sexta-feira, 27 de maio de 2022

Mundo Selvagem

Entre coisas assustadoras na vida dos norte-americanos – que podem ser inúmeras – uma certamente se destaca pela frequência e ousadia: surtos de loucura em jovens que praticam chacinas em escolas, universidades e centros de compras. Fico chocado, intrigado e curioso buscando entender as possíveis razões desses desatinos. O que leva um jovem de dezoito anos invadir uma escola – na qual foi educado – assassinar a bala, 18 crianças na faixa dos 6 a 10 anos e mais 4 adultos funcionários da escola? Foi mais um episódio desses que aconteceu esta semana (24/05/2022), na Escola Primaria Robb (foto a seguir), na minúscula cidade interiorana de Uvalde, do Estado do Texas, de apenas 16.000 habitantes, distante apenas de 130 Km. da cidade de San Antônio, a maior da região. Estarrecedor. Por que tantas ocorrências dessa natureza nos Estados Unidos da América? Eis uma pergunta que não cala.
Pondo-me no lugar de pai de uma dessas inocentes vitimas fico a imaginar o desespero. Como entender e como enfrentar a vida dali para frente? Como explicar aos eventuais irmãos menores ou maiores a ausência abrupta daquele integrante da família até então? Imagine o imigrante que foi fazer o american way of life dos sonhos e esbarrar num abalo desses. Em tempos de permissão de vendas de armas, de modo aberto aqui no Brasil, casos como estes nos States acendem uma luz de alerta. A quem vem sendo permitida a venda de armamentos? Acredita-se nos critérios severos e bem monitorados estabelecidos legalmente. Contudo, nesta Terra de Cabral, onde a lei que prevalece é a do mais forte ou a do corrupto, afora a realidade de que a o dinheiro resolve qualquer parada, não deixa de ser um motivo de alerta. Pensando bem, ensaios, semelhantes aos dos norte-americanos, já foram registrados por aqui. Lembro, por oportuno, do massacre escolar ocorrido na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), no dia 13 de março de 2019, quando dois atiradores, ex-alunos, mataram cinco estudantes e duas funcionárias. Após o massacre um dos assassinos matou o comparsa e em seguida se suicidou. Sei lá eu o que enchia as cabeças desses infelizes jovens. No caso do Texas (USA) o atirador foi morto pela policia. Ele havia completado 18 anos e a primeira providencia tomada foi comprar a arma do crime. Respostas para esses surtos ianques de loucura passam, a meu ver, por aspectos que vão da obsessão por armas ao culto indiscriminado às campanhas de guerra. Por lá, portar uma arma de fogo é, para milhões, condição fundamental de viver enquanto que curtir febrilmente uma guerra é testemunho de patriotismo. Como fontes de estímulos e apoio a essa cultura belicosa que, aliás, se espalha mundo afora está, cada vez mais, crescente a produção cinematográfica hollywoodiana, a dos streamings e dos videogames que invadem e contaminam escancaradamente as mentes dos adolescentes e jovens do século 21. Além, obviamente, os potentes fabricantes de armas e equipamentos de guerra que não vivem de outra coisa salvo o exercício do combate. Doloroso pensar no futuro das nações. E, pensando em futuro, volto a lembrar de que tudo começa na formação educacional. Este certamente o grande desafio dos governantes de hoje e do amanhã. E, como isto vai sempre depender da raiz cultural, acredito venha ser sempre uma quimera viver um sonhado mundo tranquilo.
Mal conclui este post e vejo a impressionante repercussão nacional e internacional (Vide foto acima) do assassinado de um popular numa “câmara de gás” improvisada numa viatura da Policia Rodoviária Federal, na BR-101, litoral de Sergipe, nordeste do Brasil. Genivaldo de Jesus Santos, de 43 anos, detido por razões não esclarecidas, foi jogado no porta-malas do veiculo policial, onde recebeu uma carga letal de gás, vindo a falecer por asfixia mecânica e insuficiência respiratória aguda. A notícia correu o mundo e expôs negativamente o Brasil. Policiais perversos e mal capacitados, produto de uma sociedade onde a educação nunca foi prioridade de governos. Mundo Selvagem e desanimador. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens e no THe Guardian

terça-feira, 24 de maio de 2022

Equivoco Lamentável

Com muita curiosidade e olhar critico de cidadão comum acompanho a tramitação, no Congresso Nacional, do Projeto de Lei PL-2.401/19, que concede aos pais ou responsáveis o direito de educar os próprios filhos no ambiente doméstico – também conhecida como homeschooling – sem que sejam obrigados a enviá-los a uma escola formalmente estabelecida. Justificativas são apontadas, mas, nem sempre convincentes. Ao menos para mim. Lembro-me, de imediato, aqueles ligadas às dificuldades econômicas da família, distanciamento constante de uma unidade educacional (famílias embarcadas, por exemplo, como aquela Família Schurmann), complicação logística de transporte domicilio-escola-domicílio ou, mesmo, principio cultural (obtuso, aliás) da família. O PL já foi aprovado, semana passada, na Câmara Federal e encaminhado ao Senado. O texto básico do PL foi aprovado por 264 deputados a favor, 144 contra e duas abstenções. O sistema é experimentado em outros países (comum nos Estados Unidos) e, segundo avaliam, com sucesso. Tenho imensas dúvidas. Minha curiosidade e critica, como referido no principio, é baseada numa trajetória profissional de logos 40 anos, sempre defendendo princípios de um sistema educacional que proporcione a formação de uma sociedade sólida, participativa e republicana. Fosse eu um representante do povo na Câmara Alta votaria contra a proposta por considerá-la uma tremenda involução e prejudicial ao desenvolvimento social do país. Num Brasil, onde são sempre encontradas brechas para praticar a insensatez e o relaxamento dos caminhos para a formação do cidadão do futuro, um projeto de Lei com esse objetivo devia ser mantido nas gavetas do esquecimento parlamentar. Esta proposta ganhou prioridade, segundo analistas da área, durante a pandemia quando milhões de estudantes, dos menores aos maiores, tiveram que se valer da forma remota de estudar. Ora, meu Deus, foi uma situação extraordinária e maléfica ao bem social global. Quando passar, tudo volta ao normal. Sabe-se hoje que muitos, milhões também, dos casos de jovens que burlavam a prática da aula on-line e sequer acompanhavam o que era oferecido pelo professor ou professora por trás da tela. Meios não faltaram para essa burla. Avaliar os conhecimentos e aplicar graus de aproveitamento tornou-se um desafio para os mestres on-line. Isto, sem falar nos casos dos profissionais de ensino que encararam a situação de modo enfadonho, desestimulantes e pouco prático, em face da cultura original.
Por outro lado, ninguém me venha dizer que seja salutar educar seu filho menor dentro de casa e sob sua reponsabilidade. Duvido da sistematização de um programa de educação doméstica capaz de formar de modo adequado uma base segura para garantir uma competência ao cidadão do futuro. Sem falar da falta que fará ao menino ou menina, das possibilidades de sociabilidade e introjeção no mundo externo no qual, em algum momento, terá que interagir. Sendo mais rigoroso e critico, arrisco dizer que a vulnerabilidade das crianças submetidas a esse fatídico regime de ensino domiciliar será propicio à prática de abusos e malefícios às crianças indefesas. Não tenho dúvidas de que se trata de um equívoco lamentável dos nossos representantes. Espero que haja idas e vindas entre Câmara-Senado-Câmara e essa proposta mofe nas gavetas do Congresso. Para encerrar, mas, por oportuno, pergunto: por que gastar tanto tempo, dinheiro e energia na discussão desse equivocado e polêmico PL e não investigar e propor aperfeiçoamento na Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB) e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que, por sinal, sofrerão cortes devido a essa impropria proposta em tela? Mais ainda: por que não discutir as possibilidades maciças de investimentos produtivos nas escolas públicas do país, dotando-as de condições eficientes e eficazes, para que tenhamos adiante uma sociedade mais digna e capaz? NOTA: Foto iustração obtida no Google Imagens.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

Simbora

Pauta para o Blog é o que não falta. O que falta mesmo é ânimo para comentar (ou analisar) tantas loucuras que se multiplicam mundo afora. Quando estamos com a mente afiada e a vontade de “baixar o sarrafo”, a coisa até que flui. Mas, diante de tantos desatinos, controvérsias e desespero nos quatro pontos cardeais do país e do planeta, resta muito desânimo ao Blogueiro. Ou será preguiça? Ou incompetência? Talvez a saturação, que a idade provoca, depois de experimentar tantos esforços e ações – a grande maioria ignorada – nas frentes de construção de um mundo melhor venha ser a justificativa para o desânimo. Paciência. Que meus seguidores/leitores me perdoem, mesmo porque a vida segue sem responder questões do tipo: onde erramos? Por que resultou nisso? Podemos reconhecer as falhas? Como não posso carregar o mundo nas costas, vamos simbora! Desde muito jovem aprendi que “a esperança é a última que morre”. Contudo, penso, hoje, que vou morrer um dia (a única certeza que temos na vida) levando junto com minhas cinzas várias das minhas esperanças. Por exemplos: a de ver um Brasil mais justo e digno para minha gente; uma Classe Politica e governante com C e P maiúsculos, sem os atuais assaltantes e corruptos; um mundo sem fome e miséria; um mundo sem guerras e um planeta preservado. Neste outono da minha existência, tenho dedicado dias, horas e minutos interagindo com o mundo que construí. Quero bem próximos: família, amigos, retornos a lugares favoritos, leituras prazerosas, muita musica (das boas!), escritos, leituras prazerosas, muita musica, retorno a lugares favoritos, amigos e família. Simbora, com idas e vindas, sim, que consigam abastecer a minh ‘alma e inspirem meu bom viver. Reconheço, entrementes, que não posso reclamar de tudo porque, ao contrario de milhares, reclamo de barriga cheia. Por exemplo, no meu refugio interiorano (por sorte, tenho uma tapera na Serra das Russas – Pernambuco), enquanto desanuvio a mente dos ruídos ao redor da torre que habito (buzinas, vendedorwa de ovos e macaxeira, caminhão do gás) apraz-me observar a vida brejeira de uma gente que não tem ideia de quem seja Putin, que Kerson foi um nome bonito que Zefinha ouviu no noticiário da televisão, anotou, para registrar o filho que vai nascer no mês de Santana. Mais do que isto, fico impressionado ao descobrir que para alguns Dilma Roussef era a esposa de Lula e que morreu! Acho graça no vendedor de munguzá, que chama de Suíça uma cadela vira-lata, magricela e pulguenta, que encontrou na estrada (foto abaixo) e que Buenos Aires é um lugar ali pertinho (vai ver que é mesmo!). Acho divertido e criativo ver as cocotinhas da cidade desfilando, no dia de feira, com modelos copiados das personagens de novelas da TV.
E outra coisa inteligente é ver o cidadão usando relógio digital porque não sabe ver as horas num tradicional e analógico relógio de ponteiros, além de se deleitar ao gravar a voz em mensagens de WhatsApp porque não sabe ler e escrever. É nesse ambiente e mistura de culturas que se apura a mente “poluída” de qualquer tupiniquim portador de mestrado e doutorado no exterior, quando mergulhado no hinterland de modo frio e cru. É a ocasião em que a realidade pesa na consciência e no traseiro do diplomado que o obriga se manter com os pés plantados no chão. Lá na Serra eu não uso gravata, apesar de estar em Gravatá. Lá eu ouço o cantar dos quero-quero avoantes e encaro corujas com os olhos bem abertos como quem me diz “estás vendo o que estou te mostrando”.
Nessa pisada, outra coisa não me resta a não ser dizer: SIMBORA! A fila está andando. Mas, antes de colocar o ponto final, devo dizer Não! Não estou deprimido. Pelo menos não quero estar. Estou é preocupado com este mundo descontrolado e com o futuro dos meus descendentes. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sábado, 30 de abril de 2022

Um Homem de Sete Instrumentos

Há pessoas que nascem com o especial predicado de distribuir entusiasmo àquelas que a rodeiam. Como entusiasmar significa encantar e animar terminam sempre sendo pessoas queridas, lideres e centro de atenções em qualquer ambiente. Catando melhor o livro dos significados, descobri que, para algumas crenças antigas, entusiasmar significa provocar estado de exaltação e ser tomado por espirito de inspiração divina. Aqui pra nós, é muita coisa. Este abril que hoje finda levou para a eternidade uma dessas maravilhosas pessoas que, com permanente entusiasmo, encheu de alegrias e bons ventos salas, salões, blocos cirúrgicos, hospitais inteiros, templos, palcos, auditórios e qualquer outro tipo de recinto social. Refiro-me ao grande amigo REINALDO DA ROSA BORGES OLIVEIRA que nos deixou no último dia 10 provocando um vazio em muitos espaços sociais nos quais circulava. Pernambuco chora sua ausência física, mas, reverencia sua memória.Foto a seguir.
Lembrar-me desse amigo, impossível deixar escapar as lembranças preciosas das formidáveis conversas que levamos em momentos de “jogar conversas fora”. Numa dessas, fim de tarde, encostado no seu piano de calda, entusiasmado (estado natural), contava-me sobre a composição, com seu irmão Fernando, do frevo canção do Clube Internacional, sublinhando a sensação prazerosa que sentiu quando a Orquestra de Nelson Ferreira, pela primeira vez, “rasgou’ o frevo da sua autoria na abertura de “um carnaval sensacional, só mesmo no Internacional!”. “Foi uma criação encantadora, Girley!” Era curioso e contagiante ver aquele Homem desenvolver a conversa em tom eloquente e arrebatador. Ele era assim... relatava e cantava, cantava e relatava, com os olhos brilhando e transmitindo fortes vibrações somente sentidas quando, de fato, vivenciando o ferver do próprio salão de carnaval. Momentos depois já passava a descrever uma cirurgia “divertida” que havia realizado na véspera e emendava comentando cenas de palco e de bastidores, da famosa peça “Um Sábado em Trinta”, por ele dirigida, no teatro criado pelo seu pai Waldemar de Oliveira, de quem, bom destacar, herdou tanto talento. No meio disso tudo, entre boas tiradas e grandes gargalhadas, virei-me pra ele, dei uma palmadinha nas costas dele e conclui dizendo da satisfação de conhecer um homem que, com competência, manejava sete instrumentos. De fato, Reinaldo manejava com maestria um bisturi, uma caneta, as claves de Sol e de Fá, um palco, um microfone, o teclado de um piano e um cérebro privilegiado. Vai fazer muita falta entre nós. Nossa maior aproximação, registro com destaque, se deu nos quadros do Rotary Clube International, quando fomos filiados ao mesmo clube, o Rotary Clube Recife – Casa Amarela, onde tivemos belas oportunidades de relacionamentos sociais, entre companheiros da agremiação internacional e com a comunidade próxima, assistida pelo Clube. Com tanta verve e espirito de líder, Reinaldo foi presidente do Clube, tornou-se Governador do Distrito Rotário 4500, (1994-95) reunindo clubes de quatro estados nordestinos (Pernambuco, Paraíba e Rio G. do Norte), ocasião em que entusiasmou o mundo rotário com inspiradoras mensagens de “servir ao próximo, antes de servir a si mesmo”. Enfim, lembro que Reinaldo de Oliveira foi escritor, compositor, diretor, ator e participou de mais de 80 peças teatrais. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e integrante da Academia Pernambucana de Letras, da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e da União Brasileira de Escritores, em Pernambuco. Para marcar seu legado, em 2018, a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), publicou sua biografia intitulada: "Reinaldo de Oliveira - Do bisturi ao palco".

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Desafios do Viver

O Blog esteve fora de circulação por duas últimas semanas por amor a vida e à família. O Blogueiro teve o prazer de receber, para festejar a Páscoa, filhos que vivem distantes e, diante das alegrias e prazeres, resolveu tirar férias. A vida tem desses momentos e, mais do que nunca, exigem comemoração e curtição, usando o termo da moda. Três gerações reunidas e louvando a existência, num tempo em que a ressureição de Cristo e o renascimento dão o tom dos festejos. Foram muito temas visitados ou revisitados nas rodas de conversa. Entre estes, dois ganharam destaques e suscitaram debates acalorados: descriminalização do aborto e eutanásia. Nos Estados Unidos em pleno período pascal um dos estados reviu sua Lei de Aborto e reduziu para 12 semanas de gestação o momento limite da prática do aborto. Antes era de 24 semanas. Pouco tempo antes (21 de fevereiro) foi decidida a descriminalização do aborto na vizinha Colômbia, numa “martelada” da Corte Constitucional daquele país, permitindo essa prática até as primeiras 24 semanas de gravidez. Inicialmente, a proposta era de 13 semanas, mas atendendo forte campanha do movimento feminista denominado de Justa Causa, foto a seguir, o tempo foi estendido pela tal Corte. Um magistrado de nome Antonio José Lizarazo foi o responsável pela proposta. Por exceção fica permitido o aborto mediante comprovação de se tratar de um fruto de estupro ou uma gravidez que ponha em risco a vida da gestante.
Como defensor da vida, após a concepção, reputa como uma decisão difícil de ser assimilada, embora concorde com as exceções. Tenho meus princípios moral e religioso, que não nego, mas, parto do principio de que a vida começa no momento em que um óvulo é fecundado, após união de dois corpos que decidem se completar e expressar fisicamente seus incontidos desejos. Claro, é assunto social delicadíssimo e a minha visão, além de amplamente discutida, é sujeita a ilimitadas controvérsias. Ao meu ver acredito que a congeminação humana, ao contrário no reino dos irracionais, é praticada com frequência, naturalidade, até como meio de vida e, não raramente, de modo irresponsável. Por mera diversão. Claro, é bom e prazeroso não nego, também. Faz bem à saúde física e mental. Contudo é preciso ter responsabilidade e precauções para não cair no grupo que busque corriqueiramente a pratica do aborto. È uma questão de saúde publica. A inteligência cientifica criou meios eficazes para evitar. O ex-presidente Lula foi extremamente infeliz ao tocar no tema, num recente encontro da CUT. Amargou algum desgaste politico. Coisas do Brasil, onde o aborto é proibido. Contudo, infelizmente é praticado por “debaixo dos panos” e com métodos dos mais rudimentares. E aí responsabilizo, outra vez, a falta de uma politica de Educação e Saúde Pública. É difícil... sei muito bem. Corro o risco de ser criticado e ficar mal visto por alguns leitores ou leitoras. Mas, a vida segue. Diante de um netinho que atravessa a sala, corre no gramado e chuta uma bola sobre as taças de vinhos que tomávamos na varanda, impossível não me lembrar de quantos outros perderam a chance de fazer o mesmo ou algo similar. Enfim, causa-me repulsa quanto ao caso colombiano, ao lembrar que com 24 semanas de gestação um feto já tem em formação todos os seus sistemas corporais e caminha para seu completo desenvolvimento. Numa maneira didática o Doutor Google explica, num dos seus tópicos, que “a gravidez é dividida em três trimestres, em função das especificidades destes períodos. No primeiro, começa a divisão celular, que transforma o óvulo fecundado em um embrião. No segundo, todo o sistema do bebê é concluído. E, no terceiro, o bebê ganha peso e altura, enquanto o corpo da mãe se prepara para o parto”.
Como mencionei no inicio o outro assunto abordado foi à prática da eutanásia. Quem provocou a conversa foi a noticia de que Alan Delon havia decidido por um suicídio assistido. Claro que causa surpresa. Ele é de nacionalidade franco-suíça e tem o direito de praticar a eutanásia. A decisão, aos 86 anos, (Foto acima) veio após um AVC que o limitou fisicamente, deixando-o com profunda preocupação de não viver dependente ou dando trabalho aos filhos ou terceiros. Ficará a lembrança do galã das telas nos anos 60 e 70, que marcou uma juventude fã incondicional do cinema. Resta a discussão da coragem desse homem que cansou de envelhecer preocupado com os que o rodeiam. Egoísmo, vaidade ou empatia? São os desafios do viver. A questão fundamental é que é “preciso saber viver” como cantou Roberto Carlos.

sábado, 26 de março de 2022

Janela Escancarada

Tenho acompanhado, com alguma curiosidade, essa história de “janela partidária” que ocorre, legalmente, nestes trinta dias de março, no cenário politico brasileiro. Como não sou especialista em legislação eleitoral fui remexer nos meus alfarrábios e sites de pesquisas, não apenas em busca de entender aos detalhes legais, assim omo e principalmente investigar essa coisa de mudar de legenda partidária noutros países. Para este ultimo aspecto, aliás, não obtive o sucesso desejado e fico tendente a acreditar que se trata de mais uma “jabuticaba” brasileira. Com a palavra os especialistas. Mandem as ordens, por favor. Sinceramente, fico questionando, intrigado, como esse processo se dá. Afinal, podemos confiar numa representação politica séria – tão necessária para sustentação de uma democracia republicana – à medida que os representantes sentem-se à vontade para “pular de galho em galho” a depender dos interesses pessoais e dos arranjos eleitorais presumidamente vantajosos? E como explicar ao eleitor? Mais do que isto, até onde vão os princípios ideológicos e as filosofias partidárias que servem de referencias a cada representante quando opta por esse ou aquele partido? Com uma diversidade partidária tão grande e com uma crise politica tão aguda, como a que hoje vivemos, o processo da “janela” poderá, quando muito, ser benéfico para quem tem esperanças no amadurecimento democrático do país. Temos muitos partidos políticos. Alguns são tão nanicos, como se diz popularmente, que chegam a ser ridículos. É uma colorida salada de partidos (Foto abaixo). Melhor seria algo mais compacto.
Apesar de me parecer uma insólita medida, se trata de uma regra regulamentada pela Reforma Eleitoral de 2015 (Lei 13.165/2015) e Emenda Constitucional 91, de 2016, que prevê a possibilidade de troca de partido, para deputados estaduais, federais e vereadores, num período que antecede a seis meses de uma eleição. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) partiu do principio que o mandato pertence ao partido e não ao candidato eleito. A intenção foi, inclusive, preservar a fidelidade partidária. Estão livres, bom ressaltar, dessa vedação os detentores dos cargos de Presidente, Governador, Senador e Prefeito, visto que os votos são consignados a cada individuo e não pertence ao partido que esteja filiado. Desse modo, a tal da “janela partidária” ocorre durante trinta dias para que parlamentares possam mudar de legenda sem perder o mandato. Estamos, pois, em plena festa! O movimento é grande nos quatro cantos do país e, pelo visto, “escancararam a janela”. Tem parlamentar “arrumando as trouxas” às pressas para não perder o prazo. Tem partidos fazendo verdadeiros leilões de atração a candidatos promissores. Tem partido empobrecendo, partido criando musculatura e tem partidos com estruturas abaladas devido às ganâncias de poder e a vaidade desmedida de boa parcela de parlamentares. Nunca se brigou tanto pelo Poder nesta Terra de Cabral. Detalhe importante a ser lembrado é que, sem “janela partidária”, é permitida a mudança quando apresentada uma justa causa, tais como: fim ou fusão do partido, desobediência ao programa partidário ou grave comportamento pessoal do representante. Já ouvi falar de vários desses. A esperança é que o eleitor fique atento, saiba acompanhar e analisar cada movimento e cada candidato, para que em 2 de Outubro acerte em escolhas responsáveis e comprometidas com a Nação. Chega de tantas crises. O país precisa viver momentos de tranquilidade. Temos oportunidades e não podemos perder as chances que se revelam promissoras. Se a “janela escancarada” é uma realidade permitida, que se feche com sucesso.

domingo, 20 de março de 2022

Futuro Sombrio

O tempo vai passando e minha esperança de que o conflito do leste europeu se dissipe e o mundo sossegue aliviado. Ainda inacreditável que isso venha ocorrendo em pleno século 21. As partes não cedem, as negociações não avançam e o resto do mundo se exaspera diante da barbárie, transmitida ao vivo e a cores, de uma infinidade de seres humanos que se esgueira debaixo de bombardeios e destroços de vidas amontoados procurando refúgios. Impossível não se sensibilizar e se revoltar diante de um quadro tão inesperado para este tempo. A mídia internacional tem tido pautas inesgotáveis e fazem da guerra seu dia-a-dia nesses quase trinta dias de conflito. Veículos informativos, das mais diferentes localizações e nuances politicas, tomam posições e interpretam ao bel prazer cada movimento tendendo, na maioria das ocasiões, aos quadros mais sinistros e preocupantes.
Graças à modernidade digital, tenho tido oportunidade de acompanhar os diários de noticias e as revistas informativas semanais e confesso minhas apreensões quanto ao futuro dos meus netos. Jornais europeus e norte-americanos se “esbaldam” em estampar imagens, opiniões e relatos assustadores. Hoje mesmo, aqui no Brasil, a revista semanal Isto É, (20.03.22), traz uma reportagem de capa que, no mínimo, provoca inquietação, desde a primeira vista, ao interrogar personalidades de destaque com: “Uma Terceira Guerra Mundial é Possível?”. (vide foto ao lado) E, mais do que isso, faz referencia enfática sobre o uso de armas nucleares. Armados até os dentes e detentores de arsenais nucleares dos mais potentes, os grandes rivais dessa contenda – Rússia e Estados Unidos – endurecem as formas de guerrear e, aparentemente, não temem em medir essas forças brutais pondo em risco o planeta como um todo.
O clima instalado me faz lembrar uma das mais tocantes experiências, que vivi nos idos de 1984, quando estive, pela primeira vez, no Japão e visitei a cidade de Hiroshima (Foto ao lado), alvo do monstruoso bombardeio atômico, deflagrado pelos norte-americanos, no final da Segunda Grande Guerra. Em 6 de agosto de 1945 foi lançada a primeira bomba atômica que se conheceu no mundo. Denominada de Little Boy arrasou a cidade de Hiroshima, transformada em verdadeiro inferno e matando aproximadamente 150 mil pessoas, metade das quais na ocasião da explosão. A cidade se transformou no alvo dos “terroristas” norte-americanos por se tratar da única forma de render o exercito do Império Japonês e dar um ponto final à Segunda Guerra. A escolha da cidade foi estratégica, dado ao fato de ser local onde funcionavam grandes estaleiros de navios de guerra e por dispor de um grande parque industrial metalomecânico, no qual se produzia armas e equipamentos bélicos. Conhecer de perto a cidade foi para mim uma oportunidade impar e capaz de me fazer melhor conscientizado sobre o poder devastador de uma arma nuclear. A Little Boy descarregou uma carga de urânio, que explodiu a 570 metros acima do solo e provocou um imenso cogumelo de fumaça (18 km. de altura), gerando uma descomunal temperatura de 300 Graus Celsius. Hiroshima (Nagasaki também bombardeada) foi reconstruída (Foto abaixo) e pouco mostra marcas da tragédia, salvo no parque memorial Abomb Dome, no exato ponto da explosão. Ali se localiza um museu organizado com uma dantesca coleção de peças e animais taxidermados resultantes dos efeitos a bomba. O visitante é recomendado se preparar para ficar diante de imagens e objetos capazes de provocar náuseas, revoltas e abalos emocionais. Um cavalo esfacelado, uma máquina de costura doméstica retorcida e garrafões de vidro amassados estão, até hoje, na minha memoria. Fora fotografias de humanos em estados dos mais deploráveis. Não tenho noticias de que Putin ou Biden tenham visitado este museu.Bom, de nada valeria...
Ouvir falar em Terceira Grande Guerra e ameaças do uso de armas nucleares, hoje, é, ao meu modo de prever, o fim do mundo. Sabe-se que tanto a Rússia, governada por um cidadão nada confiável, e os Estados Unidos com, respectivamente, 5.977 e 5.500 ogivas nucleares podem – numa deslize de cabeça – destruir o planeta Terra. A bomba que explodiu em Hiroshima é fichinha comparada às que hoje são mantidas nestes dois países e correspondem a mais de 90% das armas nucleares existentes. Nem é bom pensar neste futuro sombrio. Que a concórdia se estabeleça.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...