sábado, 17 de fevereiro de 2024

Confete e Serpentinas

E lá se foi mais um carnaval. Já curti muitos desses. Sempre achei que não existe festa melhor do que essa. No passado, quando chegava a quarta-feira de cinzas eu marejava os olhos ao som dos últimos acordes do hino de Vassourinhas. “Como uma coisa tão boa assim só dura três dias?” perguntei muitas vezes. Arroubos da juventude, claro. Hoje a visão que tenho é outra. Há pelo menos dez carnavais estive ausente da folia local. Viajei, retirei-me ao refugio interiorano e evitei as multidões. Este ano, porém, por razões familiares fiquei no Recife e dei rápidos giros por Olinda e Recife. Senti-me quase como um “peixe fora d´água”. Achei tudo muito diferente do passado. E passado recente, mesmo. Indiscutivelmente, não posso negar, foi um belo festival de cores, músicas e fantasias tudo quanto assistimos, no Recife e Olinda, na semana que finda. Ainda assim, muita coisa merece ser lembrada por quem já viveu o tanto que já vivi e curtiu o tanto que já curti. Haverá quem me entenda. Começo por uma coisa simples e esquecida na recente semana de folia: confete e serpentina. Não posso entender essas ausências. Quantos amores nasceram de um punhado de confete? E muitos outros com “ataques” de serpentina atirada de distante? Pode parecer ingênuo para os jovens de hoje, mas, funcionava. Pelo meu retrovisor, recordo que cheguei a alcançar o corso na avenida e nas ruas dos bairros de São José e Boa Vista do Recife. Do janelão da casa dos meus avós paternos observei desde criança o desfilar dos foliões, carros enfeitados, jovens e velhos fantasiados, blocos e troças carnavalescas, numa alegria contagiante que como um vírus se impregnou no meu corpo e na minh’alma pernambucana. Quando proibiram o uso do lança perfume e inventaram as cabulosas bisnagas d´água como uma infame substituição, o clima de alegria sofreu um inesperado debaque. Não durou muito e surgiram as famigeradas pistolas d´água, que terminaram deteriorando a beleza do corso tradicional e instaurando a volta do historicamente proibido entrudo (tipo de carnaval, comum no século 19, em que os brincantes lançavam uns aos outros baldes d´água, farinhas, limões de cheiro, areias finas). Nos anos 60 e 70, essa modalidade de corso se desenvolveu e participei com entusiasmo, até o momento em que elementos deletérios, marginais da sociedade, resolveram misturar produtos químicos prejudiciais à saúde pública e individual. A coisa ficou perigosa e o carnaval da sociedade foi arrastado de vez, com toda força e animação para os salões dos clubes sociais. Decorriam os anos 70 e 80 do século passado. Foram carnavais formidáveis. As noites de folia lotavam os salões das principais agremiações sociais da cidade e deixavam saudades. Nada podia ser comparado àquela animação contagiante. Contudo, importante lembrar, as associações carnavalescas populares resistiram ao tempo e às mudanças sociais mantendo viva a cultura popular pernambucana. Blocos de frevo, maracatus, caboclinhos, as debochadas troças carnavalescas e os blocos líricos foram resilientes e atentos, alimentando os bons costumes da época.
Nessa onda do movimento de manutenção das tradições, um grupo de moradores do bairro de São José, liderado pelo folião local, Enéas Alves Freire, idealizou e fundou o Clube de Máscaras Galo da Madrugada. Foi certamente a mais bem sucedida ideia para resgatar o carnaval de rua do Recife. De uma simples agremiação, com poucos integrantes, que percorria as principais ruas do bairro, ao amanhecer do sábado de Zé Pereira, o bloco tomou folego, cresceu e se tornou, segundo o GuinessBook, no maior bloco de carnaval do mundo, além de símbolo macro do nosso contemporâneo carnaval. Fala-se de 2,5 Milhões de brincantes, neste recente carnaval. É uma marca ainda discutida.
Mas, por questão de justiça, convém destacar que essa resistência teve na Velha Olinda seu quartel general, preservado até hoje. Ali ocorre a cada tríduo momesco uma explosão de alegria atraindo foliões do Brasil e do exterior, subindo e descendo ladeiras, atrás dos tradicionais blocos, como Pitombeiras dos Quatro Cantos, Elefante, Homem da Meia-Noite e Bonecos Gigantes. (Vide Foto acima). Este ano foi estimada uma afluência de 3 milhões de pessoas. E no Recife, desde os anos 90, as autoridades municipais promovem festividades em diferentes polos de animação, com destaque para o que se leva a efeito no bairro Antigo, da cidade. A cidade para com a chegada de Momo! (Vide foto a seguir, Marco Zero do Recife)
Mas, aproveitando a esteira do assunto da falta de confete e serpentina, não posso deixar de criticar, lamentando, o desprestigio que o ritmo do frevo vem sofrendo. Ouve-se muito pouco frevo nos nossos atuais festejos. Ora, o frevo é uma identidade raiz do nosso carnaval. Não tenho noticia de novas composições. Quando muito se ouve Vassourinhas. Desapareceram os concursos pré-carnaval. Lastimável. Pior é perceber que ritmos alienígenas invadem nossa festa de modo escancarado em detrimento dos valores locais e com a aquiescência das autoridades competentes. Nas festas de espaços privados, então, que se multiplicam pela cidade, com ingressos a peso de ouro, o frevo é esquecido e substituído por axés, raps, bregas, sertanejos, forrós, entre outros ritmos. Sinceramente, carnaval pernambucano sem confete, serpentina e frevo deixa muito a desejar. Vá lá que haja “modernização”, com trios elétricos no Galo e equipamentos de ponta nas festividades. Isso é tolerável e necessário. Mas, não deixemos o frevo morrer. No próximo ano, aqui estando, vou montar um posto de venda de confete e serpentina na esquina da Avenida Rio Branco, no Recife Antigo, auxiliado por uma caixa de som tocando somente frevos. NOTA: As fotos ilustrações foram tiradas do Google imagnes. A do Galo foi publicada pelo Jornal Folha de Pernambuco.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Voltei ao Japão

Quem já viveu o tanto que vivi é testemunha de fantásticos inventos, experimentos e descobertas. Tudo que se enquadre no que se convenciona chamar de modernidade é simplesmente fascinante. Indiscutivelmente, todo individuo se encanta com qualquer novo invento. O maior exemplo dos tempos modernos e causador da maior revolução socioeconômica mundial são os avanços e massificação dos recursos oferecidos pela moderna Tecnologia da Informação (TI) em beneficio do bem-estar e segurança. É um tema para muitas postagens que exige sempre análises mais profundas e sempre atualizadas, coisa que não é minha praia. Não passo de um simples usuário. Meu foco hoje é sobre essa maravilha que se chama realidade virtual. Tem coisa mais fantástica do que isso? Deve haver porque os “cientistas loucos”, graças a Deus, não dormem. Mas, já é formidável curtir (o termo atual é este) essa coisa que aporta, inclusive, às nossas mãos graças a esse invento massificado que se chama telefone celular. É muito mais do que um telefona porque os recursos são ilimitados. Deus me livre de estar distante do meu. Não largo dele! Pois bem. Esta semana, mais do que nunca agarrei do meu iPhone e terminei fazendo uma longa viagem virtual de retorno ao Japão. Explico. Tenho um filho, José Antônio, mais conhecido profissionalmente como Tico Brazileiro, que abandonou a carreira da advocacia e, mudando de rumo, optou pela moderna “profissão” de influenciador digital ligado aos assuntos da aviação e turismo. O cara vive no meio do mundo. É um verdadeiro globe-trotter. Entende como poucos de aviões, empresas aéreas, locais turísticos e tudo quanto a esses temas se relacionem. Já rodou o mundo inteiro e já passa da marca de 1 Milhão de quilômetros voados. Contudo, faltava baixar no Japão e foi pra lá que resolveu viajar na semana passada. Ainda está por lá enquanto redigindo este post. Acontece que como já estive no Japão por duas ocasiões, uma das quais por três meses, não escapei de ser convocado para assessorá-lo na montagem de um programa de viagem atrativo, objetivo, seguro e barato. Ele é mestre em viagens com milhagens dos programas de fidelidade das empresas do mundo inteiro. Administra mentorias sobre as formas e vantagens desses programas. E tem mais, só voa de classe executiva ou de primeira. Um craque nessa seara. Cheio de prestigio nos ares. Como a maioria das aeronaves oferece rede de wi-fi já viajo com ele desde que decola daqui do Brasil.
Pois bem. Montei a programação, apontei as localidades mais atrativas e tudo vem dando certo ao ser cumprida. Curioso e o melhor de tudo é que, em estando por lá, ele me chama com muita frequência por vídeo-chamada do Whats-App e comenta, percorre e me mostra os principais pontos turísticos que visita, fora as passagens por restaurantes, templos, metrôs, trens (inclusive o veloz Shikansen), comercio, novidades tecnológicas, povo, hábitos, cultos e tudo que aparece pela frente. Resultado é que estou viajando virtualmente com ele. Fabuloso. Há uma semana que não durmo bem. Afinal um fuso horário de 12 horas de diferença me obriga a ficar de olho e ouvido apurados. Ele tenta me poupar durante a noite daqui, mas, a minha ligação se tornou tão forte que vem sendo difícil. Até já sonhei num dos cochilos mais longos que estava dando um rolê no trepidante bairro em Shinjuku, onde vivi por três meses nos anos 80.
Hoje o Tico está em Kyoto, antiga capital japonesa, cercada de belíssimos templos, magníficos parques, bairros antigos, com cultura preservada rigorosamente. Nesse contexto orientei meu filho a explorar as mais importantes localidades de Tóquio e Kyoto e respectivos arredores. A sensação de acompanhá-lo nessa agenda garanto que foi uma das mais gratificantes de viver nestes tempos de tão grande modernidade. Por coincidência o Japão oferece uma ilimitada gama de novidades que, com razão, vem fascinando meu filho. Dá gosto observar o entusiasmo do moço a cada volta na Terra do Sol Nascente. Vide Fotos ilustrações.
Vivenciando essa experiência lembro com saudade, e certo lamento, do sofrimento da minha falecida mãe, quando aos 22 anos de idade me mandei para cumprir uma bolsa de estudos coberta pela USAID (Agencia de Cooperação Internacional dos Estados Unidos) na Escola Interamericana de Geodésica, localizada na Zona do Canal do Panamá, enclave norte-americano àquela época. As comunicações estavam longe de ser essa maravilha de hoje. Malmente tínhamos um telefone fixo. Uma pobreza sem tamanho. Minha pobre mãezinha quase morre de desespero por não receber noticias imediatas da minha situação. Uma misera carta chegou ás mãos da coitada depois de 12 dias. Só sei que ela foi atendida, pela primeira vez, numa emergência cardiológica. Triste lembrança. Ela ainda alcançou o tempo dos celulares, mas nem imaginava o que seria o WhatsApp. Sou mais felizardo do que ela. Acompanhei meu filho passo-a-passo e retornei ao Japão sem sair do meu escritório, sofá ou cama. Viva a modernidade! NOTA: As fotos-ilustrações são do Arquivo Particular do Blog e tomadas pelo Tico.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Ano Novo e mesma vida

Mês de janeiro avançando, quase findando, e levando de vez as quimeras de que um mundo novo estava por vir, ao romper do ano, conforme prometido pela mídia durante os festejos natalinos e do réveillon. Ano Novo, Vida Nova! Bom seria... Sem querer ser pessimista durão concordo que devemos sempre alimentar esperanças. E até tentei. Mas, não vi nada de novo neste ano que se inicia. Dessa vez, nem o Governo é novo, que apesar de tudo poderia ser mesmo uma novidade. As guerras não cessaram, o Japão sofreu mais um terremoto, Donald Trump volta fazer campanha presidencial, Putin não recuou na Ucrânia, Israel continuou destruindo a Faixa de Gaza e Lula continua incrementando a agenda de “turismo” com Janja. Já o nosso povão deixou tudo de lado e saiu pra curtir o verão e as praias, marcando passo para emendar com o carnaval – dessa vez bem mais cedo – esperando a ficha cair dando conta que é ano novo. Neste item, inclusive, a turma faz questão de confirmar a ideia de que no Brasil o ano só começa depois do carnaval. Coisa que, aliás, não é novidade, também. É tudo velho e muita coisa é dentro do velho e tradicional roteiro.
Mas, não fiquei parado e fui conferir a mesmice das vidas mais adiante. Tomei assento num desses cilindros metálicos avoantes e fui parar no Centro-Oeste. Fui beijar uma preciosa pedra familiar na aprazível cidade de Goiânia, capital do estado de Goiás. Confesso sentir um grande prazer aterrissar no Santa Genoveva e ganhar uma cidade jovem e vibrante, nada comparável com o Velho e secular Recife. Moderna, bem traçada, abundantemente verde, repleta de parques e local de uma gente hospitaleira.
Ali não se vê engarrafamentos de transito, pedintes ou limpadores de para-brisas nos semáforos, nem moradores de rua. Ao invés disso é notório perceber que se trata de uma cidade onde corre a pujante riqueza gerada no agronegócio da região e, ainda,base econômica nacional.(Fotos acima). É prazeroso circular nas amplas e longas avenidas, visitar os bairros nobres com seus arranha-céus e suas mansões bem desenhadas, bem como os locais periféricos que revelam um Brasil mais digno em urbanismo, moradias e gente feliz. Naturalmente que existem pobreza e problemas, mas, num nível bem mais administrável que noutras regiões e metrópoles brasileiras. Comer um pastel de feira delicioso e tomar a cerveja mais gelada do Brasil, não tem preço e é somente possível em Goiânia, nos incontáveis bares e restaurantes da cidade. E, no capitulo gastronomia é fundamental aproveitar as delicias regionais, como um arroz de pequi, e não perder a chance de um bom churrasco goiano. Se Goiânia deixou-me com vontade de voltar e ainda provoca-me saudades o mesmo não posso dizer da minha velha paixão que é São Paulo. Voltei para uma rasante, antes de retornar ao Recife. Não tenho dúvidas que é por lá que tudo acontece. Mais do que nunca. A Paulicéia continua sendo a locomotiva do país. Os sinais são sempre muito visíveis, começando pela dinâmica frenética dos aeroportos. É impressionante a movimentação de gente num Congonhas, por exemplo. Um formigueiro humano. Parece mais uma dessas rodoviárias em dia de Natal, quando os viajantes se esgueiram na luta por uma passagem dum ônibus extra com destino à cidade de papai e mamãe. O mais curioso é que o aeroporto de Congonhas foi remodelado, anos recentes, mas os arquitetos subestimaram a demanda pelo transporte aéreo do país. As aeronaves que embarquei estiveram, inclusive, literalmente lotadas. Alta estação é verdade, mas, de todo modo surpreende. Mas, não é somente de aeroportos que quero comentar. O que mais me surpreendeu em São Paulo de hoje é a insegurança reinante. Instalado numa região nobre, recebi inúmeras recomendações de dobrar os cuidados ao circular. Senti-me inseguro por vários momentos. Portar livremente o celular nem pensar. Motorista do taxi relatou-me que, mesmo com vidro levantado, os assaltantes quebram com uma pedrada e arrebatam seu celular. Impressionante. Circular a pé nas redondezas, à noite, é inteiramente desaconselhável. Memso nos bairros mais nobres e zonas de franco comércio ha moradores de rua arranchados em total penuria. Vide foto a seguir, colhida pelo Blogueiro, na manhã de sábado, no elegante bairro do Itaim. O Cão é guardião do morador para protege-lo de outros moradores pedintes. Incrivel constatação.
Chama atenção a quantidade de vigilantes-seguranças nas portas de restaurantes e negócios comerciais. Fiquei sabendo que um dos negócios mais rentáveis é para empresas que instalam blindagem em veículos particulares. Sai impressionado. Já morei uma época em São Paulo e recordo a cidade que vivi e pela qual me apaixonei. Hoje, porém, temo pelos familiares que lá vivem e quase desanimo de visitá-la ,bem como lamento haver feito estes registros. O ano é novo, a vida é velha, mas a vontade de viver é a mesma. Salve 2024 com o fim do recesso e a volta do Blog!NOTA: as fotos de Goiania foram colhidas no Google Imagens. A terceira foto é da autoria do Blogueiro.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

De repente é Natal

Não sei se todos e todas sentem como sinto que este ano passou muito rápido. E, de repente é Natal. Logo em seguida, acaba o ano. Nem sei como classificar o ano que finda e só sei lembrar que não foi dos melhores. Acredito que para o mundo como um todo. Guerras, conflitos infrutíferos, disputas politicas, soluções ameaçadoras, lideres em constantes desacordos, pobreza em expansão, meio ambiente deteriorado e agressivo – 2023 vem sendo considerado o ano mais quente de todos os tempos – com secas, tempestades extemporâneas, vendavais e, enfim, inúmeros fenômenos nunca dantes observados. É desesperador assistir ao desenrolar arrasador dos dois grandes conflitos que se travam na Europa e no Oriente Médio, vitimando fatalmente e mutilando uma infinidade de seres humanos, em nome de pretensas soberanias territoriais. Dói e causa curiosidade ter ciência que reina uma inédita seca na bacia amazônica ou saber da redução surpreendente da região lacustre do Canal do Panamá prejudicando gradativamente aquele importante curso d´água para a navegação intercontinental. Triste saber que os resultados práticos da COP28 que terminou nesta semana, em Dubai, não foi dos melhores e nem produzirá os efeitos desejados. Na prática representa uma frustração para os defensores do planeta que, como me expressei na última postagem, “pede socorro”. Aqui, perto de nós, a irresponsabilidade técnica de empresas com ambições desmedidas está levando meia cidade ao desespero ao ver afundar seu solo. Falo de Maceió, capital do estado de Alagoas numa situação que já se constitui num caso desesperador e sem solução. Contudo, é Natal, apesar de tantos pesares. O mundo cristão pede uma parada para festejar a natividade do Salvador e chamar os fiéis para um encontro com a paz. A paz que começa em cada um de nós. A paz que estimula a união das famílias e dos povos. A paz que quando exercida na sua plenitude enche de luz e alegria as zonas escuras deste mundo cheio de conflitos. Neste tempo do Advento, pois, que sejamos todos nós portadores de gestos de amor, exercitando momentos de reflexões e esperanças, que venham se multiplicar e atravessem fronteiras das mais distintas, das menores às mais extensas e longínquas. Para o Blog do GB foi, sem dúvidas, foi mais um ano auspicioso e mesmo ao cumprir seus princípios editorias, viu-se nas circunstancias de apurar e tratar de temas desagradáveis e tecer critica. Sempre na intenção de informar, esclarecer ou repercutir fatos da vida que segue acelerada. Foi o caso da postagem sobre o episodio do 8 de janeiro, em Brasília. Neste contexto, então, é hora de agradecer àqueles que foram fiéis em nos acompanhar a cada edição, lendo, comentando e compartilhando. Um Blog resiste ao tempo e ao espaço quando recebe afetivos apoios de seguidores que não somente leem, mas também comentam interagindo de maneira adequada. Graças a isso já se vão 16 anos sempre animadores. Aos leitores estrangeiros, um número que cresce a cada ano, os especiais agradecimentos e a renovação de desejo tê-los de volta e contribuindo com o esforço. No mais, o Blog do GB tem a alegria de desejar, com muito AMOR, aos leitores e leitoras um Santo Natal junto às suas famílias, assim como esperar que 2024 venha com perenes luzes de Paz e Felicidades para cada um e para o Mundo como um todo. É de PAZ que precisamos, mais do nunca!NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens. NESTE 15 DE DEZEMBRO, O BLOG ENTRA NO HABITUAL RECESSO DE FIM-DE-ANO, VOLTANDO EM 15 DE JANEIRO DE 2024, OU EM MOMENTO EXTRAORDINÁRIO, SEMPRE CONTANDO COM O FUNDAMENTAL APOIO DOS SEGUIDORES.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

O planeta pede socorro

Não é de agora que são ouvidos clamores sobre a deterioração do planeta e demandas de ações que venham, ao menos mitigar, a destruição da natureza que Deus nos deu e aconselhou preservar. Acompanhei atento o desenrolar da grande Conferencia das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-28) que vem se realizando em Dubai, nos Emirados Árabes. Na verdade, a meu ver, um grande convescote de lideres mundiais e seus asseclas deitando discursos eivados de promessas e propósitos que nem sempre são cumpridos ao final dessas cimeiras. Curioso, ainda, foi o local escolhido para essa conferencia, à beira do deserto que vem sendo invadido por monumentais construções, a base das fortunas geradas pelos petrodólares e que não deixa de ser uma forma exploratória descabida do quadro natural da região. Mas, tudo bem... Um verdadeiro enxame de delegados acorreu ao local da Conferencia, chegando a dar clima de animação para espectadores, como eu, de que a coisa agora vai. Somente do Brasil baixaram em Dubai 1.336 inscritos. Estima-se que se trata da maior comitiva entre os participantes. É ou não é animador? Dá pra formar uma bela torcida a favor da salvação do planeta. Contudo, calculo que a formidável bagatela que custeou essa megacomitiva seria bem mais útil se aplicada em projetos pontuais em áreas criticas espalhadas pelo país. Não, que o país estivesse ausente dos debates levados a efeito no conclave. Mas, para que tanta gente? Desconfio que mais da metade foi fazer turismo. Muito mais... De todo modos não podemos negar que os discursos do nosso Presidente, da Ministra do Meio Ambiente e de outros brasileiros como o Presidente do IBAMA devem ter marcado pontos positivos de aplausos, até mesmo pela importância e o papel de destaque que o Brasil desempenha nesse grave quadro da problemática das mudanças climáticas. Indiscutivelmente, a situação concreta do desgaste do nosso diversificado meio ambiente é o suficiente para exigir destaque ao papel brasileiro. Semana passada, em artigo assinado por Flavio Tavares, um professor aposentado da Universidade de Brasília, no Estadão, afirmava que “a crise do clima pode se transformar numa antecipação do apocalipse bíblico. No caso específico do Brasil, as evidências são estarrecedoras”. Concordo com o articulista e, logo de cara e sem delongas, lembro-me da situação apocalíptica que é o afundamento de grande parte da cidade de Maceió, capital do estado de Alagoas, decorrente de uma exploração predatória e mal estruturada do sal-gema pela gigante Brasken. Ora, vamos e venhamos, o caso brasileiro é histórico e esteve sempre em evidência devido às longas estiagens no semiárido do Nordeste provocando a expulsão das populações atingidas, em verdadeiras hordas de retirantes famintos à procura de onde se fixar com segurança alimentar e saúde. Capricho da natureza é verdade, mas, de expressiva gravidade e de difícil solução. Fora esse fato, que se arrasta desde o século 19, novos fenômenos danosos provocados pelas mudanças climáticas associadas aos incontáveis casos de irresponsabilidade civil no uso da terra e no aproveitamento das riquezas minerais, o Brasil vem dando lições das mais imperfeitas e aterradoras formas ao restante do planeta. A descontrolada devastação da floresta amazônica e os frequentes incêndios no pantanal e no cerrado brasileiros dão testemunhos da falta de cidadania e de noção de respeito ao presente divino doado pelo Criador. Nas Conferencias da como a atual COP-28 há mobilização das nações mais ricas para ajudar as mais pobres em ações de correção e sustentabilidade do meio-ambiente mundial. Bilhões de dólares são prometidos, embora que nem sempre cumpridos no seu todo. O chamado financiamento climático discutido na COP-15 (Copenhague 2009), por exemplo, estabeleceu que países desenvolvidos a chegariam 2020 destinando US$ 100 Bilhões, por ano, às nações mais vulneráveis com vistas à se adaptarem aos efeitos das mudanças climáticas. Porém, em 2020 e 2021 os valores desembolsados ficaram em US$ 83,3 Bilhões e 89,6 Bilhões, respectivamente. Pensando bem foram anos de Pandemia e as prioridades certamente sofreram alterações. Ao Brasil particularmente foram prometidos mundos e fundos para projetos de controle e fiscalização do meio-ambiente na busca de amenizar o efeito estufa. Se cumpridas as promessas serão recursos que aportarão em boa hora e, ajudarão a mitigar situações caóticas como as chuvas de poeira e fumaça que caem frequentemente em Manaus e Belém, originadas nas queimadas da floresta contigua. Aquela que é tida como pulmão do mundo. Servirá também para corrigir situações de seca na mesma região amazônica que vêm provocando rios secos tal qual no Nordeste semiárido e que vêm causando imensa preocupação. Tenho cá minhas razões para concentrar minhas observações ao caso brasileiro, mas, muitos são os locais e países que abusam da emissão de gás carbônico que, obviamente, contribuem para a deterioração desse planeta que pede socorro cada vez mais exaurido. Que o Criador, com seu poder Supremo, oriente os humanos a preservar o presente que Dele receberam.Ah! Ja ia esuecendo de lembrar que a proxima COP será no Brasil. Em Belém! se os memsos 1.336 comparaecerem vai faltar local de hospedagem. A cidade não está preparada para receber tanta gente. Foto obtida no Google Imagens.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Boa sorte, Hermanos

Quem bem me conhece sabe que minha admiração pela Argentina é uma velha paixão. Perdi a conta de quantas vezes e por onde passei praquelas bandas, nos últimos 50 anos. Acompanhei de perto momentos históricos do país irmão, experimentando emoções das mais diversas. Em Buenos Aires vivi situações bem peculiares, lembrando, entre outras, a curtição de uma forte “dor de cotovelo” - sarada totalmente com uma tardia lua de mel - várias férias com a família, além de excelentes oportunidades de missões oficiais junto à representação diplomática brasileira. Posso afirmar, contudo, que foi no plano politico que, seguramente, testemunhei as mais fortes passagens dessa minha proximidade com a nação vizinha. Nesses últimos dias, quando o povo argentino exerceu seu direito democrático de eleger um novo presidente da republica, estive ligado ininterruptamente e com empenho de acompanhar o processo que se desenrolou. Acredito que foi um dos mais disputados e mais eloquentes de todos os tempos.Vide a seguir foto do Eleito, Javier Milei.
Antes, porém, olhando por um retrovisor, recordo de passagens inesquecíveis e de momentos estressantes amargados pelos argentinos, depois haver sido uma Nação das mais avançadas e mais promissoras na primeira metade do século passado. Observei de perto, nos anos 70 e 80, por exemplo, a similaridade que havia entre o movimento getulista brasileiro e o peronismo argentino nas décadas de 30, 40 e 50 alimentando uma onda populista na América do Sul. Acompanhei o polêmico translado dos restos mortais de Eva Perón, o retorno de Juan Domingo Perón do exilio, seu retorno ao poder, sua morte e a ascensão da vice-presidente, sua segunda esposa Isabel de Perón (Isabelita). Foi um inevitável fracasso. provocando um golpe de estado dos militares seguido da implantação de uma das mais duras ditaduras que se tem conhecimento. Tenho pra mim que a partir dali começou a mais sofrida “via-crúcis” de um povo varonil e senhor da sua importância internacional. Lembro também, do desastre e da audácia de declarar uma guerra à potente esquadra da Inglaterra como o episódio da Guerra das Malvinas. Sem dúvidas, um dos passos mais insanos já vistos no Continente. Dali em diante foram sofrimentos em cima de sofrimentos. Governos incompetentes se alternam com politicas econômicas frustrantes, mudanças de moeda, corte de zeros, dolarização, inflação galopante, hiperinflação e uma sucessão de desacertos que, até hoje, jogam o país num buraco sem fim. A confusão atingiu o clímax, em certo momento, quando o país teve cinco presidentes empossados em apenas 12 dias no finalzinho de 2001. Cheguei a acreditar que a Democracia iria sucumbir naquela hora. As coisas foram provisoriamente ajustadas, o quadro politico se acalmou, a nação respirou, embora sofrendo das graves dificuldades socioeconômicas pretéritas. Bom, meu espaço será exíguo se continuo a pontuar as passagens mais representativas do processo de empobrecimento argentino. Vou tentar encurtar e chegar ao fecho que planejei. Após essa incrível confusão de 2001, veio o governo de Menem, um peronista moderado e chegado ao liberalismo. Para resolver as dificuldades econômicas resolveu e implantou a dolarização. Eu diria que oficializou porque, segundo observei antes e in loco, as famílias já poupavam com a moeda americana. Esta medida “salvadora” terminou depois que Menem renunciou sendo sucedido por Eduardo Duhalde entre 2001 e 2003. Apos isso, foi a vez da Argentina ser presidida pela dupla Nestor e Cristina Kirchner. Nestor morre, Cristina assume a herança politica, se elege presidente (ela se dizia presidenta e foi copiada por Dilma Rousseff) e pelo visto não deram jeito na vida argentina. Tem uma frase emblemática de Nestor, ao assumir o Governo, “a porcentagem de desempregados no país era maior do que a de votos que recebeu”. Seguramente uma constatação mais lamentável em meio dessa história. Não precisava dizer mais nada. Segundo conferi, em 2003 a Argentina tinha 54% da população vivendo na pobreza e aproximadamente 10 Milhões de miseráveis. Doloroso! Estive por lá nessa época e vi moradores de rua, famílias inteiras ao relento. (Foto a seguir). Voltei impressionado. A influência dos Kirchner nos destinos do país, entremeado por altos e baixos, nos anos recentes é uma coisa flagrante e, ao mesmo tempo, repleta de malogros e de casos de corrupção.
Sim, é uma história longa e, indiscutivelmente, triste. Reservo-me ao direito de ser, apenas, um espectador interessado. Até porque, vou me concentrar no objetivo da pauta e para concluir que é situar o atual quadro politico resultante do processo eleitoral que terminou no domingo passado (19.Nov.23) elegendo um neófito politico, Javier Milei (foto lá em cima)para ocupar a cadeira máxima da Republica, nos próximos quatro anos. Membro e fundador de um partido nanico, La Libertad Avanza, sem apoio no Congresso. O eleito venceu fazendo um discurso revolucionário e tentando expressar a revolta do povão decepcionado e altamente frustrado com a velha esquerda, antiquada e fracassada. Não deu outra. Fez da sua voz um eco do protesto corriqueiro do povo. Com propostas audaciosas e, a meu ver, inexequíveis vai enfrentar desafios para debelar a inflação anual de 142% e 40% da população em estado de pobreza. Há de tratar da miséria que grassa na Argentina, fruto de um monstruoso estrago promovido pelo decadente peronismo/kirchnerismo. O “louco” Milei, como vem sendo chamado, é fruto concreto das irresponsabilidades politicas do passado recente. Terá que torcer para implantar suas ideias de campanha. Pessoalmente, tenho dúvidas atrozes quanto ao sucesso, apesar de constatar que, indiscutivelmente, já prestou um belo serviço à Nação ao alijar, democraticamente, a Família K com seu retrogrado e anacrônico peronismo. Depois disso tudo, só me resta desejar Boa Sorte aos Hermanos. NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Ronda Dirigida

Viver atualmente chega ser muitas vezes algo surpreendente. Esta semana tive uma experiência curiosa. Precisei adquirir determinado produto e dirigi-me, como mais comum, a um Shopping Center da cidade na certeza de fazer minha compra. Coisa bem simples e comum na vida moderna. Recomendado por um conhecido procurei determinada loja na qual, provavelmente, encontraria o que desejava. Para tanto, usei meu inseparável aparelho de telefonia móvel a fim de localizar a loja indicada e na certeza de que estava facilitando a busca e, inclusive, abreviando minha permanecia naquele moderno mercado. Cai na tolice, porém, de citar o tipo de mercadoria que buscava. Ah! Pra quê? Foi o bastante para começar a aparecer, no meu “arguto” celular, inúmeras indicações de outros estabelecimentos onde eu poderia encontrar o tal produto. Surpreso, com aquelas abordagens repentinas, parei para um cafezinho e calmamente comecei a avaliar o dinamismo do modo de vida atual. Na minha idade, com tantos quilômetros rodados, essa velocidade proporcionada pelo mundo da Tecnologia da Informação ainda causa muitas dessas surpresas. Leio sempre sobre esse tema, no entanto, ler é uma coisa, viver é outra bem distinta. Resultou que fiquei tendo dificuldade de escolher a loja mais próxima – o tal shopping é o maior da cidade e deveras movimentado – dado o numero de sugestões. Na verdade, antecipo que não sou contra esse avanço tecnológico ao nosso favor. Na minha condição de aposentado esse progresso representa um diferencial no viver melhor.
Divertido, porém foi que, a cada gole de café e consultando minha “bússola” eletrônica, deparei-me num site de noticias dando contas dos últimos resultados publicados pelo IBGE a respeito do mais recente levantamento da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios Continua - Tecnologia da Informação e Comunicação (PNAD), referente ao ano de 2022. O primeiro número, por si só, já é algo notável: 87,2% da população brasileira usa a internet como meio de se comunicar. A título de comparação registra-se que em 2016 não passava de 66,1%. A pesquisa toma com base a população de 10 anos e mais. Em 2021 o percentual conferido foi de 84,7%. Isso aponta para um provável crescimento daqui pra frente. Ressalte-se que, segundo os resultados colhidos, houve um aumento substancial no acesso à internet entre as pessoas de 60 anos ou mais. Em 2016 apenas um quarto deste extrato populacional usava a rede mundial e, agora, chega a dois terços. Ou seja, tem havido uma expansão do numero de idosos que aderem ao uso da Internet. Contudo, segundo a pesquisa em tela o maior número de usuários é na faixa entre 20 e 29 anos. Sem dúvidas a chegada do celular multifuncional e a sua tecnologia avançada provocou esse formidável aumento de usuários. Não é somente pesquisando local e preço de um produto que o consumidor se farta. A facilidade de realizar operações bancárias, falar a qualquer parte do mundo sem as dispendiosas tarifas telefônicas do passado, dispor de uma câmera fotográfica de excelente qualidade à mão, entre outros recursos, definitivamente atrai cada vez mais novas adesões. Outros números resultantes da pesquisa são interessantes e vale à pena destacar: os domicílios com utilização de internet subiram de 90% em 2021 para 91,5% em 2022. Pode parecer irrisório em termos relativos, mas são consideráveis em termos absolutos. Na área rural, o acesso à rede mundial cresceu de 74,7% para 78,1% no período pesquisado. Bem significativo. Algumas zonas rurais não contam com o serviço infraestrutural e reclama, dando sinais da necessidade em face dos progressos tecnológicos disponíveis a nível internacional. Por fim, vale atentar para os principais motivos que levam ao uso da internet no Brasil que começam pelas facilidades de conversar por chamadas de voz e vídeo, troca de informações em textos, voz ou imagem e assistir vídeos. Fora isto, o uso das redes sociais, ouvir músicas, rádios, ler jornais, noticias (meu caso nesta ocasião), revistas e livros são apontados como relevantes.
Um último destaque que faço é relacionado com as preferências de acesso à internet. Como esperado o celular está em primeiro lugar disparado com 98,9%, seguido pela Televisão (47,5%), computador (35,5%) e tablet (7,6%). Observe esse posicionamento preferencial pela Televisão. São formidáveis os aparelhos smart. Depois que adquiri dispositivos ditos inteligentes vivo me fartando com um numero interminável de canais de TV nacionais e estrangeiros, streamings de inúmeros gêneros, que tornam a vida mais divertida. Mas, uma coisa a mais me chamou atenção: parte da população não sabe fazer uso da rede mundial de comunicação. São 34% na área urbana e 26,4% na zona rural. As informações que li no café do shopping e transmito aos leitores neste post foram oportunas e ajudou-me a localizar a melhor loja e o melhor preço. Conclui minha Ronda Dirigida coloquei a mercadoria na sacola sai dando tratos a bola, imaginando no que poderá vir por aí. Sei que existem cabeças pensantes dedicadas exclusivamente no aprimoramento desses aparatos modernos aos quais nos tornamos escravos compulsivos. Deus me livre de ter meu celular distante da minha vista.

Confete e Serpentinas

E lá se foi mais um carnaval. Já curti muitos desses. Sempre achei que não existe festa melhor do que essa. No passado, quando chegava a qua...