçoamento das decisões coletivas e benéficas à Nação e passaram a ser uma luta ferrenha pelo Poder. O país está dividido em dois campos que se enxergam com crescentes desconfianças e eivados de princípios ideológicos, nem sempre bem interpretados. O debate de ideias, a rigor, desapareceu, sendo substituído por ataques, inclusive pessoais, produzindo um ambiente perverso, jogando o interesse nacional para um plano inferior e muitas vezes esquecido. Em suma, estamos reféns de uma polarização danosa e irresponsável. É desesperador notar que projetos importantes deixam de avançar simplesmente porque foram propostos pelo “outro lado”. O mérito da proposta torna-se menos importante do que a identidade de quem a apresentou.
Ora, minha gente, nenhuma democracia madura prospera dessa maneira. As grandes nações conseguem avançar justamente porque, apesar das diferenças ideológicas, preservam alguns consensos fundamentais: o respeito às instituições, à Constituição, à alternância de poder e, sobretudo, ao diálogo. Há um bom tempo, nada disso vem ocorrendo por aqui. É evidente que eleições despertam paixões. Sempre foi assim e continuará sendo. O voto envolve convicções profundas, expectativas e sonhos. Contudo, a paixão política não pode eliminar a capacidade de ouvir quem pensa diferente. O politico brasileiro precisa entender isto. A polarização que hoje se verifica no Brasil tem levado ao desperdício de oportunidades preciosas. O país não avança. A sociedade tende a empobrecer cada vez mais, a indústria definha, o dinâmico agronegócio vem perdendo competitividade, a insegurança campeia de norte a sul, a infraestrutura se deprecia e assim por diante. Não vou mostrar dados. Eles estão abertos a toda hora pelos meios de comunicação. Bem observados é fácil constatar que os índices recentes têm revelado níveis nada apreciáveis. O mais lamentável é que o Brasil possui desafios suficientemente grandes para que desperdicemos tempo alimentando antagonismos permanentes. Este país precisa de governos competentes, mas também de uma oposição responsável. Que surjam líderes capazes de convencer, e não apenas de vencer. Precisamos, sobretudo, de cidadãos dispostos a colocar o futuro do país acima das preferências partidárias. Neste início de campanha eleitoral, talvez valha a pena recordar que adversários políticos não são inimigos da Pátria. O eleitor tem o direito — e o dever — de escolher o candidato que considere mais preparado. Mas também tem a responsabilidade de rejeitar o discurso do ódio, da intolerância e da desumanização daqueles que fazem escolhas diferentes. As eleições passam. Os governantes mudam. Os partidos se renovam. A Nação, porém, permanece. E ela somente será mais forte se conseguir recuperar uma virtude que parece cada vez mais rara na vida pública brasileira: a capacidade de discordar sem destruir, debater sem ofender e construir sem dividir. Que esta campanha seja uma oportunidade para elevar o nível da discussão política. NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.
domingo, 2 de agosto de 2026
Tropeços Diplomáticos
Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com os quais o Brasil se relaciona. Foram experiências formidáveis e enriquecedoras na construção da minha carreira como Economista, tanto no serviço publico, como no meio empresarial, onde, por bom tempo, atuei como Consultor. No Serviço Público contribuí, no fim de carreira, como Coordenador de Cooperação Internacional da SUDENE e, após isto, prestando consultorias no setor privado, até bem recente. Certamente que estes antecedentes despertaram-me grande interesse pelos recentes tropeços diplomáticos envolvendo o Brasil com a Argentina e o Paraguai. Apreensivo, conferi que foram situações vexatórias e desafiadoras para os tempos que vivemos. Considerei como deplorável ver o presidente argentino, Javier Milei, sem cerimonia e respeito, desferir tantas “indelicadezas politicas” ao Presidente brasileiro e a um magistrado da Suprema Corte do Brasil. Por mais razões que possam ser narradas, nunca se espera de um mandatário estrangeiro - em visita ao país vizinho e amigo – dar aquele quase histérico de pronunciamento. Por outro lado e como se isto fosse pouco, nosso Presidente também teve seu momento de tropeço ao se referir de modo sem fundamento histórico ao vizinho Paraguai, num dos seus discursos semanais. Ambos os casos apontam para ausência total de um alinhamento politico-diplomático nas assessorias dos dois presidentes. Vá lá que eles não se liguem com acurados cuidados e se confiem nos seus improvisos, mas, a coisa não sai barata. Presidentes de Nações devem ter mínimos conhecimentos históricos do país que comanda e sempre respeitá-los. Aliás, vale refletir que é justamente nesses momentos que estadistas se distinguem de meros administradores de crises geradas por polarizações políticas. Enquanto estes respondem pelo presente, aqueles procuram preservar a Historia e o futuro. Esta tensão diplomática entre Brasil e Paraguai despertou, rapidamente, a atenção da opinião pública dos dois países. As manchetes destacaram declarações, protestos, consultas de embaixadores e manifestações oficiais. Ora, meu Deus, é natural que episódios dessa natureza provoquem inquietação, sobretudo envolvendo dois países vizinhos, ligados por uma extensa fronteira e por históricos interesses político-econômicos comuns. Brasil e Paraguai possuem uma convivência marcada por episódios dramáticos e, ao mesmo tempo, por extraordinários exemplos de cooperação. A Guerra da Tríplice Aliança, travada no século XIX, deixou cicatrizes profundas que jamais desapareceram completamente da memória coletiva dos paraguaios. Seria ingenuidade imaginar que um conflito daquela dimensão pudesse ser apagado pelo simples passar do tempo. A propósito disso, recordo de um episódio que vivi, num Seminário sobre (Sub)Desenvolvimento Regional, em Tóquio (Japão), quando , de certo modo. fui verbalmente agredido pelo representante paraguaio, criticando a presença de um representante do Brasil, país visto por ele como explorador e suficientemente desenvolvido. Ao mesmo tempo, contudo, seria igualmente injusto ignorar que, ao longo das últimas décadas, os dois países construíram uma relação baseada na integração econômica, na cooperação energética, Itaipu é um marco (Foto a seguir) dessa integração, no comércio, no combate aos crimes transnacionais e no fortalecimento do Mercosul.
A própria usina hidrelétrica de Itaipu simboliza essa realidade. Onde antes houve guerra, ergueu-se uma das maiores demonstrações de que antigos adversários podem substituir conflitos em desenvolvimento compartilhado. A energia produzida por Itaipu ilumina cidades, movimenta indústrias e demonstra que a cooperação costuma produzir resultados muito mais duradouros do que a confrontação. É inegável que Brasil e Paraguai possuem inúmeras razões para manter um relacionamento sólido. O comércio bilateral movimenta bilhões de dólares; milhares de famílias vivem nas regiões de fronteira; empresas, trabalhadores e estudantes transitam diariamente entre os dois países pela famosa Ponte da Amizade.Foto a seguir.
Creio que esses vínculos são mais fortes do que qualquer crise passageira ou tropeço de qualquer Chefe de Estado de plantão. Episódios como o recente devem servir menos para alimentar paixões e mais para recordar o verdadeiro sentido que é sustentado por um bom Corpo Diplomático. A Diplomacia existe justamente para administrar divergências antes que elas se transformem em conflitos maiores. A ela cabe, de modo atento, mostrar que as crises passam, a geografia permanece e a História continua. NOTA: Fotos ilustrativas obtidas no Google Imagens.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Rivalidades Infelizes
A Copa Mundial de Futebol-2026 terminou e, para multidões, deixou saudades. O certame encerrado no último fim de semana, envolvendo 48 representantes de países dos cinco continentes, foi recheado de muitas emoções, além de gratas revelações de novos valores no mundo da bola. De cara, lembro-me do sucesso de um neófito, Cabo Verde, que conseguiu conquistar torcedores entre “gregos! e “troianos”. Indiscutivelmente, poucos espetáculos esportivos despertam tanta paixão quanto uma Copa e um confronto futebolístico entre duas seleções de países. Até porque não se trata apenas de um festival de partidas de futebol, mas, também, um encontro de histórias, culturas, estilos de jogo e identidades nacionais que, ao longo de quase um século, construíram o maior espetáculo do esporte mundial. Porém, e como me referi na última postagem, é também oportunidade para manifestações de ferrenhas rivalidades entre nações que, ao final das contas. pouco contribuem para o espírito referencial de uma disputa esportiva. Nessas horas, fico chocado, por exemplo, com a rivalidade extrema que há entre argentinos e brasileiros. Nada mais curioso do que presenciar a vibração eloquente dos brasileiros diante da vitória dos espanhóis, no domingo passado. Após uma eletrizante partida decisiva entre argentinos e espanhóis, os europeus levaram a melhor e levantaram um retumbante OLÉ! dos brasileiros, de norte a sul do país. Dizem que existem razões de ambas as partes e que a coisa tem fortes raízes. Meu neto de seis anos já se tomou de fervorosa torcida contra os portenhos. Segundo ele todos os coleguinhas “odeiam” a seleção argentina. É até engraçado para um guri da idade que tem. Mas, acho que começou cedo. Nunca mais vai tolerar perder para os argentinos. E pensar que essa rivalidade produziu momentos inesquecíveis. De um lado, Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldo e tantos outros talentos que fizeram do futebol brasileiro uma referência universal. Do outro, Di Stéfano, Maradona, Messi e uma sucessão de craques que marcaram profundamente a história do futebol argentino. São duas escolas que, sem dúvidas, contribuíram para transformar esse esporte em uma linguagem melhor compreendida em todos os continentes.
Rivalidades podem mesmo soar como saudáveis. Alimentam o interesse do público, elevam o nível das competições e criam histórias que atravessam gerações. O problema, contudo, surge quando a rivalidade deixa de ser uma disputa esportiva e passa a alimentar sentimentos de hostilidade, desprezo e até ódio pelo adversário.
Nos últimos anos, infelizmente, temos assistido ao crescimento desse fenômeno mundo afora e episódios maléficos se multiplicam com episódios de provocações que ultrapassam os limites do bom fair-play. Cânticos ofensivos, manifestações xenófobas, atitudes racistas, agressões entre torcedores e uma permanente tentativa de humilhar o adversário parecem, para alguns, fazer parte do espetáculo.
Nada mais degradante do que o espetáculo insano cometido pelo selecionado argentino, ao final da partida na qual foram derrotados pelo espanhol, dando as costas ao palco da solenidade de entrega da Taça Mundial e das medalhas de campões aos europeus. (Foto a segiur) Fico imaginando como seria caso o Brasil estivesse no lugar da Espanha. Fora esse comportamento abominável há de se registrar as agressões que deflagraram, depois do apito final, contra atletas espanhóis e sem motivos concretos. As criticas internacionais rolaram na imprensa do mundo e não condiz com a tradição e os costumes portenhos.
Conheço relativamente bem a Argentina e os argentinos e considero importante fazer uma distinção fundamental. Esses comportamentos não representam o povo argentino. Da mesma forma, quando brasileiros protagonizam episódios lamentáveis, eles também não representam o Brasil. Generalizações quase sempre são injustas e impedem uma análise equilibrada dos fatos.
Entretanto, seria igualmente um erro fingir que o problema não existe. Em diferentes ocasiões, atitudes de intolerância ganharam espaço dentro e fora dos estádios, comprometendo aquilo que o esporte tem de mais valioso: sua capacidade de aproximar pessoas.
A Copa do Mundo talvez seja o maior exemplo dessa vocação integradora. Durante algumas semanas, bilhões de pessoas acompanham os mesmos jogos, vibram pelas suas seleções, conhecem culturas diferentes e compartilham emoções comuns. É justamente por isso que entristece ver manifestações que transformam o adversário em inimigo. Ora, meu Deus, o adversário existe para ser respeitado. Sem ele, não há competição. Sem competição, não há vitória digna de celebração. A grandeza de um selecionado não está apenas em vencer, mas em reconhecer o valor de quem enfrentou.
Infelizmente, parte das torcidas parece ter substituído o prazer da vitória pelo prazer de humilhar. Em vez de celebrar os próprios méritos, muitos preferem medir sua felicidade pelo sofrimento do outro. Essa inversão de valores empobrece o esporte e revela algo mais profundo sobre o tempo em que vivemos. No caso do domingo passado, los hermanos não souberam valorizar o titulo de vice-campeões e nem souberam respeitar os campeões espanhóis. Resta-nos agora esperar por 2030 quando teremos uma nova Copa, que promete ser maior, mais vibrante e quiçá sem infelizes rivalidades. NOTA: Fotos ilustração colhidas no Google Imagens.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Além da bola e dos gramados
Dizer que não sofri com a derrota da seleção seria mentira. Faz parte de um jogo articulado globalmente e, sendo filho de Deus, não consigo desligar. Principalmente vindo de uma geração que viveu tempos áureos do futebol brasileiro. Vi o Brasil ser pentacampeão pelos pés gloriosos de Pelé, Garrincha, Romário, Bebeto, Rivaldo, Sócrates, Zico, Branco, Ronaldo e Ronaldinho, entre outros tão marcantes quanto... Vendo os jogadores de hoje não sinto o mesmo entusiasmo do passado. Triste mas verdadeiro é pensar que na realidade não se trata de atletas que chamo “puro sangue”. Na maioria são atuantes em times europeus e que, na pratica, só pensam no estrelato e no afã de fazer fortunas. Vestir a camisa da canarinha não passa de um acidente de percurso. Não existe espirito de equipe, numa modalidade de esporte em que isto é uma exigência sine qua non. Acontece qeu o brasileiro de agora sonha com um hexacampeonato difícil de ser viabilizado enquanto houver, além da bola e dos gramados, interesses individuais, monetarização das ações e as interferências politicas maléficas. Nada mais prejudicial, por exemplo, do que a “cachorrada” dentro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esta, ao invés de se ocupar nas ações visando ao sucesso de uma seleção brasileira, às vésperas de uma Copa Mundial, se ocupou numa treta interna, visando ao poder, que terminou judicializada, envolvendo, até, um magistrado da Suprema Corte, que sabidamente hoje é membro atuante no sistema da Confederação, conforme pude colher em informes de redes sociais. Não deu outra e o Brasil está fora da Super- Copa de 2026, para tristeza de uma nação que raramente se une em torno de uma ideia única.
Sofrendo as “dores” do torcedor frustrado e, por cima, tendo que consolar e explicar melhor a situação ao meu netinho, de seis anos, crente que o Brasil seria campeão, pus-me a analisar devagar - além da bola e dos gramados - o que explicava o sofrimento nacional desta segunda-feira, 6 de julho de 2026. Pudera! Não foi difícil fazer algumas inferências básicas: durante um mês, o planeta praticamente sincroniza seus relógios em torno de um único evento. Bilhões de pessoas acompanham os jogos, independentemente de idioma, religião ou ideologia. Acredito que seja o acontecimento de maior poder de mobilização social do mundo. Acho notável como a Copa desperta um sentimento raro de pertencimento coletivo. Pessoas de diferentes classes sociais, profissões e posições políticas vestem a mesma camisa. Ela fortalece identidades nacionais, aproxima famílias e amigos e cria memórias que atravessam gerações. Politicamente falando, os governos sabem que uma Copa é uma vitrine mundial. Sediar o torneio significa demonstrar capacidade de organização, infraestrutura, estabilidade e influência internacional. Não por acaso, muitos países utilizam grandes eventos esportivos para reforçar sua imagem externa. O Brasil não deixou por menos, promovendo uma Copa e Uma Olimpíada. Não foi fácil mas, aconteceu. Pensando na dimensão econômica, logo pensei que é indiscutível o fato de que poucos eventos movimentam tanto dinheiro, haja vistas às fabulosas vendas de ingressos, direitos de transmissão, patrocínios, transporte aéreo, turismo, hotelaria, restaurantes, transporte terrestre, publicidade, venda de produtos licenciados e apostas esportivas que, de modo quase articulado, geram uma cadeia econômica gigantesca, estimada (pela FIFA) em 80,0 Bilhões de Dólares. Outro dado expressivo é quanto à mobilização mundial. Segundo a FIFA, a audiência acumulada da Copa do Mundo alcança bilhões de espectadores ao redor do planeta, tornando-a um dos maiores produtos de entretenimento do mundo. Na Copa de 2022, por exemplo, os números publicados chegou a 5 Bilhões na grande parte do torneio. A partida final entre as seleções da Argentina e da França foi estimada em 1,5 Bilhão de pessoas em todo o mundo. Quase concluindo lembro que países, como o Brasil, ao atuarem como sedes do evento mundial amargam importantes questionamentos tais como os elevados custos nos investimentos públicos para sediar o torneio, a utilização futura dos estádios e o equilíbrio entre custos e benefícios para a população. Finalizando, ouso afirmar que uma Copa do Mundo de Futebol que dura apenas algumas semanas projeta efeitos que se rebatem muito além do apito final. Ela revela como os povos sonham, consomem, competem, cooperam e se enxergam. Não sou sociólogo, mas, vejo que a Copa não é apenas um campeonato de futebol, mas, também, um espelho da própria humanidade. NOTA: Foto ilustrativa colhida no Google Imagens
domingo, 28 de junho de 2026
Um país Destruido
A notícia do duplo terremoto que atingiu a Venezuela, no último dia 24, de 7,5 na escala Richter, despertou-me um sentimento diferente daquele experimentado pela maioria das pessoas que acompanharam o fato apenas pelos noticiários. Ao ver as imagens das cidades destruidas, não enxerguei apenas edifícios, ruas e praças. Vi lugares que conheci, pessoas com quem convivi e um país que marcou uma etapa importante da minha vida profissional.
Tive o privilégio de trabalhar na Venezuela, em duas oportunidades, a primeira como consultor internacional da OEA e Itamaraty, numa fundação de desenvolvimento regional, em Barquisimeto (estado Lara) e como consultor empresarial. A primeira por dois meses, no ano de 1987. E a segunda no ano 2000, já no Governo de Hugo Chávez, numa comitiva empresarial de Pernambuco liderada pelo Presidente da Federação das Industrias de Pernambuco – Fiepe, à época o Dr.Armando Monteiro Neto. Em 1987 tive tempo suficiente para conhecer um pouco mais da realidade venezuelana, muito além dos roteiros habituais de quem faz uma viagem rápida. Conheci profissionais competentes, trabalhadores dedicados e cidadãos orgulhosos de sua cultura e de sua história. A Fundación de Desarollo de la Región Centro-Occidental de Venezuela – FUDECO, onde ofereci meus conhecimentos profissionais é (ou era) uma entidade moldada ao formato da SUNENE, onde exerci a maior parte da minha vida profissional, razão pela qual fui convocado.
Hoje, não me canso de acompanhar as reportagens do recente duplo-terremoto e concluo que toda tragédia natural possui uma característica singular: ela nos lembra da nossa condição comum de seres humanos. Não distingue fronteiras, ideologias, religiões ou posições políticas. A força da natureza simplesmente nos mostra de forma dura e inequívoca que somos todos vulneráveis.
Recordo que a Venezuela já vinha enfrentando, há muitos anos, enormes desafios econômicos, sociais e políticos. Milhões de pessoas tiveram suas vidas profundamente afetadas por essa realidade. Um terremoto da magnitude do ocorrido representa mais um expressivo obstáculo para uma população que há muito convive com dificuldades.
Chocado com as imagens reportadas, lembro-me de um país de paisagens exuberantes, de gente cordial e de cidades dinâmicas. Guardo na memória, de modo inesquecível, o profissionalismo das pessoas com quem trabalhei, a gentileza no convívio diário e o orgulho que muitos demonstravam ao falar de sua terra. São essas lembranças que me vêm à mente quando vejo as notícias sobre o recente desastre.
Em momentos assim, vale a pena deixar de lado os debates políticos, que certamente têm seu espaço e sua importância. Antes de qualquer julgamento sobre governos ou modelos econômicos, existem famílias traumatizadas com as perdas de entes queridos, pessoas que perderam seus bens e comunidades inteiras mobilizadas para superar mais essa adversidade. Dados recentes dão contas de que 1.430 mortes já foram registradas. Além dessas perdas dolorosas, conta-se com 3.238 feridos, além de milhares desalojados. Como as equipes de resgates não param de trabalhar, esses números podem crescer.
Ao recordar minhas passagens pela Venezuela, percebo que as lembranças mais valiosas não são dos prédios ou das avenidas, mas das pessoas. São elas que dão sentido às cidades e que, mais uma vez, precisarão demonstrar coragem para reconstruir o que a natureza reduziu a pó.
Meu profundo desejo é de que o povo venezuelano encontre forças para superar mais este momento difícil. Que os trabalhos de resgate e reconstrução sejam bem-sucedidos e que prevaleçam a solidariedade, a esperança e a cooperação.
Quando a terra treme, as construções podem ruir. Mas as lembranças, a amizade entre os povos e a esperança de dias melhores permanecem firmes. São elas que sustentam a reconstrução, não apenas das cidades, mas também da confiança no futuro. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
sábado, 20 de junho de 2026
Um Gigante Incompetente
Diante da TV, acompanho a Copa Mundial de Futebol que rola nos gramados da América do Norte, o movimento no tabuleiro de xadrez da geopolítica se intensificando (Moscou foi bombardeada por drones ucranianos) e, aqui por perto, Brasília que segue se derretendo ao calor das continuas ondas de corrupção. Cansado e até impaciente, mudo de canal e procuro noticias melhores. Inútil. Talvez, mesmo, pior. De cara fico sabendo que o Brasil caiu mais no ranking de competitividade entre 70 países pesquisados. O International Institute for Management Developement (IMD), da Suiça, realiza anualmente um monitoramento de 70 países, incluindo o Brasil, comparando os desempenhos, medidos a partir de quatro referencias: desempenho econômico, eficiência do governo, eficiência empresarial e infraestrutura. No Brasil, a Fundação Dom Cabral é responsável pelo levantamento dos dados. Pois bem. Na recente pesquisa, ano 2026, o Brasil recuou sete posições, entre os 70 países trabalhados, ocupando a 65ª. posição, junto com Turquia, Nigéria, Namíbia, Venezuela e Paquistão. “Bem” acompanhado... Logo pensei que, por pouco, não ocupou a lanterna. Pelo retrovisor, vi que em 2025 o Brasil estava na 58ª. posição.
Embora não fosse surpresa, confesso que senti tristeza ao tomar conhecimento desse resultado. O que mais chama atenção dos analistas brasileiros é o fato de que o Brasil está caindo de posicionamento, muito embora seja uma das maiores economias do mundo em tamanho, riqueza natural e PIB. Só que o ranking em tela não mede riqueza acumulada e sim, a capacidade de um país transformar recursos disponíveis, instituições, educação, infraestrutura e eficiência econômica em prosperidade sustentável. Tanto é que no topo da lista se posicionam: Singapura, Hong Kong, Suiça, Dinamarca, Emirados Árabes, Taiwan, Irlanda, Suécia e Catar. Diante desse resultado, o que costuma impressionar os analistas é que países pequenos como Singapura, Suíça e Dinamarca aparecem no topo do ranking, enquanto economias muito maiores podem figurar na faixa intermediária ou nas últimas posições. (os Estados Unidos figura em decima posição). Isso reforça a ideia de que competitividade está mais ligada à qualidade das instituições e da gestão do que ao tamanho do território ou da população. No caso brasileiro, muitas são as razões apontadas, entre as quais se destacam: baixa produtividade, deficiências educacionais, burocracia excessiva, insegurança publica, infraestrutura insuficiente e insegurança jurídica e fiscal. Resultado é que, no dia-a-dia do brasileiro, se convive com produtos mais caros; menor crescimento econômico; baixas oportunidades para os jovens e dificuldade de financiar políticas sociais e previdenciárias. Em suma, o desafio brasileiro não é apenas crescer, mas crescer com eficiência. Até mesmo porque competitividade pode não ser um objetivo básico. Mais do que isto deve ser um instrumento para melhorar a vida das pessoas. Por isso, considero que se fala de um Gigante Incompetente. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
domingo, 14 de junho de 2026
Totens às suas Ordens
Há dez anos me surpreendi com a automação dos serviços aeroportuários em Sydney (Austrália) quando me preparando para embarcar num voo de volta ao Brasil. Tudo às ordens, sim senhor, mas através de totens inteligentes, espalhados pela estação de passageiros. Sabedor dessas modernidades mundo afora, ainda tive dúvidas diante da máquina e principalmente no tocante ao despacho da minha bagagem. Busquei um auxiliar da empresa aérea transportadora e foi o canto mais limpo. Necas de atendente. “Conversei” com calma com a máquina, fui em frente e entreguei a Deus. Tirei minha ficha de embarque e despachei minhas malas. Tudo correu bonitinho, mas, só descansei de verdade, quando vi minha bagagem aparecendo nas esteiras de Guarulhos. Hoje já vejo essas coisas por este meio mundo de cá com mais tranquilidade e hábito. Esta semana, contudo, recebi uma charge (vide foto ilustrativa, a seguir) que me chamou atenção para um fato real e preocupante. Milhões de casos que devem suceder no Brasil moderno.
Ocorre que, à medida que o tempo passa, a tecnologia avança e boa parte da população envelhece, instala-se um verdadeiro caos numa parcela, hoje representativa, dos brasileiros despreparados para viver as tais modernidades. Aeroportos, bancos, laboratórios médicos, clinicas, entidades governamentais, entre muitos outros, já se valem dessas máquinas inteligentes e que muitas vezes espantam o freguês. Por curiosidade fui conferir alguns números publicados pelo IBGE e tive a surpresa de conhecer números que muita gente desconhece, inclusive quem lida com politica social. Imagine que em 2025, o Brasil já contava com cerca de 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, um crescimento de quase 60% em relação a 2012, quando esse contingente era de 22,2 milhões. Noutro dado, que considero o mais impressionante, vi que o IBGE projeta que a população brasileira atingirá seu pico por volta de 2041 e depois começará a diminuir. Baseado nisto, pela primeira vez em sua história, o Brasil caminhará simultaneamente para o envelhecimento e para a redução do número de habitantes. Ai, meus amigos e amigas, a coisa se complica porque o desafio do Brasil na segunda metade do século XXI já não é administrar uma população básica e historicamente por jovens em rápido crescimento, mas preparar-se para uma sociedade mais madura, mais longeva e, futuramente, menos numerosa. Bom, pensando bem e como a fila anda, nessa época serão os atuais jovens que mandarão. E os longevos de hoje que se virem enquanto vida tiverem. NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Tretas Prejudiciais
É desanimador acompanhar as tretas políticas brasileiras que se desenrolam a partir de Brasília, com sérios rebatimentos nas unidades da Federação. A inquietação é indiscutível. Pior ainda quando as coisas ultrapassam as fronteiras nacionais e mancha a soberania nacional. Desde meu ponto da observador, uma das coisas que mais me impressionam é constatar essa preocupante tendência de que os rumos do país dependam, em alguma medida, das preferencias, estratégias ou disputas politicas dos Estados Unidos. O retorno de Donald Trump à Casa Branca reacendeu esse fenômeno e trouxe novamente para o centro da política nacional uma espécie de dependência ideológica que pouco contribui para os interesses concretos do Brasil. Será que nossos políticos sintam-se, de fato, obrigados a “beijar as mãos” de Trump? Bom, não se trata de negar a importância dos Estados Unidos na economia mundial ou na trepidante geopolítica dos nossos tempos. Trata-se de questionar por que nossos principais protagonistas políticos insistem em importar discursos, conflitos e agendas produzidos em Washington, como se fossem respostas automáticas para os desafios brasileiros. E, não precisa ser dito, o Senhor Trump parece se divertir com o contexto. A cada dia surgem novidades nesse ambiente que, via de regra, aponta para desequilíbrio da balança dos relacionamentos internacionais brasileiros. Dias recentes, por exemplo, a ameaça Trumpista de uma nova onda de tarifaços extorsivos contra produtos brasileiros abalou meio mundo dos negócios nacionais. Na sequencia assistimos a disputa para descobrir o culpado politico dessa reação ianque que ultrapassou os limites da paciência de qualquer mente equilibrada. Para completar, Washington acaba de indicar um novo embaixador no Brasil, sem cumprir as formalidades diplomáticas vigentes de consulta previa, ampliando a sucessão de desencontros. Comenta-se, no Itamaraty, que o indicado, Daniel Pérez, (Deputado da Flórida), filho de imigrantes cubanos e com 38 anos de idade, é “peixe reluzente do aquário” de Marco Rubio, Secretário de Estado do Governo de Trump e que, em varias oportunidades mostrou sua má vontade com o Brasil. E isso, meu Deus, é verdadeira “pedra no sapato” de Lula que, com esse novo embaixador conta como certa uma intervenção direitista nas eleições presidenciais deste ano. Em meio a essa loucura, desnecessário frisar que o Brasil enfrenta problemas próprios e urgentes, tais como: crescimento econômico insuficiente, desigualdade social persistente, deficiências educacionais, violência urbana, dificuldades fiscais e a necessidade de aumentar sua competitividade internacional. Nenhuma dessas questões será resolvida via alinhamentos automáticos com qualquer governo estrangeiro. Por isso que, nas eleições presidenciais deste ano é fundamental que os brasileiros avaliem candidatos, propostas e projetos de país com base nos interesses nacionais. O eleitor não escolherá um representante dos Estados Unidos, nem decidirá os rumos da política norte-americana. O que está em jogo é o futuro do Brasil. Além do que, a soberania de uma nação não se mede apenas pela defesa de suas fronteiras. Ela também se expressa na capacidade de formular políticas independentes, definir prioridades próprias e resistir à tentação de transformar disputas externas em guerras culturais domésticas. O Brasil é grande demais para agir como satélite político de qualquer potência. Sua tradição diplomática sempre valorizou o pragmatismo, a autonomia e a busca de relações equilibradas com diferentes parceiros internacionais. Esse patrimônio não deve ser abandonado em nome de paixões ideológicas, sobremodo as importadas. A democracia brasileira será mais forte quanto menos depender de líderes estrangeiros como referência para suas escolhas. O desafio das eleições não é decidir quem está mais próximo de Trump ou de seus adversários. O verdadeiro desafio é escolher quem está mais preparado para enfrentar os problemas brasileiros. Resumindo a ópera, o Brasil só encontrará seu caminho de sucesso e prosperidade quando compreender que seu destino deve ser decidido em Brasília, nas capitais estaduais e nos municípios do país — jamais em Washington. NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Inteligência Artificial
A Inteligência Artificial tornou-se um dos temas centrais dos últimos tempos. Governos, empresas e universidades disputam a liderança em uma tecnologia que promete transformar profundamente a economia, a política e as relações sociais. Mas uma pergunta fundamental permanece no ar: quem controlará essa nova força? Durante décadas, o poder esteve associado ao domínio de recursos naturais, à capacidade industrial ou ao poder militar. Hoje, os dados e os algoritmos passaram a integrar essa lista. Acredito que as nações que liderarem o desenvolvimento da Inteligência Artificial poderão exercer influência econômica e estratégica sem precedentes.
Ao mesmo tempo em que a IA oferece avanços extraordinários, ela também levanta preocupações legítimas. A automação poderá eliminar milhões de postos de trabalho, exigindo uma requalificação profissional em larga escala. A produção automatizada de textos, imagens e vídeos desafia a capacidade da sociedade de distinguir fatos de manipulações. É ai onde mora a maior das preocupações. Nunca foi tão fácil criar conteúdos convincentes; nunca foi tão difícil verificar sua autenticidade. Nestes tempos de eleições, o eleitor tem que estar atento e os candidatos mais ainda.
Há ainda uma questão política que merece atenção: a concentração de poder tecnológico. Um pequeno grupo de grandes empresas controla parte significativa da infraestrutura digital, dos modelos de IA e dos dados utilizados para treiná-los. Isso, pode muito apontar e levantar debates sobre soberania nacional, concorrência econômica e transparência.
O Brasil acompanha essa transformação em uma posição ambígua. Por um lado, possui universidades, pesquisadores e um mercado digital expressivo. Por outro, ainda enfrenta dificuldades estruturais em educação, inovação e produtividade. Vejo o grande risco do pais se tornar, como em outras situações, apenas consumidor de tecnologias desenvolvidas no exterior, ampliando sua dependência tecnológica.
A discussão de hoje não é apenas técnica. Trata-se de uma questão política, econômica e, quem sabe, até filosófica. A tecnologia, por si só, não é boa nem má. O que definirá seu impacto serão as regras, os valores e os interesses que orientarem sua utilização.
A grande questão talvez não seja se a Inteligência Artificial mudará o mundo. Isso já está acontecendo. A pergunta é outra: a serviço de quem ocorrerá essa mudança? Mas, este debate está apenas começando. Qual sua opinião prewzdo(a) Leitor(a)?NOTA: A foto ilustração foi obtida no Google Imagens
sábado, 23 de maio de 2026
Povão Patriota
Sou católico. Diria, mesmo, que praticante. Todo dia 22 de maio tenho a devoção de render louvores à Santa Rita de Cássia, da qual sou devoto, numa Igreja localizada no centro de comércio grossista e popular no bairro de São José, no Recife. A região é antiga, de ruas estreitas e históricas, tendo como coração pulsante o Mercado de São José, uma magnifica construção, inaugurado em 1875, sendo o primeiro edifício construído em ferro no Brasil. Suas linhas arquitetônicas foram inspiradas no Mercado de Grenelle, em Paris. É uma beleza arquitetônica formidável. Mas, é assunto para outra ocasião. Como falei no inicio dirigi-me à igreja de Santa Rita, caminhando por ruas estreitas, apinhadas de gente numa animação fora do comum. Ruas cobertas de verde-amarelo, lojas, barracas e ambulantes portando a bandeira nacional em todo tipo de vestimentas, sacolas, bonés, cintos e sandálias, além de adereços dos mais variados. Animação geral. A freguesia já volta pra casa fantasiada de Brasil. Clima de Copa do Mundo. É a explicação. Todo mundo desejando o hexa, colando figurinhas no Álbum da Copa e trocando as duplicatas disponíveis. Chegar à Igreja foi quase um périplo. Não precisa dizer dos cuidados com os donos do alheio. Fui de bermudas, camiseta, boné e óculos escuros. Calçando um tênis velho. Escondido? Não! Cuidando da vida e dos meus pertences.
Não há como negar, além da devoção um grande divertimento. Gosto, por vezes, meter-me no meio do povão para sentir o latejar da Nação. E, no caso de hoje, vi um expressivo Povão Patriota. Até a alma. Aliás, sempre me entusiasmo com o sentimento nacional, que aflora na população, toda ocasião de uma Copa do Mundo. Temos uma história bonita nesse âmbito desde 1958 até o ano do Penta Campeonato em 2002. Claro que há muito oportunismo comercial, mas, não deixa de ser formidável o engajamento da população no bloco da torcida pela Canarinha, nos gramados mundo afora. É de se destacar que hastear a bandeira nacional, em casa ou sair ostentando pelas ruas, não é um hábito do brasileiro. Muito longe da admiração do norte-americano. Em Tio Sam é muito comum avistarmos a bandeira nacional tremulando em edifícios comerciais das grandes avenidas ou em simples casa de bairro. É notável o amor daquela gente ao pavilhão nacional, sempre reverenciado com respeito e muita honra. Não sei até onde vai o amor e respeito do brasileiro ao pendão auriverde da Ordem e Progresso. Duvido muito. Lembro que, outro dia, recebi um vídeo no qual flagraram três garis usando um pavilhão nacional como acumulador de lixo colhido nas ruas do Rio de Janeiro após uma manifestação do dia do Trabalho. Foi motivo de revolta para um transeunte que, apressado, instalou um bate-boca de civilidade. Os garis queriam ter razão afirmando “quem jogou a bandeira no lixo é que deve ser culpado”.
Não voltei ao mercado popular no fim desta sexta-feira mas, desconfio que muito verde/amarelo restou na bagulheira das ruas do bairro de São José. Tudo isso é a falta que faz de um cuidado com a Educação moral e cívica neste país. A meninada deve aprender de novinho a cantar o hino e a respeitar a bandeira. Senão vão terminar varrendo a bandeira na boca do lixo Acorda Brasil. Como não dá para corrigir de repente vamos, pelo menos, torcer e esperar pelo Hexa. Ah! E pedir aa intercessão de Santa Rita de Cassia ao Deus Pai, que é brasileiro, pelo sucesso da nossa seleção. Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Blusinhas ao Léu
Aplaudi pouquíssimas coisas do nosso atual Governo. Quase nada. Recordo, porém, de uma medida que olhei com simpatia intitulada, correntemente, de Taxa das Blusinhas (estabelecida para cobrança de 20% de imposto de importação nas compras até US$ 50,00), muito efetuadas através de sites tipo Shopee, Shein e AllExpress. Simpatizei não por ser contra produtos importados. Muito pelo contrário. Sou liberal e entendo que produto importado pode custarmenos face aos preços internos, ter melhor qualidade e ser capaz de induzir o processo de aperfeiçoamento da produção nacional. Além do que gerar receitas fiscais, combinado com a coibição do contrabando. Estas, aliás, foram justificativas de sustentação da Medida. A coisa não somente agradou a uma infinidade de pequenos produtores e parecia ir muito bem, dando provas de eficácia, entre as partes beneficiadas e para o próprio Governo. Prova disto, inclusive, foram os resultados de arrecadação de impostos de importação que chegaram ao montante de RS$ 9,6 Bilhões, desde agosto de 2024, quando a Medida foi adotada, até Abril recente. Terça Feira (12), porém, para surpresa de meio mundo, o Governo resolveu dar uma marcha à ré e, numa Medida Provisória (MP), determinou o fim da Taxa. Assim, “adeus viola”. Blusinhas ao Léu! Ao Congresso resta analisar o caso e, dentro de 120 dias, bater o martelo.
Ora, meu Deus, neste momento está na cara de que se trata de mais uma manobra de caráter populista do Governo petista para agradar o eleitorado freguês dos sites de produtos populares e tentar levantar os índices de popularidade que anda despencando a cada dia. Como já dito, melhor explicando minha posição, considero que a renuncia fiscal em tela pode representar coisa de menor importância, dado que, os “parcos” Bilhões de Reais que deixam de ser arrecadados, serão insignificantes diante dos resultados eleitorais projetados. Resta saber qual a opinião dos varejistas brasileiros que experimentavam mais tranquilidade na comercialização dos seus produtos, enfrentando menor concorrência, por exemplo, de produtos chineses que entram “pra valer” e na grande maioria praticando dumping no processo de comercialização. Sem esquecer que isto vale, também, para grandes redes de lojas que, com razão, montaram suas plataformas de vendas na Internet. Se as grandes podem se ressentir, imagine os pequenos produtores de confecções (blusinhas!), artigos de couro (calçados e similares), entre outros. Aqui em Pernambuco, tenho certeza, que a retirada da Medida vai atingir em cheio os produtores de confecções localizadas no chamado Polo de Confecções do Agreste (Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru) onde a atividade se constitui na base econômica regional. Tenho experiência profissional de lidar com esse ramo industrial, e no citado Polo, desde a época da abertura comercial dos anos 90, quando pude dar assistência técnica (à época dirigente da Sudene) e depois nos anos 2003-2006 (quando atuando no Governo do Estado). Sei bem das dificuldades locais e já imagino o que pensam os produtores locais e em particular as costureiras que se esmeram nos modelitos e nos acabamentos dos vestuários que produzem, querendo concorrer à altura, ou melhor, com as confecções chinesas, vistas por lá como “demodê” e mal acabadas. Desconfio que o Governo deu um “tiro no pé” porquanto, sem calcular melhor, pode estar promovendo uma onda de desemprego e falências de pequenos produtores espalhados pelo país. E desempregados não garantem votos! Não falta quem diga, Brasil afora, que O Governo Lula atuou contra o micro e pequeno empreendedor. Concordo. Vi ontem numa entrevista, prefeito de uma das cidades do Polo afirmando que no seu município (Toritama/PE) conta com 3.287 unidades de produção, muitas das quais instaladas nas próprias residências. São costureiras trabalhando dia e noite. A dinâmica é tal que, durante as noites, o que se escuta são os ruídos das máquinas de costuras e plena atividade. São essas costureiras que vão sentir a insensibilidade governante que temos no posto maior da Nação.
Em Santa Cruz do Capibaribe (Foto acima) se estima que, a cada fim de semana, 150 Mil compradores acorre ao Centro da Moda da cidade. Graças à Taxa das Blusinhas os negócios cresceram a taxa de !9,2%, em 2025, e o Estado de Pernambuco recolheu 18,5 Bilhões de Reais e ICMS. Vamos e venhamos é um valor expressivo gerado por micro e pequenos produtores que, agora, vêm seus negócios atropelados por uma insanidade do Governo Central. O que ainda restará para incrementar essa guerrinha eleitoral? E sem as blusinhas? Nota: Fotos ilustrações obtidas no Google Imagens.
sábado, 9 de maio de 2026
Uma ponte para o futuro
Como esperado 2026 vem nos brindando de episódios políticos palpitantes. O Brasil está latejando. Na expectativa de eleições gerais em outubro e, desde o maio corrente,as coisas prometem muitas emoções. O Presidente Lula promete se candidatar, embora com um prestígio bem abalado, enquanto a oposição vem mobilizando forças para, não apenas desbancá-lo, mas, sobretudo derrubar o PT da posição de mando. A situação aponta para uma campanha recheada de lances imprevisíveis. Note-se que, em tempos de Inteligência Artificial (IA) as redes sociais vão dominar as telas e sacudir a sociedade como nunca antes. Quem viver verá. Muito embora episódios palpitantes tenham sido registados nos dias recentes – derrotas politicas do Governo, corrupção expostas pelo Caso Banco Master, encontro de Lula com Trump, entre outros – um fato de relevante importância perdeu espaço de repercussão na mídia deixando o grande publico sem as devidas e atualizadas informações. Refiro-me à ratificação de inserção do Brasil no bojo do Acordo Comercial União Europeia – Mercosul.
Trata-se, a meu ver, de importante passo político-econômico para os dois blocos e projeta possibilidades de progresso e avanços tecnológicos, sobretudo para os quatro países integrantes do bloco sul-americano. Até aqui foi um longo processo, arrastado por 27 anos de muitas negociações. Recordo, inclusive, que como representante da SUDENE (à época dirigente da área de Cooperação Internacional) e do Ministério da Integração Nacional, cheguei a participar das primeiras reuniões internacionais que tratavam desse Acordo. Os representantes dos dois blocos se encontravam em debates periódicos aqui no Itamaraty, em Brasília, na busca de formatar os alicerces do Acordo. Foram momentos de grande aprendizado e de construção do que hoje se tornou realidade. Após me aposentar da SUDENE acompanhei, ao longe, o desenrolar do processo, e sinto satisfação por ver no que deu. Na prática o processo ainda depende da adesão/ratificação de vários países, a maioria integrantes da União Europeia. Entre esses a França se destaca e vem protelando a ratificação plenamente e desempenha um papel de opositor ao acordo, nos termos atuais, alegando preocupações com a concorrência agrícola dos produtos sul-americanos. Alega regras ambientais; diferenças sanitárias e regulatórias, entre outros aspectos. Contudo, o Acordo foi adiante em face da adoção, pelos europeus, de uma “vigência provisória” contemplando boa parte comercial do Acordo. Com efeito, as transações começam a vigorar, mesmo antes da ratificação completa de todos os países europeus. Como o Brasil já ratificou, desde 1º de Maio se encontra no circuito. Feito isso, cabe uma questão pertinente: afinal, o que isto significará para o Brasil? A resposta é bem clara ao apontar que o acordo, ao mesmo tempo em que poderá trazer ganhos importantes, projeta muitos riscos e desafios adiante para a classe empresarial brasileira. Primeiro haverá um aumento das exportações, sobremodo com produtos do agronegócio (carne, café, açúcar, frutas, suco de laranja, soja etc.), minerais e alguns produtos industriais. Como a União Europeia, formada por 27 países, com alto poder compra e mais de 400 Milhões de consumidores, as perspectivas são das mais promissoras. Por outro lado, os brasileiros podem se beneficiar com a redução de tarifas nas compras de máquinas, medicamentos, carros, modernos aparatos tecnológicos, produtos químicos, dentre uma infinidade de outros itens. Dureza será, por exemplo, para os empresários brasileiros saber enfrentar a concorrência europeia que exigirá investimentos em inovação, aumento da eficiência, melhoria da qualidade dos produtos e investimento em tecnologia. Temo que sem isso o Brasil fique condenado a se tornar, tão somente, o grande abastecedor agrícola dos europeus. De cara, alguns setores menos competitivos, terão que “abrir os olhos” para não perder mercado hoje consolidado. Entres estes arrisco lembrar o do automotivo, maquinas e equipamentos, químico e farmacêutico. Enfim, o Acordo que pode representar uma Ponte para o Futuro, deve ser atravessada com cautela e Inteligência, visto que representará um ponto de inflexão na trajetória econômica brasileira. Vamos esperar NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
segunda-feira, 20 de abril de 2026
Vontade de voltar
Enquanto o mundo leva sustos diários nas mãos dos sedentos de poder manobrando peças sensíveis no tabuleiro da geopolítica mundial, corro para meu ambiente de paz, longe do asfixiante meio metropolitano e onde posso me infiltrar nas raízes do meu povo, da minha gente brejeira e alheia às maldades de alhures. Estou em Gravatá. Interior de Pernambuco (Brasil). Um lugar de paz, clima ameno serrano e onde habita um povo de coração puro e alma limpa que, sequer, pode imaginar o que uma guerra pode prejudicar sua própria vida. Eles ouvem falar de uma guerra, claro. Afinal, a moderna vida que desfila nas telas de televisão passa, fala do tema, mas, pouco atrai sua atenção. E todos têm seu moderno aparelho de TV. A casa pode estar caindo, mas sustenta a antena parabólica. Firme e forte. Para o interiorano, bom mesmo é estar assistindo ao futebol ou a novela das oito. Gosto de chegar perto dessa gente. É minha forma de sentir o pulsar real de uma Nação. Falo de Nação com N maiúsculo. Que significa um grupo de indivíduos que compartilham em comum língua, história, cultura, tradições e identidade. Busco sentir por aqui. É formidável ouvir do meu jardineiro o questionamento curioso e inocente ao me dizer “ouvi falar de uma guerra que está acontecendo lá no estrangeiro e não vão mais mandar farinha de trigo pra nós aqui! É verdade? Só penso no meu menino que adora comer pão”. Explicar o complexo esquema para ele foi missão delicada. Terminou deixando o gramado mal aparado. Na feira publica, as conversas são das mais enriquecedoras. Os traços culturais são vibrantes.
Nesta época do ano o matuto já está de olho no plantio do milho. Mês de junho se aproximando e a época de comer canjica e pamonha tem que estar garantida. A mocinha da banca de frutas me falou que já vão começar a ensaiar a dança da quadrilha, no sítio onde ela vive. “Tá todo mundo avexado, oxe!” Argumentei que ainda é mês de abril. “Eu gosto mais dos ensaios do que do dia da festa mesmo!”. Na verdade nos ensaios rolam climas de romance entre os pares e novas famílias são projetadas dando sequencia ao tudo que preserva as tradições e a cultura histórica.
Na realidade, são pessoas bem praticas. Plantam para comer. Vivem um dia-a-dia rotineiro e sem as preocupações que, nós outros, temos e vivemos a mercê das alucinações de Trump, Putin, Alexandre Morais ou Lula. Volto com vontade de voltar. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
sábado, 28 de março de 2026
A Infeliz ideia da Reeleição
Num ano de eleições, como este de 2026, a dinâmica sócio-politico-econômico brasileira se desdobra em progressão geométrica e o cheiro de Democracia se pronuncia mais favorável. É a louca corrida eleitoral. E, neste ano, quando a instituição da reeleição se faz presente de modo expressivo, tais desdobramentos aumentam a cada dia, a cada hora. Na verdade o atual sistema eleitoral brasileiro é, em minha opinião, é um daqueles pontos que clamam dos nossos legisladores uma urgente reforma. Acho um verdadeiro absurdo que tenhamos de ir às urnas a cada dois anos. Num país pobre como o nosso é um desperdício indecente de custos financeiros (além de outros muitos) que se soma a cada oportunidade. Os montantes escandalosos de cada um dos chamados Fundos Eleitorais, por si só, já dão a imagem clara da extravagância. Por que não se processar uma eleição geral e num prazo civilizado? Pensando em prazo civilizado, aproveito para ir direto ao tema central que escolhi para esta conversa de hoje: Reeleição. Não vejo ideia mais infeliz do que essa. O que mais se vê é um cidadão eleito, de posse do cargo, se apaixonar pelo exercício do poder desde o primeiro momento e já começar disposto a se preparar para concorrer, quatro anos após, graças ao instituto da reeleição. Pronto! Nem desmonta o palanque! Tudo que faz é pensando naquilo. A maioria, de olhos nos votos dos idiotas, faz um teatro diário de “entregas” de obras inacabadas ou projetos mirabolantes arrematando com promessas de mundos e fundos. Tenha paciência. Sou dos que discordam da reeleição. Isso pode dar certo em outros mundos. Por aqui vem provando ser uma infeliz ideia. O atual sistema de reeleição data de 1997, época do Governo de Fernando Henrique Cardoso, um dos “defensores” da PEC 16/1997, que estabelecia a mudança. Foi uma época de entusiasmo após a queda do regime militar, o domínio da inflação e, enfim, um período em que se respirava liberdade e progresso. A aprovação da PEC foi rapidamente nas duas Casas do Congresso Nacional, após intenso debate e, para variar, denúncias de corrupção. Com a mudança abriu-se espaço para reeleição nos cargos de Presidente, Governadores e Prefeitos. As justificativas apresentadas eram de: a) permitir continuidade de projetos de governo e b) dar ao eleitor a chance de avaliar e renovar o mandato de um governante aprovado.
O próprio Fernando Henrique (FHC) não perdeu tempo e recandidatou-se surfando, sobretudo, no sucesso do Plano Real. Foi o primeiro reeleito. Anos depois, já fora do poder, ele próprio reconheceu, em entrevista, que “talvez a reeleição não tenha sido a melhor solução para o país”. Justificando esse seu posicionamento, ele apontou problemas que podem ocorrer, tais como, uso da máquina pública para cabalar votos; campanha permanente e, obviamente, obstáculo à alternância do poder. Contudo, contudo, é que há sempre oportunidades de se consertar um erro, assim como sempre existe mentes responsáveis para proceder ao conserto. Essa infeliz ideia, foi, não foi, encontra vozes combativas e corretoras. Tanto é que, já vi que uma PEC de No. 12/2022 se encontra em discussão no Senado Federal do Brasil prevendo o fim da reeleição para presidente, governadores e prefeitos, mandatos de cinco anos – algo razoável – e eleições gerais a cada cinco anos. O texto em discussão prevê que tudo começaria em 2034, após um período de transição. Espero viver até lá para testemunhar esse passo republicano no meu Brasil. Abaixo a infeliz ideia das reeleições. NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens e Publicada na Folha em 2011.
sábado, 21 de março de 2026
Fúria dos Machos
Tem sido frequente e, assustadoramente, crescentes os crimes de feminicídio mundo afora e particularmente no Brasil. Esta semana o país acompanha as chocantes reportagens do caso daquele Tenente-Coronel da Policia Militar paulista que assassinou a esposa, uma soldado da mesma policia em 18 de Fevereiro passado. O caso foi amplamente divulgado pela imprensa, sobretudo, após ao cair por terra a tese levantada pelo assassino de que se tratava de um suicídio. Desculpa descarada forjada com auxilio de companheiros corporativistas e advogados de defesa. Graças às desconfianças da família da vítima que, em bom tempo, moveram ações policiais e judiciais que levaram ao desbaratamento da farsa do suicídio. O corpo foi exumado deixando claro que a forma do disparo foi considerada incompatível com suicídio e lesões no corpo indicaram que houve agressões antes da morte. Diante dessas provas concretas o Tenente-Coronel foi preso preventivamente e o processo segue na Corte de Justiça.
Se este caso chamou-me atenção, outro espantoso correu nas minhas barbas, aqui no Recife e no meu mesmo bairro. Pior porque com pessoa do meu parentesco, haja vistas ao sobrenome Brasileiro. Ela se chama Viviani Brasileiro. Não a conheço, mas, por óbvias razões fiquei ligado aos acontecimentos. Seu ex-marido, o cidadão de nome André Maia de Oliveira (48 anos e empresário da construção civil) insatisfeito com a separação, concretizada no inicio deste mês de março, deu inicio a uma série de perseguições e ameaças. Mais que depressa, Viviani procurou ajuda à Justiça e foi atendida com uma Medida Protetiva de praxe. Revoltado e desrespeitando os limites estabelecidos pela referida Medida, o cidadão Oliveira invadiu com um carro os portões do edifício residencial da ex-esposa (tudo filmado pelas câmaras de segurança do prédio) e munido de uma pistola de calibre 38 detonou 20 tiros nas portas de Viviani, ameaçando matá-la junto com a mãe dela, presente na ocasião. Um filho do casal de 7 anos também presenciou tudo. Mais do que isso, Oliveira avisava aos brados que trazia consigo um galão de combustível destinado a incendiar a casa. Pânico geral no edifício, polícia chamada e o marginal se escafedendo açodadamente. Dia seguinte a policia civil caiu em campo à busca do criminoso. Fiquei surpreso ao deparar-me, dois dias após, com a primeira pagina do Jornal do Commércio do Recife (dia 18/03/26) estampando a foto do sujeito como procurado (Foto a seguir).
Abalo geral na sociedade local, muito embora tantos casos se repitam nesta cidade e neste país sem Segurança e sem cidadãos de bom caráter. Resumindo a história, o criminoso resolveu se entregar à Policia Civil, onde teve a prisão preventiva efetuada indo parar no cárcere do Centro de Observação Criminológica e Triagem (COTEL), Região Metropolitana do Recife. O mais curioso, contudo, foi ver divulgadas as explicações do canalha ao afirmar que foi acometido de um surto psicótico ao assumir aquele ato violento. “Só fiz aquilo para assustar”. Tenha dó! É subestimar a inteligência coletiva. O cara enche um galão de combustível, assume a direção de um veículo, empunha uma arma de fogo, arromba um portão de segurança de um prédio, detona 20 tiros nas portas da ex-esposa e vem querer convencer a policia e a opinião pública que foi acometido de um surto psicótico! Só sendo bandido, mesmo. Completou com uma ridícula explicação de que só queria mesmo assustar a ex-mulher! Francamente. O bom mesmo é que não conseguiu matar Viviani. Essa era de fato a intenção. Ninguém caia nessa conversa mole de assustar.
Até quando, finalmente, vamos ter que conviver com essas absurdas formas de convivência (anti)social? Onde erramos? Que sociedade é essa que construímos? Onde estão as autoridades desta Nação que não acertam com os caminhos de preparação dos cidadãos e cidadãs do futuro? Como pai de família e olhando meus netos, sinto forte sensação de preocupação e perplexidade. Estes dois casos que relatei são apenas exemplos gritantes e recentes. Melhor observando, com frequência assustadora esses crimes se repetem aqui e alhures. Ironicamente, no mês da Mulher neste 2026, o saldo promete ser tenebroso. Acabemos com a fúria do machos!NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
segunda-feira, 9 de março de 2026
Tenebroso Ano Novo
Fui até conferir no dicionário, para ter certeza de que tenebroso seria um titulo adequado para uma postagem. Acredito que sim. Pode significar, entre outras coisas, sombrio, assustador, sinistro, medonho e por aí vai. Se o ano passado causou alguns grandes pânicos, 2026 está mostrando que muita coisa assustadora vai rolar. Pensando bem, já rolam. É desse modo que venho entendendo 2026. Inicialmente, eu havia decidido entrar em recesso e voltar quando o ano começa no Brasil, isto é, depois do carnaval. Coisa de brasileiro, o país do jeitinho. Tem nada mais relaxante do que isso? Brincar, beber, curtir um frevo ou um samba e entrar num novo ano somente em Março. Coisa que só brasileiros entende. Entrementes, lá fora, o ano corre sem parar e muito rápido. Aliás, abrindo um “parêntesis” recordo que, nas minhas priscas eras de estudos da História e da Filosofia, tomei conhecimento que o ano na Roma Antiga começava mesmo em Março e só tinha 304 dias. Foi o Rei Numa Pompílio (segundo Rei de Roma e substituto de Rômulo entre 715 e 673 a. C.) que acrescentou os meses Januarius e Februarius. Depois, o Imperador Júlio César, no Ano 46 a. C., querendo deixar sua marca imperial, fez um retoque e criou o que se chama de Calendário Juliano, conservado até hoje com 365 dias. Sem esquecer que , a Lua e o Sol regeram todas essas coisas. É assunto para outra hora porque meu assunto, hoje, é outro. Já dei entender, não tem sido fácil viver este 2026. Não sei você caro leitor ou leitora... A rigor, pauta não me faltou, desde o principio de “Januarius”. O frevo rolou nos carnavais de Recife e Olinda em “Februarius” e, por aqui, relaxei postando-me como espectador dos acontecimentos alhures. Nos primeiros momentos surpreendi-me com o processo e depois com a operação Trumpista que resultou no assalto e captura de Nicolás Madura e sua esposa, em Caracas, Venezuela. Uma operação rápida e, digamos, aos moldes de Hollywood. Cirúrgica! Fiquei pasmo, porém, ao mesmo tempo, satisfeito com o resultado face aos sofrimentos que o Ditador sanguinário impôs a um povo nobre e varonil como os irmãos venezuelanos que, por sinal, conheço de perto. Estive por motivos profissionais, por duas vezes, na Venezuela. Conheci o país vizinho em dois momentos marcantes. Durante a democracia combatida pelos esquerdistas inocentes que inflaram o líder Hugo Chávez empurrando-o ao posto de presidente da Republica. Depois estive lá, durante o governo do mesmo Chávez. Formei uma opinião in loco do que poderia acontecer. E aconteceu. Acompanhei a nefasta trajetória que terminou levando o país à miséria. Os que reuniam condições financeiras logo se safaram do horror instalado e deram o fora. Os menos afortunados vasaram pelas fronteiras do país e foram parar nas ruas de cidades brasileiras, colombianas e peruanas. Aqui no Recife, temos, até hoje, muitas famílias pedintes venezuelanas mendigando e dormindo maltrapilhos debaixo de marquises ou abrigos improvisados. Estima-se que 8,6 Milhões de venezuelanos deixaram o país. (Vide foto a seguir).
Mas a sede de Trump, Presidente dos Estados Unidos, assumindo o papel de “Xerife Mundial” não parou por aí. Além de capturar Maduro, deu continuidade à série de investidas que abalaram e continuam abalando a paz mundial. Nessa jornada, insistiu na anexação da Groenlândia ao seu país, ameaçou a Colômbia, o México, o Panamá entre outros, além de detonar “delicados recados” à China e Rússia. Sem esquecer o programa de tarifaços impostos a meio-mundo desorganizando as correntes comerciais existentes e ameaçando um caos em incontáveis pontos do Planeta. Falo de uma matéria amplamente conhecida e debatida que me deixa dispensado de desenvolver. Ainda em 2025 detonou ataques a alvos, no Irã, fazendo o mundo estremecer, visto que referidos alvos eram instalações nucleares dos iranianos. Aquilo, meu Deus, não passou de uma pré-estreia do que hoje vem acontecendo – ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã – que tem deixado o mundo estarrecido dada as proporções alcançadas e prometidas. O Trump já vem avisando que a guerra que empreende no Médio Oriente, em conjunto com Israel, não tem prazo programado para terminar. Os atingidos, por seu turno, não recuam, ainda que muitas das suas lideranças hajam sido aniquiladas, incluído o Aiatolá Supremo e revidam bombardeando muitos pontos estratégicos dos americanos e israelenses em toda região. Tudo, por sinal, bem divulgado e visto ao vivo e a cores. Como o Brasil não passa incólume nesse contexto conflagrado, o ano é ou não é um ano tenebroso?. Ocorre que, mesmo antes do carnaval, durante e agora, nossa “máquina moedora” de Brasília anda estraçalhando os juízos dos brasileiros responsáveis e vem produzindo costumeiros escândalos de corrupção que deixam carecas, como no meu caso, de orelhas em pé (se tivessem cabelos seriam estes). Tem nada mais escandaloso do que esses casos expostos pela CPMI do INSS e a “explosão” do Banco Master envolvendo eminentes figuras do primeiríssimo escalão da Republica. Tenha dó.
Esta República de Pindorama parece mais um tecido esgarçado sem condições de remendo. Mas, mas, como este tenebroso ano é ano de eleições fico desejando que o pobre e ingênuo eleitor brasileiro saiba como votar. Vamos esperar que 2026 fique melhorzinho, ao menos nas nossas bandas. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens
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