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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Torneira Chinesa

Com muita frequência, nos últimos anos, vem se falando de um processo de desindustrialização do Brasil. Associações de classe empresarial, pesquisadores acadêmicos e analistas econômicos vêm alertando para os evidentes sinais desse processo. Custos dos investimentos, custos dos insumus básicos de produção e de energia, encargos sociais e trabalhistas, logística, imposto sobre o lucro, juros altíssimos – inclusive os incidentes sobre o capital de giro –, burocracia e marcos regulatórios, mão de obra despreparada e, por fim, a concorrência dos produtos importados, de modo geral a preços competitivos e tecnologicamente superiores, são os fatores mais evidentes causadores do problema. Tudo junto resulta no popular clichê de Custo Brasil. É um país diante de um desafio colossal para se situar entre as economias industriais mais notáveis do mundo moderno. Pensar que no Brasil, segundo dados apurados pelo Banco Mundial, uma empresa de porte médio chega a pagar o absurdo percentual de 69,2% de imposto total sobre o lucro já é o bastante para entender a questão. Enquanto isto, nos países da America Latina e Caribe este mesmo percentual chega aos 48,3% e os países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a taxa de percentual não passa dos 44,5%. É dose! O industrial brasileiro vive, isto é, sobrevive de teimoso que é...
Tem estupidez maior do que uma empresa gastar 2.600 Horas, por ano, no ritual dos pagamentos de impostos? No Brasil é assim! Nos países concorrentes se gasta menos de 10% disto. Este dado foi colhido em “Doing Business 2010 – Brazil”, do Banco Mundial. Depois disso, nem preciso lembrar sobre o que se reserva para o consumidor.
São essas coisinhas acima descritas que provocam essa espantosa invasão de importados no nosso mercado doméstico derrubando as vendas dos produtos nacionais e provocando a consequente queda da produção industrial nacional. O mercado doméstico esta recheado das  bugigangas ching-lings ou mesmo dos mais sofisticados bens de capital ou de consumo durável. Lendo um trabalho divulgado pela ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, encontrei informações que deixam qualquer industrial de “cabelo em pé” e sem sossego para dormir: um equipamento tipo Centro de Usinagem, Made in China é vendido no mercado internacional pelo equivalente a 10% do que se produz no Brasil. Ainda que se leve em conta a desconfiança que se tem da qualidade do produto chinês e os custos da produção por lá, é de se considerar que eles concorrem. E como concorrem... O mesmo tipo de equipamento produzido na Alemanha – que sabe produzir com qualidade – é mais barato 33% do que o produto brasileiro. Isto se repete na grande maioria das máquinas e ferramentas. É indiscutível que estamos num “mato sem cachorro”.
Neste fim de semana passado senti de perto como a coisa se dá. Precisei substituir as torneiras da cozinha de casa, já gastas após vinte anos de uso. Fui ao mercado e me deparei com produtos dos mais variados preços. Foi preciso muita calma e a ajuda de um “consultor” para concluir a compra. Preços altíssimos dos produtos fabricados aqui perto e preços tentadores dos produzidos pelos caras dosoinhosapertados, do outro lado do mundo. Fiquei num dilema de lascar. Eu tinha razão. Afinal estava prestes a fazer um investimento para durar, pelo menos, dez anos. Gostei pra caramba do design e da funcionalidade das torneiras chinesas, confesso. Mas, indo prá lá e vindo pra cá, persistia uma dúvida atroz. Levo esta ou 
aquela? Meu espírito nacionalista soprava forte nos meus ouvidos, empurrando-me para o produto mais caro. Depois de relutar e sob influência do meu “consultor” garrei das duas chinesas e corri para o caixa. Veja a foto de uma delas, ao lado. KKKK Acreditem: paguei a metade do preço das similares torneiras brasileiras. Com design mais convincente (para meu gosto, é claro), mesmo tempo de garantia, tecnologia atualizada (revestimento interno de cerâmica, evitando a oxidação), me dei por satisfeito. Espero que funcionem por muito tempo. Defendi meu bolso. E os brasileiros estão fazendo isto a toda hora. E a indústria nacional? Que se cuide! Exija a reforma fiscal, reforma da Previdência, melhor infraestrutura, e outras reformas necessárias.

Notas: Foto do Blogueiro.

Informações colhidas no site da Abimaq.

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Não é comum que eu escreva sobre questões tão específicas da vida urbana brasileira, embora seja bem interessante. Minha pauta, como sabem o...