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sexta-feira, 24 de outubro de 2025
Historia nossa de cada dia
Que a Historia do Mundo e das periferias é escrita todo dia é uma coisa que, salvo engano, ninguém pode negar. Do meu posto de observador acredito ser assim. Esta semana pude anotar dois fatos que me chamaram atenção. O primeiro foi o encontro histórico do Rei da Inglaterra, Charles III acompanhado da digníssima (!) rainha consorte, com o Papa Leão XIV. E rezaram juntos na Capela Sistina, no Vaticano sob os famosos afrescos de Michelangelo. Um fato histórico, sem sombra de dúvidas. (Foto a seguir). Foi o primeiro monarca britânico a rezar publicamente com um Chefe da Igreja Católica desde o cisma anglicano há cinco séculos. Haja História nesse fato. A Inglaterra professa uma religião própria durante todo esse tempo e o Rei Charles é o Chefe Supremo dessa igreja. Haja poder nas mãos desse cidadão. Ele reina sobre corpos e almas de um povo que prima pela austeridade e tradições milenares.
A Historia é antiga e data de 1534, quando o Rei Henrique VIII, antecedente remoto no trono que Charles III hoje ocupa, requereu do Papa Clemente VII a anulação do seu casamento com Catarina de Aragão, o que foi negado. O Soberano britânico revoltado, não teve dúvidas, e decidiu criar uma Igreja própria, a Anglicana, da qual se tornou Chefe Supremo, sendo sucedido pelos ocupantes subsequentes do trono da Inglaterra. Essa situação, conhecida historicamente como o Cisma Anglicano é mantida até hoje com seguidores no Reino Unido e no resto do mundo, inclusive aqui no Brasil. No Recife, cidade que recebeu forte influencia britânica no século passado, esta igreja existe com alguns templos espalhados na cidade e com muitos seguidores. Aliás, o Recife conta, também, com um cemitério exclusivo para sepultar ingleses, o conhecido Cemitério dos Ingleses, que se fez necessário dado que, não sendo católicos romanos, os defuntos anglicanos não podiam receber sepulturas nos cemitérios católicos. Com condições econômicas confortáveis, os anglicanos construíram uma necrópole própria para os seguidores da Igreja Britânica. Este cemitério está lá no cruzamento das avenidas Norte e Cruz Cabugá, no bairro de Santo Amaro. Agora o que se especula é saber se essa aproximação do Papa Católico com o “Papa” (!) Anglicano pode resultar numa unificação das igrejas. Complicado responder ao questionamento visto que, ao contrário da Igreja Católica Romana, a Anglicana permite o casamento dos padres e ordena mulheres. Atualmente, aliás, uma mulher, Sarah Mullally, de 63 ano, mãe de dois filhos, desempenha o papel de autoridade máxima dentro da Ordem Anglicana. Acho difícil essa mudança.
A outra história é com H minúsculo, mas, não deixa de se constituir em História. O Brasil terá, no próximo ano, seu primeiro presidente com mais de 80 anos. O Presidente Luís. Inácio Lula da Silva fará no próximo dia 27, próxima semana, oitenta primaveras. Ou seja, está fazendo história. Interessante que o aniversario foi comemorado antecipadamente, na Indonésia, durante encontro com o presidente local, Prabowo Subianto, no recinto do Palácio Merdeka. (Foto a seguir) Cá pra nós, tanto lugar para se comemorar um aniversario tão significativo e fazê-lo no Merdeka. Francamente. Impossível admirar essa denominação de recinto. Mas, observação à parte, o mais curioso de tudo, a meu ver, é o fato do Presidente Lula haver aproveitado a ocasião para afirmar que será candidato em 2026, muito embora já tenha mais de 80 anos. “Vou completar 80 anos, mas pode ter certeza que estou com a mesma energia que tinha com 30 anos de idade. Pode ter certeza que vou disputar um quarto mandato no Brasil... esse meu mandato só termina em 2026, no final do ano, mas eu estou preparado para disputar outras eleições”. Moço corajoso.
Fiquei curioso e fui investigar se algum outro presidente havia governado com tanta idade. Não! Nenhum até hoje. Ele será o primeiro. Achei pouco e fui indagar sobre um possível impedimento de candidatura com essa idade. Nada! Constatei que, institucionalmente, o cidadão tendo mais de 35 anos, com registro eleitoral, integrante de um partido politico e gozando de boa saúde (?) é o bastante e pode se candidatar à Presidência da República, ainda que tenha 80, 90 ou 100 anos. Nada o impede. Diante disso, questiono o fato de que, conforme a Lei Complementar No. 153 de 03/12/2015, o servidor público será aposentado compulsoriamente ao completar 75 anos de idade. Aplica-se aos servidores da União, estados, Distrito Federal e municípios. Além desses, também se aplica aos membros do Poder Judiciário, do Ministério Público, das Defensorias Públicas, dos Tribunais e Conselhos de Contas. Então, uma pergunta que não cala: Presidir a Republica não é uma função pública? Melhor parar por aqui. Chega de histórias, por hoje.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.
segunda-feira, 25 de agosto de 2025
Salve o negro brasileiro
Meu último post foi portador da minha confissão de impaciência e perplexidade com o quadro politico nacional nesses tempos recentes. A coisa, como pode facilmente ser constatada, saiu do controle e de forma inusitada. A sociedade está desencantada e cansada da bagunça instalada. Ninguém suporta mais a inútil polarização politica, a insegurança pública, bem como a jurídica, a sempre viva inflação e tudo mais que negue a tranquilidade nacional. Pior, ainda mais, é assistir as influências externas que estamos sofrendo no nosso dia-a-dia como poucas vezes ocorreu, ameaçando a soberania nacional e destruindo a tradicional e respeitada diplomacia forjada por Rio Branco. Mesmo considerando que o mundo “encolheu” deitado numa rede mundial de relacionamentos formais, fico pasmo com tantas guerras, desentendimentos entre povos e nações, apontando para um futuro sombrio aqui e acolá. De nada valeu, e recordo por oportuno, a esperança que reinou, no pós Segunda Grande Guerra, quando criada a Organização das Nações Unidas, hoje levada a trote e com prestigio limitadíssimo. Tempos estranhos e difíceis, no qual os aspirantes ao papel de conciliador são enxotados pelos que se aproveitam das efêmeras vantagens de passageiros dos bondes chamados de Poder. Mas, paciência... Este não é tema de pauta de hoje. Seria até redundante continuar nesta conversa. Como o desestimulo que venho enfrentando também tem limites não resisti à provocação desta semana. Estou pasmo com o recente “pronunciamento politico” do cidadão que, a maioria do eleitorado brasileiro colocou, mandando e desmandando, no Palácio do Planalto, em 2022. O dito político experiente e “pai dos pobres”, na sua “fluência arrebatadora” largou uma das suas pérolas que costumam brotar dos seus reais sentimentos (Sorocaba, interior de São Paulo, 21/08/2025), consagrando uma das suas verdadeiras visões de povo. Inacreditável. Contudo, real. “Como pode um desdentado e, ainda mais, negro compor um material publicitário do Governo Brasileiro?” Foi a dolorosa questão do Presidente da Republica tendo às suas mãos um exemplar do material, num evento politico, destinado a promover feitos do seu Governo. Mandou destruir, na hora. Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Na declaração, o presidente chegou a perguntar a membros do governo se achavam bonito colocar um homem negro sem dentes em um material publicitário governamental.
Podia nem ser bonito mesmo, mas, não precisava frisar que era um negro. Um homem desdentado e pronto! Foi demais. Contudo, foi oportuno porque, afinal ninguém consegue enganar um povo, por todo tempo. Negar a existência de indivíduos negros no Brasil é negar às raízes da cultura nacional e ferir sem dó tantos valores intelectuais que contribuíram para a grandeza desta Nação. É negar aos milhões de eleitores que confiaram, e acreditam até hoje, num “líder” que posa de Salvador da Pátria. Ah, não! Paciência tem limites. Tomo as dores de um povo que nos trouxe e preservam, depois de séculos, valores culturais inestimáveis, não obstante pressões como esta em tela, desde suas crenças religiosas e espiritualidade criando religiões afro-brasileiras como o Candomblé e a Umbanda transformadas em legítimos sustentáculos da diversidade religiosa nacional, além de passar pela música, pela literatura, ciências e culinária. Negar a matriz cultural africana brasileira é o maior testemunho de ignorância de um individuo que não vive sem ritmos como o samba, o maracatu e a capoeira. Que não dispensa as iguarias culinárias que invadiram as mesas dos brancos, vindas das oprimidas senzalas. Chega de preconceitos! Salvemos os negros brasileiros que zelam, resistentemente, pelas suas identidades e seu orgulho de brasilidade. Foi doloroso Seu Lula!
quarta-feira, 7 de maio de 2025
É de amargar
A gente junta os trocados poupados, reúne a família num “tour de force”, atravessa o Atlântico e procura ver no Velho Mundo o que há de história, cultura, solidariedade e ordem democrática, entre outros atributos. Enche-se de conhecimentos, enxerga sem dificuldades um povo ordeiro, honesto e cumpridor dos seus deveres sociais ao respeitar os terceiros, ao atravessar uma rua, ao ser atendido num negócio da esquina ou num transporte público. Tudo leva a crer que funciona de modo exemplar e inerente à cultura secular local. São lições inesquecíveis.
Depois disso, vem o retorno trazendo uma sensação de amargo. Já na fila de embarque do avião do regresso se notam a avidez e a falta de respeito de alguns passageiros que disputam os primeiros lugares da fila de embarque, sem respeitar os que, de direito e antecipados, se colocaram presentes e a tempo regulamentar. Aí, é de amargar perceber que os costumes do outro lado já se antecipam ainda cá.
Preâmbulos à parte, o que mais amarga, e logo ao desembarcar, é que nada mudou. Pelo contrário, até piorou. Estou pasmo com essa monstruosa nova onda de corrupção do Governo, prejudicando os pobres e desvalidos aposentados do INSS. É tão chocante e repugnante que resolvi deixar de lado minha pauta sobre a viagem que fiz à Europa, em abril, para manifestar minha revolta e indignação. Pode ser uma manifestação humilde e pequena. Mas, é uma obrigação de quem tem a mínima noção de civilidade e compromisso social. Não sei mais onde essa canalha de líderes governamentais vai chegar. É a raça toda! Ministro, Adjunto, presidente do INSS, filho de Ministro, irmão do Presidente... E lá se foram Bilhões de Reais nas mãos dos ladrões que seguramente ficarão impunes. É de amargar perceber, mais uma vez que, no Brasil, o crime e a corrupção sempre compensam.
E a coisa não fica por aí. É vergonhoso ver o Lula aceitar um convite de Putin para uma comemoração dos 80 Anos do Dia da Vitória, contra o Nazismo, na II Grande Guerra. Curioso é lembrar que sempre vi esse tipo de comemoração ocorrer na Normandia (local do desembarque das forças vitoriosas), com a presença de lideranças mundiais em peso. De repente, o Putin resolve fazer uma cerimonia em Moscou, com a presença inclusive de Xi Jimping.
Percebo, pelas noticias que acompanho, se tratar de um evento de baixo prestigio internacional e até mesmo um motivo mascarado para promover um encontro com outras intenções, haja vistas às personalidades que confirmaram participar do encontro, entre os quais o Maduro da Venezuela. Minha opinião é de que nosso presidente está cometendo mais um erro politico internacional ao aderir a esse encontro, colocando o Brasil numa situação pouco confortável face ao resto do mundo. Fiquei sabendo que o ucraniano Valodymyr Zelensky está mordido. Com razão ao lembrar que o Lula prometeu mediar o conflito com os russos. Outra coisa que chama atenção é a continuação da “excursão governamental” à China. Muito estranho. Francamente. Conversava com Jimping, em Moscou, e papo encerrado. Outra curiosidade foi tomar conhecimento que a Janja foi antes, para cumprir um programa oficial envolvendo temas como educação, saúde e pobreza, levando igualmente um séquito de auxiliares. Na programação dela consta uma apresentação do Ballet Bolshoi. Essa senhora está sabendo aproveitar e não se cansa de viajar e de gastar o dinheiro da Nação. É de amargar, mesmo.
Por fim, uma tristeza de ver aquele horror que foi um show da tal de Lady Gaga (nome ridículo) nas areias de Copacabana, apinhado de uma juventude desorientada e aparentemente sem destino certo. É, ou não é de amargar?
NOTA:Ilustrações obtidas no Google Imagens
sexta-feira, 25 de outubro de 2024
Recados das Urnas
Para alivio nacional o processo eleitoral deste ano está chegando ao fim. Muita coisa rolou e muitos recados foram dados pelos eleitores. Em alguns lugares os trabalhos já foram encerrados, como no Recife, com a reeleição do atual Prefeito com vantagem histórica de 78% dos votos. Cumprindo a legislação eleitoral, entretanto, 51 municípios brasileiros, incluindo 15 capitais, as disputas continuam e as repercussões são das mais diversas. A Lei determina que todo município acima de 200 mil eleitores está sujeito a um segundo turno. Resultado é que nesses 51 municípios, adversários políticos se enfrentam, diferenças intra e interpartidárias mal resolvidas se exacerbam, agressões físicas e, até, criminosas são praticadas e o país se transforma, numa boa parte, numa verdadeira avalanche de intranquilidade. Como de se esperar, a polarização Lula versus Bolsonaro ganha maior evidencia e as análises sobre os futuro da Nação se rebatem de modo potencial. Aqui em Pernambuco apenas dois municípios, Olinda e Paulista, trazem o processo até o próximo fim de semana. Curiosamente, dadas suas localizações, na Região Metropolitana do Recife e, mais do que isto, municípios limítrofes, as campanhas ultrapassam as fronteiras municipais e boa parte do Recife entra em clima de eleição. A cata de eleitores extravasa e os bairros das vizinhanças vivem momentos de dúvidas quanto aos discursos de cada candidato. A coisa se torna mais flagrante quando os padrinhos de alguns candidatos, entre os quais o Prefeito (Reeleito) do Recife, João Campos (PSB), e a Governadora Raquel Lira (PSDB), sobem em palanques dos dois municípios inflando a visível disputa pela conquista de espaço com vistas ao futuro. Não raro surgir eleitores na multidão prometendo votar num dos dois. Diz o ditado popular de que “quem é coxo, parte cedo!” É isso ai. 2026 está mais próximo do que imaginamos. E, desse modo, o Brasil não para de realizar eleições.
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Mas, o mais significativo do atual processo eleitoral são os recados do eleitorado quando fluidos das urnas. Uma primeira constatação é que, indiscutivelmente, o cidadão de bem deste país está cansado de tantas irresponsabilidades geradas pelos nossos recentes governantes. Irrelevante historiar, aqui, passagens recentes de decepções, escolhas erradas, corrupções e a falta total de esforços por uma união democrática pelo bem da Nação. O país está farto de noticias a respeito. A constante observada é a luta pela manutenção do poder. Este é o concreto objetivo de cada corrente politica seja esquerda, direita ou o famoso Centrão. Resulta que não há país que avance social e politicamente num ambiente corroído como o que agora vivemos. O dinheiro publico se esvai de modo irresponsável e sem que haja um Programa de Governo consistente e honesto. Falta de um tudo. Segurança, Saude publica, Educação, Desenvolvimento Tecnologico, Infraestrutura, fora a inflação que vem sendo observada, as ameças de novos impostos, juros estratosféricos, desemprego e por ai vai...
Outro recado importante, senão o mais importante, a ser anotado é o fato de que o PL, do ex-presidente Bolsonaro vem alcançando imenso sucesso no atual processo. É notável verificar que, no primeiro turno, o partido (PL) comemorou vitórias em seis capitais estaduais e, agora, volta a participar de modo significativo nas quinze disputas remanescentes. Obvio que se trata de uma mudança expressiva que reflete a opinião popular sobre o Partido dos Trabalhadores (PT) liderado pelo Presidente Lula. Ora, o que está acontecendo? O PT e o Palácio do Planalto já acenderam o sinal amarelo e perceberam que não anda agradando como confiava. Numa das mais importantes, provavelmente a mais relevante, é a disputa no município de São Paulo. Lá, o atual Prefeito, Ricardo Nunes (MDB), que não foi nenhum sucesso no exercício do cargo, briga com um afilhado do Lula, candidato do PSOL, Guilherme Boulos que não recolhe muita popularidade no eleitorado, devido sua ficha de invasor de propriedades privadas e agitador compulsivo. Situação difícil para a esquerda que corre o risco de afundar nas eleições periféricas como são os pleitos municipais. Tudo leva a quer que o PT exagerou no seu otimismo. Recuperar a situação será certamente muito difícil. Como sempre digo, é no município que um partido planta seu sucesso. Houve, portanto, um descaso.
Outras capitais e cidades de porte médio entram na disputa e os recados que se esperam são tão importantes quanto os já constatados. Que o eleitorado seja previdente e transforme sua responsabilidade num passo de sucesso coletivo. Cada eleição é uma nova oportunidade de corrigir um erro do passado. O Brasil espera o sucesso democrático, ainda que tardiamente. Há sempre a esperança. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
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Mas, o mais significativo do atual processo eleitoral são os recados do eleitorado quando fluidos das urnas. Uma primeira constatação é que, indiscutivelmente, o cidadão de bem deste país está cansado de tantas irresponsabilidades geradas pelos nossos recentes governantes. Irrelevante historiar, aqui, passagens recentes de decepções, escolhas erradas, corrupções e a falta total de esforços por uma união democrática pelo bem da Nação. O país está farto de noticias a respeito. A constante observada é a luta pela manutenção do poder. Este é o concreto objetivo de cada corrente politica seja esquerda, direita ou o famoso Centrão. Resulta que não há país que avance social e politicamente num ambiente corroído como o que agora vivemos. O dinheiro publico se esvai de modo irresponsável e sem que haja um Programa de Governo consistente e honesto. Falta de um tudo. Segurança, Saude publica, Educação, Desenvolvimento Tecnologico, Infraestrutura, fora a inflação que vem sendo observada, as ameças de novos impostos, juros estratosféricos, desemprego e por ai vai...
Outro recado importante, senão o mais importante, a ser anotado é o fato de que o PL, do ex-presidente Bolsonaro vem alcançando imenso sucesso no atual processo. É notável verificar que, no primeiro turno, o partido (PL) comemorou vitórias em seis capitais estaduais e, agora, volta a participar de modo significativo nas quinze disputas remanescentes. Obvio que se trata de uma mudança expressiva que reflete a opinião popular sobre o Partido dos Trabalhadores (PT) liderado pelo Presidente Lula. Ora, o que está acontecendo? O PT e o Palácio do Planalto já acenderam o sinal amarelo e perceberam que não anda agradando como confiava. Numa das mais importantes, provavelmente a mais relevante, é a disputa no município de São Paulo. Lá, o atual Prefeito, Ricardo Nunes (MDB), que não foi nenhum sucesso no exercício do cargo, briga com um afilhado do Lula, candidato do PSOL, Guilherme Boulos que não recolhe muita popularidade no eleitorado, devido sua ficha de invasor de propriedades privadas e agitador compulsivo. Situação difícil para a esquerda que corre o risco de afundar nas eleições periféricas como são os pleitos municipais. Tudo leva a quer que o PT exagerou no seu otimismo. Recuperar a situação será certamente muito difícil. Como sempre digo, é no município que um partido planta seu sucesso. Houve, portanto, um descaso.
Outras capitais e cidades de porte médio entram na disputa e os recados que se esperam são tão importantes quanto os já constatados. Que o eleitorado seja previdente e transforme sua responsabilidade num passo de sucesso coletivo. Cada eleição é uma nova oportunidade de corrigir um erro do passado. O Brasil espera o sucesso democrático, ainda que tardiamente. Há sempre a esperança. NOTA: Foto ilustração obtida no Google Imagens.
quarta-feira, 10 de abril de 2024
Lição para não Esquecer
Durante a semana passada acompanhei com interesse de quem viveu a historia, as manifestações que relembraram o golpe militar de 1964. Com um abrir e fechar de olhos completa-se 60 anos. Parece até que foi ontem. Eu era muito jovem, pré-universitário, e dava meus primeiros passos de cidadania buscando “tomar pé” no mar revolto no qual me via mergulhado. Recordo bem aquele 31 de março, quando o rumo político do país sofreu uma brusca “virada-de-chave” conduzindo-o para um tempo de incerteza e escuridão. Vivia-se um mundo completamente diferente do que hoje experimentamos. Era um tempo pós-guerra ainda tentando se restabelecer do grande trauma da II GG, mas às voltas em conviver com outro conflito, não necessariamente bélico, que era a chamada Guerra Fria, sendo travada entre os Estados Unidos e a Rússia na disputa acirrada pela hegemonia politica mundial. Um conflito que, na prática, servia de pauta e apontava caminhos para muitas das sociedades em vias de estruturação ou revisão político-social, seja nos padrões socialistas soviéticos ou nos ditames capitalistas ianques. A América Latina era um dos terrenos mais cobiçados pelas duas partes litigantes. À época, por exemplo, os russos comemoravam a reviravolta politica operada em Cuba e a instalação do Governo de Fidel, permeado de ações que assustavam meio-mundo. A dupla Fidel Castro/Che Guevara e o Paredão Cubano eram temas diários no mundo Ocidental. Assustados, os Estados Unidos buscavam, apressadamente, meios de se proteger e de dominar o que eles sempre consideraram de seu próprio quintal. Quem viveu sabe o que aconteceu. Os ianques exerceram pressão político-econômica e o Brasil entrou nesse beco sem saida. Indiscutivelmente, uma História longa e cheia de capítulos eletrizantes, com rebatimentos graves, ainda hoje remoídos, no Brasil e nos vizinhos Argentina e Chile. Mas, não é o tema central desta postagem. O assunto mesmo é o Golpe Militar de 64, chamado pelos mentores e simpatizantes de Revolução. O movimento apanhou o país numa verdadeira encruzilhada politica, com uma sociedade perplexa face às situações desenhadas pelas polarizadas correntes progressistas e conservadoras reinantes.
Pernambuco, estado sempre atuante e líder, muitas vezes, em todo e qualquer movimento politico nacional foi apanhado pelo Golpe abrigando em seu sítio iniciativas vanguardistas e de princípios contrários às novas ordens dos militares no Poder. Daquela época, são sempre lembradas, entre outras, as Ligas Camponesas, orientada por Francisco Julião (Deputado Federal na época) – defensora do projeto de Reforma Agrária universal e benéfica à população carente e sofrida nas mãos dos grandes latifundiários – e o Movimento de Cultura Popular (MCP) de Paulo Freire e Luís Mendonça. Para completar, era Pernambuco local onde se instalava uma das maiores iniciativas de intervenção local do Governo Federal que foi a SUDENE – Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Agencia oficial de caráter regional, encarregada de promover o desenvolvimento socioeconômico regional, idealizada e dirigida por uma das mais brilhantes cabeças do país, que foi o paraibano Celso Furtado. Foram tempos sombrios e aterrorizantes. A ordem dos “poderosos” era aniquilar projetos e pessoas que de algum modo fosse comprometido com referenciais socialistas, de pronto rotuladas de comunistas. Muitas arbitrariedades foram cometidas, muitos inocentes e muitas inteligências foram sacrificadas. Extermínios de muitos e evasão (exilados políticos) passou a fazer parte do dia-a-dia do brasileiro comum. Todo mundo, em principio, estava sujeito às rigorosas ordens dos milicos.
Recém-admitido nos quadros de funcionários da SUDENE lembro bem do pavor que minha mãe alimentou ao ver na revista semanal O Cruzeiro uma matéria de capa que taxava a Agencia Regional de Gaiola Dourada com pássaros vermelhos. A censura à imprensa, a quebra de sigilo pessoal das correspondências e os agentes secretos nas universidades (apareciam de repente e sem prestar vestibular) e repartições públicas foram outras características do período. Ex-bolsista da USAID (United States Agency for Intenational Development) passei a receber pelo Correio, em 1968, publicações de autores norte-americanos, todos eles combatendo o regime comunista soviético e as doutrinas socialistas. Os títulos eram sugestivos para que um agente mal informado e inadequado no posto concluísse se tratar de literatura subversiva. O jumento do censor não percebia que cada livro trazia um carimbo ostensivo informando se tratar de cortesia da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Por conta disso fui tido como um elemento subversivo social e, desse modo, levado de camburão para prestar depoimento na Secretaria da Segurança Publica. Mais do que isto e, para meu desespero tive meu passaporte retido pela Policia, três dias antes da minha primeira viagem à Europa. Inocente, fui salvo pelo Delegado do SNI, na SUDENE, que colocou as coisas no correto lugar. Tive o passaporte liberado e fiz a sonhada viagem à Europa. Recordo, por ouvir falar, do caso de um famoso Professor de Direito, Glaucio Veiga, que ao ter a residencia invadida para uma vistoria viu seu longplay Romanticos de Cuba ser arrolado entre os itens subversivos encontrados! Ah! Não foi fácil viver aquele tempo. Foi uma lição para não esquecer. Fico, hoje, impressionado com o desejo de muitos brasileiros pregando uma tomada do poder pelos militares, a exemplo de 1964, em resposta aos desmandos e corrupções dos muitos que passam pelos gabinetes e corredores de Brasília, sem que façam ideia do risco que correm. Ora, meu Deus, existe soluções muito melhores do que esta. Por outro lado, fico pasmo diante dos afagos e benesses politico-financeiras outorgadas pelo atual Presidente, Luís Inácio Lula da Silva, a sanguinários ditadores latino-americanos principalmente Maduro, da Venezuela e Ortega, da Nicarágua, ao messmmo tempo em que se ocupa em fazer discursos em defesa da a Democracia. Só sendo piada de mau gosto. NOTA: Fotos ilustrações colhidas no Google Imagens.
domingo, 25 de fevereiro de 2024
Abusou do improviso
Indiscutivelmente o assunto da semana, e que ainda repercute, é sobre a infeliz fala do Presidente Lula, numa coletiva internacional, na Etiópia, comparando as ações de Israel na faixa de Gaza ao inqualificável Holocausto praticado pelo sanguinário Hitler na década de 40 passada, durante a 2ª. Grande Guerra. Infeliz, sobretudo, porque remete a uma possível intenção de colocar em cheque o Estado de Israel, parte ativa do conflito em tela. Sem sombra de dúvidas, o que está acontecendo em Gaza é algo deplorável e estarrecedor. Uma guerra de proporções dantescas em nome de resposta aos ataques terroristas de 7 de outubro perpetrado pelo Grupo Hamas. Nada, porém, pode ser comparado com o monstruoso processo do Holocausto. Este, na verdade, se constitui na página mais que negra da História da Humanidade. Algo singular e sem chances de repetição. Do meu ponto de vista, considero que o Presidente brasileiro deixou-se tomar de forma desmedida pelo seu pretenso projeto de estadista de nível internacional e terminou tropeçando no improviso, diante daquela plateia de Addis Abeba, capital da Etiópia. Duvido que haja recebido aprovação do corpo diplomático brasileiro. Faltou mais diligência dos assessores politico-diplomático da presidência. Imagino que o patrono da Diplomacia Brasileira, o Barão do Rio Branco, deve ter se revirado na urna mortuária diante de tanta incompetência. Fico mais pasmo diante do fato de que não haja qualquer sinal de pedido de desculpas pelo lamentável tropeço politico. Não tem sido à-toa que embaixadores sejam chamados a fornecer subsídios que levam a uma distensão do mal-estar resultante entre as duas nações. O Brasil é tradicional parceiro politico e comercial de Israel e isto vem provocando um tremendo afastamento, culminando com a consideração de Lula como uma persona non-grata em Israel. Dessa forma, adeus projeto de estadista internacional ou premio de Nobel da Paz que ele ousa perseguir.
Por outro lado e pensando bem, é lamentável que estejamos em pleno Século 21, às voltas com conflitos de guerra devidos aos interesses espúrios de lideres políticos que, na verdade, lutam por um lugar de destaque de estadistas históricos e que desesperadamente buscam maneiras de inflar seus prestígios políticos e preservarem-se no topo do poder. É dessa forma que se comportam os dois principais personagens dos conflitos que nos afligem: Vladimir Putin e Benjamim Netanyahu que são dois mandatários de baixíssimas popularidades nos seus respectivos domínios e se valem de qualquer oportunidade de “faturar” popularidade. O Hamas não calculou corretamente a onda que provocou e deu no que deu. Além de serem desumanos e terroristas provocaram uma bagunça ilimitada no tabuleiro da geopolítica mundial que já vinha se desarrumando pelas investidas destruidoras do “ditador” russo sobre a frágil Ucrânia.
Por fim, é patético perceber que o presidente do Brasil se meta nessas confusões históricas da humanidade, conforme descrevi em outro recente post, sem que, no fundo, no fundo, acredito que nem faça ideia das razões que essa gente se engalfinha ao último nível de degradação que é uma guerra muitas vezes fraticidas.
Cuida do teu terreiro Lula, onde ¼ da população não dispõe de serviços sanitários, faltam politicas efetivas para a melhoria da saúde pública historicamente abandonada, a insegurança publica mata mais do que as guerras comandadas por Putin e Netanyahu, as prisões de (in)segurança máxima são puras balelas, a educação básica é falha e o cidadão do futuro é mal preparado para o porvir.
quarta-feira, 14 de junho de 2023
DÚVIDA ATROZ
Eu daria tudo que me fosse exigido para ouvir – ao vivo e a cores – Sua Excelência Luís Inácio explicar ao povo brasileiro qual seu real conceito sobre Democracia. Assim como muitos deste país, alimento uma dúvida atroz. Fosse ele, de fato, um defensor ardoroso do regime democrático, não teria cometido a loucura de trazer e “jogar na cara” dos brasileiros e de inúmeros chefes de estado sul-americanos um Ditador sanguinário e narcotraficante, condenado pelo mundo, como Nicolás Maduro, com honras e louvores, rendendo homenagens e rasgados elogios, classificando-o de democrata. Se a Venezuela vive numa democracia, como se explica a quantidade de venezuelanos vazando pelas fronteiras do Brasil e da Colômbia. Como fazer vista grossa à quantidade de imigrantes refugiados que entra pela fronteira norte brasileira diariamente? Estima-se que, por volta de 476 mil pessoas venham se refugiar, por aqui, até 2024.São dados fornecidos pela ONU-Organização das Nações Unidas. Acrescente-se que desde o inicio da crise migratória, cerca de 5,96 Milhões de venezuelanos migrou para outros países latino-americanos e do Caribe. Fugindo da fome, da repressão politica e da negra perspectiva capitaneada pelo regime ditatorial. Os que podem mais financeiramente, correm para os Estados Unidos. Tenho conhecidos que já vivem em Miami. E para desespero do brasileiro de sã consciência, Luís Inácio garante que esses horrores são puras narrativas do mundo imperialista. Francamente. Mas, se a coisa parasse por aí ainda havia refresco nas mentes sadias do Brasil. Para surpresa geral a dúvida se tornou mais atroz quando se noticiou que Lula está convocando uma reunião do Foro de São Paulo, entre 29 de junho e 02 de julho, próximos, em Brasília. Para quem não sabe, este foro reúne o que há de mais exacerbado do esquerdismo continental. Criado em 1990, na cidade de São Paulo, promovido pelo partido dos trabalhadores (PT), com o claro objetivo de fortalecer as estruturas regionais esquerdistas para combater o que se denomina de politica liberal no Continente. Seus fundadores foram - nada mais, nada menos - do que Luís Inácio e Fidel Castro. Para o próximo encontro estão previstas as presenças dos “cumpanheiros” Nicolás Maduro, Daniel Ortega, da Nicarágua, e Miguel Diaz-Canel, ditador cubano. É ou não é um trio perfeito? O foro reúne integrantes de todos os partidos de esquerda do continente. Pense no que será esse encontrão politico. Faça uma ideia dessa coisa na foto, a seguir, do XVIII encontro do Foro, realizado em Caracas, em 2012 (foto obtida no Google Imagens/Chancelaria do Equador).
Mas, atenção porque a coisa se agiganta para nossas bandas. A mais nova é que o Partido dos Trabalhadores (PT) deu entrada, no Ministério das Comunicações, de um pedido para obter concessão para criação de uma emissora de Radio e TV do Partido. Pelo amor de Deus! Estão correndo, em alta velocidade, na montagem dos aparelhamentos já conhecidos nas nossas cercanias. Foi assim em Cuba, está sendo na Venezuela, onde a mídia é quase totalmente dominada pelo governo, porque Maduro impõe anúncios obrigatórios, denominados de “cadenas” (cadeia nacional) e na Nicarágua onde Ortega fechou sete emissoras de rádio e canais de TV que desobedeciam a “cartilha” dele. Durante a sua vida e desde a década de 60, Fidel Castro falava horas a fio “catequisando” seguidores para seu regime autoritário. A estação era potente e de longo alcance. Suas ondas eram captadas em toda redondeza continental, incluindo o sul dos Estados Unidos. Recordo que, bem jovem, cumprindo um programa de intercambio promovido pela USAID (United States Agency For International Development) cheguei a escutar (1967) um Fidel Castro a “berrar” pelas ondas da estação estatal, não recordo o nome da estação, com seus proselitismos politico de puro esquerdismo. O resultado final todo mundo sabe. Aí uma pergunta que não cala: o que se projeta para essas estações de radio e TV petista?
Nunca fui direitista. Incluo-me, hoje em dia, entre os centro-esquerdistas. Contudo, tenho comigo muitos temores. Minhas dúvidas são, cada vez mais, atrozes.NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
domingo, 4 de junho de 2023
BATENDO NA TRAVE
Difícil ficar indiferente aos acontecimentos políticos nacionais da semana que findou. Calar seria concordar com tanta insanidade reinante. Do meu humilde posto de observação assisti ao Presidente da Republica tentando faturar bons resultados no cenário politico local e internacional, mas suas jogadas foram todas inúteis com todos os lances “batendo na trave”. Os discursos de aparentes jogadas ganhas foram apenas formas de remediar uma situação constrangedora maior. Para começo de conversa, destaco, do inicio da semana, a estúpida e, sobretudo, politicamente equivocada, recepção ao presidente-ditador, Nicolás Maduro, da Venezuela, em Brasília. Lula resolveu dar, ao sujeito reconhecidamente odiado e rejeitado internacionalmente, todo tipo de rapapés e honras militares entremeadas de pronunciamentos eivados de loas e elogios inexplicáveis. Teve a pachorra de considerar os fatos reinantes no país vizinho como puras narrativas. Francamente. Pior, ainda, foi inserir o ditador numa reunião de cúpula Latino-Americana, onde logo cedo alguns participantes se revelaram incomodados com a tal indesejada presença, verbalizando, ao vivo e a cores, o desprezo que conferiam ao venezuelano e, mais do que isso, contestando de modo enfático o comportamento inadequado do promotor do encontro, Sua Excelência o Senhor Presidente do Brasil. O levante opositor foi capitaneado pelos presidentes do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou e, surpreendentemente, o esquerdista chileno, Gabriel Boric. Considerando como sendo um momento histórico, a recepção efusiva ao Maduro, resultou num tremendo vexame internacional. Comenta-se que até mesmo a recepção final, um Jantar Solene, no Palácio do Itamaraty, foi cancelada por falta de quórum. Os presidentes “bateram em retirada” ao final do “convescote” politico, sem grandes explicações e alimentando um sabor de lesados por Lula. Bom, oferecer Brasília como cenário de Coalizão Regional Latino-Americana, sublinhe-se, deve ser louvável e oportuno. Mas transformar a ocasião num festival de incensos e salamaleques a um Ditador contumaz e perverso, passa dos limites. Lula transitou na contramão ao referencial de baluarte da Democracia, com o qual se elegeu em 2022. Enganou a Nação! Além de expor o Brasil no cenário politico internacional sujou o script do seu Governo com uma indescritível jogada idiota. Foi contra todos os princípios e promessas de campanha.
Como se não fosse pouco, outro vexame passou a “balançar” o Palácio do Planalto quando viu esgotar o prazo de vigência da Medida Provisória (MP) 1.154/23, destinada a reorganizar a estrutura ministerial do executivo federal, criando novos ministérios, conforme as necessidades politicas de Lula, que, se note, não eram poucas. Lembro que a Medida já havia sofrido recortes indesejados em dias anteriores (tema do último post deste Blog) e correu o risco de caducar acarretando a manutenção da estrutura do Governo Bolsonaro. Imagino o sufoco. Mal assessorado politicamente teve de assumir o papel de articulador junto ao Congresso e sentir que a coisa não é simples como ele pensa. Resultado é que, como não podia deixar de rolar, teve de ceder à bagatela de R$ 1,7 Bilhões – é dando que se recebe – em emendas parlamentares para que a Medida fosse aprovada na Câmara. E depois no Senado, no apagar das luzes da data fatal (30/06). Foi outra “bola na trave”, coisa já está ficando rotineiro. Quem manda ter nulidades politicas ao seu redor?
Mas, Lula, não satisfeito com seguidas “bolas na trave”, coroou a semana com mais um deboche ao indicar o advogado particular, Cristiano Zanini para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal – STF. Cá pra nós, será que esse tipo de comportamento ocorre num país sério, mundo afora? E quando falo país sério é sério mesmo. Ao meu ver é comportamento de regime ditatorial puro. A questão que não cala é: como esperar imparcialidade desse novo Ministro do STF. Nunca deixará de ser visto como um “pau-mandado”. E tome “bola na trave”. Jogador desse tipo leva qualquer time à derrota. NOTA: Foto obtida no Google Imagnes.
sexta-feira, 26 de maio de 2023
Queda de Braços
Ainda que me esforce não consigo calar diante de certas futricas politicas brasileiras. Este país, de fato, não é para principiantes. Na verdade é um permanente laboratório para os mais ligados e/ou mais dispostos do que eu me sinto, na atualidade. Por mais que me dedique a identificar a lógica de certos “processos” sempre caio na rede dos mais perdidos. Decepção geral? Idade? Cansaço? Sei lá... Talvez tudo junto e misturado. Mas, vamos ao assunto que me perturba hoje: acompanho com muita perplexidade o contrassenso do nosso Presidente da Republica - nada que me surpreenda, aliás – ao estabelecer uma imensa dúvida quanto as suas reais intenções para o trato da Politica de Preservação do Meio Ambiente e, sobretudo, no tocante a Amazônia. Sua dubiedade de discursos, durante a passagem, como convidado, em Hiroshima (Japão), quando da Cimeira do G7, deixou claro quanto seu despreparo politico para discutir temas mais emergentes, como neste caso. Por um lado, garantiu instrumentos de politica rigorosos e vigilância máxima na proteção da Amazônia, encantando os líderes mundiais. Prometeu acabar com o desmatamento em tempo mínimo. Por outro lado, noutra sala, foi claramente precipitado e inábil politicamente ao concordar com as pesquisas com vistas à exploração de petróleo ao largo da foz do Amazonas, pondo em risco o fantástico e valioso ecossistema, coberto de holofotes do mundo inteiro. Tudo para satisfazer a Petrobrás e meia dúzia de legisladores equivocados e interessados na grana que esse projeto pode render. Ora, meu Deus, provocou uma Queda de Braços que começou a ser travada na mesa da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, indiscutível guardiã e guerreira defensora da Amazônia, desde que nasceu. Com ela, seu comandado Presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, responsável por firmar o “bilhete azul”, baseado num parecer técnico, de dez especialistas da sua equipe, recomendando o indeferimento do pedido de licença ambiental feito pela petrolífera. (Vide Foto de Marina Silva e Rodrigo Agostinho, a seguir)
A turma defensora do projeto, liderada pelo Ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, para sensibilizar a sociedade e livrar a cara do Lula, considera se tratar de um novo pré-sal e coisa imperdível. Não precisa dizer que Marina Silva já “rasgou as sedas” com Silveira. A Ministra bateu forte na mesa e garante que a decisão do IBAMA será cumprida. Segura esta Agostinho! A situação promete esquentar ainda mais, na Esplanada dos Ministérios, com os recortes que estão tramando na discussão da Medida Provisória (MP) que reconfigura a estrutura do Poder Executivo pretendido pelo Presidente Lula, desde que assumiu o Governo. Ao todo são 31 Ministérios e mais seis organismos com status de Ministério. Haja postos chaves para tantos asseclas de plantão. O Brasil não merece isto. Resultado é que a Comissão Mista de Deputados e Senadores com os beneplácitos dos respectivos presidentes das duas Casas aprovaram as mudanças da estrutura conforme relatório do Deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL). Detalhe vergonhoso é que justo o Ministério do Meio Ambiente foi capciosamente o mais prejudicado. Perdeu o comando do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para o Ministério da Gestão e a Administração dos Resíduos Sólidos que vai para o Ministério das Cidades, reduto do MDB. Perdeu, também, a Agência Nacional de Águas (ANA) que passa para o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. Por onde anda a logica disso tudo? Essa Queda de Braços promete grandes emoções. Bom, por enquanto Marina Silva leva vantagem, apenas, na briga contra a exploração de petróleo na foz do Amazonas. A Petrobrás pediu reconsideração da negativa. Aguardemos o resultado desse imbróglio, mais adiante. Numa hora de estresse Marina Silva foi taxativa ao afirmar que “o mundo vai olhar para o arcabouço fiscal (aprovado naquela ocasião) e ver que a estrutura do Governo não é a que ganhou as eleições. É a estrutura do Governo que perdeu. Isso vai fechar as nossas portas. É um erro estratégico”. De fato, com tantos equívocos e essas destrambelhadas declarações do Presidente da Republica é de perguntar o que acham os governos estrangeiros que prometeram mundos e fundos para o Fundo Amazônia. Francamente, haja trapalhadas. Seriam estas as portas que Marina Silva quis dizer? E tome Queda de Braços. NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
quarta-feira, 5 de outubro de 2022
Irresponsabilidade Profissional
As eleições do domingo passado (02.10.22) como de se esperar provocaram, no antes e no depois das urnas apuradas, uma onda interminável de discussões e opiniões das mais diversas, divergentes e exacerbadas, típicas do Brasil dividido politicamente desde 2018. Surpresas não faltaram. Vencedores (e semivencedores) comemorando, derrotados em desespero e parte significativa da sociedade incrédula diante dos resultados. Incrédula, sobretudo, em face das discrepâncias grosseiras entre os números prognosticados pelos institutos de pesquisas e a realidade saída das urnas. Em 21 estados e no Distrito Federal muitas dessas discrepâncias foram conferidas. Indiscutivelmente, as pesquisas eleitorais que antecederam ao pleito deste ano revelaram um retrato de incompetência dos vários institutos que se prestaram a um autentico desserviço à sociedade. Digno, aliás, de revolta e desprezo geral. A rigor um crime social, se é que podemos considerar assim. Afinal, a sociedade tende sempre a se pautar por esses números que são levados a publico. Nada bateu certo e todos que se habilitaram estiveram bem distantes do que na realidade se confirmou na noite do domingo.
No item das diferenças percentuais entre os dois principais candidatos à Presidência da República, então, foi uma verdadeira desmoralização. Enquanto o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral cravaram numa diferença de apenas 5,23 pontos percentuais, importantes institutos de pesquisas (Ipec/Globo, Datafolha, Ipespe, entre outros) haviam calculado diferença na casa dos 14%, com margens de segurança elevadas. Mais do que isso, chegaram a prever a vitória do ex-presidente Lula no primeiro turno. Vamos e venhamos foi uma baita surpresa porque afinal, e neste caso especifico, a diferença entre 5,23 e 14% é uma coisa fora de discussão. O candidato Lula com sua militância viu-se obrigado a abortar a festa da vitória armada na Avenida Paulista, em São Paulo. E aos pesquisadores coube a desventura amargar as ácidas criticas da sociedade e, se brincar, devem ter enterrado suas caras no massapê do brejo mais próximo que acharam.
Pessoalmente confiei em alguns números apontados e dei como certo um resultado que ao final não se confirmou e, pelo contrário, andou bem distante do que esperei. Desapontado recordei que, por força do meu oficio, pautei minha trajetória profissional realizando pesquisas sérias e estudos nelas baseados que até hoje alimentam uma crença inabalável no oficio de pesquisador. Ao longo dos anos perdi a conta das pesquisas para quais tive que estabelecer termos de referências técnicas, estudar a natureza do meio a ser pesquisado, checar as estratégias de segurança, operacionalizar o levantamento da base informacional e analisá-la devidamente. Tudo com responsabilidade profissional, para servir a uma sociedade que me remunerava para tanto. Desse modo confiei cegamente no que projetaram para essa eleição de domingo.
Constatar, hoje, que esses institutos de pesquisas eleitorais podem ter atuado de modo irresponsável ou blefando contra uma sociedade carente de segurança se tornou para mim numa das mais cruéis das decepções. As pesquisas das eleições majoritárias – presidente da republica, por exemplo – foram as mais expostas e são as que mais estão em discussão. Pior, contudo, deve ter sido para candidatos a cargos legislativos que alimentaram ilusões de vitórias, baseados em pesquisadores irresponsáveis, quando no final amargaram derrotas. Pagaram pela incompetência de profissionais que visaram tão somente faturar, aproveitando a oportunidade apresentada pelo mercado. As desculpas que formulam estão longe de serem assimiladas e o estrago tende a se ampliara diante das iniciativas de processos judiciais que formalizam e, até mesmo, a instauração de uma CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito, na Câmara Federal para apurar mais a fundo por onde passam os verdadeiros interesses, bem como identificando os interessados por tamanha atrocidade. No meu humilde entender, porque não sou especialista na área, foi um crime de lesa-pátria.
De uma coisa estou certo: este nefasto imbróglio dificilmente será esquecido e esses irresponsáveis amargarão um profundo desprestígio no mercado de trabalho. Lembro que essa fase de pesquisas eleitorais tem seu tempo e sua ocasião. Fora esse momento de eleições os institutos de pesquisas ou os pesquisadores autônomos sobrevivem realizando pesquisas de outras naturezas, entre as quais as de opinião pública e as de mercado. Eu não teria coragem de encomendar uma pesquisa mercadológica das potencialidades do meu produto a um desses irresponsáveis.
No lugar deles estaria revendo os valores profissionais da empresa e da minha equipe, as atitudes éticas e os instrumentais metodológicos. Só para começar.
E para o Segundo Turno das eleições nem quero saber dos prognósticos.
NOTA: Foto ilustrativa obtida no Google Imagens
sábado, 13 de março de 2021
Incêndio no Circo Brasil
Afinal, de nada valeu o esforço de desmontar a rede de corrupção que a Força Tarefa da Lava a Jato, de Curitiba, descobriu, investigou, provou e exibiu ao mundo inteiro? Anos de trabalho, fortunas investidas e inteligências utilizadas foram inúteis? Se tudo aquilo foi, agora, considerado equivocado e desenvolvido por um tribunal indevido, por que não foi visto desde o inicio? Por onde andava essa Suprema Corte durante todo aquele processo que transcorreu sob a batuta do Juiz Sérgio Moro? Dormia sono profundo? Francamente, não dá para entender mais nada. Desta vez o auge da loucura foi atingido.
Num momento como este temos que concordar quando se diz que “o Brasil não é para principiantes”. Como pode um indivíduo provado e comprovado culpado, julgado e condenado em tribunais legais e acreditados, taxado como ladrão no mundo inteiro, com pena de prisão cumprida ser, de repente, aclamado inocente e livre para, potencialmente, reassumir o posto a partir do qual cometeu as maiores atrocidades deste país? Onde está o erro? Quem foi o incompetente? Quem é culpado, afinal? São questões de difícil resposta. Nem a História será capaz de desvendar e registrar essa verdadeira bandalheira. Até porque elementos probatórios e fundamentais podem ter sido estrategicamente destruídos. Resumo da Ópera: tocaram fogo no Circo Brasil e os distintos espectadores estão apavorados tentando se livrar das altas labaredas. Pior de tudo é que as explicações dessa queima só convencem os tolos que pagam o alto preço para assistir a esse espetáculo desastroso.
Quando menino, ouvi muitas vezes meu finado pai dizer que as lideranças governamentais da época estavam construindo o país do futuro e que, por sorte, eu usufruiria desse tempo de paz, segurança e fartura que ele não alcançaria. Ledo engano. Meu velho de olhar otimista não percebia que era um mal estruturado circo que estava sendo montado. Prova disso, que por sorte meu velho pai não presenciou, é que de lá pra cá a empanada já esgarçou e arriou várias vezes e, como se isso fosse pouco, apareceu um incendiário e tocou fogo no restante.
Desabafos à parte, e tentando contornar o desconcertante episódio desta semana que anulou os processos imputados ao réu Luís Inácio Lula da Silva, indiscutivelmente é difícil considerar que no Brasil de hoje haja segurança jurídica para quem ou o que quer que seja. Como acreditar num país em que os marcos constitucionais são desrespeitados, de hora pra outra, a mercê da orientação ideológica e decisão monocrática de um suposto guardião do cumprimento das determinações da Carta Magna? Ora, torna-se impraticável viver ou investir num terreno frouxo e movediço como este. Haja explicação jurídica que convença. A verdade é que o imbróglio perpetrado desta vez vai exigir muita energia e resiliência coletivas da Nação para ser digerido e perfeitamente explicado. A começar pelos muitos outros réus da Operação e que hoje mofam atrás das grades e tiveram seus direitos e "bens" confiscados. Afinal, por que somente o Lula? Se a Lei é igual para todos, faça-se Justiça. A essa altura do campeonato, tem muito penitente esperando anulação dos seus processos, além da devolução da grana que supostamente roubaram, contabilizaram como patrimônio pessoal e tiveram que devolver aos cofres do Circo. Vai dar muito rolo.
NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens
NOTA 2: Não deixe de ler a frase de Rui Barbosa no Alto da Coluna à direita (Para sua Reflexão)
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Atirando no pé
Como somente ocorre, a semana que finda transcorreu com altos e baixos no nosso, sempre dinâmico, meio político. O clima de caçar bruxas não para e a sociedade se vê
diante de um quadro sempre renovado de fuxicos e descontrole.
Aqui, bem
perto, no vale do Capibaribe (Recife), pegou fogo a briga fratricida no seio da
família Arraes, com disputas espúrias pela manutenção do poder sendo travadas
em cima de dois espólios: o do Velho Arraes e o do neto Eduardo Campos. A briga é
feia e promete muitos episódios negativos no plano político local. Os podres
serão descobertos e os pernambucanos ficarão sabendo o porquê de tanto desandar
e da tragédia que assola os principais domínios sociais do estado.
Em Brasília as
coisas são, também, sempre muito dinâmicas e quase sempre inusitadas. Nesta semana que termina foi a vez
do Ministro da Economia, Paulo Guedes, atirar sem dó nos pés. Ele que sempre se
mostra comedido, ao contrário do Capitão-Chefe, além de muito antenado nos planos das
reformas e sustentação econômica do país, saiu-se com duas pérolas de inesquecíveis
sabores. Primeiro, considerou que o funcionário público é uma classe de
parasitas e, depois, considerou que o valor sobrelevado que a moeda
norte-americana atingiu recentemente é justa e tolerável. E justificou sua tese com um disparate, pra lá de inconveniente, ao afirmar que um Dólar barato proporcionou viagens até de empregada doméstica à Disneylandia.
Infeliz todo.
De uma só vez mexeu com
duas classes profissionais sempre mobilizadas a se defender de modos audaz e combativo. Isto sem falar que assanhou as oposições sempre em busca de uma chance de
atacar. “Quem diz o quer ouve o que não quer”, já dizia minha avó. E foi o que ocorreu com o Ministro.
![]() |
| Até empregada doméstica vai para Disneylândia! |
Ora, meu
Deus, como pode um cidadão, que tem o poder de uma pasta tão importante como a
dele, se achar com o direito de julgar ao bel prazer integrantes de duas camadas sociais imprescindíveis ao
bom funcionamento da sociedade? São essenciais, sobretudo, pela nobreza dos serviços que prestam. Quando não se pensa duas vezes no que vai dizer termina assim...
Pensando bem, por que uma empregada doméstica, por exemplo, não pode ir ao Mundo de Disney nos Estados Unidos? Depende, naturalmente, das condições que encontra e da vontade que tenha. Lembro de um amigo que levou a dele porque precisava de apoio durante uma viagem com a família. Conseguiu, com boa justificativa, visto de entrada (por 30 dias) e a serviçal foi, lá, viu e voltou. Por que não? E outras motivações podem muito bem existir. Já os “parasitas” do serviço publico se exaltaram com razão, sobretudo aqueles que vivem sujeitos à insegurança física pessoal, de saúde, entre outras. São abnegados que cumprem com dificuldades seus papéis muitas vezes não reconhecidos.
Pensando bem, por que uma empregada doméstica, por exemplo, não pode ir ao Mundo de Disney nos Estados Unidos? Depende, naturalmente, das condições que encontra e da vontade que tenha. Lembro de um amigo que levou a dele porque precisava de apoio durante uma viagem com a família. Conseguiu, com boa justificativa, visto de entrada (por 30 dias) e a serviçal foi, lá, viu e voltou. Por que não? E outras motivações podem muito bem existir. Já os “parasitas” do serviço publico se exaltaram com razão, sobretudo aqueles que vivem sujeitos à insegurança física pessoal, de saúde, entre outras. São abnegados que cumprem com dificuldades seus papéis muitas vezes não reconhecidos.
De todo modo, sem querer justificar a infeliz fala do Ministro, é verdade que
existem parasitas e são aqueles que vivem buscando brechas para escapar do
trabalho, exigindo contracheque no fim do mês, sem desconto. Mas, generalizar não
dá. Fui funcionário publico e conheci alguns parasitas infiltrados no meio dos
que laboravam. Rigor se faz necessário, sim. O problema, espero, seja resolvido na desejada reforma
administrativa que farão rolar muitas águas às margens do Paranoá.
Para fechar
a semana houve o encontro de Lula com Francisco. Foi um Deus nos acuda. Choveu criticas
ao Papa. Católicos revoltados e críticos fervorosos do ex-presidente não se
conformam. A oposição festejou o encontro e garante que Francisco cumulou Lula
de absolvição de todos os pecados que cometeu. A fé abala montanhas e o ser humano é ótimo! Confesso que sou fã de
carteirinha do Papa argentino e considero que, uma vez mais, agiu cristãmente ao conceder espaço ao condenado
pela justiça brasileira. Jesus agiu de igual forma aos nos deixar seu legado: “quem
nunca pecou que atire a primeira pedra”, está lá no evangelho! Se essa
audiência assumiu forte conteúdo político, Francisco não quis dar importância.
Ainda bem que está chegando o carnaval e como isto é "coisa muito séria" por aqui, o povão vai cair na folia e esquecer essas baboseiras de cada dia. Imagino que
quando passar o reinado de Momo e o ano começar de verdade passaremos por novos episódios emocionantes. Sendo assim, bom carnaval!
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
NOTA: Foto obtida no Google Imagens.
terça-feira, 19 de novembro de 2019
Inocência Brejeira
Nada como ter uma chance de viver momentos de paz e distante
das mixórdias políticas do dia-a-dia deste Brasil de hoje. E, mesmo sem sair
dele (do Brasil), aproveitei o feriadão de quinze de novembro para me desligar,
relaxar em família e travar uma prosa com a gente simples do nosso
interior.
É tudo muito fresquinho e colorido. Colhido ao raiar do dia, no roçado atrás de casa. Nos brejos da redondeza. A maioria orgânica. Estrume da vaca criada no terreiro, aduba a produção.
É uma vidinha simplória e feliz. Não estão nem aí com o quer dizer imposto de renda, lavajato, congresso, executivo, legislativo, judiciário e outros "bichos brabos" soltos por aí. E tem mais, nem sabe em quem votou.
Vez por outra aparecem os “vivaldinos” que atravessam em diagonal o mercado e tentam subverter a ordem natural das coisas. Contudo, tanto o comerciante quanto o consumidor convivem, historicamente, com estes e adotam estratégias próprias que neutralizam as investidas inescrupulosas. Ora, para o feirante interiorano o que importa é o mercado da hora e não o que posterga o efeito financeiro embalados em promessas mirabolantes. Papo de cooperativa, nem pensar. Raros são os que escutam a conversa. Na verdade, faltam cooperativas sérias e bem estruturadas como ocorrem em economias mais avançadas. Falta confiança jurídica e falta, sobretudo, educação. Enquanto houver analfabetos, a coisa não muda.
Dia de feira nas nossas cidades interioranas é dia de festa.
O matuto se prepara para o grande acontecimento da semana. As produções da roça são levadas
ao pátio do mercado, onde se instala o pululante clima de comercializar toda
sorte de produtos da própria lavra. Colorido, barulhento e calorento, o pátio da feira livre de
Gravatá(PE) é o retrato vivo de uma vida simples e muito viva alimentada pela
alma interiorana caracterizada pela inocência brejeira.
“Bom dia Seu Toinho, antes de me vender me diga o que o Senhor está
achando do atual governo?” perguntei ao vendedor de coco (ralado na hora) e massa de mandioca. “Eu votei nele, mas,
estou triste porque todo mundo diz ele rouba muito”. Quem, Bolsonaro? “Não! Lula”. Mas Lula não é presidente! “Oxe! E Vosmicê num tá sabeno que ele foi solto e voltou
na semana passada? Ah! Meu sinhô, este Pernambuco num tem jeito marnão...”
É neste tom que a coisa se desenrola. Não sei se é para rir ou chorar. Com
meus botões discuto sobre o grau de instrução da nossa gente comum. Muitos não sabem ler. Analfabetos funcionais. Alguns sabem desenhar seus nomes. Quando não, vai no dedão. Mas, contam dinheiro, bem direitinho.
Uma coisa curiosa, porém, se nota com precisão nesse cenário: o exercício prático do princípio básico da
economia que é a elementar lei da oferta e procura. Eles, os feirantes, nem imaginam o que explica a teoria. Mas, dão lição nessa hora. Quando a
safra do feijão ou do milho é fraca e a escassez do produto é real, o preço sobe, o
consumidor reclama e não tem pra onde correr. Pague caro se quiser comer. Tudo
assim, numa boa e assimilada tranquilamente pelo demandante. Provoquei um vendedor e ouvi: É verdade, patrão! E o
sujeito não precisa ter leitura”, foi o que disse Seu Tião, na sua banca de
hortaliças. Lá ele vende cuentro e
não coentro. “Olhe Doutor, hoje tem tanto
cuento que dá pra vender um mói desse (mostra uma maçaroca do cheiro
verde) por um real. Cumpouco, no fim da
feira, eu termino dando o que sobra...” É tudo muito fresquinho e colorido. Colhido ao raiar do dia, no roçado atrás de casa. Nos brejos da redondeza. A maioria orgânica. Estrume da vaca criada no terreiro, aduba a produção.
É uma vidinha simplória e feliz. Não estão nem aí com o quer dizer imposto de renda, lavajato, congresso, executivo, legislativo, judiciário e outros "bichos brabos" soltos por aí. E tem mais, nem sabe em quem votou.
Vez por outra aparecem os “vivaldinos” que atravessam em diagonal o mercado e tentam subverter a ordem natural das coisas. Contudo, tanto o comerciante quanto o consumidor convivem, historicamente, com estes e adotam estratégias próprias que neutralizam as investidas inescrupulosas. Ora, para o feirante interiorano o que importa é o mercado da hora e não o que posterga o efeito financeiro embalados em promessas mirabolantes. Papo de cooperativa, nem pensar. Raros são os que escutam a conversa. Na verdade, faltam cooperativas sérias e bem estruturadas como ocorrem em economias mais avançadas. Falta confiança jurídica e falta, sobretudo, educação. Enquanto houver analfabetos, a coisa não muda.
NOTAS: Fotos de JPAllain. Os nomes são fictícios e as imagens foram permitidas.
sábado, 9 de março de 2019
Quarta Feira Ingrata
O problema do
Capitão foi o de não ser atualizado sobre os novos e “modernos” costumes
sociais de Pindorama. Se fosse noutros tempos, quando o ex-presidente era
levado às capacitações atualizadas de novas formas de relacionamentos humanos,
nada disso teria acontecido. É nisso que dá quando o sujeito se importa no que
mais importa e deixa os modos sociais de vida, periféricos, na barra do sem importância.
Foi hilário ele se interessar pelo termo Golden
Shower. Eu também não sabia! Fiquei sabendo depois de o Capitão ser
informado. Bom, claro que esse assunto animou a Quarta-Feira de cinzas das
tribos nacionais, sobretudo os integrantes das comunidades LGBT e similares. E
a oposição raivosa e inconformada.
Isto deve
ser preocupação de um Presidente de Republica? Pode sim. Qual o cidadão de boa índole
e princípios morais que não se escandaliza com uma cena – em público – de dois “artistas”
(é assim que esses indivíduos se classificam) desenvolvendo performances obscenas
a titulo de folia? Carnaval é festa democrática e serve para a turma soltar
suas frangas e se esbodegar em publico. Mas, tudo tem limites. Num país sério
essas modernidades são tomadas de forma parcimoniosa e a sociedade cresce
moralmente.
Não! Nada
contra as preferencias sexuais de cada individuo. Mas, por favor, tranque-se
num quarto e dê vasão às suas tesões pessoais. Muito mais saudáveis e mais
prazerosas. Afinal não precisa se preocupar com agradar um público.
Imaginemos
que um casal de artistas, hétero, resolvesse subir a um palco, no meio da rua e
em pleno carnaval, e tacasse fazer amor, diante de uma plateia. Ou se um desses
“artistas” fosse a publico se masturbar. O mundo cairia sobre a cabeça deles.
Praticando uma coisa antiga dessas no meio de um publico? Coisa mais sem graça!
O bom é apresentar novidades. Escandalizar.
![]() |
| Lula se capacitando para se modernizar. |
Fala-se de um
certo Anthony Gormley, artista plástico britânico, que, há bom tempo, prega uma
tese de que “o papel do artista é fomentar a revolução, não confirmar o status
quo”. Segundo esse cidadão a boa arte deve fazer você se sentir perturbado, até
mesmo desafiado, e não se encaixar no seu cotidiano.
Quem manda
Bolsonaro não frequentar exposições de artes modernas, como aquela que ocorreu
em São Paulo, no ano passado, quando um “artista” posou nu e se deixou tocar por
menininhas inocentes acompanhadas das mães tresloucadas? Quem manda Bolsonaro
não participar de capacitações como o Lula teve o cuidado de participar?
Se toda
quarta feira de cinzas é tida como ingrata, a do Presidente ficou mais ainda. As
mídias nacional e internacional prorrogaram a folia e fizeram a maior festa.
Ligue não
Capitão. Sua rede social, segundo noticia-se, ganhou mais de duzentos e
cinquenta novos seguidores.
Agora,
cabeça no lugar e toque pra frente o País. Faça o que prometeu.
NOTA: Foto o obtido no Google Imagens.
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Dores da Democracia
Se
há um assunto que foi muito debatido nesta campanha política brasileira de 2018 é o da Democracia. Isto porque há, indiscutivelmente, um suposto temor geral sobre os
riscos que estamos correndo de uma ruptura do sistema, seja vencedor A ou B. Sobretudo
nesta fase do segundo turno. O candidato do PT (Fernando Haddad –
preposto de Lula, preso em Curitiba) vende a imagem de democrata, embora que alimente concreta simbiose
com todos os ditadores sul-americanos e alguns africanos e insista na tese de que o candidato
do PSL (ex-Capitão Jair Bolsonaro) seja um admirador da ditadura militar e, como tal, disposto a
retroceder aos idos de 1964.
Dividida, a sociedade entrou em estado de perplexidade embora disposta a “acertar as contas” no voto, dia 28 próximo. Isto, aliás, democraticamente! Claro, porque aqui existe o debate, as trocas de insultos, desafios e, por fim, uma eleição decidida no voto popular. Portanto, é uma real Democracia.
Dividida, a sociedade entrou em estado de perplexidade embora disposta a “acertar as contas” no voto, dia 28 próximo. Isto, aliás, democraticamente! Claro, porque aqui existe o debate, as trocas de insultos, desafios e, por fim, uma eleição decidida no voto popular. Portanto, é uma real Democracia.
Historicamente, nunca foi fácil nivelar opiniões divergentes, seja qual for a
circunstância. Se existir radicalismo num ou mais grupos litigantes a busca do
nivelamento pode produzir conflitos incontornáveis e muitas vezes irreparáveis. Por princípio democrático, prevalece sempre a tese da maioria. Teoricamente
é neste regime que se espera haja a possibilidade de se chegar a um
desejado nivelamento de opiniões em benefício do grupo social objeto da lide. Contudo, nem sempre há o desejado nivelamento.
Isto é aplicado, até mesmo, num ambiente familiar.
Em
recente debate pela TV, assisti ao então candidato à presidência da Republica,
Ciro Gomes, resumir em poucas palavras sua opinião a propósito do
sistema, afirmando que “a Democracia é
uma delicia, mas tem certos custos”. É verdade. Concordo com ele. É o que
estamos vendo neste momento brasileiro. O custo é muito alto porque provoca
dores profundas na sociedade. Com uma Democracia relativamente jovem e com o
país mergulhado numa profunda crise moral-político-econômica, a busca por um
concerto harmonioso da sociedade tem rendido um amargo processo.
À
medida que a corrida eleitoral se aproxima do fim, isto que chamo de dores da
Democracia se impõem de modo violento e um estresse coletivo sufoca cidadãos
e cidadãs mais ligados, resultando em "fraturas expostas" entre os partidos
políticos, sociedades organizadas, grupos sociais e até entre integrantes de
famílias, antes tranquilas. A incerteza do futuro, o medo e o ódio tomaram conta dos indivíduos
e até aqueles que nunca, ou pouco, se ligam em assuntos de política liberam as feras que
habitam suas peles dando vazão à discussões acaloradas, improdutivas e, sobretudo,
prejudiciais à união, aos bons hábitos e costumes e, finalmente, à Nação. Para mim que acredito piamente que nunca
haverá Ordem e Progresso, como manda nossa flâmula, se não houver células
familiares unidas e integradoras da unidade nacional é uma dor. Claro que parto do princípio que as famílias são elos que fortalecem a Nação.
No meio dessas discussões encontrei, outro dia, uma afirmação do critico e escritor português Miguel Esteves
Cardozo, muito própria para o que venho conferindo entre nós brasileiros, que
diz: “os verdadeiros democratas não são
aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que
precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos
não sei que mais. São (ao contrário) os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as
opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os
desconvencer à força.” Vejo este comportamento antidemocrático frequentemente entre nós. Mesmo entre membros de famílias, o que é mais doloroso. Ora, as eleições passam e as dores custam a ceder. Não é simples viver numa Democracia, sobretudo para quem se posiciona como dono da
verdade.
Diante disso tudo, vem uma pergunta que não cala: será que o brasileiro está preparado para viver numa genuína Democracia? Eis a
questão! Segundo o educador Anísio Teixeira, “só
existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que
prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”. Cá pra nós, é um formidável desafio para quem vier a ocupar o Palácio do Planalto. E, claro, para todo brasileiro de são juízo.
Então, coloquemos nossas cabeças em ordem para decidir
nosso destino, sabendo que a nossa arma é o voto. No próximo dia 28, vote com consciência, espantando as dores que
a Democracia lhe provoque.
NOTA: A ilustração foi obtida no Google Imagens
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