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sábado, 1 de novembro de 2025

Vai ou Racha

Indiscutivelmente, o assunto da semana, aqui no Brasil, foi a Megaoperação levada a cabo pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro para Contenção das ações abertas e descontroladas do Crime Organizado nas regiões dos complexos de favelas dos morros do Alemão e da Penha, Norte da Capital carioca, transformadas em verdadeiras republicas independentes. O resultado foi dos mais avassaladores que se tem noticia e a mídia vem classificando , com razão, haver sido a mais letal de todas as operações do gênero. Mais de 120 mortos é a conta mais divulgada. Vejo, sem discussão, como sendo uma marca realmente assustadora. É número de uma verdadeira guerra. E nem toda guerra! Nos últimos tempos estamos ouvindo falar de 8, 10 ou pouco mais de mortos, resultante de um ataque “corriqueiro” dos russos contra alvos na Ucrânia. São números vistos como absurdos. E, de repente, ouvindo falar de 120 ou pouco mais, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, causa espanto e desespero. Onde vamos parar? Não tenho noticias a respeito de tanta violência e falta de segurança pública, noutro país do mundo, quando comparando ao nível que vivemos no Brasil da atualidade. É seguramente o mais grave dos problemas que esta Nação amarga, nesses últimos tempos. O crime organizado vem crescendo a passos largos e se espalhando pelo país, construindo um poder paralelo sem limites e às vistas (muitas vezes míopes) de governantes incompetentes, irresponsáveis e negligentes, sempre preocupados em se manter no Poder a qualquer custo, inclusive com apoio das asociações desse crime organizado. Irrelevante dizer que o assunto deu realce a todos os matizes do espúrio jogo politico que se joga neste país de agora. Por um lado os que apoiam a atitude do Governo Carioca face à desbandeirada insegurança reinante na Cidade (antes) Maravilhosa versus a “turma” do Governo esquerdista que vem tapando o sol com uma peneira e embromando com promessas de providências que nunca chegam. Faz vergonha ver atitudes de (ir)responsáveis pelas pastas da Segurança Pública, quando no trato da questão e, digamos, fazendo “corpo mole”. Ao mesmo tempo, uma proposta de Emenda à Constituição, que promete soluções, tramita a “passos de tartaruga”, no Congresso Nacional, tendo, inclusive, o Deputado pernambucano Mendonça Filho como relator. Há uma serie de detalhes nessa PEC que exigem esforços e união para aprová-la. União que perece encontrar toda sorte de dificuldades a começar pelas altas ondas no mar da polarização ideológica e das diferenças do executivo federal versus os governos estaduais que disputam a posição de quem mandará mais. No Rio de Janeiro, o Estado garante que cansou de esperar pela ajuda federal e resolveu “fazer justiça com as próprias armas”. O Brasil se dividiu a favor e contra a atitude.
A meu ver, a situação é tão caótica e urgente que não cabe mais essa porcalhona divisão politico-ideológica reinante. A solução deste caso exige uma união de esforços nacionais sob pena de desaguarmos num mar de sangue e de incontrolável domínio. O crime organizado se espalhou. Combate-lo deve ser um compromisso politico de dimensões ilimitadas. No próximo ano teremos eleições majoritárias e este tema será pauta de prioridade máxima. Ou se acaba com o crime ou o crime acaba conosco. Tem que ser como no Rio de Janeiro: Vai ou racha! NOTA: Foto obtida no Google Imagens.

domingo, 8 de outubro de 2023

Rio Sangrento

Há poucos dias, uma amiga brasileira que vive na Suíça, seguidora deste Blog, me liga assustada pedindo noticias acerca da situação politica no Brasil e afirmando haver recebido um WhatsApp dando conta de que já se trava uma guerra civil por aqui. Naturalmente que compreendi a apreensão da amiga e, logo, considerei duas variáveis a pautar nossa conversa: a distância e a placidez do local onde ela vive e a proliferação das chamadas fakenews nas redes sociais brasileiras. Tentando acalmá-la garanti que, embora tantos percalços sócio-políticos a situação não pode ser tomada como uma guerra civil. Contudo, como a conversa bateu forte na minha cabeça, venho revendo minhas opiniões a respeito da situação reinante Brasil afora, admitindo que, com tantos focos de violência urbana e a impotência do Estado para estabelecer a ordem e a tranquilidade social, muitos são aqueles que enxergam a conjuntura como sendo de pura convulsão social. O recente episódio que resultou na morte – por engano – dos três médicos, de passagem pelo Rio de Janeiro, onde participavam de um congresso internacional configura uma verdadeira falência do Estado e a vitória do paralelo “estado” do crime organizado. É assustador o fato de que a mando dos chefões, quatro atiradores encapuzados executaram a “queima-roupa” quatro inocentes profissionais de alto nível, numa roda de conversa em aprazível quiosque na região da Barra da Tijuca. Os assassinos saíram crentes de que haviam eliminando um rival traficante, com o qual disputam o domínio de área de atuação. Um dos médicos era visivelmente parecido com o alvo da ação para a qual foram incumbidos. Ora, meu Deus, onde estamos? Em que mundo vivemos? Morreram sem ter ideia do motivo que foram vítimas. Inocentemente. Revoltante para os que ficam e que restam com o desafio de sobreviver ao clima tão pesado que se experimenta nos dias atuais. Mais curioso, ainda, foi o fato de que os próprios chefões traficantes, instalaram, dia seguinte, um “gabinete de justiça próprio” e decidiram pela eliminação dos suspeitos assassinos, depois encontrados mortos. O argumento noticiado é de que foram incompetentes ao executar a “encomenda” e, tão somente, buscaram evitar uma perda de tempo em ter de enfrentar embates com a Polícia na busca de investigar os motivos e os autores do crime. Assim. Simplesmente. Parece mentira. Aí, eu pergunto, com que cara fica o Estado Brasileiro e, particularmente, o do Rio de Janeiro diante desse Poder Paralelo que manda, desmanda e executa ao bel-prazer? Calcula-se que 25% da população do Rio de Janeiro vive sob as ordens dessas facínoras comandantes de territórios controlados pelo crime organizado. É um verdadeiro Rio Sangrento. Triste é saber que com o passar dos últimos tempos, outras grandes capitais ou cidades de médio porte no restante do país estão sendo alvos de fixação de gangs criminosas que fazem do tráfico de drogas a mola mestra das suas ações perversas e que deterioram o tecido social brasileiro a passos largos. Onde iremos parar? Estados do Nordeste, entre os quais Ceará, Pernambuco e Bahia já são locais onde o crime organizado têm praças estabelecidas e vêm tirando o sossego das populações. Nesses últimos dias ouvi falar em investimentos do Governo Federal em programas na área de segurança publico do país, setor onde o Poder vem sofrendo amargas derrotas.
Por curiosidade fui investigar no quanto andam os valores aplicados pelo Governo nesta seara. Para minha surpresa descobri que as despesas com a segurança publica correspondem a cerca de 1,38% do PIB, que, em 2022, beirou a marca dos R$ 10,0 Trilhões. Se esses bilhões aplicados são suficientes é uma questão a se examinar, mas, o que não resta dúvida é o fato de que na origem o problema da insegurança nacional reside na falha estrutura social que temos. O Estado não vem dando a devida atenção aos setores de base, sobretudo na Educação. Grande parte dos hoje marginais, que atuam nas hostes do crime organizado, são oriundos de uma parcela da sociedade que vive esquecida pelo Poder Público e, por isso mesmo, não tiveram oportunidade de se qualificar para se integrar à força de trabalho. Pesquisas recentes dão conta de que 35% dos jovens entre 18 e 15 anos não estudam e nem trabalham. É o Grupo dos Nem-Nem. Triste situação. Sem oportunidade de vencer na vida, são presas fáceis dos chefões milicianos que crescem em número. É assunto para muitas postagens. Lamentável.NOTA: Charge Ilustração obtida no Google Imagens.

terça-feira, 12 de julho de 2022

Rio Maravilha

Há locais que, quando chego, sinto a sensação de estar em casa. O Rio de Janeiro é um desses. Estive por lá, esses dias recentes, cumprindo um compromisso social familiar, ocasião em que, por oportuno, aproveitei para rever espaços e locais por onde vivi momentos memoráveis do passado, principalmente, da minha juventude dourada e onde aprendi a sentir o Brasil de raiz. A chamada Cidade Maravilhosa (para muitos, nos dias de hoje, Cidade Perigosa) continua sendo, indiscutivelmente, a mais linda do planeta. À proposito, essa classificação deixou-me com dúvidas durante muito tempo. Mas, depois de percorrer outras inúmeras paragens nos quatro cantos do mundo, não alimento mais qualquer dúvida. Ocorre, também, que o Rio tem uma magia especial e própria do local. Acredito que sejam o quadro natural, o colorido do mar e das matas, as montanhas que o emolduram e o povo ajudam de modo definitivo. Reina sempre um clima de festa. A gente que vive por lá parece saber melhor celebrar a vida. É um quê muitas vezes inexplicável e curioso. Dessa vez fiz questão de ficar hospedado em Copacabana. Por ali, consegui rememorar a efervescência da vida carioca. Na primeira oportunidade corri para o calçadão, à beira mar, e, como tantos outros, dei uma “manera” caminhada, respirando o ar do mar, sem máscara destes tempos abomináveis de pandemia, observando o comportamento daquela sociedade que não deixa a “peteca cair” e toca pra frente uma vida como merece ser vivida. Louras, morenas, jovens e velhas, corpos apolíneos ou ex-isto, brancos e negros, crianças, cadeirantes, enchem o calçadão no horário matinal do sábado, todos a caráter, como numa cena preparada para ser exibida aos meus olhos e na forma que desejei. Ah! Meu Rio de Janeiro, como me faz bem te rever. Quanta coisa boa me fazes recordar. A Copacabana de hoje difere bastante dos dias da minha juventude. Antes não havia o calçadão. Um grande aterro foi construído nos anos 70 e uma nova cara foi dada ao bairro mais famoso do Brasil. No passado, a Avenida Atlântica tinha apenas duas faixas de rolamento. Horas do dia, conforme o rush, invertia o sentido. O que existe hoje, uma vasta extensão de praia, abriga uma miscelânea de atividades que resume o espirito carioca: bares, restaurantes, ambulantes, feira de badulaques e souvenires, artistas em plena atividade, entre outros. Não agrada a muitos. É verdade. Mas, está tudo lá fazendo a festa.
O Rio, porém, não se resume à Copacabana, claro. Por sorte tive tempo de “baixar” em outros pontos tão importantes quanto os da área praieira. Fui, inclusive, ao bairro boêmio da Lapa, levado pelo meu filho digital-influencer numa das suas coberturas. O antigo bas-fond carioca é atualmente um local divertido, colorido e cheio de atrações. Vale à pena ser visitado. Bares e restaurantes, sambões e boates para todos os gostos fazem da noite carioca aquilo que o público nativo ou visitante procura. Estivemos num dos mais movimentados, o Carioca da Gema, onde uma parcela da bateria da Mangueira se apresentava e levantava a clientela na noite de uma quinta-feira. Fomos recebidos pelos donos do pedaço e, sem dúvida, foi bem divertido. Um capitulo à parte da cidade do Rio de Janeiro está no item da gastronomia. Come-se muito bem naquela cidade. Os cardápios são dos mais variados e para todas as exigências e desejos. Dos mais simples aos mais sofisticados. Mas, indo lá, prepare a carteira. As coisas não são nada em conta. Aliás, nem vou citar nomes para não cometer uma falta. Como pobre gastei mais do que devia. Mas, não tem dinheiro que pague um prazer fora do programa e de surpresa. Sim, porque cada vez que solicitei “passar a régua de uma conta” vinha uma surpresa. Não vou esquecer-me do quanto custou um café expresso, no Forte de Copacabana. Paguei. Claro! Mas, paguei certo que me cobraram a vista panorâmica de Copacabana no fim de tarde. Deslumbrante, tudo bem. Valeu Colombo!
Para não deixar de falar de insegurança, como é comum em qualquer local do Brasil de hoje, devo dizer que circulei, com minha família e em inúmeros pontos da cidade, com razoável tranquilidade e observei que a policia local está sempre alerta e de prontidão com guarnições motorizadas. Naturalmente que por onde estivemos a situação não oferece tantos perigos, mas, pergunto: onde se circula com segurança total, aqui no Recife? Ou em São Paulo? O Rio de Janeiro seria exceção? Salve o Rio! Sempre a Cidade Maravilhosa. NOTA:1)Fotos da autoria do Blogueiro. 2) Não deixe de ler na Coluna á direita a janela Para sua Reflexão

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Tragédia Anunciada

Impossível passar esta semana sem comentar a tragédia que arrasou a cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, deixando centenas de mortos, desaparecidos e flagelados. Indiscutivelmente, uma tragédia anunciada e mais uma dor de tamanho nacional. Petrópolis, a cidade imperial, sofre historicamente episódios dessa monta e tem sido tema recorrente, inclusive neste espaço, com o agravante de que, a cada ocasião, os relatos se tornam mais dantescos. O desta semana vem sendo considerado como o mais dramático pelas proporções descomunais. Na verdade, como já referido, não se trata de uma novidade para a população da região serrana daquele estado fluminense. O Museu do Império, instalado na mesma Petrópolis, guarda registros do diário do Imperador Pedro II narrando, de modo apreensivo, ocorrências de alagamentos e severas enchentes na cidade, como quem anunciava o que se testemunha nestes tempos recentes. Isto, por volta de 1850! Pelo retrovisor ainda se enxergam fortes marcas de grandes tragédias, como as de 1971, 1979, 1988, entre outras, que ao longo dos tempos vem destruindo a tradicional e aprazível cidade serrana. Aliás, sem esquecer que, não apenas Petrópolis é castigada pelas intempéries severas da estação das chuvas, mas, também, por situações, não raras, semelhantes passam as belas cidades de Teresópolis e Nova Friburgo, no mesmo estado. Sem ater-me aos dolorosos números da tragédia desta semana, porque isto os meios de comunicações não param de mostrar, a cores e ao vivo, prefiro arriscar comentários sobre essa condição desafiante que vem sendo o viver no Brasil do século 21.
Tragédias como esta recente e outras mais, tão difíceis quanto, são a resultante de um país cujos governos, nos três níveis administrativos, pouco se preocupam, salvo raríssimas exceções, em adotar politicas sociais e de infraestrutura eficazes em apoio à sociedade como um todo e, em particular, a grande parcela dos menos favorecidos, através de ações diretas e fundamentalmente básicas. Curioso, porém, é notar que na ocasião de cada tragédia, belas ideias e ajudas financeiras aos vitimados se multiplicam, erros são constatados e promessas animadoras rolam. Tudo com verve politica e manipulação eloquente, logo esquecidas à medida que a situação se acalma, isto é, os mortos são sepultados, as casas são limpas e recuperadas, o comércio reabre e a cidade volta a se movimentar. Tudo é passado! As propostas corretivas são esquecidas e por “sorte” coincide com uma eleição de novos gestores e a memória coletiva cai na velha e carcomida vidinha utópica. O manso brasileiro alimenta sempre uma boa esperança. Bom, neste inicio de século, as grandes cidades brasileiras estão abarrotadas de pobres em condições de vida subnormal, consideravelmente agravadas em face da crise gerada pela Pandemia do novo Coronavírus. O processo de urbanização, iniciado na segunda metade do século passado, continua intenso e tende a se elevar. Conforme o IBGE, na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) realizada em 2015, a maior parte da população brasileira - 84,72% - vive nas áreas urbanas. O restante, 15,28%, vive nas áreas rurais. Tem sido difícil fixar o homem no campo devido a uma serie de fatores bem evidentes, dos quais destaco três dos mais expressivos: a) intensificação das correntes migratórias incrementadas pelos modernos meios de transportes, pelas vias de circulação abertas, interligando regiões e o advento das modernas formas de comunicação e facilmente disponíveis; b) jovens que decidem não mais viver aos moldes roceiros dos seus ancestrais e, sem tardar, procuram viver aonde amenidades, formação e progresso profissional, além de vida mais lúdica prometem ser melhor, e c) o progresso acelerado do agronegócio e a mecanização intensa das lavouras afugentando a grande parcela da população economicamente ativa que, juntando o útil ao agradável, procuram soluções nas grandes metrópoles e cidades de porte médio. Petrópolis é um exemplo concreto desse movimento e não está isenta deste processo socioeconômico transformador. O mesmo pode ser dito sobre muitas outras cidades bem localizadas no território nacional e que ofereçam oportunidades de viver ou, ao menos, sobreviver. O resultado é que cidades sem condições infraestruturais são literalmente invadidas por levas de migrantes que se viram, ao modo que podem, correndo os riscos da chamada urbanização selvagem, caracterizada por habitações subnormais, comumente em íngremes e frouxas encostas e sem autorizações devidas. Naturalmente que nunca será tarde para lembrar que, como pano de fundo, falta educação básica e noção de civismo dessa população (incluindo a classe politica) que vive de forma renitente anunciando tragédias.

terça-feira, 11 de maio de 2021

Feridas Sociais

Dois episódios recentes que se desdobraram como um vírus – viralizaram, usando o neologismo – nas redes sociais deixaram escancaradas duas dolorosas feridas sociais do Brasil de hoje. Eu até resisti em registrar esses absurdos, mas infelizmente não dá mais para segurar. Fechar os olhos para essas coisas é o mesmo que concordar e achar normal. Neste Blog não há espaço para tanto. A primeira ferida mostra o descaso das autoridades para com uma imensa parcela da população que, sem espaço onde “residir” nas periferias, debaixo das pontes ou viadutos, sem meios mínimos de sobrevivência, acampam nas regiões centrais das metrópoles a espera de socorro e comida “pelo amor de Deus”. No Recife, capital do estado de Pernambuco e uma das mais populosas do Brasil, uma cena degradante, vem sendo viralizada na Internet, mostrando pedintes sem quaisquer condições de sobrevivência, precariamente acampadas numa das mais importantes e históricas vias da urbe, a poucos metros do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo estadual e às portas do Tribunal de Justiça do Estado. (Foto a seguir).
Creio que o local foi escolhido estrategicamente para pedir justiça e providencias para quem governa ou faz justiça. Pior ainda, é que a calçada histórica onde estão acampados é a do Convento e Igreja de Santo Antônio, que vem a ser um dos monumentos históricos dos mais notáveis do país. Ali, além do belíssimo Convento, se encontra um precioso Museu de Arte Sacra e a famosíssima Capela Dourada (vide foto abaixo) construída entre 1697 e 1724, famosa pela quantidade de ouro que ostenta no seu interior e incluída entre as dez mais belas do Brasil Colônia. Ou seja, uma das maiores atrações turísticas da cidade. Nessas circunstancias, visitante nenhum se atreve a atravessar aquele “camping” de miseráveis.
É uma ferida pútrida que não sensibiliza as autoridades constituídas e que, infelizmente, expõe de modo vergonhoso uma sociedade que se orgulha da sua história e seu patrimônio cultural. Abrigos dignos para esses pobres seria uma solução simples e barata. Contudo, só há recursos para fins espúrios e convenientes à manutenção do poder. Tirar a população da miséria é coisa de menor importância. Dói registrar esse drama neste espaço que almeja progresso e esperança para o bravo Leão do Norte. Acordem governador Paulo Câmara e Prefeito João Campos! Vossas Excelências não terão como pagar por essa irresponsabilidade!
Outra ferida estarreceu meio mundo. Repercutiu no exterior e assombrou os brasileiros ciosos dos seus valores patrióticos. Apanhadores de lixo urbano, após uma manifestação popular de grande massa humana, no Rio de Janeiro ou São Paulo, recolhem os dejetos (latas de refrigerantes, embalagens de lanches, copos plásticos e similares) com “ajuda” de uma bandeira nacional encontrada perdida no meio do lixo. Inacreditável. Não há comentários que possam classificar tamanha falta de cidadania e patriotismo. São valores malévolos que se exacerbam no meio de uma sociedade que vem sendo sistematicamente abandonada pelos governos irresponsáveis que se sucedem e não encontram meios de preparar o cidadão comum, desde a menor idade, com princípios de cidadania e patriotismo. Mal se preocupam com ensinar o bé-a-bá ou 2 + 2 são 4. Triste Nação que se diz “Gigante pela própria Natureza” e só vê sinais de patriotismo num campeonato mundial de futebol, quendo o pavilhão nacional substitui a bandeira do Flamengo ou do Corinthians. Duas feridas difíceis de sarar. NOTA: Fotos obtidas nas redes sociais e no Google Imagens

domingo, 5 de abril de 2020

FREIO DE ARRUMAÇÃO

É sabido popularmente que quando um ônibus está lotado e os passageiros de pé insistem em permanecer próximos à porta de desembarque, mesmo havendo espaço vago em boa parte do coletivo, o motorista matreiro dá um freio brusco que, pegando de surpresa os conduzidos, espalha gente por toda área disponível. A essa estratégia se chama de “freio de arrumação”. Pois bem, em tempo de quarentena, tenho visto a situação imposta pela Pandemia do Coronavírus como sendo um freio desse tipo à Humanidade. O mundo inteiro estava numa corrida sem limites na busca do possível e do impossível entregues às asas do imaginário coletivo e da fantasia. Posso estar equivocado, mas antevejo tempos em que iremos enxergar com nitidez onde erramos e como contribuímos para construir o caos que estamos experimentando. Não! Não vou apelar para referenciais religiosas e, muito menos, políticos que muitos usam na tentativa de explicar. Esses já estão bem explorados. Ao invés disso vou tentar explorar algumas vivências e reflexões que fiz ao longo da vida. Para inicio de conversa, tudo me leva a crer que o mundo será outro quando sairmos dessa “viagem” dentro de quatro paredes. É, um mundo novo está nascendo.
O fenômeno da urbanização acelerada e tresloucada pode ser vista como um bom dos  exemplos mais concretos e, indiscutivelmente, revela a ponta de um tremendo iceberg. É nesse cenário que vi e nunca entendi o porquê das extravagâncias dos nossos jovens em termos de consumo de álcool e drogas, ilimitadamente, mesmo que alertados pelas possíveis consequências maléficas. Menos ainda pelas irrefreáveis curtições das orgias sexuais. O HIV respondeu duramente e estabeleceu seu freio de arrumação.  Ainda assim, nossos jovens se excederam. Muitos vivem hoje sofrendo as consequências indesejáveis. Pintaram e bordaram desbragadamente, até agora. Tocaram fogo a eles próprios. Lembremo-nos do incêndio na discoteca Kiss (Santa Maria – RS) que foi um exemplo trágico. Observem que a História mostra haver sido a industrialização maciça e a produção de serviços que provocou a migrações de grandes levas populacionais para os gigantes centros urbanos de produção, atraídos pela elasticidade da oferta de empregos e as promessas intermináveis de sucesso. Sem esquecer da vida infinitamente mais lúdica. O resultado desse fenômeno são as favelas das grandes urbes do planeta e uma população apinhada em espaços exíguos a despeite dos grandes espaços vazios, geralmente disponível no meio rural. No Brasil essa coisa é concreta e não vislumbro freio de arrumação que conserte a situação. Já observei quadros idênticos em metrópoles outras, entre as quais: Xangai, Caracas, Seul e Nova York. Nesta última, a grande metrópole mundial e dita Capital do Mundo, a coisa não é fácil. À exceção do que se observa na 5ª. ou Park avenues, onde magnatas se instalam nas penthouses douradas e vislumbram, passivamente do alto, os arredores com milhares de edifícios residenciais da charmosa Manhattan, onde vivem milhões de seres humanos apinhados em quitinetes apertadas e respirando ares comuns nem sempre recomendados. É um mar de imigrantes nacionais e estrangeiros. Desça na Estação Canal Street do metrô e se detenha a observar. No bairro do Village, a coisa é quase indescritível. São, na grande maioria, moradias de um único cômodo onde vivem três ou quatro pessoas. Ratos, baratas e muita pulga é coisa trivial. Vi com meus olhos. Frequentei, até. Ou seja, em Manhattan existe uma favela diferenciada tão insalubre como qualquer outra Brasil afora. Por isso, não me surpreendo quando ouço falar do avassalador ataque do Covid-19 naquela cidade. E a coisa não é diferente nas grandes cidades da Europa. Nem preciso falar...
"Favela" de Nova York
Numa viagem à China (2010) observei, em Xangai, a demolição de bairros populares inteiros e a população sendo transferida para edifícios nas franjas da metrópole. Populares também, mas com melhores condições de vida. Conversando com o guia da viagem fiquei sabendo que aquelas vilas típicas e de beleza original – à proposito, lindas – eram alvos de demolição, do Governo Central Chinês, com vista a erradicar focos de corriqueiras doenças contagiosas e que punham em risco a sociedade moderna da dinâmica e pretensa capital do Mundo (!). Foi também um freio de arrumação! Lembrei, na ocasião, que aqui no Brasil as populações em condições de risco só são deslocadas quando o espaço que ocupam (invasões, geralmente) deve dar lugar a grandes avenidas, obras de interesse do politico local e coisas semelhantes. Interesses para preservar a saúde pública é assunto marginal dos projetos.
Demolições do tradicional em Xangai  
Mas, voltando à ideia de Novo Mundo que pensei, acredito que, antes de qualquer coisa, os humanos serão necessariamente mais limpos. O exercício de lavar bem as mãos de agora será uma prática de rotina. As relações humanas serão mais solidárias. A natureza será mais respeitada. O reino animal, também. E, por fim, as relações político-econômicas, as internacionais sobretudo, vão sofrer a mais revolucionária das mudanças. O nacionalismo radical pode recrudescer, a divisão internacional do trabalho será revista, o mercado internacional, por consequência, será motivo de grandes encrencas e os grandes conglomerados econômicos vão tremer diante das novas ordens. Será um processo penoso e de longo prazo. Quem viver verá. E que se segure porque o freio de arrumação vai ser inexorável e vai pegar a todos. Pior, porque sem surpresa.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens                    

sábado, 13 de abril de 2019

Segura, meu povo.

Depois de um verão escaldante, entramos na estação das chuvas que são bem-vindas para aliviar o sufoco do calor que sofremos nesta última temporada. Contudo, ao mesmo tempo em que se experimenta um clima mais ameno, as chuvas copiosas proporcionam agruras e muito desespero para os que vivem nas grandes cidades do país. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e aqui no Recife vêm sendo registrados grandes temporais e vendavais deixando estas, entre muitas outras cidades, em clima de polvorosa e com saldos aterradores de desabamentos, soterramentos, enchentes, feridos e mortos.
Nessas horas, as autoridades, sobretudo os prefeitos municipais, são chamadas à responsabilidade e, no geral, fazem suas defesas, com teses indefensáveis, acompanhados dos seus proselitismos políticos sem a menor cerimonia. Sem falta dos votos de profundo pesar às famílias atingidas. Sempre visando ao próximo pleito eleitoral, porque afinal nenhum deles quer perder a boquinha de um cargo de executivo.
Todo ano é assim: caem barreiras, desabam prédios, rios sobem de níveis, canais transbordam, avenidas viram cursos de água, veículos naufragam, desaparecem e morrem pessoas e, por fim, se instala o clima de perdas e tristezas. Calamidade geral. Até que o sol tropical volte a brilhar, secar e esquentar os terrenos, ajudando a esquecer das tragédias. Promessas feitas sobre escombros, lanchas e helicópteros salvadores são apagadas das memorias, na maior rapidez. A vida continua, até que os dramas sejam revividos na invernada seguinte. Ah! Nesse ínterim, uma desculpa vai logo sendo elaborada e passa obrigatoriamente pela falta de recursos financeiros.
Na verdade, recursos financeiros são escassos, mas, a rigor, não faltam. Faltam sim, compromisso e responsabilidade administrativa dos burgomestres e governadores estaduais que estão muito mais preocupados em aplicar os escassos recursos financeiros nas obras que lhe rendam os créditos de votos nas urnas eleitorais da eleição seguinte.
O Recife, por exemplo, é uma cidade cortada por rios, riachos, córregos e muitos canais. Foi erigida sobre manguezais. Administrar essa rede hidrográfica pode ser complexo. Mas, não impossível, visto que se faz necessário. Outro dia, escutei de um funcionário da Prefeitura algo estarrecedor. Disse-me ele que o transbordamento de um canal até ajuda na limpeza da cidade. Explicou que a sujeira do transbordo se espalha pelas vias públicas e o serviço de limpeza aproveita e leva as tralhas que se espalham. Ora, minha gente, se o transbordamento já se deu em face da sujeira acumulada no leito do canal, como entender essa “estratégia”?. Deve ser, assim mesmo, no Recife, no Rio de Janeiro, em São Paulo e alhures.
Pensando com uma visão mais elástica, esse problemão urbano brasileiro é um desajuste em cadeia. A população, sem educação e orientação, joga todos seus dejetos e descartáveis imagináveis nos cursos d´água, a Prefeitura não os colhe porque o dinheiro é curto e o serviço de limpeza urbana é parcial e ineficiente. As estações de bombeamentos são inoperantes! A chuva vem, inunda e está feito o estrago, antecedendo uma ainda maior que é a insalubridade. Leptospirose, hepatites, febre tifoide e dengue são algumas das enfermidades que grassam nas populações atingidas. E não tem prefeitura que segure o tranco. Pobre brasileiro.  
O rio dos Aflitos (Recife)
O temporal que caiu no Recife, ontem (12/4/19) foi o retrato dessa vergonha. Minha rua, situada num dito bairro nobre da cidade, se transformou num grande rio. Como não dispus de uma lancha ou carro anfíbio fiquei retido em casa até que o “rio” secasse. A maioria das artérias da cidade ficou submersa em poucos minutos. Até altas horas havia avenidas tomadas pelas águas.  Enquanto esperei que o “rio” da minha rua baixasse, assisti pela TV um drama semelhante que viveu o Rio de Janeiro, atingido por vendavais contínuos durante a semana e amargando um desabamento de prédios que tirou vidas e feriu varias pessoas. Pobre povo brasileiro. Pobre povo recifense que está à mercê de uma Prefeitura que vive na esteira do se manter no poder, a qualquer custo, e não cuida bem da cidade. Segura, meu Povo!
Nota: Foto da autoria do Blogueiro

segunda-feira, 26 de março de 2018

Radicalismo Político


Venho acompanhando, pelas mídias disponíveis, esse dramático episódio do assassinato da Vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro. Nunca havia ouvido falar do nome dela. Certamente era mais conhecida naquela cidade. Acredito, mesmo, que se tratava de uma ilustre desconhecida no restante do país. Mas... De repente, explode no Brasil, uma comoção generalizada sobre o ocorrido e, claro, a repercussão avassaladora que causou dentro e fora do nosso território. Claro que é abominável qualquer tipo de crime dessa natureza e, ainda pior, quando se configura como sendo uma execução encomendada. Com razão tanta comoção. Está claro que foi um atirador experiente contratado para dar cabo à vida de alguém marcada e que incomodava muito, como foi o caso dessa parlamentar. Teria sido apenas um número a mais nas estatísticas sangrentas do dia-a-dia carioca, como foi o caso de uma médica colhida pela morte através das mãos de bandidos sanguinários, na mesma semana e mesma cidade. Mas, não. Ela deixa de ser apenas mais um numero, pelo currículo político que ostentava, resultando numa consagração beirando a imagem de mártir política naquela cidade.
Marielle Franco e Anderson Gomes
 O que mais me impressiona, contudo, é o fato de como esse caso foi capitalizado pelas forças políticas – direita e esquerda – cada vez mais exacerbadas e rachando em duas bandas uma sociedade carente de soluções apaziguadoras. O radicalismo político parecia já estar esperando um episódio como este para destilar o ódio que acumulam ao longo desses últimos anos. Adversários passaram a ser inimigos ferrenhos, esquecendo o objetivo maior que é o bem da Nação. Não apenas os cariocas, mas, os brasileiros como um todo clamam pela paz social perdida.
Entrementes, à medida que o caso vem sendo investigado, destilaram-se, particularmente nas redes sociais, noticias das mais contraditórias a respeito da vereadora assassinada. Os seus correligionários insistem que se trata de um crime político praticado pelas forças militares instalados no estado do Rio, via Intervenção Federal. Ao mesmo tempo, os opositores garantem que foram criminosos integrantes de facções de bandidos que se digladiam nos subúrbios da cidade, para os quais a vereadora e seu partido político (PSol) prestava e/ou prestam relevantes serviços assistenciais. Afinal, onde reside a verdade? Infelizmente, tem sido sempre assim, nos anos recentes, aqui no Brasil. A sociedade e os eleitores, inclusive neste crucial ano de eleições gerais, veem-se em estado de perplexidade coletiva sem achar um Norte que lhes aponte um caminho seguro.
Curioso e até espantoso é que, ao mesmo tempo, uma tremenda onda de difamação contra a parlamentar se espalhou nas redes sociais, de tal ordem e dimensão que fica difícil separar o joio do trigo e entender quem foi, de fato, essa desconhecida senhora. Mulher, negra, lésbica, favelada ou ex, política, militante aguerrida, entre outros atributos pessoais, foram elementos exploradas que compuseram a “farra” dos seus opositores e a transformaram na figura mais ignóbil e noticiada, nos últimos tempos, no Brasil.
Ora, meu Deus, façamos uma pausa para refletir um pouco sobre o ambiente no qual essa vereadora atuava, isto é, o temeroso estado do Rio de Janeiro que, infeliz e ironicamente, está mergulhado no pior momento da sua história. Quebrado financeiramente, desgovernado, situação reconhecida publicamente, inclusive pelo seu próprio governante, pediu e continua pedindo socorro aos poderes federais. Socorro urgente! Portanto, nada mais certo do que aportar com essa ajuda. Agora, aproveitar a situação de comoção coletiva que se instalou e condenar a chegada das forças federais para promover a ordem é no mínimo insano, da parte desses políticos de esquerda. Ora, se o Governo que eles elegeram declarou-se fracassado em governar, a quem pedir socorro? Claro que é, sem dúvida, uma estratégia arriscada, desafio formidável para o Governo Federal e principalmente para o Exército como falei, aqui, algumas semanas atrás. Penso que o que resta aos cariocas, e principalmente aos políticos locais é apoiar, unidos, essa estratégia extrema. Questão de vontade política e amadurecimento democrático.
Sabe do que mais, sem mais argumentos para tecer outros comentários, encerro considerando fundamental que se esclareça esse crime da vereadora para o bem da operação militar instalada. Foi mais um, sim. Milhares de outros estão sendo cometidos a toda hora nas redondezas da Cidade Maravilhosa. É aterrador. Que punam os criminosos e o Brasil fique sabendo da verdade. Inclusive, que o Brasil fique bem nas fotos que o mundo está produzindo em serie. Oxalá, sem radicalismo político e com justiça social. Pode ser utopia e eu sei. Mas, não custa nada pensar assim.     

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens           

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Emoções pouco republicanas



Faz algum tempo que venho comparando o Brasil de hoje a uma corrida num trem fantasma do Playcenter. Um susto a cada dia como um susto a cada curva no tal trem. Estes últimos dias, por exemplo, têm sido pródigos neste clima.
Acompanhei, dias passados, o debate e a luta do Governo para aprovar a necessária reforma da previdência social. Quando a coisa parecia chegar aos finalmente, o Presidente da República decreta, repentinamente, uma intervenção militar na segurança do Rio de Janeiro, mesmo sabendo que, conforme determina a Constituição Federal, inviabilizaria a continuidade da tramitação do projeto de reforma no Congresso Nacional. Foi oportunismo do Temer? Anteviu a derrota no Congresso? Era mesmo necessária essa medida extrema no Rio? São muitas as controvérsias, o assunto está rolando e, pelo visto, vai durar muito. Como a dita intervenção pode durar até 31 de dezembro, já imagino como será durante a campanha eleitoral. Como era de se esperar, virou-se a página e eclodiu um novo bate-boca no país inteiro. Mas, vejamos por parte.
Somente a oposição ao Governo e seus asseclas são contrários ao projeto da reforma previdenciária, embora que seja um tema que vem sendo “empurrado com a barriga” há muitos anos. Perde-se de vista o ano em que se começou a falar disto. Aliás, o programa das reformas gerais está pairando sobre Brasília há muito tempo. Entra governo, sai governo, independente da coloração partidária e o assunto do déficit previdenciário, das reformas trabalhista, fiscal e eleitoral, do custo Brasil, entre outros correlatos, não saem de pauta. Mas, cadê coragem para enfrentar a “onda”? Mesmo sabendo que sobram razões lógicas, as autoridades de plantão fogem da raia e só se preocupam em defender seus interesses, isto é, faturar votos nas urnas, manter-se com fórum privilegiado, dinheiro fácil no bolso, mordomias dispensáveis e outras cositas más.
No caso de uma reforma previdenciária, o mundo inteiro já percebeu o quanto isto se faz necessário. Países mais avançados já trataram disso, ainda que enfrentado oposições e dificuldade políticas. Ora meu Deus, o mundo mudou, vive-se muito mais, enquanto a atual legislação está anacrônica. Se não for revista, vai remeter a sociedade a um caos iminente. Pensando seriamente, estamos caminhando de modo célere para uma organização social com poucos produzindo para sustentar milhões de aposentados. A “curva fechada” dada pelo nosso trem, nesta semana, provocou um retrocesso significativo no programa das reformas. Estamos perdendo uma valiosa chance de emplacar essa mudança. Infelizmente tornou-se inviável, devido ao atual clima político e dada a ausência de uma coalizão política para viabilizar o projeto. Ficou para o próximo presidente. Dependendo da vontade e da coragem política dele.
E a intervenção no Rio de Janeiro? Eis aí outra questão delicada a ser entendida. Seria mesmo necessária? Mais uma vez a sociedade se divide e discute com curiosidade o significado da coisa. Alguns acreditam que sim devido a difícil situação dos cariocas. Estado quebrado, salários atrasados, políticos presos por corrupção, conselheiros do Tribunal de Contas do estado presos, o crime organizando mandando e desmandando, balas perdidas a toda hora, miséria geral. Nunca se viu tanta insegurança na cidade cartão-postal do país. Até que faz sentido a intervenção, visto por esse prisma, diante da incapacidade do estado fluminense. Mas, estamos falando de intervenção das forças armadas para exercer papel de policia. Que não é papel delas. Corre-se o risco de insucesso e resultar numa desmoralização da instituição ainda respeitada pela sociedade. Será que Temer fez certo? Só Deus sabe! Além disso, uma pergunta não tem resposta imediata: é somente lá? Parece que não. Estados como Rio Grande do Norte, Amazonas, Ceará, até o distante e sempre tranquilo Acre veem-se em situações concretas de insegurança. Caberia intervenção nesses estados? Desafio dos pesados. E pensar que aqui em Pernambuco a coisa não é diferente e a Estado não está dando conta do recado. Somente nesses primeiros dois meses do ano já foram assassinados quase duas centenas de indivíduos.
Em meio a isto tudo, há também lances digamos que cômicos, nesta semana: a nomeada Ministra do Trabalho, Dep. Cristiane Brasil, desistiu de assumir o cargo, depois de ficar mais do que provado sua falta de lisura na condução de questões trabalhistas com seus próprios empregados. E por ultimo, hoje (23.02.18), explode uma bombinha engraçada que foi a denuncia de que o Ministro interino da pasta do Trabalho responde processo por praticar roubo de energia elétrica. Usou de um “macaco” como se diz aqui em Pernambuco ou de um “gato” lá pelo Sul. Parece brincadeira. Mas, será possível, que todo mundo é ladrão? É rir pra não chorar. Haja emoções, para cada dia ou cada curva do trem.
O cidadão brasileiro está refém desse desarranjo social e sem esperança imediata de como se safar. Tudo isto como fruto de governos irresponsáveis que não souberam estabelecer politicas governamentais voltadas para o bem-estar social deixando o povo sem digna assistência à saúde, sem educação, sem emprego, sem habitação, sem nada! O tráfico de drogas rola solto e se revela para muitos – crianças, jovens e adultos – como meios de vida fáceis e rentáveis. Abastecem os viciados das altas rodas, inclusive políticos de renome. Na mesma esteira prosperaram a prostituição, o crime organizado e a corrupção. Também pudera, ao invés de investimentos com vistas à elevação da qualidade de vida do cidadão comum, investiram-se milhões e bilhões de Reais em realizar dois megaeventos mundiais – Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas – coisas mais próprias para países ricos e sem pobreza que nem o Brasil. Quanta irresponsabilidade. Circo para um povo faminto, sustentado pelo Bolsa Família, que não foi aos jogos da Copa e nem às competições olímpicas. E nem lucraram com esses eventos. Assistiram tudo à distancia e não perceberam que os gastos astronômicos aplicados pelos governantes irresponsáveis foram em detrimento do seu bem-estar social. Agora, o que resta é chorar pelo leite derramado.
Tomara que a intervenção no Rio dê certo. Tenho dúvidas. Mas, é preciso para que dê exemplo. O Brasil precisa virar esta página e parar de vez o trem fantasma. Não às emoções pouco republicanas.       

Nota: Foto obtida no Google Imagens


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Uma semana desastrada

Os dias recentes não foram fáceis. Foi uma semana pesadona. Aliás, os dias recentes e os muitos antecedentes. Assistir aos noticiários da TV, do rádio, ler os impressos ou acessar qualquer outro veículo de comunicação tem sido um verdadeiro exercício de estresse ou resignação diante das tragédias que rolam aqui, ali e acolá. Ideal mesmo seria seguir o conselho dado, na TV, pelo Presidente da John Deere do Brasil, Paulo Herrmann, em recente evento no Rio G. do Sul: “pare de assistir a TV, radio e ler os jornais e passe a acreditar mais no que você pode fazer. Este país que é mostrado nesses veículos de comunicação não nos pertence. Unamo-nos para retomar os destinos deste país de futuro”. Admiro essa ideia, mas, tenho imensa dificuldade de me desligar do Brasil que rola perto de mim e é estampado sem piedade na mídia. A John Deere é líder mundial na produção de máquinas e equipamentos agrícolas, com importante unidade no Brasil.
Enquanto não consigo adotar a sugestão do empresário, vou levando e fazendo meus comentários nas postagens semanais. Como estava dizendo, a semana passada foi uma sucessão de tragédias, desacordos  diplomáticos e convulsões politicas para deixar qualquer ser racional e de são juízo em estado de alerta, para não dizer de pânico. Imagine que até o fim do mundo foi anunciado! Como acompanhar essas coisas de forma passiva? Comigo não funciona. Sinto temores. Por que não? Sou humano, tenho sistema nervoso atuante, sangue nas veias, coração “remendado” e disposto, além de mente aguçada. Afinal, penso. Então estou vivo.
Como dormir tranquilo sabendo que dois proeminentes mandatários, com atitudes de loucos, trocam insultos ofensivos, ameaçam a paz e o equilíbrio universal? Como ficar alheio às noticias de que aquele norte-coreano segue lançando mísseis experimentais de longo alcance e efeitos destruidores?  Estamos longe deles, mas, uma decisão açodada nos jogará numa hecatombe universal.
Ao mesmo tempo, a Natureza em espasmos atabalhoados resolve soprar ventanias mais fortes que as de costume e, de modo furioso, varre países, cidades e seres humanos da face da Terra, deixando saldos dolorosos, castigando povos já sofridas em face das suas pobres e renitentes condições de vida. Esses furacões de setembro – Irma e Maria – na parte tropical do Hemisfério Norte assustam e comovem, enquanto enchem de pautas a mídia internacional. As imagens são chocantes. Também, com os modernos e rápidos meios de comunicação essas cenas são transmitidas ao vivo e a cores deixando o mundo em estado de perplexidade.
Pobres e arrasados por capricho da natureza
Como se não bastassem as varreduras de Irma e Maria, a Mãe Terra, parecendo tremer de medo destas duas “senhoras” agitadas, resolve fazer uma “reforma de piso”, reajustando suas placas tectônicas, no lado Ocidental da América do Norte, provocando um transtorno sem tamanho preciso em dois pontos do território mexicano.  Ora, meu Deus! Por que tudo isso de uma só vez? Atento a todas essas movimentações acima do Equador, confesso que não tive muita paz de espírito, nesse tempo tumultuado.
Prédios inteiros desabados 
Tenho vários amigos no México e não sosseguei enquanto não obtive noticias de cada um. Alguns sofreram abalos físicos e emocionais inesquecíveis. Agora são vidas marcadas pela tragédia. Vidas amigas que, por sorte, salvas em meio a esse desmantelo coletivo. As imagens que chegaram até nós e no restante do mundo foram e ainda são aterradoras. No balanço provisório sabe-se que vidas foram soterradas, famílias inteiras apagadas, com seus projetos e ilusões, sumiram em meio a poeira levantada das crateras abertas, prédios, casas e grandes edifícios desmoronados. Dói muito saber que vidas inocentes desapareceram para sempre como as daquela escola onde quase trinta crianças morreram sob os escombros.
Vidas, patrimônios perdidos no meio escombros e muita poeira.
Mas, aqui em Casa as coisas não foram nada fáceis, também. Fora a guerra suja que se trava ininterruptamente em torno do Palácio do Planalto, tivemos o deflagrar de uma “guerrinha civil” na Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, que rola até hoje e causa preocupações infinitas, visto que pode contaminar inúmeras outras praças do país, nas quais o crime, o tráfico de drogas, roubos, assaltos e latrocínios grassam sem limites. É, minha gente, a insegurança se espalha rapidamente e já é quase endêmica em muitas das grandes e médias cidades brasileiras. Os governos locais e o Federal se mostram impotentes para impor a ordem. As forças policiais estão desmoralizadas e eivadas de corruptos nas suas fileiras e as forças armadas – convocadas para operações extraordinárias – são desafiadas pelos bandidos armados até os dentes e muitas vezes melhor equipados. É uma luta desigual e preocupante.
Guerra Civil travada na Rocinha
Será esse o Brasil que o empresário, citado no inicio do post, falou não ser nosso? Sei não! Continuo achando que é nosso e que somos responsáveis por não sabermos escolher nossos governantes.
Vou finalizar desejando que venham semanas de paz nos céus e na Terra.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

Impossível Calar

Confesso que ando me esquivando de postar algo mais contundente sobre assuntos políticos. Particularmente nesses tempos ...