sábado, 23 de maio de 2026

Povão Patriota

Sou católico. Diria, mesmo, que praticante. Todo dia 22 de maio tenho a devoção de render louvores à Santa Rita de Cássia, da qual sou devoto, numa Igreja localizada no centro de comércio grossista e popular no bairro de São José, no Recife. A região é antiga, de ruas estreitas e históricas, tendo como coração pulsante o Mercado de São José, uma magnifica construção, inaugurado em 1875, sendo o primeiro edifício construído em ferro no Brasil. Suas linhas arquitetônicas foram inspiradas no Mercado de Grenelle, em Paris. É uma beleza arquitetônica formidável. Mas, é assunto para outra ocasião. Como falei no inicio dirigi-me à igreja de Santa Rita, caminhando por ruas estreitas, apinhadas de gente numa animação fora do comum. Ruas cobertas de verde-amarelo, lojas, barracas e ambulantes portando a bandeira nacional em todo tipo de vestimentas, sacolas, bonés, cintos e sandálias, além de adereços dos mais variados. Animação geral. A freguesia já volta pra casa fantasiada de Brasil. Clima de Copa do Mundo. É a explicação. Todo mundo desejando o hexa, colando figurinhas no Álbum da Copa e trocando as duplicatas disponíveis. Chegar à Igreja foi quase um périplo. Não precisa dizer dos cuidados com os donos do alheio. Fui de bermudas, camiseta, boné e óculos escuros. Calçando um tênis velho. Escondido? Não! Cuidando da vida e dos meus pertences.
Não há como negar, além da devoção um grande divertimento. Gosto, por vezes, meter-me no meio do povão para sentir o latejar da Nação. E, no caso de hoje, vi um expressivo Povão Patriota. Até a alma. Aliás, sempre me entusiasmo com o sentimento nacional, que aflora na população, toda ocasião de uma Copa do Mundo. Temos uma história bonita nesse âmbito desde 1958 até o ano do Penta Campeonato em 2002. Claro que há muito oportunismo comercial, mas, não deixa de ser formidável o engajamento da população no bloco da torcida pela Canarinha, nos gramados mundo afora. É de se destacar que hastear a bandeira nacional, em casa ou sair ostentando pelas ruas, não é um hábito do brasileiro. Muito longe da admiração do norte-americano. Em Tio Sam é muito comum avistarmos a bandeira nacional tremulando em edifícios comerciais das grandes avenidas ou em simples casa de bairro. É notável o amor daquela gente ao pavilhão nacional, sempre reverenciado com respeito e muita honra. Não sei até onde vai o amor e respeito do brasileiro ao pendão auriverde da Ordem e Progresso. Duvido muito. Lembro que, outro dia, recebi um vídeo no qual flagraram três garis usando um pavilhão nacional como acumulador de lixo colhido nas ruas do Rio de Janeiro após uma manifestação do dia do Trabalho. Foi motivo de revolta para um transeunte que, apressado, instalou um bate-boca de civilidade. Os garis queriam ter razão afirmando “quem jogou a bandeira no lixo é que deve ser culpado”.
Não voltei ao mercado popular no fim desta sexta-feira mas, desconfio que muito verde/amarelo restou na bagulheira das ruas do bairro de São José. Tudo isso é a falta que faz de um cuidado com a Educação moral e cívica neste país. A meninada deve aprender de novinho a cantar o hino e a respeitar a bandeira. Senão vão terminar varrendo a bandeira na boca do lixo Acorda Brasil. Como não dá para corrigir de repente vamos, pelo menos, torcer e esperar pelo Hexa. Ah! E pedir aa intercessão de Santa Rita de Cassia ao Deus Pai, que é brasileiro, pelo sucesso da nossa seleção. Nota: Fotos obtidas no Google Imagens.

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