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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Parou de Piorar?

A semana que passou estive circulando por São Paulo, por onde, no meu entender, bate mais forte o “coração” do país. Fui numa missão empresarial do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE. O objetivo foi participar de uma Feira de Negócios da Indústria de Máquinas e Ferramentas – EXPOMAFE, promovida pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). É um evento muito específico do setor industrial, bom para quem entende da coisa e propício (como no meu caso) para aferir como andam a produção e as inovações, nacional e internacional, de máquinas e de ferramentas, bem como as reações dos investidores. É um encontro que acontece a cada dois anos, tempo supostamente adequado para que venham a ocorrer mudanças nos processos de produção, novas aplicações tecnológicas e na disposição de assimilação pelos produtores.  Este é certamente o mote da promoção.

Ocorre, porém, que, no estado atual da economia brasileira, o tema da crise que nos abate terminou sendo uma constante nas rodas de negócios. Para alguns a situação ainda é muito delicada, enquanto que para outros mais otimistas e, sobretudo, os patrocinadores da expo, a coisa aponta para uma saída do balaio de problemas. Estes últimos preferem dizer que a situação “parou de piorar”. Note-se que parar de piorar não é coisa muito distante de considerar que a situação é muito delicada. São, talvez, formas distintas de explicar uma mesma situação.
Na verdade, qualquer que seja o negócio que se trate hoje neste país, é impossível desligar do estado político reinante. Sendo como vem sendo, essa coisa enrolada gera insegurança da maioria capaz de investir em máquinas mais novas, ferramentas mais ágeis e competitivas e, conseguintemente, melhoria da qualidade do seu produto, que são sempre desejos de muitos.
Aquela arguição do ex-presidente, na quarta feira, em Curitiba, foi indiscutivelmente acompanhada por todos, com grande expectativa. O embate entre Lula e Moro monopolizou as atenções de meio mundo. “Prender o Lula ou deixá-lo em liberdade, vai determinar o formato dos negócios que vamos fazer daqui pra frente”, foi o que ouvi de um empresário. Esse mesmo cidadão lembrou que, na atual conjuntura, aqueles que estão habituados a esperar pelo apoio do Governo para retomar sua produção devem “tirar seus corcéis da tempestade”. Ele entende que, com a limitação de gastos e investimentos imposta pelo Governo Federal, nem em 2025 haverá recursos federais para atender demandas até bem pouco corriqueiras. E de lá prá frente, só Deus sabe. O Governo se encolheu em face do aperto que sofre e aponta com uma tendência de deixar que a iniciativa privada se vire e busque alternativas para crescer de forma independente. As privatizações dão uma boa dimensão das intenções. Está evidente que as tetas de Brasília secaram. Daí a pergunta: isto é ruim, ou bom? Há controvérsias. Claro! Romper com um modelo, ainda que superado e carcomido, parece ser uma missão colossal. A salvação é que, ao mesmo tempo, o Governo Temer – que pretende ser o reformista – está trabalhando diuturnamente nesse projeto desafiador. Reformas Trabalhista, Previdenciária, Econômica, Política e Eleitoral, como projetadas, remetem implicitamente a formas de reduzir encargos tributários e sociais que tanto perturbam e atrapalham o empreendedor brasileiro. Se tudo sair nos conformes algo de novo pode mudar no Brasil. O famoso Custo Brasil teria, em boa parte, seus dias contados.
Para os que acreditam que parou de piorar a boa surpresa de hoje mesmo (17.05.17) é que vários comentários de analistas econômicos comemoram o crescimento da Economia no primeiro trimestre em pouco acima de 1%. Esse dado ainda está por ser confirmado. É coisa pequena, mas é motivo de festejar porque a última vez que isso ocorreu foi no já distante 2014. Melhor do que isto é constatar que o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego registrou, em Abril recente, 59,6 mil novas admissões. A maioria no Setor Serviços. É animador! Aí cabe perguntar: Parou de Piorar?
De outra banda do sistema econômico surgem as noticias de que a inflação está caindo, o Dólar vem caindo, também, e o Banco Central sinaliza intenções de baixar as taxas de juros. Nada melhor para quem investe em máquinas e na construção civil. Que venha mesmo. Será que a coisa vai? É outra pergunta cabível.
Resumo da ópera, neste momento: inflação em baixa, juros caindo, Real se valorizando, encargos trabalhistas e tributários prestes a amenizar a vida do investidor, empregos recriados... É, tomara que a coisa tenha parado de piorar, mesmo.

Nota: O Blogueiro esteve em São Paulo a serviço do SIMMEPE – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco.
           


terça-feira, 13 de agosto de 2013

Torneira Chinesa

Com muita frequência, nos últimos anos, vem se falando de um processo de desindustrialização do Brasil. Associações de classe empresarial, pesquisadores acadêmicos e analistas econômicos vêm alertando para os evidentes sinais desse processo. Custos dos investimentos, custos dos insumus básicos de produção e de energia, encargos sociais e trabalhistas, logística, imposto sobre o lucro, juros altíssimos – inclusive os incidentes sobre o capital de giro –, burocracia e marcos regulatórios, mão de obra despreparada e, por fim, a concorrência dos produtos importados, de modo geral a preços competitivos e tecnologicamente superiores, são os fatores mais evidentes causadores do problema. Tudo junto resulta no popular clichê de Custo Brasil. É um país diante de um desafio colossal para se situar entre as economias industriais mais notáveis do mundo moderno. Pensar que no Brasil, segundo dados apurados pelo Banco Mundial, uma empresa de porte médio chega a pagar o absurdo percentual de 69,2% de imposto total sobre o lucro já é o bastante para entender a questão. Enquanto isto, nos países da America Latina e Caribe este mesmo percentual chega aos 48,3% e os países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a taxa de percentual não passa dos 44,5%. É dose! O industrial brasileiro vive, isto é, sobrevive de teimoso que é...
Tem estupidez maior do que uma empresa gastar 2.600 Horas, por ano, no ritual dos pagamentos de impostos? No Brasil é assim! Nos países concorrentes se gasta menos de 10% disto. Este dado foi colhido em “Doing Business 2010 – Brazil”, do Banco Mundial. Depois disso, nem preciso lembrar sobre o que se reserva para o consumidor.
São essas coisinhas acima descritas que provocam essa espantosa invasão de importados no nosso mercado doméstico derrubando as vendas dos produtos nacionais e provocando a consequente queda da produção industrial nacional. O mercado doméstico esta recheado das  bugigangas ching-lings ou mesmo dos mais sofisticados bens de capital ou de consumo durável. Lendo um trabalho divulgado pela ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, encontrei informações que deixam qualquer industrial de “cabelo em pé” e sem sossego para dormir: um equipamento tipo Centro de Usinagem, Made in China é vendido no mercado internacional pelo equivalente a 10% do que se produz no Brasil. Ainda que se leve em conta a desconfiança que se tem da qualidade do produto chinês e os custos da produção por lá, é de se considerar que eles concorrem. E como concorrem... O mesmo tipo de equipamento produzido na Alemanha – que sabe produzir com qualidade – é mais barato 33% do que o produto brasileiro. Isto se repete na grande maioria das máquinas e ferramentas. É indiscutível que estamos num “mato sem cachorro”.
Neste fim de semana passado senti de perto como a coisa se dá. Precisei substituir as torneiras da cozinha de casa, já gastas após vinte anos de uso. Fui ao mercado e me deparei com produtos dos mais variados preços. Foi preciso muita calma e a ajuda de um “consultor” para concluir a compra. Preços altíssimos dos produtos fabricados aqui perto e preços tentadores dos produzidos pelos caras dosoinhosapertados, do outro lado do mundo. Fiquei num dilema de lascar. Eu tinha razão. Afinal estava prestes a fazer um investimento para durar, pelo menos, dez anos. Gostei pra caramba do design e da funcionalidade das torneiras chinesas, confesso. Mas, indo prá lá e vindo pra cá, persistia uma dúvida atroz. Levo esta ou 
aquela? Meu espírito nacionalista soprava forte nos meus ouvidos, empurrando-me para o produto mais caro. Depois de relutar e sob influência do meu “consultor” garrei das duas chinesas e corri para o caixa. Veja a foto de uma delas, ao lado. KKKK Acreditem: paguei a metade do preço das similares torneiras brasileiras. Com design mais convincente (para meu gosto, é claro), mesmo tempo de garantia, tecnologia atualizada (revestimento interno de cerâmica, evitando a oxidação), me dei por satisfeito. Espero que funcionem por muito tempo. Defendi meu bolso. E os brasileiros estão fazendo isto a toda hora. E a indústria nacional? Que se cuide! Exija a reforma fiscal, reforma da Previdência, melhor infraestrutura, e outras reformas necessárias.

Notas: Foto do Blogueiro.

Informações colhidas no site da Abimaq.

Salvemos a Imperatriz

Não é comum que eu escreva sobre questões tão específicas da vida urbana brasileira, embora seja bem interessante. Minha pauta, como sabem o...