“Quem é de
fato um bom pernambucano/espera um ano/e se mete na brincadeira/ esquece
tudo/quando cai no frevo/e no melhor de festa/chega a quarta-feira”. Isto é
verdade, quando dito e cantado ao som de uma bela orquestra de frevo, pernambucana
da gema. É parte do frevo canção de Luís
Bandeira, de saudosa memória. Lembro disto nesses dias que antecedem o
carnaval, coisa que mexe com todo bom pernambucano. Já fui um grande folião.
Quando os clarins soavam à distância anunciando a chegada de Rei Momo, muitos
antes de Zé Pereira, eu já estava a postos para curtir a folia que reinava na
minha cidade. Era bem dentro do espírito do “entra na cabeça/depois toma o
corpo/ e acaba nos pés”, imortalizados versos de Capiba, no frevo canção “Voltei
Recife”. Bons tempos, os dessas canções, que já não voltam mais.
Luis Bandeira e Capiba ladeando Claudionor Germano, o maior interprete das canções dos dois |
Desde os
anos 60 do século passado e inicio deste
século 21 os festejos carnavalescos do Recife têm passado por fortes
transformações suscitando muitas controvérsias dos estudiosos das manifestações
culturais locais. Nos anos 60, a tradicional forma de festejo popular, no
Recife, foi aos poucos perdendo a forma espontânea e tradicional, com o
re-surgimento do entrudo que se instalou – lançamento de água, gomas, talcos, graxas, tintas etc – provocando muita violência e anarquia. Tudo em substituição ao belo e
tradicional corso, com batalhas de confete e serpentinas, lança perfume e águas
de cheiro. Os foliões fugiram das ruas, os blocos históricos se afastaram
daquele mela-mela e o chamado carnaval de rua perdeu em muito sua beleza. Foi aí
que os bailes de clubes dominaram até que o entrudo veio a ser proibido. Por
longo período rolaram quatro noites de estrondosos bailes em salões fechados.
Contudo,
como cultura é coisa enraizada na mente popular, o carnaval de rua voltou com
força, em tons civilizados e fiéis à alegria geral. Isto a partir dos anos 80.
Foi em Olinda que a coisa ganhou mais espaço. Surgiram blocos carnavalescos bem estruturados e hoje estamos experimentando novos
tempos, embora que, muita coisa, ainda, mereça retoques. Tenho sido muito
critico, nesses últimos tempos.
Infelizmente, quando o
carnaval de rua voltou com força, alguns erros imperdoáveis foram cometidos. O
governo municipal petista, por exemplo, na sua conhecida estratégia de faturar
“por fora”, resolveu promover um tal de Carnaval Multicultural introduzindo
atrações alienígenas – sem qualquer vínculo com a cultura pernambucana – para
“animar” os festejos. Cachês altíssimos eram pagos em detrimento dos valores
locais, seguramente, muito mais adequados à cultura do nosso povo. Dos ditos cachês
altíssimos rolava uma boa grana por “debaixo do pano”, conforme se soube
depois. Foi desse modo que empurraram, no ingênuo público, uma salada indigesta
de achés, pagodes, boleros, funks e rock,
em pleno carnaval da terra do frevo e do maracatu. Por conta disso criou-se uma
geração que abomina o frevo, o maracatu e os cabocolinhos. Um desastre
irreparável.
Acompanhando
de perto os festejos deste ano – ficarei por aqui – já observo algumas
iniciativas louváveis. A Prefeitura do Recife está empenhada em contratar
somente valores artísticos locais, a exceção de Elba Ramalho (a paraibana mais
pernambucana que se tem noticia). Corretíssimo!
A "pernambucana" Elba Ramalho. |
Nada melhor do que
pernambucanos para animar o carnaval de Pernambuco. Será assim nas ruas e foi
desse modo no Baile Municipal, realizado na semana passada. Estou aplaudindo e
me sentido feliz com essa atitude. De alguma forma e criticando os erros
cometidos, dei minha contribuição para essa restauração. Estou encantado com a
belíssima iniciativa de promover no espaço do Aeroporto dos Guararapes uma recepção
deslumbrante para os que desembarcam nesta semana de carnaval. Clique em: https://www.facebook.com/girley.brazileiro/videos/1516893591742836/ . Com muito frevo,
passistas, trapezistas, orquestra de frevo, sobrinhas coloridas e muita
alegria. São provas concretas do compromisso com a cultura local de quem, atualmente,
governa o município e o estado.
Porém
(sempre tem um porém!), como nem tudo foi corrigido, não posso deixar de
criticar o que ocorre, ainda, em certos pontos, que insistem trazer artistas de
fora para alegrar nossas festas. A propósito disto, registro a infeliz atitude,
recente, da direção do Clube Internacional do Recife de transformar seu famoso
Bal Masquê (a mais antiga e tradicional prévia de gala do Carnaval do Brasil!)
num mero show de baixíssima categoria com “artistas” inexpressivos no nosso
meio social.
Jojo Toddynho e seus airbags. Cantar que é bom, não sai nada que preste. |
Pensar em animar um público, que foi atrás de carnaval, com coisas
patéticas e grotescas – Jojo Toddynho, Preta Gil e um outro funkeiro – foi de mau gosto e infeliz. Mesmo tendo incluído outro nome de respeito na programação a coisa desandou. Soube que rolou a maior vaia. Acho é pouco. O motorista de um casal amigo foi
com a namorada (secretária domestica do mesmo casal) e achou um despropósito as
apresentações e as pornografias declamadas.
Mas, ainda é
tempo de salvar nossa cultura. Vamos aguardar com paciência porque o desmonte foi
arrasador e exige tempo para resgatar. Tem jeito. Vamos brincar defendendo nossa tradicional cultura.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.
11 comentários:
Muito bom Girley, como sempre tem escrito e fechou de forma grandiosa em criticar as péssimas escolhas que alguns ainda fazem em busca de dim dim.
Gostei e concordo com você!
Corumbá Guimarães
👏👏👏👏👏👏👏👏👏
Muito bom
Concordo em gênero e número
Rsrsrs
Bom carnaval
Vanja Nunes
Ótimas lembranças eu concordo com a nossa tradição dos nossos ancestrais prarabens e ótimo Carnaval!
Romero Marques
Girley querido e velho amigo que tanto prezo, meu abraço ! Você fez um relato completo , com elogios e também críticas que também concordo , parabéns ! Descreveu o carnaval da nossa juventude e mais iniciando com as músicas de Capiba e de Luís Bandeira. . Talvez esteja equivocada , mas quem é de fato um bom pernambucano é de Capiba , seu relato mexeu com minha memória ! Voltei Recife é de Bandeira . Mil desculpas !!!!
Nena Sultanum
Eita Nena Sultanum! Obrigado pela observação.
Ambas as musicas são de Luiz Bandeira
Nena Sultanum
Beleza Nena! Obrigado. Tomara q todos leiam estas observações.
GB
Primo me senti no túnel do tempo. Além de todas estas coisas boas de quebra, como a cereja do bolo, havia o “nosso” maravilhoso Corso. Te lembras?
José Mário Galvão
Como sempre, supimpa!!!
Bom Carnaval, amigo!
Edna Claudina
Me gusto tu artículo, en lo único q yo haría una crítica, es que no se trata de partidos, sino de personas. Estoy segura q no fue el partido el q dio la linea, sino el gusto de la persona, como el ejemplo que das de la presentación de artistas vulgares. Eso está en gusto de quien la invito. Pero aquí lo acertado es el regreso a la cultura Pernambucano, eso me encanta.
Susana Gonzalez
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