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domingo, 2 de agosto de 2026
Tropeços Diplomáticos
Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com os quais o Brasil se relaciona. Foram experiências formidáveis e enriquecedoras na construção da minha carreira como Economista, tanto no serviço publico, como no meio empresarial, onde, por bom tempo, atuei como Consultor. No Serviço Público contribuí, no fim de carreira, como Coordenador de Cooperação Internacional da SUDENE e, após isto, prestando consultorias no setor privado, até bem recente. Certamente que estes antecedentes despertaram-me grande interesse pelos recentes tropeços diplomáticos envolvendo o Brasil com a Argentina e o Paraguai. Apreensivo, conferi que foram situações vexatórias e desafiadoras para os tempos que vivemos. Considerei como deplorável ver o presidente argentino, Javier Milei, sem cerimonia e respeito, desferir tantas “indelicadezas politicas” ao Presidente brasileiro e a um magistrado da Suprema Corte do Brasil. Por mais razões que possam ser narradas, nunca se espera de um mandatário estrangeiro - em visita ao país vizinho e amigo – dar aquele quase histérico de pronunciamento. Por outro lado e como se isto fosse pouco, nosso Presidente também teve seu momento de tropeço ao se referir de modo sem fundamento histórico ao vizinho Paraguai, num dos seus discursos semanais. Ambos os casos apontam para ausência total de um alinhamento politico-diplomático nas assessorias dos dois presidentes. Vá lá que eles não se liguem com acurados cuidados e se confiem nos seus improvisos, mas, a coisa não sai barata. Presidentes de Nações devem ter mínimos conhecimentos históricos do país que comanda e sempre respeitá-los. Aliás, vale refletir que é justamente nesses momentos que estadistas se distinguem de meros administradores de crises geradas por polarizações políticas. Enquanto estes respondem pelo presente, aqueles procuram preservar a Historia e o futuro. Esta tensão diplomática entre Brasil e Paraguai despertou, rapidamente, a atenção da opinião pública dos dois países. As manchetes destacaram declarações, protestos, consultas de embaixadores e manifestações oficiais. Ora, meu Deus, é natural que episódios dessa natureza provoquem inquietação, sobretudo envolvendo dois países vizinhos, ligados por uma extensa fronteira e por históricos interesses político-econômicos comuns. Brasil e Paraguai possuem uma convivência marcada por episódios dramáticos e, ao mesmo tempo, por extraordinários exemplos de cooperação. A Guerra da Tríplice Aliança, travada no século XIX, deixou cicatrizes profundas que jamais desapareceram completamente da memória coletiva dos paraguaios. Seria ingenuidade imaginar que um conflito daquela dimensão pudesse ser apagado pelo simples passar do tempo. A propósito disso, recordo de um episódio que vivi, num Seminário sobre (Sub)Desenvolvimento Regional, em Tóquio (Japão), quando , de certo modo. fui verbalmente agredido pelo representante paraguaio, criticando a presença de um representante do Brasil, país visto por ele como explorador e suficientemente desenvolvido. Ao mesmo tempo, contudo, seria igualmente injusto ignorar que, ao longo das últimas décadas, os dois países construíram uma relação baseada na integração econômica, na cooperação energética, Itaipu é um marco (Foto a seguir) dessa integração, no comércio, no combate aos crimes transnacionais e no fortalecimento do Mercosul.
A própria usina hidrelétrica de Itaipu simboliza essa realidade. Onde antes houve guerra, ergueu-se uma das maiores demonstrações de que antigos adversários podem substituir conflitos em desenvolvimento compartilhado. A energia produzida por Itaipu ilumina cidades, movimenta indústrias e demonstra que a cooperação costuma produzir resultados muito mais duradouros do que a confrontação. É inegável que Brasil e Paraguai possuem inúmeras razões para manter um relacionamento sólido. O comércio bilateral movimenta bilhões de dólares; milhares de famílias vivem nas regiões de fronteira; empresas, trabalhadores e estudantes transitam diariamente entre os dois países pela famosa Ponte da Amizade.Foto a seguir.
Creio que esses vínculos são mais fortes do que qualquer crise passageira ou tropeço de qualquer Chefe de Estado de plantão. Episódios como o recente devem servir menos para alimentar paixões e mais para recordar o verdadeiro sentido que é sustentado por um bom Corpo Diplomático. A Diplomacia existe justamente para administrar divergências antes que elas se transformem em conflitos maiores. A ela cabe, de modo atento, mostrar que as crises passam, a geografia permanece e a História continua. NOTA: Fotos ilustrativas obtidas no Google Imagens.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Rivalidades Infelizes
A Copa Mundial de Futebol-2026 terminou e, para multidões, deixou saudades. O certame encerrado no último fim de semana, envolvendo 48 representantes de países dos cinco continentes, foi recheado de muitas emoções, além de gratas revelações de novos valores no mundo da bola. De cara, lembro-me do sucesso de um neófito, Cabo Verde, que conseguiu conquistar torcedores entre “gregos! e “troianos”. Indiscutivelmente, poucos espetáculos esportivos despertam tanta paixão quanto uma Copa e um confronto futebolístico entre duas seleções de países. Até porque não se trata apenas de um festival de partidas de futebol, mas, também, um encontro de histórias, culturas, estilos de jogo e identidades nacionais que, ao longo de quase um século, construíram o maior espetáculo do esporte mundial. Porém, e como me referi na última postagem, é também oportunidade para manifestações de ferrenhas rivalidades entre nações que, ao final das contas. pouco contribuem para o espírito referencial de uma disputa esportiva. Nessas horas, fico chocado, por exemplo, com a rivalidade extrema que há entre argentinos e brasileiros. Nada mais curioso do que presenciar a vibração eloquente dos brasileiros diante da vitória dos espanhóis, no domingo passado. Após uma eletrizante partida decisiva entre argentinos e espanhóis, os europeus levaram a melhor e levantaram um retumbante OLÉ! dos brasileiros, de norte a sul do país. Dizem que existem razões de ambas as partes e que a coisa tem fortes raízes. Meu neto de seis anos já se tomou de fervorosa torcida contra os portenhos. Segundo ele todos os coleguinhas “odeiam” a seleção argentina. É até engraçado para um guri da idade que tem. Mas, acho que começou cedo. Nunca mais vai tolerar perder para os argentinos. E pensar que essa rivalidade produziu momentos inesquecíveis. De um lado, Pelé, Garrincha, Zico, Romário, Ronaldo e tantos outros talentos que fizeram do futebol brasileiro uma referência universal. Do outro, Di Stéfano, Maradona, Messi e uma sucessão de craques que marcaram profundamente a história do futebol argentino. São duas escolas que, sem dúvidas, contribuíram para transformar esse esporte em uma linguagem melhor compreendida em todos os continentes.
Rivalidades podem mesmo soar como saudáveis. Alimentam o interesse do público, elevam o nível das competições e criam histórias que atravessam gerações. O problema, contudo, surge quando a rivalidade deixa de ser uma disputa esportiva e passa a alimentar sentimentos de hostilidade, desprezo e até ódio pelo adversário.
Nos últimos anos, infelizmente, temos assistido ao crescimento desse fenômeno mundo afora e episódios maléficos se multiplicam com episódios de provocações que ultrapassam os limites do bom fair-play. Cânticos ofensivos, manifestações xenófobas, atitudes racistas, agressões entre torcedores e uma permanente tentativa de humilhar o adversário parecem, para alguns, fazer parte do espetáculo.
Nada mais degradante do que o espetáculo insano cometido pelo selecionado argentino, ao final da partida na qual foram derrotados pelo espanhol, dando as costas ao palco da solenidade de entrega da Taça Mundial e das medalhas de campões aos europeus. (Foto a segiur) Fico imaginando como seria caso o Brasil estivesse no lugar da Espanha. Fora esse comportamento abominável há de se registrar as agressões que deflagraram, depois do apito final, contra atletas espanhóis e sem motivos concretos. As criticas internacionais rolaram na imprensa do mundo e não condiz com a tradição e os costumes portenhos.
Conheço relativamente bem a Argentina e os argentinos e considero importante fazer uma distinção fundamental. Esses comportamentos não representam o povo argentino. Da mesma forma, quando brasileiros protagonizam episódios lamentáveis, eles também não representam o Brasil. Generalizações quase sempre são injustas e impedem uma análise equilibrada dos fatos.
Entretanto, seria igualmente um erro fingir que o problema não existe. Em diferentes ocasiões, atitudes de intolerância ganharam espaço dentro e fora dos estádios, comprometendo aquilo que o esporte tem de mais valioso: sua capacidade de aproximar pessoas.
A Copa do Mundo talvez seja o maior exemplo dessa vocação integradora. Durante algumas semanas, bilhões de pessoas acompanham os mesmos jogos, vibram pelas suas seleções, conhecem culturas diferentes e compartilham emoções comuns. É justamente por isso que entristece ver manifestações que transformam o adversário em inimigo. Ora, meu Deus, o adversário existe para ser respeitado. Sem ele, não há competição. Sem competição, não há vitória digna de celebração. A grandeza de um selecionado não está apenas em vencer, mas em reconhecer o valor de quem enfrentou.
Infelizmente, parte das torcidas parece ter substituído o prazer da vitória pelo prazer de humilhar. Em vez de celebrar os próprios méritos, muitos preferem medir sua felicidade pelo sofrimento do outro. Essa inversão de valores empobrece o esporte e revela algo mais profundo sobre o tempo em que vivemos. No caso do domingo passado, los hermanos não souberam valorizar o titulo de vice-campeões e nem souberam respeitar os campeões espanhóis. Resta-nos agora esperar por 2030 quando teremos uma nova Copa, que promete ser maior, mais vibrante e quiçá sem infelizes rivalidades. NOTA: Fotos ilustração colhidas no Google Imagens.
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Além da bola e dos gramados
Dizer que não sofri com a derrota da seleção seria mentira. Faz parte de um jogo articulado globalmente e, sendo filho de Deus, não consigo desligar. Principalmente vindo de uma geração que viveu tempos áureos do futebol brasileiro. Vi o Brasil ser pentacampeão pelos pés gloriosos de Pelé, Garrincha, Romário, Bebeto, Rivaldo, Sócrates, Zico, Branco, Ronaldo e Ronaldinho, entre outros tão marcantes quanto... Vendo os jogadores de hoje não sinto o mesmo entusiasmo do passado. Triste mas verdadeiro é pensar que na realidade não se trata de atletas que chamo “puro sangue”. Na maioria são atuantes em times europeus e que, na pratica, só pensam no estrelato e no afã de fazer fortunas. Vestir a camisa da canarinha não passa de um acidente de percurso. Não existe espirito de equipe, numa modalidade de esporte em que isto é uma exigência sine qua non. Acontece qeu o brasileiro de agora sonha com um hexacampeonato difícil de ser viabilizado enquanto houver, além da bola e dos gramados, interesses individuais, monetarização das ações e as interferências politicas maléficas. Nada mais prejudicial, por exemplo, do que a “cachorrada” dentro da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esta, ao invés de se ocupar nas ações visando ao sucesso de uma seleção brasileira, às vésperas de uma Copa Mundial, se ocupou numa treta interna, visando ao poder, que terminou judicializada, envolvendo, até, um magistrado da Suprema Corte, que sabidamente hoje é membro atuante no sistema da Confederação, conforme pude colher em informes de redes sociais. Não deu outra e o Brasil está fora da Super- Copa de 2026, para tristeza de uma nação que raramente se une em torno de uma ideia única.
Sofrendo as “dores” do torcedor frustrado e, por cima, tendo que consolar e explicar melhor a situação ao meu netinho, de seis anos, crente que o Brasil seria campeão, pus-me a analisar devagar - além da bola e dos gramados - o que explicava o sofrimento nacional desta segunda-feira, 6 de julho de 2026. Pudera! Não foi difícil fazer algumas inferências básicas: durante um mês, o planeta praticamente sincroniza seus relógios em torno de um único evento. Bilhões de pessoas acompanham os jogos, independentemente de idioma, religião ou ideologia. Acredito que seja o acontecimento de maior poder de mobilização social do mundo. Acho notável como a Copa desperta um sentimento raro de pertencimento coletivo. Pessoas de diferentes classes sociais, profissões e posições políticas vestem a mesma camisa. Ela fortalece identidades nacionais, aproxima famílias e amigos e cria memórias que atravessam gerações. Politicamente falando, os governos sabem que uma Copa é uma vitrine mundial. Sediar o torneio significa demonstrar capacidade de organização, infraestrutura, estabilidade e influência internacional. Não por acaso, muitos países utilizam grandes eventos esportivos para reforçar sua imagem externa. O Brasil não deixou por menos, promovendo uma Copa e Uma Olimpíada. Não foi fácil mas, aconteceu. Pensando na dimensão econômica, logo pensei que é indiscutível o fato de que poucos eventos movimentam tanto dinheiro, haja vistas às fabulosas vendas de ingressos, direitos de transmissão, patrocínios, transporte aéreo, turismo, hotelaria, restaurantes, transporte terrestre, publicidade, venda de produtos licenciados e apostas esportivas que, de modo quase articulado, geram uma cadeia econômica gigantesca, estimada (pela FIFA) em 80,0 Bilhões de Dólares. Outro dado expressivo é quanto à mobilização mundial. Segundo a FIFA, a audiência acumulada da Copa do Mundo alcança bilhões de espectadores ao redor do planeta, tornando-a um dos maiores produtos de entretenimento do mundo. Na Copa de 2022, por exemplo, os números publicados chegou a 5 Bilhões na grande parte do torneio. A partida final entre as seleções da Argentina e da França foi estimada em 1,5 Bilhão de pessoas em todo o mundo. Quase concluindo lembro que países, como o Brasil, ao atuarem como sedes do evento mundial amargam importantes questionamentos tais como os elevados custos nos investimentos públicos para sediar o torneio, a utilização futura dos estádios e o equilíbrio entre custos e benefícios para a população. Finalizando, ouso afirmar que uma Copa do Mundo de Futebol que dura apenas algumas semanas projeta efeitos que se rebatem muito além do apito final. Ela revela como os povos sonham, consomem, competem, cooperam e se enxergam. Não sou sociólogo, mas, vejo que a Copa não é apenas um campeonato de futebol, mas, também, um espelho da própria humanidade. NOTA: Foto ilustrativa colhida no Google Imagens
domingo, 28 de junho de 2026
Um país Destruido
A notícia do duplo terremoto que atingiu a Venezuela, no último dia 24, de 7,5 na escala Richter, despertou-me um sentimento diferente daquele experimentado pela maioria das pessoas que acompanharam o fato apenas pelos noticiários. Ao ver as imagens das cidades destruidas, não enxerguei apenas edifícios, ruas e praças. Vi lugares que conheci, pessoas com quem convivi e um país que marcou uma etapa importante da minha vida profissional.
Tive o privilégio de trabalhar na Venezuela, em duas oportunidades, a primeira como consultor internacional da OEA e Itamaraty, numa fundação de desenvolvimento regional, em Barquisimeto (estado Lara) e como consultor empresarial. A primeira por dois meses, no ano de 1987. E a segunda no ano 2000, já no Governo de Hugo Chávez, numa comitiva empresarial de Pernambuco liderada pelo Presidente da Federação das Industrias de Pernambuco – Fiepe, à época o Dr.Armando Monteiro Neto. Em 1987 tive tempo suficiente para conhecer um pouco mais da realidade venezuelana, muito além dos roteiros habituais de quem faz uma viagem rápida. Conheci profissionais competentes, trabalhadores dedicados e cidadãos orgulhosos de sua cultura e de sua história. A Fundación de Desarollo de la Región Centro-Occidental de Venezuela – FUDECO, onde ofereci meus conhecimentos profissionais é (ou era) uma entidade moldada ao formato da SUNENE, onde exerci a maior parte da minha vida profissional, razão pela qual fui convocado.
Hoje, não me canso de acompanhar as reportagens do recente duplo-terremoto e concluo que toda tragédia natural possui uma característica singular: ela nos lembra da nossa condição comum de seres humanos. Não distingue fronteiras, ideologias, religiões ou posições políticas. A força da natureza simplesmente nos mostra de forma dura e inequívoca que somos todos vulneráveis.
Recordo que a Venezuela já vinha enfrentando, há muitos anos, enormes desafios econômicos, sociais e políticos. Milhões de pessoas tiveram suas vidas profundamente afetadas por essa realidade. Um terremoto da magnitude do ocorrido representa mais um expressivo obstáculo para uma população que há muito convive com dificuldades.
Chocado com as imagens reportadas, lembro-me de um país de paisagens exuberantes, de gente cordial e de cidades dinâmicas. Guardo na memória, de modo inesquecível, o profissionalismo das pessoas com quem trabalhei, a gentileza no convívio diário e o orgulho que muitos demonstravam ao falar de sua terra. São essas lembranças que me vêm à mente quando vejo as notícias sobre o recente desastre.
Em momentos assim, vale a pena deixar de lado os debates políticos, que certamente têm seu espaço e sua importância. Antes de qualquer julgamento sobre governos ou modelos econômicos, existem famílias traumatizadas com as perdas de entes queridos, pessoas que perderam seus bens e comunidades inteiras mobilizadas para superar mais essa adversidade. Dados recentes dão contas de que 1.430 mortes já foram registradas. Além dessas perdas dolorosas, conta-se com 3.238 feridos, além de milhares desalojados. Como as equipes de resgates não param de trabalhar, esses números podem crescer.
Ao recordar minhas passagens pela Venezuela, percebo que as lembranças mais valiosas não são dos prédios ou das avenidas, mas das pessoas. São elas que dão sentido às cidades e que, mais uma vez, precisarão demonstrar coragem para reconstruir o que a natureza reduziu a pó.
Meu profundo desejo é de que o povo venezuelano encontre forças para superar mais este momento difícil. Que os trabalhos de resgate e reconstrução sejam bem-sucedidos e que prevaleçam a solidariedade, a esperança e a cooperação.
Quando a terra treme, as construções podem ruir. Mas as lembranças, a amizade entre os povos e a esperança de dias melhores permanecem firmes. São elas que sustentam a reconstrução, não apenas das cidades, mas também da confiança no futuro. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
sábado, 20 de junho de 2026
Um Gigante Incompetente
Diante da TV, acompanho a Copa Mundial de Futebol que rola nos gramados da América do Norte, o movimento no tabuleiro de xadrez da geopolítica se intensificando (Moscou foi bombardeada por drones ucranianos) e, aqui por perto, Brasília que segue se derretendo ao calor das continuas ondas de corrupção. Cansado e até impaciente, mudo de canal e procuro noticias melhores. Inútil. Talvez, mesmo, pior. De cara fico sabendo que o Brasil caiu mais no ranking de competitividade entre 70 países pesquisados. O International Institute for Management Developement (IMD), da Suiça, realiza anualmente um monitoramento de 70 países, incluindo o Brasil, comparando os desempenhos, medidos a partir de quatro referencias: desempenho econômico, eficiência do governo, eficiência empresarial e infraestrutura. No Brasil, a Fundação Dom Cabral é responsável pelo levantamento dos dados. Pois bem. Na recente pesquisa, ano 2026, o Brasil recuou sete posições, entre os 70 países trabalhados, ocupando a 65ª. posição, junto com Turquia, Nigéria, Namíbia, Venezuela e Paquistão. “Bem” acompanhado... Logo pensei que, por pouco, não ocupou a lanterna. Pelo retrovisor, vi que em 2025 o Brasil estava na 58ª. posição.
Embora não fosse surpresa, confesso que senti tristeza ao tomar conhecimento desse resultado. O que mais chama atenção dos analistas brasileiros é o fato de que o Brasil está caindo de posicionamento, muito embora seja uma das maiores economias do mundo em tamanho, riqueza natural e PIB. Só que o ranking em tela não mede riqueza acumulada e sim, a capacidade de um país transformar recursos disponíveis, instituições, educação, infraestrutura e eficiência econômica em prosperidade sustentável. Tanto é que no topo da lista se posicionam: Singapura, Hong Kong, Suiça, Dinamarca, Emirados Árabes, Taiwan, Irlanda, Suécia e Catar. Diante desse resultado, o que costuma impressionar os analistas é que países pequenos como Singapura, Suíça e Dinamarca aparecem no topo do ranking, enquanto economias muito maiores podem figurar na faixa intermediária ou nas últimas posições. (os Estados Unidos figura em decima posição). Isso reforça a ideia de que competitividade está mais ligada à qualidade das instituições e da gestão do que ao tamanho do território ou da população. No caso brasileiro, muitas são as razões apontadas, entre as quais se destacam: baixa produtividade, deficiências educacionais, burocracia excessiva, insegurança publica, infraestrutura insuficiente e insegurança jurídica e fiscal. Resultado é que, no dia-a-dia do brasileiro, se convive com produtos mais caros; menor crescimento econômico; baixas oportunidades para os jovens e dificuldade de financiar políticas sociais e previdenciárias. Em suma, o desafio brasileiro não é apenas crescer, mas crescer com eficiência. Até mesmo porque competitividade pode não ser um objetivo básico. Mais do que isto deve ser um instrumento para melhorar a vida das pessoas. Por isso, considero que se fala de um Gigante Incompetente. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
domingo, 14 de junho de 2026
Totens às suas Ordens
Há dez anos me surpreendi com a automação dos serviços aeroportuários em Sydney (Austrália) quando me preparando para embarcar num voo de volta ao Brasil. Tudo às ordens, sim senhor, mas através de totens inteligentes, espalhados pela estação de passageiros. Sabedor dessas modernidades mundo afora, ainda tive dúvidas diante da máquina e principalmente no tocante ao despacho da minha bagagem. Busquei um auxiliar da empresa aérea transportadora e foi o canto mais limpo. Necas de atendente. “Conversei” com calma com a máquina, fui em frente e entreguei a Deus. Tirei minha ficha de embarque e despachei minhas malas. Tudo correu bonitinho, mas, só descansei de verdade, quando vi minha bagagem aparecendo nas esteiras de Guarulhos. Hoje já vejo essas coisas por este meio mundo de cá com mais tranquilidade e hábito. Esta semana, contudo, recebi uma charge (vide foto ilustrativa, a seguir) que me chamou atenção para um fato real e preocupante. Milhões de casos que devem suceder no Brasil moderno.
Ocorre que, à medida que o tempo passa, a tecnologia avança e boa parte da população envelhece, instala-se um verdadeiro caos numa parcela, hoje representativa, dos brasileiros despreparados para viver as tais modernidades. Aeroportos, bancos, laboratórios médicos, clinicas, entidades governamentais, entre muitos outros, já se valem dessas máquinas inteligentes e que muitas vezes espantam o freguês. Por curiosidade fui conferir alguns números publicados pelo IBGE e tive a surpresa de conhecer números que muita gente desconhece, inclusive quem lida com politica social. Imagine que em 2025, o Brasil já contava com cerca de 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, um crescimento de quase 60% em relação a 2012, quando esse contingente era de 22,2 milhões. Noutro dado, que considero o mais impressionante, vi que o IBGE projeta que a população brasileira atingirá seu pico por volta de 2041 e depois começará a diminuir. Baseado nisto, pela primeira vez em sua história, o Brasil caminhará simultaneamente para o envelhecimento e para a redução do número de habitantes. Ai, meus amigos e amigas, a coisa se complica porque o desafio do Brasil na segunda metade do século XXI já não é administrar uma população básica e historicamente por jovens em rápido crescimento, mas preparar-se para uma sociedade mais madura, mais longeva e, futuramente, menos numerosa. Bom, pensando bem e como a fila anda, nessa época serão os atuais jovens que mandarão. E os longevos de hoje que se virem enquanto vida tiverem. NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens.
sexta-feira, 5 de junho de 2026
Tretas Prejudiciais
É desanimador acompanhar as tretas políticas brasileiras que se desenrolam a partir de Brasília, com sérios rebatimentos nas unidades da Federação. A inquietação é indiscutível. Pior ainda quando as coisas ultrapassam as fronteiras nacionais e mancha a soberania nacional. Desde meu ponto da observador, uma das coisas que mais me impressionam é constatar essa preocupante tendência de que os rumos do país dependam, em alguma medida, das preferencias, estratégias ou disputas politicas dos Estados Unidos. O retorno de Donald Trump à Casa Branca reacendeu esse fenômeno e trouxe novamente para o centro da política nacional uma espécie de dependência ideológica que pouco contribui para os interesses concretos do Brasil. Será que nossos políticos sintam-se, de fato, obrigados a “beijar as mãos” de Trump? Bom, não se trata de negar a importância dos Estados Unidos na economia mundial ou na trepidante geopolítica dos nossos tempos. Trata-se de questionar por que nossos principais protagonistas políticos insistem em importar discursos, conflitos e agendas produzidos em Washington, como se fossem respostas automáticas para os desafios brasileiros. E, não precisa ser dito, o Senhor Trump parece se divertir com o contexto. A cada dia surgem novidades nesse ambiente que, via de regra, aponta para desequilíbrio da balança dos relacionamentos internacionais brasileiros. Dias recentes, por exemplo, a ameaça Trumpista de uma nova onda de tarifaços extorsivos contra produtos brasileiros abalou meio mundo dos negócios nacionais. Na sequencia assistimos a disputa para descobrir o culpado politico dessa reação ianque que ultrapassou os limites da paciência de qualquer mente equilibrada. Para completar, Washington acaba de indicar um novo embaixador no Brasil, sem cumprir as formalidades diplomáticas vigentes de consulta previa, ampliando a sucessão de desencontros. Comenta-se, no Itamaraty, que o indicado, Daniel Pérez, (Deputado da Flórida), filho de imigrantes cubanos e com 38 anos de idade, é “peixe reluzente do aquário” de Marco Rubio, Secretário de Estado do Governo de Trump e que, em varias oportunidades mostrou sua má vontade com o Brasil. E isso, meu Deus, é verdadeira “pedra no sapato” de Lula que, com esse novo embaixador conta como certa uma intervenção direitista nas eleições presidenciais deste ano. Em meio a essa loucura, desnecessário frisar que o Brasil enfrenta problemas próprios e urgentes, tais como: crescimento econômico insuficiente, desigualdade social persistente, deficiências educacionais, violência urbana, dificuldades fiscais e a necessidade de aumentar sua competitividade internacional. Nenhuma dessas questões será resolvida via alinhamentos automáticos com qualquer governo estrangeiro. Por isso que, nas eleições presidenciais deste ano é fundamental que os brasileiros avaliem candidatos, propostas e projetos de país com base nos interesses nacionais. O eleitor não escolherá um representante dos Estados Unidos, nem decidirá os rumos da política norte-americana. O que está em jogo é o futuro do Brasil. Além do que, a soberania de uma nação não se mede apenas pela defesa de suas fronteiras. Ela também se expressa na capacidade de formular políticas independentes, definir prioridades próprias e resistir à tentação de transformar disputas externas em guerras culturais domésticas. O Brasil é grande demais para agir como satélite político de qualquer potência. Sua tradição diplomática sempre valorizou o pragmatismo, a autonomia e a busca de relações equilibradas com diferentes parceiros internacionais. Esse patrimônio não deve ser abandonado em nome de paixões ideológicas, sobremodo as importadas. A democracia brasileira será mais forte quanto menos depender de líderes estrangeiros como referência para suas escolhas. O desafio das eleições não é decidir quem está mais próximo de Trump ou de seus adversários. O verdadeiro desafio é escolher quem está mais preparado para enfrentar os problemas brasileiros. Resumindo a ópera, o Brasil só encontrará seu caminho de sucesso e prosperidade quando compreender que seu destino deve ser decidido em Brasília, nas capitais estaduais e nos municípios do país — jamais em Washington. NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens.
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