sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Impossível Calar
Confesso que ando me esquivando de postar algo mais contundente sobre assuntos políticos. Particularmente nesses tempos de campanha eleitoral. Mas, impossível calar, nesta semana. Estou indignado. E talvez seja importante começar dizendo isso sem rodeios: estou indignado como cidadão brasileiro.
Não porque tenha sido revelado mais um episódio da interminável disputa política brasileira. Não porque eu seja contra um ministro ou simpatizante de outro.
Estou indignado porque aquilo que veio a público, esta semana, envolve justamente a instituição que deveria representar, para todos nós, o último refúgio da Justiça.
E quando a confiança na Justiça começa a desaparecer, o problema deixa de ser de um ministro. Passa a ser de todos nós.
O relatório da Polícia Federal tornado público pelo ministro André Mendonça trouxe à luz mensagens e informações que apontam para uma relação muito chegada entre o ministro Alexandre de Moraes e o mafioso, ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Entre os elementos divulgados estão contatos – pouco republicanos – entre os dois e referências a questões relacionadas às investigações que atingiam o banqueiro. Há também informações sobre contratos de elevado valor envolvendo o escritório da esposa e filhos de Moraes. Repugnante.
Eu não preciso — e nem pretendo — afirmar que isso constitui crime. Não me cabe considerar. Mas me cabe perguntar: o que significa tudo isso?
Por que um ministro do Supremo mantinha uma relação dessa natureza com um banqueiro que posteriormente se tornou alvo de uma investigação que resultou no maior escândalo de corrupção que se tem conhecimento, no Brasil? Isso é normal?
Se é, que sejam explicados. Se não é, que se investigue.
O que não considero aceitável é que se espere do cidadão brasileiro que simplesmente feche os olhos e diga: “não aconteceu nada”. No mínimo, aconteceu uma grave crise de confiança. E talvez seja justamente aí que esteja a maior importância da atitude de André Mendonça.
Ao retirar o sigilo do relatório e defender que o assunto seja levado ao plenário do Supremo, Mendonça colocou uma palavra que parece estar se tornando rara na vida pública brasileira: transparência.
Não desejo salvadores da Pátria. Mas, sim, instituições corretas e capazes de sustentar a tão decantada Democracia.
Depois do pipoco inicial, que assustou o Brasil é inacreditável que venha ser travada l uma uta vergonhosa de um ministro contra outro. Que vergonha.
Desejo, sim, o Supremo contra qualquer suspeita que possa atingir a sua própria credibilidade.
Quero que todos sejam tratados com o mesmo rigor até porque ninguém pode estar acima da lei. Nem mesmo quem tem a responsabilidade de interpretá-la.
Bom recordar que, nós brasileiros fomos ensinados a respeitar as instituições nacionais. Precisamos continuar respeitando-as
Mas respeitar uma instituição não significa ser obrigado a aceitar tudo o que seus integrantes fazem. Ministros não são santos. Toga não é imunidade moral. E o Supremo Tribunal Federal (STF) é uma instituição fundamental da República. Como calar diante de tanta corrupção. Por que deveria ser diferente com um ministro do Supremo? E não me venham dizer que questionar um ministro significa atacar o STF. Pelo contrário, é defender a Nação. Afinal, questionar, investigar e esclarecer aquilo que possa comprometer a imagem de um ministro é uma forma de proteger o Supremo. E que não haja nenhum tipo de vergonhosa solidariedade corporativa destinada a proteger seus próprios integrantes. Seria vergonhoso mais uma vez.
A proposito do desmantelo, o próprio presidente do STF, Edson Fachin, reconheceu que os indícios exigem encaminhamento institucional e afirmou que a autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades.
É exatamente isso que eu espero. limites
Precisamos lutar por um Supremo respeitado. Não calemos!
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