sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Emoções pouco republicanas



Faz algum tempo que venho comparando o Brasil de hoje a uma corrida num trem fantasma do Playcenter. Um susto a cada dia como um susto a cada curva no tal trem. Estes últimos dias, por exemplo, têm sido pródigos neste clima.
Acompanhei, dias passados, o debate e a luta do Governo para aprovar a necessária reforma da previdência social. Quando a coisa parecia chegar aos finalmente, o Presidente da República decreta, repentinamente, uma intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro, mesmo sabendo que, conforme determina a Constituição Federal, inviabilizaria a continuidade da tramitação do projeto de reforma no Congresso Nacional. Foi oportunismo do Temer? Anteviu a derrota no Congresso? Era mesmo necessária essa medida extrema no Rio? São muitas as controvérsias, o assunto está rolando e, pelo visto, vai durar muito. Como a dita intervenção pode durar até 31 de dezembro, já imagino como será durante a campanha eleitoral. Como era de se esperar, virou-se a página e eclodiu um novo bate-boca no país inteiro. Mas, vejamos por parte.
Somente a oposição ao Governo e seus asseclas são contrários ao projeto da reforma previdenciária, embora que seja um tema que vem sendo “empurrado com a barriga” há muitos anos. Perde-se de vista o ano em que se começou a falar disto. Aliás, o programa das reformas gerais está pairando sobre Brasília há muito tempo. Entra governo, sai governo, independente da coloração partidária e o assunto do déficit previdenciário, das reformas trabalhista, fiscal e eleitoral, do custo Brasil, entre outros correlatos, não saem de pauta. Mas, cadê coragem para enfrentar a “onda”? Mesmo sabendo que sobram razões lógicas, as autoridades de plantão fogem da raia e só se preocupam em defender seus interesses, isto é, faturar votos nas urnas, manter-se com fórum privilegiado, dinheiro fácil no bolso, mordomias dispensáveis e outras cositas más.
No caso de uma reforma previdenciária, o mundo inteiro já percebeu o quanto isto se faz necessário. Países mais avançados já trataram disso, ainda que enfrentado oposições e dificuldade políticas. Ora meu Deus, o mundo mudou, vive-se muito mais, enquanto a atual legislação está anacrônica. Se não for revista, vai remeter a sociedade a um caos iminente. Pensando seriamente, estamos caminhando de modo célere para uma organização social com poucos produzindo para sustentar milhões de aposentados. A “curva fechada” dada pelo nosso trem, nesta semana, provocou um retrocesso significativo no programa das reformas. Estamos perdendo uma valiosa chance de emplacar essa mudança. Infelizmente tornou-se inviável, devido ao atual clima político e dada a ausência de uma coalizão política para viabilizar o projeto. Ficou para o próximo presidente. Dependendo da vontade e da coragem política dele.
E a intervenção no Rio de Janeiro? Eis aí outra questão delicada a ser entendida. Seria mesmo necessária? Mais uma vez a sociedade se divide e discute com curiosidade o significado da coisa. Alguns acreditam que sim devido a difícil situação dos cariocas. Estado quebrado, salários atrasados, políticos presos por corrupção, conselheiros do Tribunal de Contas do estado presos, o crime organizando mandando e desmandando, balas perdidas a toda hora, miséria geral. Nunca se viu tanta insegurança na cidade cartão-postal do país. Até que faz sentido a intervenção, visto por esse prisma, diante da incapacidade do estado fluminense. Mas, estamos falando de intervenção das forças armadas para exercer papel de policia. Que não é papel delas. Corre-se o risco de insucesso e resultar numa desmoralização da instituição ainda respeitada pela sociedade. Será que Temer fez certo? Só Deus sabe! Além disso, uma pergunta não tem resposta imediata: é somente lá? Parece que não. Estados como Rio Grande do Norte, Amazonas, Ceará, até o distante e sempre tranquilo Acre veem-se em situações concretas de insegurança. Caberia intervenção nesses estados? Desafio dos pesados. E pensar que aqui em Pernambuco a coisa não é diferente e a Estado não está dando conta do recado. Somente nesses primeiros dois meses do ano já foram assassinados quase duas centenas de indivíduos.
Em meio a isto tudo, há também lances digamos que cômicos, nesta semana: a nomeada Ministra do Trabalho, Dep. Cristiane Brasil, desistiu de assumir o cargo, depois de ficar mais do que provado sua falta de lisura na condução de questões trabalhistas com seus próprios empregados. E por ultimo, hoje (23.02.18), explode uma bombinha engraçada que foi a denuncia de que o Ministro interino da pasta do Trabalho responde processo por praticar roubo de energia elétrica. Usou de um “macaco” como se diz aqui em Pernambuco ou de um “gato” lá pelo Sul. Parece brincadeira. Mas, será possível, que todo mundo é ladrão? É rir pra não chorar. Haja emoções, para cada dia ou cada curva do trem.
O cidadão brasileiro está refém desse desarranjo social e sem esperança imediata de como se safar. Tudo isto como fruto de governos irresponsáveis que não souberam estabelecer politicas governamentais voltadas para o bem-estar social deixando o povo sem digna assistência à saúde, sem educação, sem emprego, sem habitação, sem nada! O tráfico de drogas rola solto e se revela para muitos – crianças, jovens e adultos – como meios de vida fáceis e rentáveis. Abastecem os viciados das altas rodas, inclusive políticos de renome. Na mesma esteira prosperaram a prostituição, o crime organizado e a corrupção. Também pudera, ao invés de investimentos com vistas à elevação da qualidade de vida do cidadão comum, investiram-se milhões e bilhões de Reais em realizar dois megaeventos mundiais – Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas – coisas mais próprias para países ricos e sem pobreza que nem o Brasil. Quanta irresponsabilidade. Circo para um povo faminto, sustentado pelo Bolsa Família, que não foi aos jogos da Copa e nem às competições olímpicas. E nem lucraram com esses eventos. Assistiram tudo à distancia e não perceberam que os gastos astronômicos aplicados pelos governantes irresponsáveis foram em detrimento do seu bem-estar social. Agora, o que resta é chorar pelo leite derramado.
Tomara que a intervenção no Rio dê certo. Tenho dúvidas. Mas, é preciso para que dê exemplo. O Brasil precisa virar esta página e parar de vez o trem fantasma. Não às emoções pouco republicanas.       

Nota: Foto obtida no Google Imagens


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Defendendo nossa Cultura

“Quem é de fato um bom pernambucano/espera um ano/e se mete na brincadeira/ esquece tudo/quando cai no frevo/e no melhor de festa/chega a quarta-feira”. Isto é verdade, quando dito e cantado ao som de uma bela orquestra de frevo, pernambucana da gema.  É parte do frevo canção de Luís Bandeira, de saudosa memória. Lembro disto nesses dias que antecedem o carnaval, coisa que mexe com todo bom pernambucano. Já fui um grande folião. Quando os clarins soavam à distância anunciando a chegada de Rei Momo, muitos antes de Zé Pereira, eu já estava a postos para curtir a folia que reinava na minha cidade. Era bem dentro do espírito do “entra na cabeça/depois toma o corpo/ e acaba nos pés”, imortalizados versos de Capiba, no frevo canção “Voltei Recife”. Bons tempos, os dessas canções, que já não voltam mais.
Luis Bandeira e Capiba ladeando Claudionor Germano, o maior interprete das canções dos dois
Desde os anos 60 do século passado  e inicio deste século 21 os festejos carnavalescos do Recife têm passado por fortes transformações suscitando muitas controvérsias dos estudiosos das manifestações culturais locais. Nos anos 60, a tradicional forma de festejo popular, no Recife, foi aos poucos perdendo a forma espontânea e tradicional, com o re-surgimento do entrudo que se instalou – lançamento de água, gomas, talcos, graxas, tintas etc – provocando muita violência e anarquia. Tudo em substituição ao belo e tradicional corso, com batalhas de confete e serpentinas, lança perfume e águas de cheiro. Os foliões fugiram das ruas, os blocos históricos se afastaram daquele mela-mela e o chamado carnaval de rua perdeu em muito sua beleza. Foi aí que os bailes de clubes dominaram até que o entrudo veio a ser proibido. Por longo período rolaram quatro noites de estrondosos bailes em salões fechados.
Contudo, como cultura é coisa enraizada na mente popular, o carnaval de rua voltou com força, em tons civilizados e fiéis à alegria geral. Isto a partir dos anos 80. Foi em Olinda que a coisa ganhou mais espaço. Surgiram blocos carnavalescos bem estruturados e hoje estamos experimentando novos tempos, embora que, muita coisa, ainda, mereça retoques. Tenho sido muito critico, nesses últimos tempos.
Infelizmente, quando o carnaval de rua voltou com força, alguns erros imperdoáveis foram cometidos. O governo municipal petista, por exemplo, na sua conhecida estratégia de faturar “por fora”, resolveu promover um tal de Carnaval Multicultural introduzindo atrações alienígenas – sem qualquer vínculo com a cultura pernambucana – para “animar” os festejos. Cachês altíssimos eram pagos em detrimento dos valores locais, seguramente, muito mais adequados à cultura do nosso povo. Dos ditos cachês altíssimos rolava uma boa grana por “debaixo do pano”, conforme se soube depois. Foi desse modo que empurraram, no ingênuo público, uma salada indigesta de achés, pagodes, boleros, funks e  rock, em pleno carnaval da terra do frevo e do maracatu. Por conta disso criou-se uma geração que abomina o frevo, o maracatu e os cabocolinhos. Um desastre irreparável.
Acompanhando de perto os festejos deste ano – ficarei por aqui – já observo algumas iniciativas louváveis. A Prefeitura do Recife está empenhada em contratar somente valores artísticos locais, a exceção de Elba Ramalho (a paraibana mais pernambucana que se tem noticia). Corretíssimo! 

A "pernambucana" Elba Ramalho.
Nada melhor do que pernambucanos para animar o carnaval de Pernambuco. Será assim nas ruas e foi desse modo no Baile Municipal, realizado na semana passada. Estou aplaudindo e me sentido feliz com essa atitude. De alguma forma e criticando os erros cometidos, dei minha contribuição para essa restauração. Estou encantado com a belíssima iniciativa de promover no espaço do Aeroporto dos Guararapes uma recepção deslumbrante para os que desembarcam nesta semana de carnaval. Clique em:  https://www.facebook.com/girley.brazileiro/videos/1516893591742836/ . Com muito frevo, passistas, trapezistas, orquestra de frevo, sobrinhas coloridas e muita alegria. São provas concretas do compromisso com a cultura local de quem, atualmente, governa o município e o estado.       
Porém (sempre tem um porém!), como nem tudo foi corrigido, não posso deixar de criticar o que ocorre, ainda, em certos pontos, que insistem trazer artistas de fora para alegrar nossas festas. A propósito disto, registro a infeliz atitude, recente, da direção do Clube Internacional do Recife de transformar seu famoso Bal Masquê (a mais antiga e tradicional prévia de gala do Carnaval do Brasil!) num mero show de baixíssima categoria com “artistas” inexpressivos no nosso meio social.

Jojo Toddynho e seus airbags. Cantar que é bom, não sai nada que preste.
Pensar em animar um público, que foi atrás de carnaval, com coisas patéticas e grotescas – Jojo Toddynho, Preta Gil e um outro funkeiro – foi de mau gosto e infeliz. Mesmo tendo incluído outro nome de respeito na programação a coisa desandou. Soube que rolou a maior vaia. Acho é pouco. O motorista de um casal amigo foi com a namorada (secretária domestica do mesmo casal) e achou um despropósito as apresentações e as pornografias declamadas.
Mas, ainda é tempo de salvar nossa cultura. Vamos aguardar com paciência porque o desmonte foi arrasador e exige tempo para resgatar. Tem jeito. Vamos brincar defendendo nossa tradicional cultura.    

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.    

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O ano já Começou

Mesmo em tempo de recesso, o Blogueiro não deixa de observar as coisas que rolam no entorno, na sociedade, na economia, na política nacional e, claro, no meio do mundo. Dizem sempre que o ano, no Brasil, só começa depois do carnaval. E a moçada leva a sério, o que não deixa de ser um equívoco.  Este ano, porém, não foi bem assim. Já começou e começou pesado. O julgamento do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, num Tribunal de Segunda Instância, em Porto Alegre, mobilizou a Nação de canto a canto, num clima de expectativa sem precedentes. Tanto o julgamento quanto o resultado, com uma condenação acachapante do réu, teve o poder de tirar todo mundo do dolce farniente deste verão.  Ou seja, o ano já começou de verdade em 24 de janeiro, dado a turbulência política reinante levando a que a Nação se ligasse antes do habitual no “rame-rame” costumeiro dos últimos anos. Também, pudera com um caso inédito como foi... Tive muita vontade de interromper o recesso, mas, segurei até hoje.
Essas coisas da atual política brasileira não acontecem por acaso. Na verdade faz parte de um longo processo de aperfeiçoamento das relações políticas desse “continente” que é o Brasil e que remonta desde a instalação da República. Revoluções civis, governantes despreparados, golpes de Estado, ditaduras civil e militar, eleições democráticas, impedimentos de mandatos são as experiências que se acumulam. Na prática, fica claro que não se administra um país tão grande e tão cheio de disparidades socioeconômicas, sem conflitos e dores, avanços e retrocessos. No fundo, no fundo, é benéfico aprendizado. Um dia chegaremos ao equilíbrio. Pode ser logo ou muito depois. Mas, pode.
Conversando, recentemente, com um amigo do tipo que eu chamo de “lido e corrido” (cidadão com muitos quilômetros rodados mundo afora, critico literário, cientista político refinado, apartidário, democrata e republicano) chegamos à conclusão de que todo esse “cataclismo” político que estamos vivenciando terá que resultar – cedo ou tarde – num aperfeiçoamento sociopolítico sonhado. É preciso sofrer para aperfeiçoar... Mesmo que políticos indecentes e cretinos insistam atuar nas altas esferas da República um dia poderão ser neutralizados pelos comprometidos com o povo e a Nação. Temos que alimentar esperanças. Nessa hora, recordamos de uma afirmação atribuída a Ronald Reagan, quando presidente dos Estados Unidos: “A política é supostamente a segunda profissão mais antiga do mundo. Vim a perceber que tem uma semelhança muito grande com a primeira.” Pois bem, quando deixarem de ter essa semelhança o nosso mundo pode mudar. É difícil, sabemos, mas, esperemos que o eleitor sendo educado e cansado de ser explorado venham distingui-los.
O que mais dói, nisso tudo, é como essa situação de instabilidade político-econômica consegue abalar a sociedade e as organizações, haja vista para o que se vive no Brasil de agora. Mergulhado na maior crise da História, o brasileiro assiste perplexo a desarrumação econômica, que se rebate de forma violenta em todas as atividades sociais e econômicas. O estrago foi sem precedentes e justo num momento em que o resto do mundo se comporta em expansão (inflação baixa, juros tendentes a zero, crescimentos a vista entre outras variáveis) ao se recuperar da crise de 2008. O Brasil perdeu esse trem da História. Fomos ludibriados com aquelas história de marolinha... Empresas se derretem, empregos desaparecem, mercado perde a dinâmica e o caos se implanta. Estima-se que vamos levar uma década para alcançar o ultimo vagão do trem que passou. Tudo por conta de uma infeliz escolha de líderes forjados em teorias e sistemas de governo superados, apesar de amplamente testados e abandonados por outras economias mais inteligentes e competitivas. Esse mundo inteligente e experiente avançou e escolheu o inexorável caminho da democracia neoliberal, enquanto alguns países despreparados politicamente, como o Brasil, se postaram em pontos fora da curva virtuosa e hoje amarga o dissabor da derrota social e econômica. Aqui na América Latina foi um clamor!
Curioso ainda é como esse estrago geral abala, até mesmo, núcleos de muitas famílias brasileiras. Não raro, as paixões políticas tomaram o lugar de outras paixões. Do futebol, por exemplo. Essas questões político-partidárias vêm eclodindo da maneira estúpida e com mais furor e rancor, entre membros de um mesmo clã. Mesmo aqueles bem estruturados e educados para viver em harmonia. Sei de histórias dolorosas e até preocupantes. São fraturas desnecessárias que tendem ser levadas para o resto das vidas, por razões sujeitas à mudanças constantes e sem futuro seguro. Magalhães Pinto, velha “raposa” política de Minas Gerais, disse um dia que “a política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. E é mesmo! Já vi coisas inacreditáveis. Para essas pessoas apaixonadas, por essa ou aquela corrente política, o adequado é saber usar da inteligência, para não passar por ignorante e aprender a viver democraticamente, isto é, saber escutar e buscar espaço para defender suas teses, sem paixões ou agressões, em nome da paz e da concórdia. Quebrar  vínculos familiares é burrice extrema, até porque uma nação se constrói com base nas Famílias. As unidas e consolidadas é óbvio. 
Bom, prá terminar esta conversa de ano novo, não custa nada lembrar que viver em Democracia exige bom intelecto, bem como inteligência emocional. Isto anda faltando no Brasil e em muitos brasileiros que se acham bem formados. Conheço alguns e de muito perto.

NOTA: Ilustração colhida no Google Imagens 

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Natal Cristão


Nada melhor nesta vida do que viver em PAZ e HARMONIA. Nesta época de Natal, como num passo de mágica, é exatamente isto que pregam os homens e as mulheres de boa vontade. Paz e Harmonia que, na verdade, deviam perdurar ao longo dos doze meses de cada ano e que infelizmente se dissipam com o passar dos dias.
Nesses dias do Advento, então, todo mundo se mobiliza para confraternizar e expressar o amor que alimenta e a harmonia que pretende construir, numa forma concreta. Interessante é que a mais  prática é exercitar o tradicional corre-corre às lojas e escolher um presente para alguém querido ou querida ou catar lembrancinhas para outros menos importantes, com tanto que se cumpra o ritual natalino. Tornou-se cultural expressar materialmente o amor e a harmonia, quando um abraço fraterno poderia ter um efeito igual ou maior. Outra preocupação são os cuidados exigidos pela montagem da Ceia Natalina. Peru, Tender, Panetone ou uma mesa de típicas regionais? Não importa. O que vale mesmo é o encontro da família e amigos. Roupas novas, sapatos lustrosos, presentes para crianças, adultos e idosos. Besteirinha para quem chega de repente e traz outra besteirinha. É interessante. Às vezes causam ansiedades. Em alguns países a troca de presentes, lembrancinhas ou besteirinhas se dá na Noite dos Reis Magos (6 de Janeiro) fazendo referencia aos presentes dos Reis do Oriente que levaram ao Jesus Menino ouro, mirra e incenso.  
Curioso é que essa euforia é quase sempre tão grande, ao ponto de fazer com que os convivas deixem passar despercebida a razão maior dessa esperada data: o Nascimento de Cristo Salvador. A bebida rola frouxa e os estômagos se empanturram sem que Ele seja lembrado. Bom seria que a imagem do aniversariante pontificasse em cada sala de festas. Bom seria louvá-lo e agradecê-lo pelo momento de união e pelas graças alcançadas no decorrer do tempo. Cantar, nem que seja, um simplório Parabéns Pra Você! Sim! O popular e mundialmente conhecido. Pode parecer tolo. Mas, cai bem no ambiente festivo. Garanto que todos cantariam.
Caro leitor, estimada leitora, nesta próxima noite de Natal, façamos um momento de oração, unamos nossos corações numa comunhão cristã e com o propósito de semear a PAZ e a HARMONIA que todos precisamos nos tempos por vir. Lembrando, inclusive, que a paz começa em cada um de nós. Católico ou Crente de qualquer outra rama cristã lembre-se Dele com Fé e Esperança. Mais do que nunca precisamos de momentos de reflexão, lembrando sempre que a vida é vivida de momentos. Valorizemos os momentos sublimes.
Outra sugestão, para antes da festa familiar, lembrar que enquanto muitos se fartam com ricas mesas, outros muitos, muitos mesmo, passam a noite sem que, ao menos, se lembre do seu significado e carecendo de algum alimento. Ser Cristão nessa época é ter piedade e espírito solidário levando uma contribuição para que proporcione a alguém um Natal ameno e sem Fome. Procure algum necessitado – sempre existe ao nosso redor – deseje um Feliz Natal, com um abraço ou simples aperto de mão. Ofereça algum alimento. Adoce as bocas dos filhinhos que tenham. Faça isto em nome de Jesus. Cada bolacha ofertada ou presente que for dado, simbolicamente, é dado a Ele na comemoração da sua data natalícia.
Finalizo percebendo que falei com o coração. Preferi não fazer o relato/balanço do Blog que anualmente faço e encerro desejando um Feliz Natal com familiares e amigos e que 2018 nos renda pautas mais amenas e com claros sinais de sucesso econômico e paz política no nosso Brasil.


NOTAS: O Blogueiro entra em recesso dando uma pausa nas emissões de posts até final de Janeiro. Salvo num caso muito especial.
A ilustração foi colhida no Google Imagens.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Olhando pelo retrovisor e buscando o porvir.

O ano está terminando e já vai tarde. Foi difícil pra caramba. Muita gente se perdeu no meio do caminho, inclusive aqueles que se julgavam imunes à crise e, até agora, buscam a saída. Ricos e poderosos foram parar no xilindró. Pobres, coitados, estão mais pobres por conta do abandono do Estado e muitos por conta do desemprego. O país entrou em seguidas convulsões. Pelo meu retrovisor ainda enxergo muito sujeito metido a dono do mundo sendo atropelado pela Lavajato e caindo nas garras da Policia Federal. E a Nação está mergulhada até o pescoço no mar da decepção e do descrédito.
Numa época em que olhamos pelo retrovisor e, ao mesmo tempo, buscamos caminhos para ingressar num novo ano com mais vigor e esperanças é impossível não se apartar dessas maluqueiras que assistimos e que não param de surpreender. Ainda existe muita coisa sem reposta plausível.
A esta altura de Dezembro, quando os sinos do Natal sugerem um tempo de paz e os augúrios para um Novo Ano são indispensáveis, fico matutando e imaginando a respeito deste 2018 que se aproxima. Como será que vamos transpô-lo? Não quero ser pessimista. Longe de mim. Mas, também, está fora do meu jeito de ser ficar dando uma de alienado.
Sendo assim, ando preocupado com o desenrolar de alguns eventos anunciados, como Copa do Mundo e Eleições gerais. Pense que caldo essas duas coisas vão produzir no novo ano. Haja emoções.
Na Copa, segundo dizem, os Cartolas da famigerada FIFA já se comprometeram de fazer o Brasil Campeão. Ou seja, corrupção explicita. Esses caras são descarados. Que graça vai haver numa coisa dessas? Mas, o brasileiro que está habituado à corrupções continuas vai achar normal e legal. Os políticos vão deitar e deslizar nessa maionese. E o pior, mesmo sabendo dessa tramóia, vou torcer pelos canalhinhos (o corretor de texto está insistindo que eu corrija e escreva canarinhos!) dando uma de tô-nem-aí. Afinal, pelo que dizem, foi sempre assim... Vendemos a Copa de 14 para os alemães e compramos a da Rússia por antecipação. Será que vai ser assim mesmo? Vamos esperar para conferir. 
Quanto às eleições gerais são outros quinhentos. Essa panela, que é de alta pressão, pode até explodir. Estou preocupado. Olhando, outra vez, pelo retrovisor me admiram essas pesquisas que vêm sendo divulgadas nas redes sociais dando vitória liquida e certa para o “Sapo (corruuuuuupto) barbudo” – que Deus nos livre – ou para o Boçalnaro – que Ele nos livre, também – são diagnósticos que arrepiam qualquer sujeito de são juízo. Onde vamos parar? Que dilema se essas duas figuras forem ao segundo turno! Prefiro não acordar desse pesadelo.

Pobre Brasil, triste Nação. Desconjuro, como diziam vovó! Aí, minha gente, na altura dos meus avançados tempos, só vislumbro duas alternativas: chorar ou rir. Chorar por não haver assistido – até agora – a consolidação do meu Brasil com Ordem e Progresso e rir por haver escapado das atrocidades que esses políticos indecentes me submeteram. Tem horas, que prefiro quebrar o retrovisor. Por exemplo, quando lembro do presidente Collorido, caçador de marajás, que com a viúva de Chico Anísio surrupiaram minha poupança (naquela ocasião eu havia aplicado o apurado na venda de um valioso imóvel!) deixando-me com uma mixaria na conta. Nem sei como não enfartei naquela hora.
Apesar disso tudo estamos firmes e fortes. O Brasil é muito maior do que esses salafrários e parece que Deus é mesmo brasileiro. Simbora prá frente! Que venham 2018!     

NOTA: Foto obtida no Google Imagens 

         

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Falta de Profissionalismo

Dias recentes uma notícia alarmante chamou atenção dos brasileiros e, certamente, de estrangeiros ligados às coisas do Brasil. Refiro-me ao resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG e publicado no que eles denominam de Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil dando contas de que em torno de 829 brasileiros morrem – diariamente –  nos hospitais públicos e privados do país por causas perfeitamente evitáveis. É algo assustador! Equivale dizer que a cada cinco minutos morrem 3 brasileiros por motivos banais e irresponsáveis. É a segunda maior causa de morte, atrás somente das doenças cardiovasculares. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, aproximadamente, 950 pessoas morrem por dia por esta causa.

Imaginem que por essa conta, em 2016, 302.610 brasileiros morreram por “evento adverso”, como denominam esses casos, no meio médico. Os motivos apurados foram coisas do tipo: erros de dosagens administradas, troca de medicamentos, medicamentos vencidos ou deteriorados, uso incorreto de equipamento, negligencia de profissionais, infecção hospitalar, entre outras causas inadmissíveis e banais. Coisas perfeitamente evitáveis, segundo os pesquisadores.
Aí está o que sempre venho dizendo: falta de profissionalismo do brasileiro. Tanto no meio médico como em várias outras atividades. Não tenho – pelo menos hoje – parâmetros mundiais para fazer uma comparação do caso em tela. Mas, nem por isso será motivo de relevar essa absurda constatação. Até quando viveremos nessa cultura do tô-nem-aí ?
E tem mais: fora os óbitos contabilizados, outro contingente de enfermos se salvam da morte, mas, restam com sequelas que os impedem retornar às atividades comuns, gerando frustrações e desequilíbrios psíquicos, além de elevado custo assistencial. Segundo a Pesquisa, em 2016, dos 19,1 milhões de internados nos hospitais brasileiros 1,4 milhão “recebeu alta” com sequelas irreparáveis.
por outro lado, entre os “eventos adversos”, um deles se destaca e se refere à “praga” da infecção hospitalar! São responsáveis por 14,7% das ocorrências indesejáveis. É doloroso saber que nos casos de óbitos, nos quais as infecções são mais comuns, resultam num alto grau de gravidade pelo seu caráter sistêmico. Ou seja, altamente transmissíveis e difícil de ser erradicada. Conheço pessoas que temem muito mais uma infecção hospitalar do que uma moléstia grave.
Há exatos dois anos fui submetido a uma cirurgia de grande porte para re-vascularizar meu músculo cardíaco. Sofri um infarte e fui levado dias depois à mesa de cirurgia. Da operação em si, posso afirmar que tudo me ocorreu às mil maravilhas e dada a competência da Equipe Médica. Não senti uma dor, por mínima que fosse, e hoje conto a história. Meu drama do pós-operatório ficou por conta de um “inferno” chamado UTI e, mês depois, uma tremenda infecção hospitalar de dentro para fora da minha caixa torácica. Uma desagradável surpresa, misturada a uma revolta sem tamanho. Como um hospital de referencia, no polo médico do Recife (tido como o segundo do país) pode ocasionar tamanha barbaridade? Operado em Novembro, somente em Março do ano seguinte fui tido como livre da “praga”. Lembro que na fase de recuperação, num apartamento do Hospital, o entra-e-sai de assistentes era simplesmente irritante. Aferiam minha pressão arterial incontáveis vezes por dia e tiravam meu sangue para medir a glicemia de duas em duas horas. A propósito disso, meus dedos ficaram iguais à tábua dos pirulitos de Seu Biu, que passava na minha casa, quando criança. Injeções e comprimidos? perdi a conta! E, no meio dessa “balburdia”, a mulher da limpeza, com um acintoso par de luvas infectadas de sujeiras hospitalares, claro, passava a mão na mesma maçaneta da porta que a enfermeira me prestava seus serviços de atenção e administração de medicamentos. Coisa de louco. Minha esposa que é Médica, e não me largou um só instante, querendo dar jeito nessa confusão insalubre, “declarou guerra” às assistentes e, não precisa dizer, angariou muita antipatia. Vai ver que a infecção que tive foi maldade das “profissionais” revoltadas. Sorte que minha primeira decisão pós-operatório foi acatar o “convite” de ir pra casa, formulado pelo cirurgião assistente que me deu alta no quinto dia de operado. Um alívio!  (leia também: http://gbrazileiro.blogspot.com.br/2016/01/a-qualquer-momento-tudo-pode-mudar.html )
Mas, a propósito de “inferno” chamado UTI, li na semana passada um depoimento de Cláudio Moura Castro, que transcrevo trecho, sob o titulo Abelhas... E quatro dias na UTI (Veja, Edição 2557, ano 50, Nº 47, 22.11.17, pp71) a respeito de sua passagem, de quatro dias, por uma dessas Unidades de um certo Hospital João XXIII. Não sei de onde.  Isso, após ter sido atacado de forma mortal, por um enxame de abelhas, certamente da espécie africana, num passeiozinho campestre, no dizer dele. Pois bem, a tal UTI descrita me fez lembrar a que vivi três dias, aqui no Recife. Segundo Moura Castro, “Dia e Noite brilhavam as luzes. Como os pacientes estão quase todos entubados e parecendo mais pra lá do que pra cá, as dezenas de funcionários e médicos conversavam, sem nenhum esforço para moderar o volume. Alguns falavam de medicamentos, uma do biquíni novo, outra da troca de turno com a colega.” Igualzinho à “minha” UTI. Relembrei minha fatídica experiência, em 2015. Não desejo a ninguém passar pelo que passei.
Os profissionais da área médica brasileira precisam urgente receber um choque de gestão hospitalar humanizada, respeitando o paciente e fazendo da sua profissão um nobre sacerdócio.

NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens 



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Além de Cartagena

Eu já havia dado por encerrado meus comentários sobre a recente ida à Colômbia, quando dei por conta que me escapou contar um pouco de algo extremamente atrativo para quem por lá andar e precisamente por Cartagena de las Índias. Pois bem: aquela região do Norte colombiano, banhada pelo Mar do Caribe, se torna mais atraente ainda quando focamos as ilhas e praias paradisíacas, espalhadas pela mãe Natureza na imensidão daquele avanço do Atlântico pelas terras do Novo Mundo, ora chamado de Golfo do México, depois Mar das Caraíbas e contemporaneamente de, simplesmente, Caribe.  Faça ideia, caro leitor ou leitora, de um mar com sete tonalidades de azul, no qual Deus caprichou ao salpicar porções de terra firme, cercadas dessas águas deslumbrantes. E tudo bem aproveitado turisticamente.  
Partindo de Cartagena, incontáveis lanchas ou barcos de diferentes portes conduzem levas de turistas, ávidos por aproveitar o sol, as praias tentadoras e muitas piscinas naturais. Claro que, com familiares e amigos, não deixei de aproveitar a oportunidade. E, Al Mare nos lançamos.
Lanchas rápidas fazem o trajeto entre Cartagena e as ilhas caribenhas.
Os colombianos estão muito bem preparados para operar a logística dessa vantagem comparativa turística que dispõem. Sabem desfrutar indiscutivelmente porque, afinal, não é todo país que tem esse privilegio de ser banhado por um dos mais famosos mares do planeta.
Existem diferentes formas de aproveitar um desses passeios: comprar o tour mesmo antes de chegar à Colômbia, fazer uma reserva e agendar na recepção do hotel onde hospedado, comprar o programa em algum restaurante (fizemos assim) ou ir diretamente ao Muelle de la Bodeguita, na área portuária de Cartagena, onde vários guichês atendem aos turistas interessados. Você pode optar por um programa bate-e-volta de um dia, que inclui translados de ida e volta mais coquetel de boas vindas e almoço ou, então, se sua intenção for de permanecer mais tempo, reservar uma hospedagem, levar sua bagagem e se instalar.     
Muelle de la Bodeguita. Observe uma bandeira do Brasil num barco ancorado.
Dessa vez fizemos um programa de um dia e elegemos a Ilha do Pirata, situada no arquipélago das ilhas do Rosário. Na verdade, existem outras várias opções e de grande demanda. Contudo, nossa escolha foi interessante e conveniente, pelas dimensões reduzidas da Ilha e pelo pequeno número de visitantes cada dia, 30 no máximo. Outras, como a Playa Blanca de Baru, são públicas e recebem multidões diariamente. Mais do que isso, permitem muitos ambulantes que, aqui pra nós, é verdadeira praga praquelas bandas. A ilha do Pirata, não. É uma propriedade privada explorada pelo próprio dono e extremamente aconchegante. Tem uma conformação insólita, que de pronto chama muita atenção aos que a visitam. Imagine que não tem praias e, ao invés disso, parecendo ser uma formação aflorando no mar é arrematada de piscinas naturais com águas translúcidas e temperatura tíbia que insistem em segurar o banhista nelas mergulhado. Foi Deus que fez assim para o deleite dos que têm a sorte de aportar por lá.
Ilha do Pirata numa vista aérea

Águas tíbias e cristalinas da Ilha do Pirata. 
Curioso é que nessas horas, não deixo de pensar no amadorismo com o qual nossas potencialidades turísticas são exploradas, principalmente em Pernambuco. Nota-se enorme  diferença entre os agentes colombianos e os pernambucanos. Quem sabe, um dia, um diiiia, vamos tomar vergonha e encarar o Turismo como uma mola propulsora do desenvolvimento.  
Piscina natural na Ilha do Pirata
Área social da Ilha com restaurante, bar e área de lazer
Foto da Ilha Pirata tirada através de um Drone. Forma de estrela.

Ocorre-me, por fim, registrar que existem outras ilhas mais movimentadas e com estrutura hoteleira significativa, além das pousadas mais rústicas e muito aconchegantes. Há, também, uma ilha em posição geográfica mais remota – pertencente à Colômbia – que é a ilha de San Andrés, situada ao largo da Costa Rica e Nicarágua. Explorada turisticamente, com magníficos hotéis, cassinos e grande rede de restaurantes. Seu acesso mais comum é por via aérea e atrai muitos turistas. Fora isto, para quem gosta de comprar compulsivamente, tem a tentação comercial de uma Zona Franca muito famosa na região.
Conselho: abra um mapa da região do Caribe e tente quantificar o número de ilhas lá existente. Depois deste conselho, resolvi que direi mais nada e, em compensação, vou rechear o post com fotos – que falam melhor – desse paraíso caribenho. Veja todas com atenção.
Na última foto veja o entusiasmo do Blogueiro diante de apetitoso caranguejo que foi direto para uma panela. Acepipe especial na Ilha. Degustado com cerveja bem gelada.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e da autoria do Blogueiro.      

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Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...