sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Chegando para Ficar
Cansei de acompanhar as “futricas” politicas. Dei um tempo, inclusive, de postar meus artigos deste gênero. Um desgosto sem limites. Contudo, tenho estado atento para outro tema que vem sendo amplamente discutido e repercutido por todo lado. Aqui e alhures. Refiro-me à onda avassaladora da Inteligência Artificial (AI). Notei, inclusive, que foi destaque da pauta da reunião inaugural da Assembleia Geral da ONU, realizada quarta-feira (23), em Nova York. Já não se trata de uma promessa futurista. É a realidade, anunciando que o futuro chegou. E chegou pra ficar. Estamos diante de uma desafiante revolução tecnológica que já tomou conta das atividades humanas de forma invasiva e, ao mesmo tempo, indispensável. Chega ser assustador em certos aspectos. Analisando a miúde, muitas são as vantagens da sua utilização, assim como muitos são os riscos que decorrem do seu uso inescrupuloso. Uma pergunta me ocorre, de cara: até onde a inteligência artificial pode chegar?
Ligado no tema procurei levantar, entre muitas opiniões publicadas, quais os mais importantes benefícios oferecidos pela ferramenta e consegui listar coisas concretas que, abertamente, fazem parte corriqueira das atividades humanas. Vejamos: a) funciona como fabuloso apoio ao diagnóstico e à pesquisa médica, além da descoberta de novos medicamentos; b) automação de tarefas repetitivas; c) tradução e comunicação entre idiomas; d) análise de grandes volumes de informações; e) decisivo apoio à ciência e à inovação; f) facilitação do acesso ao conhecimento, entre muitos outros. Tudo isso, de fato, é de inegável contribuição. Contudo, uma ressalva me ocorre registrar: ganho de produtividade nessa velocidade significa imediato ganho de bem-estar social? Quem se beneficia desses ganhos? Eis aí uma das mais desafiantes questões politicas. Afinal, mandará mais quem mais dominar a AI. Eis aí uma questão complexa para esse mundo de disputas acirradas pela liderança geopolítica mundial. Ao mesmo tempo em que levantei os benefícios, apressei-me em listar opiniões a respeitos dos possíveis riscos que se corre em viver num mundo aonde a AI chega a invadir camadas sociais das mais diferentes matizes. Pois bem. Vi de pronto que é aí onde a situação se mostra mais desafiadora. De forma concreta podem ocorrer, de imediato, coisas do tipo: a) substituição ou transformação de profissões; b) concentração de poder tecnológico nas mãos de poucas empresas ou poucos países; c) utilização da ferramenta para manipulação e desinformação; d) produção de imagens, vídeos e textos falsos cada vez mais convincentes; e) perda de privacidade; f) utilização de algoritmos em decisões que afetam diretamente pessoas; g) dependência excessiva da tecnologia; h) possibilidade de erros cometidos por sistemas apresentados como se fossem infalíveis, entre muitos outros tipos de riscos. Para completar, considero que um risco que se mostra deveras preocupante é o da terceirização do pensamento. Imagine se o individuo passa a perguntar à maquina o que deve ler, pensar, ouvir, escrever, escolher e, sei lá, decidir. Meu Deus! O cara pode até ganhar eficiência, mas, perde, paradoxalmente, sua capacidade intelectual. É uma situação preocupante. A humanidade criou uma ferramenta extraordinariamente poderosa. O desafio agora é impedir que a busca por eficiência, lucro ou poder faça com que a sociedade entregue à máquina decisões que deveriam continuar submetidas ao julgamento humano. Sinceramente, tenho medo. O mundo está cheio de maldades. Por exemplo, a IA pode diagnosticar uma doença, mas quem responde pela decisão médica? Pode produzir uma notícia, mas quem garante que ela é verdadeira? Pode auxiliar um juiz, um governante ou uma empresa, mas quem será responsável quando a máquina errar? Eis ai o que temos pela frente. NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens.
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Supremo Desalento
Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) na qual seria discutida a possibilidade de julgamento de um dos seus membros, apontado como cumplice e integrante de uma quadrilha de corruptos sob o comando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro (ex- Banco Master). A revolta exposta no post da semana passada era meu combustível. Postei-me diante da TV e acompanhei a sessão que, aos poucos, revelou-se como uma farsa indecente e vergonhosa, em se tratando da mais alta Corte de Justiça do país. Decepcionado, confesso que terminei o dia com um sentimento difícil de esconder: indignação. Não pela existência de divergências entre ministros. Até porque divergir é próprio de uma Corte. Não pela existência de votos diferentes. Afinal o contraditório é indispensável à Justiça. O que me incomodou profundamente foi outra coisa: a maneira como algumas divergências foram colocadas. Ora, ora, o Supremo Tribunal Federal não é um palco qualquer. É a mais alta Corte de Justiça do país. Uma coisa básica e aparentemente esquecida por aqueles senhores e senhora togados naquele recinto. Na minha cabeça e de meio mundo, são pessoas que ocupam posições que exigem, além de conhecimento jurídico, uma responsabilidade institucional extraordinária. Espera-se deles serenidade, equilíbrio, respeito recíproco e, sobretudo, decoro. Justamente o que, a meu ver, pareceu faltar em determinados momentos daquela sessão, vista e transmitida para o povo brasileiro, ávido por um desfecho moralmente correto e republicano no seu próprio conteúdo. Curiosos de como o próprio presidente da Corte, ministro Edson Fachin, ao abrir os trabalhos, fez um apelo por “sensatez, decoro e serenidade”. Não poderia haver advertência mais significativa. Porém, por que se lembrar de decoro, que na base da civilidade é obvio e desnecessário ser sublinhado? Previa ou já se preparava para tantas “pedradas” prometidas? Pobre Presidente. Não deu outra. Mostrou-se um fraquíssimo líder. No decorrer da sessão o que veio foi um plenário marcado por interrupções descabíeis, acusações e confrontos pessoais entre integrantes, de modo escancarado e acredito que inédito. Como cidadão cumpridor dos meus deveres e obrigações sócio-políticas logo conclui que estávamos diante de uma ensaiada “ópera bufa” tentando transformar a plateia - o povo brasileiro - numa nação de alienados. Alto lá! Senhoras e Senhores, o cidadão comum pode até não compreender todos os detalhes jurídicos de uma petição de uma investigação ou de uma questão de ordem. Mas compreende perfeitamente quando pessoas investidas de enorme poder começam a se tratar publicamente de maneira incompatível com a dignidade do cargo que ocupam. È nisto que está, para mim, o ponto central. Quando ministros do Supremo entram em confronto diante de milhões de brasileiros, o problema deixa de ser apenas deles. Atinge a imagem da Corte. E quando a imagem da Corte se deteriora, deteriora-se também algo muito mais importante: a confiança da sociedade nas instituições. Não estou dizendo que ministros não possam ser criticados. Ao contrário. Ninguém está acima da crítica — muito menos aqueles que exercem uma parcela tão extraordinária do poder do Estado. Mas justamente por isso é preciso cobrar deles aquilo que se cobra de qualquer instituição que pretenda ser respeitada: limites, equilíbrio, responsabilidade e respeito. O mais lamentável é que o Brasil já vive uma época de profunda divisão política e institucional. O cidadão está cansado de conflitos permanentes, de acusações cruzadas e de disputas pelo poder. Precisávamos que o Supremo fosse uma referência de equilíbrio. Precisávamos olhar para aquela Corte e pensar: ali estão homens e mulheres capazes de discordar profundamente sem transformar a divergência em confronto pessoal. Infelizmente vi justamente ao contrário naquela sessão histórica. É muito preocupante! Um país não se perde apenas quando suas instituições deixam de funcionar. Ele também começa a se perder quando as instituições continuam funcionando formalmente, mas deixam de inspirar confiança. O que assisti, ontem, foi degradante. Afundei no meu sofá e perguntei aos meus botões: Quem julga os julgadores quando eles próprios deixam de oferecer à sociedade o exemplo de equilíbrio que dela exigem?. Aquilo ali, não pode continuar como está. Precisa ser refeito! A sociedade brasileira brada, aos quatro ventos, por um Supremo supremo e não mais aceita uma Corte do faz de conta, onde cada membro cuida do seu quinhão e esquece os compromissos dos quais foram investidos. Vergonhoso.NOTA: Foto ilustração obtida no Goole Imagens
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Impossível Calar
Confesso que ando me esquivando de postar algo mais contundente sobre assuntos políticos. Particularmente nesses tempos de campanha eleitoral. Mas, impossível calar, nesta semana. Estou indignado. E talvez seja importante começar dizendo isso sem rodeios: estou indignado como cidadão brasileiro.
Não porque tenha sido revelado mais um episódio da interminável disputa política brasileira. Não porque eu seja contra um ministro ou simpatizante de outro.
Estou indignado porque aquilo que veio a público, esta semana, envolve justamente a instituição que deveria representar, para todos nós, o último refúgio da Justiça.
E quando a confiança na Justiça começa a desaparecer, o problema deixa de ser de um ministro. Passa a ser de todos nós.
O relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro André Mendonça trouxe à luz mensagens e informações que apontam para uma relação muito chegada entre o ministro Alexandre de Moraes e o mafioso, ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Entre os elementos divulgados estão contatos – pouco republicanos – entre os dois e referências a questões relacionadas às investigações que atingiam o banqueiro. Há também informações sobre contratos de elevado valor envolvendo o escritório da esposa e filhos de Moraes. Repugnante.
Eu não preciso — e nem pretendo — afirmar que isso constitui crime. Não me cabe considerar. Mas me cabe perguntar: o que significa tudo isso?
Por que um ministro do Supremo mantinha uma relação dessa natureza com um banqueiro que posteriormente se tornou alvo de uma investigação que resultou no maior escândalo de corrupção que se tem conhecimento, no Brasil? Isso é normal?
Se é, que sejam explicados. Se não é, que se investigue.
O que não considero aceitável é que se espere do cidadão brasileiro que simplesmente feche os olhos e diga: “não aconteceu nada”. No mínimo, aconteceu uma grave crise de confiança. E talvez seja justamente aí que esteja a maior importância da atitude de André Mendonça.
Ao retirar o sigilo do relatório e defender que o assunto seja levado ao plenário do Supremo, Mendonça colocou uma palavra que parece estar se tornando rara na vida pública brasileira: transparência.
Não desejo salvadores da Pátria. Mas, sim, instituições corretas e capazes de sustentar a tão decantada Democracia.
Depois do pipoco inicial, que assustou o Brasil é inacreditável que venha ser travada l uma uta vergonhosa de um ministro contra outro. Que vergonha.
Desejo, sim, o Supremo contra qualquer suspeita que possa atingir a sua própria credibilidade.
Quero que todos sejam tratados com o mesmo rigor até porque ninguém pode estar acima da lei. Nem mesmo quem tem a responsabilidade de interpretá-la.
Bom recordar que, nós brasileiros fomos ensinados a respeitar as instituições nacionais. Precisamos continuar respeitando-as
Mas respeitar uma instituição não significa ser obrigado a aceitar tudo o que seus integrantes fazem. Ministros não são santos. Toga não é imunidade moral. E o Supremo Tribunal Federal (STF) é uma instituição fundamental da República. Como calar diante de tanta corrupção. Por que deveria ser diferente com um ministro do Supremo? E não me venham dizer que questionar um ministro significa atacar o STF. Pelo contrário, é defender a Nação. Afinal, questionar, investigar e esclarecer aquilo que possa comprometer a imagem de um ministro é uma forma de proteger o Supremo. E que não haja nenhum tipo de vergonhosa solidariedade corporativa destinada a proteger seus próprios integrantes. Seria vergonhoso mais uma vez.
A proposito do desmantelo, o próprio presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu que os indícios exigem encaminhamento institucional e afirmou que a autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades.
É exatamente isso que eu espero. limites
Precisamos lutar por um Supremo respeitado. Não calemos!
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