segunda-feira, 20 de abril de 2026

Vontade de voltar

Enquanto o mundo leva sustos diários nas mãos dos sedentos de poder manobrando peças sensíveis no tabuleiro da geopolítica mundial, corro para meu ambiente de paz, longe do asfixiante meio metropolitano e onde posso me infiltrar nas raízes do meu povo, da minha gente brejeira e alheia às maldades de alhures. Estou em Gravatá. Interior de Pernambuco (Brasil). Um lugar de paz, clima ameno serrano e onde habita um povo de coração puro e alma limpa que, sequer, pode imaginar o que uma guerra pode prejudicar sua própria vida. Eles ouvem falar de uma guerra, claro. Afinal, a moderna vida que desfila nas telas de televisão passa, fala do tema, mas, pouco atrai sua atenção. E todos têm seu moderno aparelho de TV. A casa pode estar caindo, mas sustenta a antena parabólica. Firme e forte. Para o interiorano, bom mesmo é estar assistindo ao futebol ou a novela das oito. Gosto de chegar perto dessa gente. É minha forma de sentir o pulsar real de uma Nação. Falo de Nação com N maiúsculo. Que significa um grupo de indivíduos que compartilham em comum língua, história, cultura, tradições e identidade. Busco sentir por aqui. É formidável ouvir do meu jardineiro o questionamento curioso e inocente ao me dizer “ouvi falar de uma guerra que está acontecendo lá no estrangeiro e não vão mais mandar farinha de trigo pra nós aqui! É verdade? Só penso no meu menino que adora comer pão”. Explicar o complexo esquema para ele foi missão delicada. Terminou deixando o gramado mal aparado. Na feira publica, as conversas são das mais enriquecedoras. Os traços culturais são vibrantes.
Nesta época do ano o matuto já está de olho no plantio do milho. Mês de junho se aproximando e a época de comer canjica e pamonha tem que estar garantida. A mocinha da banca de frutas me falou que já vão começar a ensaiar a dança da quadrilha, no sítio onde ela vive. “Tá todo mundo avexado, oxe!” Argumentei que ainda é mês de abril. “Eu gosto mais dos ensaios do que do dia da festa mesmo!”. Na verdade nos ensaios rolam climas de romance entre os pares e novas famílias são projetadas dando sequencia ao tudo que preserva as tradições e a cultura histórica.
Na realidade, são pessoas bem praticas. Plantam para comer. Vivem um dia-a-dia rotineiro e sem as preocupações que, nós outros, temos e vivemos a mercê das alucinações de Trump, Putin, Alexandre Morais ou Lula. Volto com vontade de voltar. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sábado, 28 de março de 2026

A Infeliz ideia da Reeleição

Num ano de eleições, como este de 2026, a dinâmica sócio-politico-econômico brasileira se desdobra em progressão geométrica e o cheiro de Democracia se pronuncia mais favorável. É a louca corrida eleitoral. E, neste ano, quando a instituição da reeleição se faz presente de modo expressivo, tais desdobramentos aumentam a cada dia, a cada hora. Na verdade o atual sistema eleitoral brasileiro é, em minha opinião, é um daqueles pontos que clamam dos nossos legisladores uma urgente reforma. Acho um verdadeiro absurdo que tenhamos de ir às urnas a cada dois anos. Num país pobre como o nosso é um desperdício indecente de custos financeiros (além de outros muitos) que se soma a cada oportunidade. Os montantes escandalosos de cada um dos chamados Fundos Eleitorais, por si só, já dão a imagem clara da extravagância. Por que não se processar uma eleição geral e num prazo civilizado? Pensando em prazo civilizado, aproveito para ir direto ao tema central que escolhi para esta conversa de hoje: Reeleição. Não vejo ideia mais infeliz do que essa. O que mais se vê é um cidadão eleito, de posse do cargo, se apaixonar pelo exercício do poder desde o primeiro momento e já começar disposto a se preparar para concorrer, quatro anos após, graças ao instituto da reeleição. Pronto! Nem desmonta o palanque! Tudo que faz é pensando naquilo. A maioria, de olhos nos votos dos idiotas, faz um teatro diário de “entregas” de obras inacabadas ou projetos mirabolantes arrematando com promessas de mundos e fundos. Tenha paciência. Sou dos que discordam da reeleição. Isso pode dar certo em outros mundos. Por aqui vem provando ser uma infeliz ideia. O atual sistema de reeleição data de 1997, época do Governo de Fernando Henrique Cardoso, um dos “defensores” da PEC 16/1997, que estabelecia a mudança. Foi uma época de entusiasmo após a queda do regime militar, o domínio da inflação e, enfim, um período em que se respirava liberdade e progresso. A aprovação da PEC foi rapidamente nas duas Casas do Congresso Nacional, após intenso debate e, para variar, denúncias de corrupção. Com a mudança abriu-se espaço para reeleição nos cargos de Presidente, Governadores e Prefeitos. As justificativas apresentadas eram de: a) permitir continuidade de projetos de governo e b) dar ao eleitor a chance de avaliar e renovar o mandato de um governante aprovado.
O próprio Fernando Henrique (FHC) não perdeu tempo e recandidatou-se surfando, sobretudo, no sucesso do Plano Real. Foi o primeiro reeleito. Anos depois, já fora do poder, ele próprio reconheceu, em entrevista, que “talvez a reeleição não tenha sido a melhor solução para o país”. Justificando esse seu posicionamento, ele apontou problemas que podem ocorrer, tais como, uso da máquina pública para cabalar votos; campanha permanente e, obviamente, obstáculo à alternância do poder. Contudo, contudo, é que há sempre oportunidades de se consertar um erro, assim como sempre existe mentes responsáveis para proceder ao conserto. Essa infeliz ideia, foi, não foi, encontra vozes combativas e corretoras. Tanto é que, já vi que uma PEC de No. 12/2022 se encontra em discussão no Senado Federal do Brasil prevendo o fim da reeleição para presidente, governadores e prefeitos, mandatos de cinco anos – algo razoável – e eleições gerais a cada cinco anos. O texto em discussão prevê que tudo começaria em 2034, após um período de transição. Espero viver até lá para testemunhar esse passo republicano no meu Brasil. Abaixo a infeliz ideia das reeleições. NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens e Publicada na Folha em 2011.

sábado, 21 de março de 2026

Fúria dos Machos

Tem sido frequente e, assustadoramente, crescentes os crimes de feminicídio mundo afora e particularmente no Brasil. Esta semana o país acompanha as chocantes reportagens do caso daquele Tenente-Coronel da Policia Militar paulista que assassinou a esposa, uma soldado da mesma policia em 18 de Fevereiro passado. O caso foi amplamente divulgado pela imprensa, sobretudo, após ao cair por terra a tese levantada pelo assassino de que se tratava de um suicídio. Desculpa descarada forjada com auxilio de companheiros corporativistas e advogados de defesa. Graças às desconfianças da família da vítima que, em bom tempo, moveram ações policiais e judiciais que levaram ao desbaratamento da farsa do suicídio. O corpo foi exumado deixando claro que a forma do disparo foi considerada incompatível com suicídio e lesões no corpo indicaram que houve agressões antes da morte. Diante dessas provas concretas o Tenente-Coronel foi preso preventivamente e o processo segue na Corte de Justiça. Se este caso chamou-me atenção, outro espantoso correu nas minhas barbas, aqui no Recife e no meu mesmo bairro. Pior porque com pessoa do meu parentesco, haja vistas ao sobrenome Brasileiro. Ela se chama Viviani Brasileiro. Não a conheço, mas, por óbvias razões fiquei ligado aos acontecimentos. Seu ex-marido, o cidadão de nome André Maia de Oliveira (48 anos e empresário da construção civil) insatisfeito com a separação, concretizada no inicio deste mês de março, deu inicio a uma série de perseguições e ameaças. Mais que depressa, Viviani procurou ajuda à Justiça e foi atendida com uma Medida Protetiva de praxe. Revoltado e desrespeitando os limites estabelecidos pela referida Medida, o cidadão Oliveira invadiu com um carro os portões do edifício residencial da ex-esposa (tudo filmado pelas câmaras de segurança do prédio) e munido de uma pistola de calibre 38 detonou 20 tiros nas portas de Viviani, ameaçando matá-la junto com a mãe dela, presente na ocasião. Um filho do casal de 7 anos também presenciou tudo. Mais do que isso, Oliveira avisava aos brados que trazia consigo um galão de combustível destinado a incendiar a casa. Pânico geral no edifício, polícia chamada e o marginal se escafedendo açodadamente. Dia seguinte a policia civil caiu em campo à busca do criminoso. Fiquei surpreso ao deparar-me, dois dias após, com a primeira pagina do Jornal do Commércio do Recife (dia 18/03/26) estampando a foto do sujeito como procurado (Foto a seguir).
Abalo geral na sociedade local, muito embora tantos casos se repitam nesta cidade e neste país sem Segurança e sem cidadãos de bom caráter. Resumindo a história, o criminoso resolveu se entregar à Policia Civil, onde teve a prisão preventiva efetuada indo parar no cárcere do Centro de Observação Criminológica e Triagem (COTEL), Região Metropolitana do Recife. O mais curioso, contudo, foi ver divulgadas as explicações do canalha ao afirmar que foi acometido de um surto psicótico ao assumir aquele ato violento. “Só fiz aquilo para assustar”. Tenha dó! É subestimar a inteligência coletiva. O cara enche um galão de combustível, assume a direção de um veículo, empunha uma arma de fogo, arromba um portão de segurança de um prédio, detona 20 tiros nas portas da ex-esposa e vem querer convencer a policia e a opinião pública que foi acometido de um surto psicótico! Só sendo bandido, mesmo. Completou com uma ridícula explicação de que só queria mesmo assustar a ex-mulher! Francamente. O bom mesmo é que não conseguiu matar Viviani. Essa era de fato a intenção. Ninguém caia nessa conversa mole de assustar. Até quando, finalmente, vamos ter que conviver com essas absurdas formas de convivência (anti)social? Onde erramos? Que sociedade é essa que construímos? Onde estão as autoridades desta Nação que não acertam com os caminhos de preparação dos cidadãos e cidadãs do futuro? Como pai de família e olhando meus netos, sinto forte sensação de preocupação e perplexidade. Estes dois casos que relatei são apenas exemplos gritantes e recentes. Melhor observando, com frequência assustadora esses crimes se repetem aqui e alhures. Ironicamente, no mês da Mulher neste 2026, o saldo promete ser tenebroso. Acabemos com a fúria do machos!NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Tenebroso Ano Novo

Fui até conferir no dicionário, para ter certeza de que tenebroso seria um titulo adequado para uma postagem. Acredito que sim. Pode significar, entre outras coisas, sombrio, assustador, sinistro, medonho e por aí vai. Se o ano passado causou alguns grandes pânicos, 2026 está mostrando que muita coisa assustadora vai rolar. Pensando bem, já rolam. É desse modo que venho entendendo 2026. Inicialmente, eu havia decidido entrar em recesso e voltar quando o ano começa no Brasil, isto é, depois do carnaval. Coisa de brasileiro, o país do jeitinho. Tem nada mais relaxante do que isso? Brincar, beber, curtir um frevo ou um samba e entrar num novo ano somente em Março. Coisa que só brasileiros entende. Entrementes, lá fora, o ano corre sem parar e muito rápido. Aliás, abrindo um “parêntesis” recordo que, nas minhas priscas eras de estudos da História e da Filosofia, tomei conhecimento que o ano na Roma Antiga começava mesmo em Março e só tinha 304 dias. Foi o Rei Numa Pompílio (segundo Rei de Roma e substituto de Rômulo entre 715 e 673 a. C.) que acrescentou os meses Januarius e Februarius. Depois, o Imperador Júlio César, no Ano 46 a. C., querendo deixar sua marca imperial, fez um retoque e criou o que se chama de Calendário Juliano, conservado até hoje com 365 dias. Sem esquecer que , a Lua e o Sol regeram todas essas coisas. É assunto para outra hora porque meu assunto, hoje, é outro. Já dei entender, não tem sido fácil viver este 2026. Não sei você caro leitor ou leitora... A rigor, pauta não me faltou, desde o principio de “Januarius”. O frevo rolou nos carnavais de Recife e Olinda em “Februarius” e, por aqui, relaxei postando-me como espectador dos acontecimentos alhures. Nos primeiros momentos surpreendi-me com o processo e depois com a operação Trumpista que resultou no assalto e captura de Nicolás Madura e sua esposa, em Caracas, Venezuela. Uma operação rápida e, digamos, aos moldes de Hollywood. Cirúrgica! Fiquei pasmo, porém, ao mesmo tempo, satisfeito com o resultado face aos sofrimentos que o Ditador sanguinário impôs a um povo nobre e varonil como os irmãos venezuelanos que, por sinal, conheço de perto. Estive por motivos profissionais, por duas vezes, na Venezuela. Conheci o país vizinho em dois momentos marcantes. Durante a democracia combatida pelos esquerdistas inocentes que inflaram o líder Hugo Chávez empurrando-o ao posto de presidente da Republica. Depois estive lá, durante o governo do mesmo Chávez. Formei uma opinião in loco do que poderia acontecer. E aconteceu. Acompanhei a nefasta trajetória que terminou levando o país à miséria. Os que reuniam condições financeiras logo se safaram do horror instalado e deram o fora. Os menos afortunados vasaram pelas fronteiras do país e foram parar nas ruas de cidades brasileiras, colombianas e peruanas. Aqui no Recife, temos, até hoje, muitas famílias pedintes venezuelanas mendigando e dormindo maltrapilhos debaixo de marquises ou abrigos improvisados. Estima-se que 8,6 Milhões de venezuelanos deixaram o país. (Vide foto a seguir).
Mas a sede de Trump, Presidente dos Estados Unidos, assumindo o papel de “Xerife Mundial” não parou por aí. Além de capturar Maduro, deu continuidade à série de investidas que abalaram e continuam abalando a paz mundial. Nessa jornada, insistiu na anexação da Groenlândia ao seu país, ameaçou a Colômbia, o México, o Panamá entre outros, além de detonar “delicados recados” à China e Rússia. Sem esquecer o programa de tarifaços impostos a meio-mundo desorganizando as correntes comerciais existentes e ameaçando um caos em incontáveis pontos do Planeta. Falo de uma matéria amplamente conhecida e debatida que me deixa dispensado de desenvolver. Ainda em 2025 detonou ataques a alvos, no Irã, fazendo o mundo estremecer, visto que referidos alvos eram instalações nucleares dos iranianos. Aquilo, meu Deus, não passou de uma pré-estreia do que hoje vem acontecendo – ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã – que tem deixado o mundo estarrecido dada as proporções alcançadas e prometidas. O Trump já vem avisando que a guerra que empreende no Médio Oriente, em conjunto com Israel, não tem prazo programado para terminar. Os atingidos, por seu turno, não recuam, ainda que muitas das suas lideranças hajam sido aniquiladas, incluído o Aiatolá Supremo e revidam bombardeando muitos pontos estratégicos dos americanos e israelenses em toda região. Tudo, por sinal, bem divulgado e visto ao vivo e a cores. Como o Brasil não passa incólume nesse contexto conflagrado, o ano é ou não é um ano tenebroso?. Ocorre que, mesmo antes do carnaval, durante e agora, nossa “máquina moedora” de Brasília anda estraçalhando os juízos dos brasileiros responsáveis e vem produzindo costumeiros escândalos de corrupção que deixam carecas, como no meu caso, de orelhas em pé (se tivessem cabelos seriam estes). Tem nada mais escandaloso do que esses casos expostos pela CPMI do INSS e a “explosão” do Banco Master envolvendo eminentes figuras do primeiríssimo escalão da Republica. Tenha dó.
Esta República de Pindorama parece mais um tecido esgarçado sem condições de remendo. Mas, mas, como este tenebroso ano é ano de eleições fico desejando que o pobre e ingênuo eleitor brasileiro saiba como votar. Vamos esperar que 2026 fique melhorzinho, ao menos nas nossas bandas. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

FIM DE ANO

2025 chega ao fim. Para mim foi um ano que passou muito rápido. Quem sabe estive sempre muito ocupado com afazeres de rotina e uma longa viagem no meio. De todo modo, sinto que o tempo de hoje parece ser mais apressado. Por outro lado e no geral, considero que não foi um ano de todo tranquilo haja vista para tantos conflitos apreensivos espalhadas no meio do mundo. A geopolítica reinante tem sido muitas vezes asfixiante. Guerras entre nações, abalos políticos entre aspirantes ao domínio universal, a polarização política nacional, a insegurança reinante em diferentes latitudes e a frequente expectativa de noticias bombástica a cada manhã fizeram parte desses últimos 365 dias. Ao encerrarmos mais um ano, deixo aqui meus sinceros agradecimentos aos leitores e leitoras que me acompanham por este espaço eletronico. O ano termina, mas os desafios permanecem. Seguirei escrevendo, informando, questionando e registrando o que muitos preferem silenciar. Desse modo, em 2026 o Blog do GB continuará com a mesma independência e responsabilidade assumidas desde 2007. Para garantir meu sucesso espero contar com as costumeiras visitas e comentários de vocês. Gratidão é a palavra adequada, para o momento. FELIZ NATAL DE 2025 e o desejo de que 2026 VENHA PLENO DE PAZ E PROSPERIDADE NOTA: A ilustração foi colhida no Google Imagens.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Terras Raras

Em 2017 tratei aqui no Blog de um tema que resultou numa surpresa para muitos leitores. Falo da postagem intitulada de A Encrenca da Renca, na qual repercuti um assunto ligado à decisão desastrosa do Governo brasileiro, à época, extinguindo a Reserva Nacional do Cobre e Associados – RENCA (leia em https://gbraziliro.blogspot.com/2017/09/a-encrenca-da-renca.html ). A meu ver, o assunto gerou alguns poucos debates, em nível nacional. É curioso como poucas pessoas e particularmente especialistas no assunto não deram a importância devida. Talvez faltasse espaço ou oportunidade adequada. Na referida postagem dei minha contribuição de alerta para o erro que se cometia. O assunto abrangeu um tema que pouco se explorava na ocasião, sobre as Terras Raras. O Brasil era governado por Michel Temer, que assumiu o governo em 31/08/16, após o impeachment de Dilma Roussef. Era uma época turbulenta, quando o Brasil tentava acertar os passos. O assunto, conforme falei acima, caiu no esquecimento. Lamentável. Recentemente, porém, o tema voltou a ser discutido a partir de uma série de reportagens na Folha de São Paulo sobre minerais críticos, incluindo Terras Raras como parte da pauta. Devido às repercussões e as severas criticas publicadas, algo de novo pode acontecer. Curioso nessa passagem foi que, entre outras notícias, o Brasil se surpreendeu com umas declarações do digníssimo Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, afirmando que não sabia o que era Terra Rara. Como cidadão comum e sem uma formação pertinente, até se tolera. Mas, como Presidente da República, digamos que foi imperdoável. Em 29 de agosto passado, ele disse: “eu nunca tinha ouvido falar nisso (terras raras). De repente aparecem os caras lá falando: ”não porque os minerais críticos...” Eu nem sabia que mineral falava, como ele é critico?“ Indiscutivelmente um infeliz discurso. Onde estavam seus assessores? Seus ministros da área? Claro que causou uma repercussão negativa internacional.
A propósito do assunto andei conversando com um especialista dessa área, detentor de longa história a contar, o Químico Industrial (com atribuições Tecnológicas), o paulista José Carlos Lucena que se revelou surpreso com a situação. Lucena foi Superintendente da Empresa da Orquima Indústrias Químicas Reunidas S. A. em São Paulo. Na nossa conversa ele foi categórico em afirmar “poucos sabem, incluindo autoridades do atual governo, que o Brasil já possuiu uma empresa pioneira e inovadora, a maior – única na América Latina – que produzia e exportava compostos de terras raras”. Segundo Lucena, um grupo de judeus europeus refugiando-se dos horrores da Segunda Grande Guerra, em 1940, naturalizados brasileiros, fundaram, em São Paulo, a referida empresa com o objetivo de extrair, processar e comercializar minerais pesados da costa brasileira. Minerais que, bem antes, eram colhidos de modo primário e, obviamente, eivado de interesses piratas, enviados à Europa e Estados Unidos como lastros de navios. Vejam só que assalto! Segundo consta, o objetivo inicial era obter tório das areias monazíticas usados na fabricação de camisas incandescentes de lampiões que iluminava ruas e residências. Com o passar do tempo, a coisa evoluiu e o que se obtinha eram tório e urânio, elementos importantes para fins nucleares. Uma riqueza fantástica à flor da terra, entre localidades no sul da Bahia (região de Prado), Espirito Santo e Norte do Estado do Rio de Janeiro. Ciente da riqueza nacional o Governo brasileiro, na década de 1940, proibiu as explorações e contrabando desses minerais, principalmente a monazita. A Orquima foi a pioneira na exploração e beneficiamento, das terras raras brasileiras. Segundo Lucena, os minérios obtidos não tinham muita aplicação no mercado nacional. Graças a competência da equipe técnica da empresa terminou colaborando com as indústrias cerâmicas, de tintas, indústria ótica, fundições e até açucareira, entre muitas outras. Em tempo, lembro que Lucena me informou que são chamadas de Terras Raras não por serem raras na natureza, mas sim por serem de difícil separação. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, ficando atrás apenas da China que hoje se consolida no domínio sobre terras raras/minerais críticos sem concorrentes no horizonte. É duro saber que o Brasil já foi referência na indústria de terras raras mas, por descuido dos governos perdeu o fôlego. E pelo visto, as perspectivas são desanimadoras. O químico e pesquisador há décadas, Gilberto Fernandes de Sá (Professor da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE) afirma que o Brasil se descuidou do setor de terras raras desde a década de 1960. Ele defende que ao invés do Brasil firmar acordos com os Estados Unidos, deveria buscar parcerias com os chineses, que já dominam alta tecnologia para separação e refino de terras raras. Concluindo, faço um registro importante, que bem pode dizer do fracasso do Brasil nessa área estratégica: a Orquima foi estatizada na época do regime militar passando a se chamar Administração da Produção da Monazita (APM) diretamente ligada ao Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Nem vou tecer comentários. Deixo por conta do leitor ou leitora. Sei, apenas, que atualmente o Brasil exporta matérias-primas ou em estágio primário, enquanto o processamento e alto valor agregado das terras raras ficam no exterior. Pobre Brasil! NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Belemzada

Lembro-me bem que, num primeiro momento, aplaudi a realização dessa COP 30, aqui no Brasil, independente do local escolhido. Aos poucos e ao acompanhar o processo preparatório, na cidade de Belém, capital do estado do Pará, situada na foz do Amazonas, comecei a temer sobre o sucesso do evento, dadas as dificuldades naturais da localização. Como de se esperar, essas dificuldades foram logo diagnosticadas e alertadas ao grande público, nacional e internacional. Ora, conheço Belém, onde estive várias vezes. Fui inclusive numa ocasião das comemorações do Círio de Nazaré. Lembro bem das condições locais e que segundo notícias veiculadas não se modificaram o suficiente. Com o passar dos dias e as crescentes criticas à incapacidade da cidade de receber evento de tal magnitude e atraindo sempre tantas comitivas estrangeiras, passei a temer e duvidar do sucesso brasileiro ao final do certame. O que se viu foi a falta de hospedagens, preços inflacionados, receptivos frágeis, entre outros fatores negativos listados. As soluções encontradas e operacionalizadas tampouco atenderam. Navios transatlânticos ancorados ao largo da cidade para servir de hotel, casas residenciais postas a aluguéis escorchantes, o próprio presidente da Republica valendo-se de locar um iate de luxo para se hospedar, enfim, um quadro nada satisfatório para quem conhece e já participou desse tipo de encontro internacional. Tenho conhecidos que se aventuraram nessa onda e se deram insatisfeitos.
O tema em si podia mesmo justificar essa localização, afinal a Amazônia está sempre na pauta desses encontros anuais, mas, ficou provado que a região não ofereceu condições adequadas para comportar as levas de cientistas e políticos envolvidos na questão mundial do clima e do meio-ambiente. – Interessante que, no meio dessas incertezas, lembrei-me das passadas megalomanias petistas quando trouxeram para o Brasil outros dois eventos internacionais que foram a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, que só geraram fantásticas somas de investimentos, sem que os resultados hajam sidos os esperados. Nessa COP de Belém lá se foram R$ 700,0 Bilhões de investimentos. Cá pra nós, uma extravagância, para um país tão apertado financeiramente para outras frentes carentes como Saúde, Habitação e Segurança. – Mas, bem ou mal a COP 30 teve lugar em Belém e pronto! Os resultados são muito discutíveis. E as reações dos participantes disseram muito bem da insatisfação e dos desconfortos sofridos. A opinião do Chanceler Alemão, por exemplo, foi emblemática, ao criticar as condições precárias da capital paraense e reforçar dizendo da satisfação que teve de retornar ao seu país. “ninguém gostaria de ficar no Brasil”. E, olha que, ele passou apenas dois dias no evento. Outro caso de repercussão internacional foi relativo às precárias instalações que culminaram até, com um incêndio na Blue Zone (local central das negociações). Acidentes acontecem. É verdade. Mas, o que ficou registrado foi que faltou segurança para as comitivas trabalharem. O fogo foi logo debelado, poucas pessoas foram prejudicadas, mas, a notícia correu o mundo. E, muita gente, em Brasília, foi apanhada de calças curtas. A ONU (promotora central do evento) exigiu/providenciou solução provisória e devolveu o problema para a organização brasileira. Problemas à parte, há de se perguntar sobre os resultados concretos. O que restou dessa “Belemzada”? Na verdade, verdadeira, foram bem poucos. Entre os mais visíveis sabe-se que: a) faltou ser delinear um plano formal para eliminação dos combustíveis fósseis. O texto final do Encontro não traz nada nesse sentido; b) o texto final reconhece que será difícil manter a meta de redução do clima em 1,5ºC como proposto noutras ocasiões; c) Financiamento insuficiente e incerto. Os possíveis financiadores ainda não estabeleceram metas de contribuições em face das demandas dos países vulneráveis; d) poucas possibilidades de redução do desmatamento, embora o Brasil haja se empenhado em defender o Forest and Climate Roadmap. (Mapa do Caminho). Ou seja, foram resultados pífios, no final das contas. Para um grande público participante ou externo ao Evento o que ocorreu em Belém serviu tão somente para confirmar uma preocupação global e mais do que sabida das dificuldades climáticas que o planeta apresenta de modo, cada vez mais, desafiador. E nada mais! Belém, Belém, Belém... Foi uma oportunidade preciosa e mal aproveitada.

Vontade de voltar

Enquanto o mundo leva sustos diários nas mãos dos sedentos de poder manobrando peças sensíveis no tabuleiro da geopolítica mundial, corro pa...