quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) na qual seria discutida a possibilidade de julgamento de um dos seus membros, apontado como cumplice e integrante de uma quadrilha de corruptos sob o comando do ex-banqueiro Daniel Vorcaro (ex- Banco Master). A revolta exposta no post da semana passada era meu combustível. Postei-me diante da TV e acompanhei a sessão que, aos poucos, revelou-se como uma farsa indecente e vergonhosa, em se tratando da mais alta Corte de Justiça do país. Decepcionado, confesso que terminei o dia com um sentimento difícil de esconder: indignação. Não pela existência de divergências entre ministros. Até porque divergir é próprio de uma Corte. Não pela existência de votos diferentes. Afinal o contraditório é indispensável à Justiça. O que me incomodou profundamente foi outra coisa: a maneira como algumas divergências foram colocadas. Ora, ora, o Supremo Tribunal Federal não é um palco qualquer. É a mais alta Corte de Justiça do país. Uma coisa básica e aparentemente esquecida por aqueles senhores e senhora togados naquele recinto. Na minha cabeça e de meio mundo, são pessoas que ocupam posições que exigem, além de conhecimento jurídico, uma responsabilidade institucional extraordinária. Espera-se deles serenidade, equilíbrio, respeito recíproco e, sobretudo, decoro. Justamente o que, a meu ver, pareceu faltar em determinados momentos daquela sessão, vista e transmitida para o povo brasileiro, ávido por um desfecho moralmente correto e republicano no seu próprio conteúdo. Curiosos de como o próprio presidente da Corte, ministro Edson Fachin, ao abrir os trabalhos, fez um apelo por “sensatez, decoro e serenidade”. Não poderia haver advertência mais significativa. Porém, por que se lembrar de decoro, que na base da civilidade é obvio e desnecessário ser sublinhado? Previa ou já se preparava para tantas “pedradas” prometidas? Pobre Presidente. Não deu outra. Mostrou-se um fraquíssimo líder. No decorrer da sessão o que veio foi um plenário marcado por interrupções descabíeis, acusações e confrontos pessoais entre integrantes, de modo escancarado e acredito que inédito. Como cidadão cumpridor dos meus deveres e obrigações sócio-políticas logo conclui que estávamos diante de uma ensaiada “ópera bufa” tentando transformar a plateia - o povo brasileiro - numa nação de alienados. Alto lá! Senhoras e Senhores, o cidadão comum pode até não compreender todos os detalhes jurídicos de uma petição de uma investigação ou de uma questão de ordem. Mas compreende perfeitamente quando pessoas investidas de enorme poder começam a se tratar publicamente de maneira incompatível com a dignidade do cargo que ocupam. È nisto que está, para mim, o ponto central. Quando ministros do Supremo entram em confronto diante de milhões de brasileiros, o problema deixa de ser apenas deles. Atinge a imagem da Corte. E quando a imagem da Corte se deteriora, deteriora-se também algo muito mais importante: a confiança da sociedade nas instituições. Não estou dizendo que ministros não possam ser criticados. Ao contrário. Ninguém está acima da crítica — muito menos aqueles que exercem uma parcela tão extraordinária do poder do Estado. Mas justamente por isso é preciso cobrar deles aquilo que se cobra de qualquer instituição que pretenda ser respeitada: limites, equilíbrio, responsabilidade e respeito. O mais lamentável é que o Brasil já vive uma época de profunda divisão política e institucional. O cidadão está cansado de conflitos permanentes, de acusações cruzadas e de disputas pelo poder. Precisávamos que o Supremo fosse uma referência de equilíbrio. Precisávamos olhar para aquela Corte e pensar: ali estão homens e mulheres capazes de discordar profundamente sem transformar a divergência em confronto pessoal. Infelizmente vi justamente ao contrário naquela sessão histórica. É muito preocupante! Um país não se perde apenas quando suas instituições deixam de funcionar. Ele também começa a se perder quando as instituições continuam funcionando formalmente, mas deixam de inspirar confiança. O que assisti, ontem, foi degradante. Afundei no meu sofá e perguntei aos meus botões: Quem julga os julgadores quando eles próprios deixam de oferecer à sociedade o exemplo de equilíbrio que dela exigem?. Aquilo ali, não pode continuar como está. Precisa ser refeito! A sociedade brasileira brada, aos quatro ventos, por um Supremo supremo e não mais aceita uma Corte do faz de conta, onde cada membro cuida do seu quinhão e esquece os compromissos dos quais foram investidos. Vergonhoso.NOTA: Foto ilustração obtida no Goole Imagens

Nenhum comentário:

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...