sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Sinal de Alerta no Continente


Acompanhamos, por bom tempo, a lenta decadência da política bolivariana, na Venezuela, e seus desdobramentos maléficos sobre a nação vizinha e, agora, estamos assistindo inesperados movimentos populares em vários países da América Latina gerando apreensão e insegurança no Continente.
Na Colômbia, as Farc ameaçam voltar à luta armada; no Equador população vai às ruas por conta de aumento dos preços da gasolina; no Peru o povo exigiu e o Governo aplicou um revés ao Congresso e destituiu os Ministros do Supremo Tribunal Nacional, envolvidos em grandes corrupções, inclusive sob os auspícios da Construtora Odebrecht, do Brasil. E nestes últimos dias, Chile e Bolívia andam às voltas com movimentos políticos populares, com repercussões de grande monta negativa.   
Manifestação incendiária em Santiago do Chile
O caso do Chile é, certamente, o mais surpreendente: manifestantes foram às ruas, adotando formas violentas e ameaçadoras da segurança social, incendiando patrimônios privados e públicos. O motivo original foi detonado após a majoração das tarifas do Transantiago, metrô local da capital chilena. Na esteira desta revolta, outros pleitos terminaram sendo expostos. O governo reagiu e a situação esquentou. É surpreendente o que ocorre neste caso. Lembro que o Chile vem se destacando, nas últimas décadas, como sendo o país mais tranquilo e economicamente equilibrado da América Latina. Oferece, aparentemente, as melhores condições de vida à sua população, com saúde, educação e segurança eficientes. Estive recentemente em Santiago e observei, in loco, sinais de pujança e desenvolvimento socioeconômico. Tem um custo de vida alto, é verdade, mas também adota um salário mínimo que, atualmente, corresponde ao dobro do que se paga no Brasil. Energia elétrica e abastecimento de água potável são fornecidos por tarifas civilizadas. A carga fiscal é, também, das mais civilizadas no Continente. Conversei com profissionais da área (meus ex-colegas de trabalho) e sai bastante impressionado. Tenho dificuldades para entender o que vem ocorrendo. Desejando saber mais, acesse: http://observatorio.ministeriodesarollosocial.gob.cl/ipc_pob_informe3.php?ano=2019    
Evo Morales não aceita o provável resultado. Deseja continuar no Poder.
Na Bolívia, o problema é de outra ordem: parece que o boliviano cansou do governo "socialista" do Evo Morales. Nas eleições de domingo passado (20.10.19), um primeiro resultado dava contas de que haveria um segundo turno, com Morales tendo de disputá-lo. Uma suspeita manipulação espúria, a favor do atual mandatário, terminou por, repentinamente, proclamá-lo vitorioso, no primeiro turno. Segundo analistas  políticos, o processo de apurações sofreu uma abrupta interrupção, por conta de uma suposta “falha” nos computadores. Pouco depois, equipamentos consertados e vitória anunciada. Inconformado, o opositor, Carlos Mesa, e seus eleitores foram às ruas, denunciando a suspeição. Observadores representantes da OEA, que acompanharam o pleito e a apuração requereram uma recontagem dos votos. Nem precisa dizer que a situação esquentou. Resta esperar o desenrolar do embróglio.
Já na Argentina, onde manifestações ocorrem também com frequência, outro sinal de alerta disparou com o resultado das prévias eleitorais prometendo o retorno do peronismo e, particularmente, da Senhora Kirchner, como vice-presidente. A rodada final será no próximo domingo (27.10.19). Parece ironia, mas, vão consagrar corruptos no poder. Quem diria que os argentinos errariam outra vez, depois de tantos insucessos no passado. A culpa é do Macri que não soube domar as manhas da economia dos hermanos. Bom, é de se considerar que na Argentina crise socioeconômica é coisa endêmica. Acompanho o pais vizinho desde a década de setenta - à distancia e in loco - e não lembro de bom tempo de verdade.      
Finalmente, e pelo visto, as coisas tendem a regredir no Continente. A onda neoliberal que acenava com bons ventos sofre seus percalços. Resta acompanhar os acontecimentos e, particularmente, no caso brasileiro, torcer para que as reformas que estão sendo levadas a efeito surtam bons resultados e a onda reformista se espalhe na vizinhança.        
      
NOTA: Fotos que ilustram foram colhidas no Google Imagens.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Mar Negro


Pra inicio de conversa, não me refiro ao Mar Negro existente na Europa, entre a Turquia, a Rússia e outros países menores da região. Falo, sim, de um mar muito próximo e que vem sendo tingido de negro num acidente ambiental sem dimensões definidas e causando transtornos onde somente e sempre se respirou ares de paraíso e com águas verdes e turquesa. 
Praias do Nordeste brasileiro neste mês de Outubro
Parece ironia, mas, depois do alarmante episódio das queimadas – que, segundo monitores, ocorre anualmente, certa época do ano, na Amazônia – eis que uma surpresa desagradável atinge o Brasil, em particular as costas do Nordeste brasileiro: toneladas de petróleo (óleo pesado) foram derramadas ao mar, causando danos inestimáveis à fauna e à flora marinha. Não se sabe, ao certo, a origem desse óleo, embora já se comprove, laboratorialmente, ser óleo de características venezuelanas. O fato é que do Maranhão à Bahia são registradas ocorrências expressivas desse derramamento. Nove estados da região já descobriram os estragos nas suas praias. Animais marinhos já chegam mortos ou cobertos pelo produto nocivo, às areias do litoral. Tartarugas se arrastam cobertas de óleo e, como que, pedem socorro. Peixes bóiam mortos. Um golfinho morto foi encontrado numa praia alagoana, este fim de semana, e já cercado de abutres. 
Golfinho encontrado morto numa praia alagoana
Mais de 160 praias do litoral nordestino registram pontos de manchas desse derrame. As ocorrências acontecem desde os primeiros dias de setembro passado. Correntes marítimas dessa zona do Atlântico trazem com facilidade o óleo derramado de algum ponto ainda não identificado. Nosso plácido mar se tornou um mar negro.
Tartaruga marinha banhada de petróleo bruto. 
Sabe-se que mais de mil navios petroleiros transitaram, nesse período, por este espaço marítimo levando o óleo bruto para diferentes destinos – Europa, África e Oriente – tornando mais complexo identificar o responsável pela tragédia que vem sendo provocada. Várias hipóteses estão sendo levantadas: limpeza do porão de algum desses navios, com descarte de uma carga restante; vazamento por defeito no casco da embarcação; falha no transbordo de óleo navio-navio, em alto mar, e, por fim, a possibilidade de um navio fantasma (não identificado pelos radares de controle terrestre) naufragado. Os navios fantasmas ocorrem quando saídos da Venezuela, escapando do bloqueio norte-americano, desligam os radares e navegam de modo anônimo. Logicamente que, pelo volume da descarga de óleo, fica difícil precisar se se trata de uma ou mais embarcações. Na verdade é um mistério, pelo menos até agora. 
Entidades governamentais (IBAMA, Marinha, Petrobras e Policia Federal) e não governamentais, institutos de pesquisas, ambientalistas, profissionais da área se mobilizam para desvendar o mistério que envolve a situação, realizar a limpeza das praias, manifestar a revolta e identificar a origem do derramamento. Os prejuízos são, até agora, incalculáveis. Além dos malefícios causados às flora e fauna marítimas, já se projetam prejuízos às comunidades litorâneas que vivem da pesca e, também, expressiva queda nas atividades turísticas do litoral nordestino, numa hora de pré-temporada de verão, quando o Nordeste atrai levas de turistas nacionais e estrangeiros.
O mais surpreendente, para muitos, é a relativa passividade da sociedade em geral diante deste fato tangível e preocupante. Aqueles que bradaram aos quatro ventos, aqui e no exterior, suas revoltas pelas recentes queimadas na Amazônia estão calados diante deste outro fato tão alarmante quanto o primeiro. Ora, é um gravíssimo caso de agressão ao meio ambiente, também. Lembrando que estamos numa época em que a mobilização da sociedade tem surtido repercussões políticas positivas, não seria o caso de manifestações especificas? Onde andam os ambientalistas? Os Governos federal e locais têm que se mover com vontade e formas mais enérgicas para que tenhamos este caso elucidado.    

NOTA: As fotos que ilustram foram obtidas no Google Imagens   
 
  

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Assim falou Janot

Não demorou muito e, logo na segunda feira desta semana que finda, recebi uma versão virtual do livro de Rodrigo Janot, segundo a Editora, vazada pelo Whatsapp. Prova, mais uma vez, de que não escapa nada das chamadas Redes Sociais. Fiquei surpreso, naturalmente, mas, meti as caras e devorei a lavra do ex-Procurador Geral da Republica em duas investidas. O livro é instigante para quem, como este Blogueiro, vive antenado na “chafurdação” política deste nosso país. Não se trata de nenhuma obra especial de literatura. É praticamente um relatório de trabalho na gestão da PGR, durante dois períodos, entremeado levemente de passagens da vida pessoal, algumas interessantes como os dotes culinários e que exerceram momentos hilários na vida profissional do Procurador mineiro. Coisa típica de mineiro bom de manejar panelas e temperos.
A primeira coisa que percebi, no decorrer da leitura, foi entender melhor até onde vai o poder de um Procurador Geral da Republica. Tanto para fazer o certo ou o errado. Nos países de língua espanhola o cargo tem uma denominação mais enfática: Fiscal Geral da Republica. Pense nisto!
Lendo os relatos de Janot me pareceu haver sido ele um fiel cumpridor do papel que lhe foi confiado. Claro que não sou ingênuo e me precavi na leitura, tendo sempre em mente que se tratava de um relato longo e conduzido sempre na primeira pessoa, com forte dose de vaidade pelos próprios feitos. Não vejo nisto, aliás, um pecado capital. Quem escreveu como ele, pode se garantir. Mas, fui cuidadoso ao interpretar cada posicionamento. Dessa maneira vi que se trata de um patriota que se revelou firme nos propósitos que são atribuídos a um procurador comum e muito mais a um Procurador Geral. Confesso que senti um rasgo de esperança no futuro deste país pensando na possibilidade de termos pessoas sérias e dignas ao papel.
Por feliz coincidência Janot foi protagonista nos andamentos iniciais de processos e investigações da Operação Lava Jato e autor de requerimentos de prisão a muitos corruptos tidos como luminares da Republica. A ele pode se dever muito pelo sucesso da Operação. Na época foi impressionante a parceria com Teóri Zavascki, relator da operação no STF. Pensando bem, aquela morte de Zavascki num acidente aéreo... Sei não... Foi uma lástima. Parecia que tudo iria d´água abaixo. Mas, a Nação saiu vitoriosa.
Zavascki, morte em acidente aéreo duvidoso.
Foram muitas passagens sórdidas e repugnantes relatadas ao longo de cada capitulo do livro/relatório. Vai causar muitos estragos, ainda.
Ah! É preciso ler este livro para entender melhor a rede de corrupção internacional que foi tecida por tantos corruptos e por empresas - como a Construtora Odebrecht - centrada no Brasil.
Concordei de cara com Janot quando, no livro, classificou a situação política brasileira como sendo "um teatro de horrores onde se encena a luta pelo poder". Coisa esta que lhe dava calafrios a todo instante à frente da PGR. De fato, acredito que o sujeito que entra numa missão dessas paga caro e fica marcado para o resto da vida. Num país como o nosso ser o “fiscal geral da Republica” é preciso ter sangue de barata e vez por outra provar de um bom tranqüilizante. Segundo ele, manteve sempre no anexo do Gabinete da PGR um frigobar com toda sorte de “tranqüilizantes”, entre os quais: vinho, cerveja, whisky, cachaça e similares. Quando o clima pressionava na Equipe, nas altas horas da noite, ele fazia um pitstop nos trabalhos e convocava para uma distensão. Não foi à toa que denominou a tal geladeirinha de farmacinha. Gostei. Taí, um cara bem humorado nas horas de aperto. 
Janot com ideias pouco dignas para um Procurador Geral. Matava e me suicidava em seguida. 
Como qualquer outra pessoa, esperei ansioso encontrar o registro da bombástica confissão da semana passada no livro. Em nenhuma página ele mencionou haver ido armado ao plenário do Supremo para matar o Ministro Gilmar Mendes e se suicidar em seguida. Depois de tantas fantásticas histórias vividas seria, até mesmo, ato de covardia. Isto, aliás, me pareceu haver sido uma propaganda enganosa para detonar a venda do livro. Porém, disse, sim, que foi armado e que uma força divina o segurou na hora que teve ganas de acionar o gatilho. Tampouco falou a quem poderia direcionar o projétil. A revista Veja da semana deu uma senhora alavancada na divulgação da obra. Mas, infelizmente (ou felizmente) a edição vazou, pelas torneiras das redes sociais. Quem terá sido o autor do vazamento? Eis um novo desafio para o ex-fiscal-mor da República!  
No final das contas, em meio a descrições sórdidas de investigações, entrevistas, audiências, prisões e procedimentos correlatos, Janot deixa claro que todos os políticos graduados da Nação, incluindo presidentes da Republica, comungam de um único desejo: acabar com a Lava Jato! É uma vergonha.
O livro é encerrado com uma predição de que, daqui pra frente, nada será como antes. Nada menos que tudo! Interpretemos como possível.

NOTA: Fotos colhidas no Google Imagens 


NOTA: Chafurdação significa chiqueiro, em português claro.     

domingo, 29 de setembro de 2019

Semana Pesada

Esta semana estive lembrando que quando resolvi criar este Blog do GB, por prudência, decidi que seria sempre de postagens semanais. Por falta de tempo ou por não ser um profissional da comunicação não arrisquei passar por dificuldades em reunir pautas. Mas, como as coisas mudam e a dinâmica do dia-a-dia brasileiro avança velozmente levaram-me a descobrir que muitas vezes sobram temas. Esta semana, por exemplo, reformulei minha “conversa” semanal três vezes. Comecei comentando o discurso de Bolsonaro na ONU, tive que reformular depois da derrubada dos vetos presidenciais à Lei de Abuso de Autoridade, pela Câmara Federal; surpreendi-me com o encaminhamento, incluindo a sanção presidencial, à Lei que reformula a Legislação Eleitoral. Depois disso, quase não dormi na noite em que o STF derrotou, praticamente, a Operação Lavajato, anulando decisões que podem soltar todos os corruptos e criminosos. Vergonha vergonhosa!
Para fechar a semana, ontem estourou a surpreendente confissão do ex-Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, que teve intenção de assassinar, em pleno Tribunal, o Ministro Gilmar Mendes. Haja loucuras... Ah! Sem esquecer os disparates de Carluxo Bolsonaro. Taí uma semana que julgo pesada. Estourou pautas de todos os canais de comunicação. É um país em verdadeiro transe.
Bolsonaro abrindo a Assembleia Geral das Nações Unidas em 2019
O discurso do Capitão, na abertura da ONU, que desagradou meio mundo – opositores, sobretudo – casou surpresa. Cabe sempre ao Brasil, desde 1945, com o Chanceler Oswaldo Aranha, abrir os trabalhos. De lá pra cá vários dos nossos governantes exerceram esta missão, para honra do país. Contudo, creio que nenhum deles despertou tanto interesse quanto o atual, na reunião deste ano. De figuras apáticas e sem grandes prestígios que lá estiveram, décadas recentes, com declarações mornas e sem densidade política, com puro proselitismo diplomático e algumas até mesmo patéticas, o mundo já não dava importância alguma.  Malmente, registrados nas mídias nacionais. Desta vez, porém, a coisa foi diferente: o Brasil, com Bolsonaro, deu ao mundo um recado franco, objetivo e mostrando o país que cobra seu lugar de protagonista e não de coadjuvante no cenário político global. Surpreendeu, claro. Quando menos se esperava, o mandatário brasileiro mudou o tom adotado pelos seus antecessores e enfatizou os motivos que o levou até lá, passando pelas questões ambientais, soberania, liberalismo econômico, progresso social e críticas agudas aos anacrônicos sistemas socialistas e colonialistas. Doeu em muitos, inclusive alguns retrógrados assistentes à sessão. As manifestações críticas, contra e a favor, nos ambientes doméstico e internacional, naturalmente não podiam deixar de ser acaloradas.
Mal choveu criticas ao Capitão orador, vieram verdadeiras derrotas para o Governo. Aliás, para o Governo não! Para o Brasil e os brasileiros. A derrubado dos vetos presidenciais à Lei de Abuso de Autoridade foi verdadeiro absurdo. Daqui pra frente, todo Promotor de Justiça ou todo Juiz se sentirá tolhido de usar das suas naturais atribuições. Ficou complicado. Onde vamos parar?
Depois disso veio a vergonhosa “reforminha” das normas eleitorais. Antes o cidadão brasileiro via a corrupção rolar fácil envolvendo os poderosos da Classe Empresarial comprando candidatos que depois de eleitos se tornavam reféns dos "financiadores" de campanhas vindo sempre cobrar o retorno. O resultado foi a patifaria que a Lavajato descobriu e mostrou ao mundo.
Agora o tal Fundo Eleitoral, com o nosso suado dinheirinho publico, vai cobrir todo tipo de despesa das campanhas sem qualquer tipo de restrição. E a corrupção vai continuar rolando.
Como se fosse pouco, o Brasil assistiu perplexo a decisão, por maioria de votos até então registrados, no plenário do Supremo Tribunal Federal, o golpe que foi aplicado à Legislação Federal vigente e que, na verdade, pretende atingir o que mais caro se conquistou nesta Nação, no passado recentíssimo, que é a Operação Lavajato. Vergonhoso. Neste caso, aliás, o Guardião da Segurança Jurídica do país, o STJ, resolveu, ao invés de preservar e  proteger, legislar! Está tudo errado. Tudo bem consoante com a verdadeira guerra de poderes que ocorre aqui em Pindorama! Cada um querendo ser mais do que o outro e se metendo onde não deve.

Ex-PGR, Rodrigo Janot, com impulsos homicidas.
Encerrando a semana veio a declaração bombástica do ex-Procurador Geral da Republica, Rodrigo Janot, à uma revista semanal, de que foi ao plenário do Supremo, certa ocasião e durante sua gestão de Procurador Geral, armado e disposto a matar o Ministro Gilmar Mendes e se suicidar em seguida. Francamente, perdeu a cabeça. E perdeu tanto na ocasião em que foi movido por aquela odiosa disposição, quanto, ao depois de tanto tempo, publicar esse descontrole. Vai publicar um livro agora em Outubro relatando "cobras e lagartos" do mundo judicial. Pôs em risco a credibilidade da Procuradoria Geral da República. Chega! Tomara que a semana que vem seja leve.
Sabe do que mais? O Brasil precisa mesmo é de um divã.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens. 
 

domingo, 15 de setembro de 2019

Ajuste de Máquina

Ando cansado de comentar e me preocupar com o atual estado politico do Brasil. Uma Nação dividida e com rumo sempre a definir é desanimador. Este “ajuste de máquina” tem sido penoso. Avanços e retrocessos têm sido o mais comum nestes dias que vivemos. Penso que sociólogos e cientistas politicas terão chances ilimitadas para suas teses e monografias por muito tempo.
A cada semana, novos e palpitantes episódios se sucedem numa forma interminável e tal como uma viagem num trem fantasma. Assustadores.
A semana que findou “brindou-nos” com casos bem típicos de máquina desajustadas. Primeiro Carluxo (Carlos Bolsonaro) teve o desplante de dizer que por vias democráticas o país não avançará. Algo desse tom. Por mais que queira desfazer as interpretações feitas pela sociedade e autoridades de plantão não vai ser fácil engolir a twitada do Número 2. Quem tem bom senso e quem, sobretudo, estiver na oposição não facilitará a vida do rapaz que, aliás, é parlamentar no município do Rio de Janeiro. Ele não nega a cultura autoritária familiar. Fiquemos alertas.
Por outro lado, um deputado capixaba teve o desplante de prometer gratificar com R$ 10.000,00 ao cidadão que matasse o assassino de certa senhora no município de Cariacica, interior do estado do Espirito Santo. É surpreendente para quem se trata. Um parlamentar, salvo engano do PSL.  Maneira pouco apropriada de fazer justiça. Forma bem acintosa de negar a existência do poder judiciário constituído, por pior ou ineficiente que seja. Infelizmente é...  Pensando bem, esse é um daqueles parlamentares que podemos classificar de “paralamentar”.

Para completar o desmantelo da semana, recebi um incrível vídeo tomado de pronunciamento da Ministra Damares, na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara Federal, no qual denuncia abusos sexuais com bebês, crianças e adolescentes, pelo país afora e notadamente na Região Norte, de deixar qualquer ser humano enojado e revoltado. Bebês de poucos dias ou meses são postos a venda para satisfazer aos instintos sexuais malignos de monstros em forma de humanos. Parecem inverossímeis. Mas, vai ver, devem acontecer.  Clique em www.camara.leg.br e confira. Mas, prepare seu coração e seu estomago.
É desanimador viver estas coisas. Que Deus nos ajude no ajuste desta máquina.
Boa semana a todos e todas.   

sábado, 7 de setembro de 2019

Sabe com quem está falando?

Após grande expectativa o Presidente Bolsonaro sancionou, com vetos, a Lei de Abuso de Autoridade, encaminhada pelo Congresso Nacional. Nada de novo porque todo mundo esperava que ocorressem assim. Volta agora para discussão na Casa Legislativa para analise dos vetos e para palavra final. 
Para inicio de conversa, não sou Advogado e muito menos jurista. Sou Economista  mas, sobretudo, um comum cidadão curioso e interessado no dia-a-dia da vida na Republica. Assuntos como este chamam a atenção de qualquer pessoa com perfil semelhante ao meu.
Lembro que foi uma surpresa quando a Câmara dos Deputados colocou em pauta e aprovou, quase às carreiras e nas caladas de uma noite, de agosto passado, este projeto de Lei que, ao raiar do dia, levado ao conhecimento da Nação instalou um debate preocupante. Mencionei aqui no Blog. Ora, meu Deus, ficou claro que os deputados estavam legislando em causa própria! Aquele representante do povo que defendeu e votou a favor da aprovação visou “livrar a própria pele” e se resguardar de eventuais vexames. E não falta quem tenha esse tipo de precaução, na Praça dos Três Poderes. Ao mesmo tempo, ficou claro que houve uma visível ideia de atingir em cheio a Operação Lavajato, seus procuradores e juízes que atuam. Na verdade, estamos falando de uma Lei que tem por objetivo reduzir os poderes do Judiciário, dos advogados defensores e particularmente as atividades policiais. Quem discordar que me corrija, por favor. Os 19 artigos vetados pelo Presidente foram bem justificados e imagino que vai dar muito que discutir. Aliás, desconfio que pode haver um significativo embate entre os poderes.  
Isto tudo me faz lembrar os profundos traços culturais que norteiam a vida comum do brasileiro. A coisa mais desejada do nosso cidadão e ser investido de alguma forma de autoridade. Uma simples colaboradora doméstica – vejo isto na minha casa – sonha educar o filho ou neto para ser no futuro um poliça, devogado ou juiz porque impõe respeito e manda em tudo. Quando alguém senta praça e se vê fardado sai desfilando autoritarismo pela rua, tira foto com a parentada e posta no Facebook.  
Fora isto, a coisa mais comum e que se tornou jargão popular, país afora, é encontrar alguém que use do famoso expediente : “você sabe com quem está falando?” Já assisti muitas vezes. O cara “toma ar” infla o peito e joga na cara do interlocutor esta pergunta “assustadora”. Tem gente que treme nas bases e começa a falar fino repentinamente. E, muitas vezes, é vitima de um simples soldado de policia, abusando da patente que lhe confiaram. Brasileiro adora ser autoridade e poder ameaçar, prender e praticar outras atrocidades com quem se meta contra ele. Muitos são os casos de policiais processados e banidos das fileiras de suas guarnições militares, por abuso do poder.

Até Papai Noel se acha autoridade!
Sou a favor, sim, de uma Lei que estabeleça limites a esses abusos, do mais simples aos mais altos postos de autoridade na Nação. Para tanto, contudo, vejo ser preciso um tratamento muito mais amplo do que um aparato legislativo de ordenamento social. A coisa tem que começar de casa com o fim do abuso de “autoridade” dos pais, maridos e esposas e filhos mais velhos, combatendo atrocidades de castigos massacrantes, abusos sexuais de menores e inclusive crimes sob o manto diáfano, opaco, da autoridade.
O brasileiro do futuro tem que crescer culturalmente confiante na segurança jurídica do país, nos seus direitos democráticos e sem ambição de ser alguma autoridade. Ser gente. Simples assim.

NOTA: Charge encontrada no Google Imagens

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A Insegurança sendo Perseguida

O problema amazônico já rendeu muito tro-ló-ló na semana que termina. Sou um sujeito crente no melhor e certo que “todo mal traz consigo algum bem”, conforme sabedoria popular. Mesmo com os espasmos verbais do Capitão, esse auê gerado em dimensões mundiais abriu os olhos de muita gente, gerou uma crise e dessa crise podemos esperar ações adequadas de combate ao desmatamento da Amazônia e os prováveis incendiários. São das crises que surgem as grandes soluções que levam ao progresso das nações. Esperemos. 
Mas, o assunto que domina a mídia de hoje, nas suas diferentes modalidades, é o da segurança pública, um problema desafiante no Brasil. Ontem (29.08.19) foi lançado, no Palácio do Planalto,  em Brasília, o Programa Em Frente, Brasil, formulado pelo Ministério da Justiça e Segurança Publica (Sérgio Moro), com o objetivo de desenvolver uma ação radical de combate à criminalidade. Será testado em cinco municípios do País, um de cada região, incluindo Paulista em Pernambuco. São locais onde a criminalidade é registrada em altos índices. Após esta teste, será extendido ao restante do país.
Presidente Bolsonaro e Ministro Sergio Moro
Vejo com bons olhos esta iniciativa e fico na torcida de que resulte em sucesso. O Brasil precisa urgentemente sair das páginas policiais do mundo. Já observo, há anos, que as noticias de insegurança e crimes no Brasil fazem imenso sucesso mundo afora. Divulgar a insegurança do Brasil parece ser tema favorito no exterior. Bom, existem razões concretas para tanto, o que é de se lamentar. Certa vez li num jornal estrangeiro (não lembro qual, no momento) a noticia de uma mulher assassinada pelo marido, por motivo de ciúmes, na cidade de Bezerros, no interior de Pernambuco. Ora, meu Deus, isto pode ocorrer no Brasil, como em muitos outros lugares por aí. Que importância haverá tido essa noticia para o público leitor, daquele veículo? Ciúmes? Assassinatos? Feminicídeo? Tanta coisa ocorrendo no Brasil e só ganham destaques coisa desse tipo. Aliás, uma noticia que pouco impacto causa nos jornais de Pernambuco. É doloroso, mas é verdade.  Enfim...
Imagino que o crime perpetrado por um marginal assaltante na orla de Ipanema, três dias atrás, vitimando mortalmente um cidadão chinês que fazia turismo na Cidade Maravilhosa, pode render manchetes alarmantes nos periódicos chineses e internacionais. Foi, de fato, uma atrocidade. O morto estava no Brasil a serviço de uma empresa chinesa (State Grid) que trata de ampliação da rede de distribuição de energia gerada pela usina de Belo Monte (PA) para o estado do Rio de Janeiro. Ou seja, estava em missão de trabalho sério e não de turismo propriamente dito.  Diante de fatos como este, imaginemos o temor que os investidores estrangeiros podem alimentar ao adotar decisões de mandar seus colaboradores em missão ao Brasil. Eis aí, fator capaz de inibir investimentos importantes de grupos estrangeiros ou multinacionais por aqui.
Outra coisa que vi registrada esta semana foi a operação da Policia Federal para prender integrantes de quadrilhas especializadas a roubos de cargas nas estradas do país. Isto é outra atrocidade a ser combatida. 
Esta placa no Rio Grande do Norte é uma aberração. Inacreditável.
Esses marginais estão abusando da prática de assaltar caminhões, carretas com cargas preciosas e veículos de passageiros. Lembremos do recente assalto ao terminal de cargas de Guarulhos, quando levaram 700 kg. de ouro! As seguradoras estão majorando sem limites os preços cobrados dos seguros de carga, inflacionando, ainda mais o custo do transporte de bens entre as praças do país. Na operação desta semana foram presos elementos das quadrilhas em inúmeros estados, incluindo Pernambuco.
Usar transportes interurbanos ou interestaduais é coisa estressante. 
Os brasileiros precisam alimentar as esperanças de viver num país mais tranquilo e seguro para todos, como falei no inicio. Contribuir com a iniciativa do Governo é uma obrigação de todo cidadão de bom senso. Pena que haja muitos torcendo pelo pior num testemunho expresso de baixíssimo patriotismo. Romper esta bolha espúria é desafio para muitos futuros.       

NOTA: Fotos e ilustração colhidas no Google Imagens.         

Rivalidades Infelizes

A Copa Mundial de Futebol-2026 terminou e, para multidões, deixou saudades. O certame encerrado no último fim de semana, envolvendo 48 repr...