sexta-feira, 5 de junho de 2026

Tretas Prejudiciais

É desanimador acompanhar as tretas políticas brasileiras que se desenrolam a partir de Brasília, com sérios rebatimentos nas unidades da Federação. A inquietação é indiscutível. Pior ainda quando as coisas ultrapassam as fronteiras nacionais e mancha a soberania nacional. Desde meu ponto da observador, uma das coisas que mais me impressionam é constatar essa preocupante tendência de que os rumos do país dependam, em alguma medida, das preferencias, estratégias ou disputas politicas dos Estados Unidos. O retorno de Donald Trump à Casa Branca reacendeu esse fenômeno e trouxe novamente para o centro da política nacional uma espécie de dependência ideológica que pouco contribui para os interesses concretos do Brasil. Será que nossos políticos sintam-se, de fato, obrigados a “beijar as mãos” de Trump? Bom, não se trata de negar a importância dos Estados Unidos na economia mundial ou na trepidante geopolítica dos nossos tempos. Trata-se de questionar por que nossos principais protagonistas políticos insistem em importar discursos, conflitos e agendas produzidos em Washington, como se fossem respostas automáticas para os desafios brasileiros. E, não precisa ser dito, o Senhor Trump parece se divertir com o contexto. A cada dia surgem novidades nesse ambiente que, via de regra, aponta para desequilíbrio da balança dos relacionamentos internacionais brasileiros. Dias recentes, por exemplo, a ameaça Trumpista de uma nova onda de tarifaços extorsivos contra produtos brasileiros abalou meio mundo dos negócios nacionais. Na sequencia assistimos a disputa para descobrir o culpado politico dessa reação ianque que ultrapassou os limites da paciência de qualquer mente equilibrada. Para completar, Washington acaba de indicar um novo embaixador no Brasil, sem cumprir as formalidades diplomáticas vigentes de consulta previa, ampliando a sucessão de desencontros. Comenta-se, no Itamaraty, que o indicado, Daniel Pérez, (Deputado da Flórida), filho de imigrantes cubanos e com 38 anos de idade, é “peixe reluzente do aquário” de Marco Rubio, Secretário de Estado do Governo de Trump e que, em varias oportunidades mostrou sua má vontade com o Brasil. E isso, meu Deus, é verdadeira “pedra no sapato” de Lula que, com esse novo embaixador conta como certa uma intervenção direitista nas eleições presidenciais deste ano. Em meio a essa loucura, desnecessário frisar que o Brasil enfrenta problemas próprios e urgentes, tais como: crescimento econômico insuficiente, desigualdade social persistente, deficiências educacionais, violência urbana, dificuldades fiscais e a necessidade de aumentar sua competitividade internacional. Nenhuma dessas questões será resolvida via alinhamentos automáticos com qualquer governo estrangeiro. Por isso que, nas eleições presidenciais deste ano é fundamental que os brasileiros avaliem candidatos, propostas e projetos de país com base nos interesses nacionais. O eleitor não escolherá um representante dos Estados Unidos, nem decidirá os rumos da política norte-americana. O que está em jogo é o futuro do Brasil. Além do que, a soberania de uma nação não se mede apenas pela defesa de suas fronteiras. Ela também se expressa na capacidade de formular políticas independentes, definir prioridades próprias e resistir à tentação de transformar disputas externas em guerras culturais domésticas. O Brasil é grande demais para agir como satélite político de qualquer potência. Sua tradição diplomática sempre valorizou o pragmatismo, a autonomia e a busca de relações equilibradas com diferentes parceiros internacionais. Esse patrimônio não deve ser abandonado em nome de paixões ideológicas, sobremodo as importadas. A democracia brasileira será mais forte quanto menos depender de líderes estrangeiros como referência para suas escolhas. O desafio das eleições não é decidir quem está mais próximo de Trump ou de seus adversários. O verdadeiro desafio é escolher quem está mais preparado para enfrentar os problemas brasileiros. Resumindo a ópera, o Brasil só encontrará seu caminho de sucesso e prosperidade quando compreender que seu destino deve ser decidido em Brasília, nas capitais estaduais e nos municípios do país — jamais em Washington. NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens.

2 comentários:

José Paulo Cavalcanti disse...

Faltou só dizer que deve fazer isso com seriedade. E sem contemporizar com o assalto que se vê hoje. Belo texto. Parabéns. Há braços.

Leonardo Sampaio disse...

Muito correto, irmão. O que menos se apresenta e discute são propostas e planos

Tretas Prejudiciais

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