sexta-feira, 6 de março de 2020

Mundo Revirado

Está mesmo difícil conviver com tantos tremores políticos emitidos pelo Planalto Central. Dantes comparei com um trem fantasma e, agora, vejo que está bem próximo a um circo de cavalinhos. Só se fala na bananada da quarta feira e do pum de talco de um palhaço. Tenha dó. Precisamos urgente de equilíbrios republicanos. A guerrinha entre os três poderes se reveste de contornos inexplicáveis. Logo mais não se sabe quem governa ou é governado. Pobre Brasil que não consegue acertar seus ponteiros para viver na ordem e no progresso.
Curioso é que há muitos que consideram essas controvérsias diárias como sendo o caminho adequado para o sucesso da democracia e do crescimento socioeconômico. Muito estranho. Tenho dúvidas. Muitas.
A disputa recente para dividir o orçamento da União foi algo inteiramente dispensável. Uma boa engenharia política teria evitado esse vexame que, além de fragilizar os poderes, mostrou a situação deplorável que vivemos à mercê, inclusive, de espasmos de políticos despreparados para representar uma sociedade em flagrante depressão. Falta interlocução! A incontinência verbal está esgarçando o já frágil tecido politico da Nação.  Qual o empresário que vai confiar em colocar seu capital num “circo” cuja lona deixa vazar sol e tempestades? Sem investimentos privados a economia vai patinar continuadamente. E os investimentos governamentais que ajudariam, pouco aparecem.

Panorama dos bate-bocas
Veja só o resultado do PIB de 2019. Foi um fiasco. Decepcionou a tantos que esperavam a reação positiva do crescimento econômico. Somente 1,1 e pronto. Não adianta tergiversar com explicações mirabolantes para esses números.  Foi pífio e estamos encerrados.
Fora essa parafernália doméstica ainda há de se lidar com o exocet chinês do Coronavírus. Era só o que faltava para baldear de vez o quadro tão tumultuado de Pindorama. Saído de uma verdadeira Caixa de Pandora esse exocet vem causando um estrago sem tamanho, aqui e no resto do mundo. Bolsas, câmbios e produção estão em completo rebuliço sem perspectivas de alivio.
E o povo? Bom, este que se salve como puder. É desespero sem fim. Basta prestar atenção às noticias alarmantes sobre as populações das baixadas Fluminense e Santista que se encontram, há dias, mergulhadas nas águas das enchentes resultantes dos temporais de verão ocorridos no Sudeste. É doloroso ver – pela TV e a bordo do meu sofá confortável – uma moradora daquela região afirmar que perdeu tudo e só vai procurar adquirir o mínimo necessário para sobreviver e certa de que no próximo verão perderá tudo, outra vez. Segundo ela, o Governo não está nem aí. Pior, que um deles ainda colocou a culpa nos pobres coitados atingido pelo desastre. “Por que morar nessas áreas de risco?” Verdadeiro escárnio e indemissível para quem assumiu o compromisso de administrar e proteger os eleitores. Ou seja, seus patrões! Que loucura.      
Quando eu era criança vi, muitas vezes, meu finado pai dizer que este país nunca teria jeito. Mas, num rasgo de esperança, meu velho se virava e dizia: quem sabe lá pelo ano 2000 as coisas tomem rumo certo. Coitado. Já estamos em 2020. E nada! Aliás, nem aqui, nem lá fora.
Êita, mundinho revirado! Será que será sempre assim?   
 
NOTA: Foto obtida no Google Imagens

 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Atirando no pé

Como somente ocorre, a semana que finda transcorreu com altos e baixos no nosso, sempre dinâmico, meio político. O clima de caçar bruxas não para e a sociedade se vê diante de um quadro sempre renovado de fuxicos e descontrole.
Aqui, bem perto, no vale do Capibaribe (Recife), pegou fogo a briga fratricida no seio da família Arraes, com disputas espúrias pela manutenção do poder sendo travadas em cima de dois espólios: o do Velho Arraes e o do neto Eduardo Campos. A briga é feia e promete muitos episódios negativos no plano político local. Os podres serão descobertos e os pernambucanos ficarão sabendo o porquê de tanto desandar e da tragédia que assola os principais domínios sociais do estado.
Em Brasília as coisas são, também, sempre muito dinâmicas e quase sempre inusitadas. Nesta semana que termina foi a vez do Ministro da Economia, Paulo Guedes, atirar sem dó nos pés. Ele que sempre se mostra comedido, ao contrário do Capitão-Chefe, além de muito antenado nos planos das reformas e sustentação econômica do país, saiu-se com duas pérolas de inesquecíveis sabores. Primeiro, considerou que o funcionário público é uma classe de parasitas e, depois, considerou que o valor sobrelevado que a moeda norte-americana atingiu recentemente é justa e tolerável. E justificou sua tese com um disparate, pra lá de inconveniente, ao afirmar que um Dólar barato proporcionou viagens até de empregada doméstica à Disneylandia. Infeliz todo.

Até empregada doméstica vai para Disneylândia!
De uma só vez mexeu com duas classes profissionais sempre mobilizadas a se defender de modos audaz e combativo. Isto sem falar que assanhou as oposições sempre em busca de uma chance de atacar. “Quem diz o quer ouve o que não quer”, já dizia minha avó. E foi o que ocorreu com o Ministro.
Ora, meu Deus, como pode um cidadão, que tem o poder de uma pasta tão importante como a dele, se achar com o direito de julgar ao bel prazer integrantes de duas camadas sociais imprescindíveis ao bom funcionamento da sociedade? São essenciais, sobretudo, pela nobreza dos serviços que prestam. Quando não se pensa duas vezes no que vai dizer termina assim... 
Pensando bem, por que uma empregada doméstica, por exemplo, não pode ir ao Mundo de Disney nos Estados Unidos? Depende, naturalmente, das condições que encontra e da vontade que tenha. Lembro de um amigo que levou a dele porque precisava de apoio durante uma viagem com a família. Conseguiu, com boa justificativa, visto de entrada (por 30 dias) e a serviçal foi, lá, viu e voltou. Por que não? E outras motivações podem muito bem existir.  Já os “parasitas” do serviço publico se exaltaram com razão, sobretudo aqueles que vivem  sujeitos à insegurança física pessoal, de saúde, entre outras. São abnegados que cumprem com dificuldades seus papéis muitas vezes não reconhecidos.
De todo modo, sem querer justificar a infeliz fala do Ministro, é verdade que existem parasitas e são aqueles que vivem buscando brechas para escapar do trabalho, exigindo contracheque no fim do mês, sem desconto. Mas, generalizar não dá. Fui funcionário publico e conheci alguns parasitas infiltrados no meio dos que laboravam. Rigor se faz necessário, sim. O problema, espero, seja resolvido na desejada reforma administrativa que farão rolar muitas águas às margens do Paranoá.
Para fechar a semana houve o encontro de Lula com Francisco. Foi um Deus nos acuda. Choveu criticas ao Papa. Católicos revoltados e críticos fervorosos do ex-presidente não se conformam. A oposição festejou o encontro e garante que Francisco cumulou Lula de absolvição de todos os pecados que cometeu. A fé abala montanhas e o ser humano é ótimo! Confesso que sou fã de carteirinha do Papa argentino e considero que, uma vez mais, agiu cristãmente ao conceder espaço ao condenado pela justiça brasileira. Jesus agiu de igual forma aos nos deixar seu legado: “quem nunca pecou que atire a primeira pedra”, está lá no evangelho! Se essa audiência assumiu forte conteúdo político, Francisco não quis dar importância.
Ainda bem que está chegando o carnaval e como isto é "coisa muito séria" por aqui, o povão vai cair na folia e esquecer essas baboseiras de cada dia. Imagino que quando passar o reinado de Momo e o ano começar de verdade passaremos por novos episódios emocionantes. Sendo assim, bom carnaval!

NOTA: Foto obtida no Google Imagens.                      

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Economia Infectada

É muito comum ouvirmos dizer: “saúde é fundamental porque o resto a gente corre atrás”. Parece que, além de ser uma verdade, a ideia se aplica em diferentes domínios e de forma tangível, haja vistas para essa avassaladora onda que ameaça a saúde mundial, centrada na China, com o coronavírus (nCov-2019).  
Observemos que diante da dimensão que se revelou o surto chinês, com características pandêmicas, é fatal que se rebata sobre todos os setores de atividades daquele país e provoque profundas consequências para o restante do mundo. Pânico às populações nos cinco continentes. Contração das atividades econômicas internacionais e, enfim, um quadro econômico infectado. Que a economia chinesa vai encolher, ninguém duvida.
A situação já não era das melhores para o ritmo de crescimento do país e se agravam ainda mais as tensões que eles sustentam contra os Estados Unidos. Repercussões são sentidas nos mercados mundiais. Bolsas caem e Dólar americano se valoriza de modo fácil ao redor do planeta. São as chamadas fortes dores da economia globalizada.
Ora, a China, berço da crise, é a segunda maior economia do mundo. Produtora em massa de ilimitado número de bens de consumo, intermediários e finais, inclusive automobilística, vê-se na contingência de parar tudo e cuidar de tratar da saúde da população com rígidas medidas protecionistas. Fábricas, comércio, escolas, transportes do diferentes modais, tudo parado. Um mundo congelado e voltado somente para tratamento dos atingidos pelo vírus.
Pátio de uma fabrica de automóveis em Wuhan
Considerando o volume populacional do “continente” chinês estamos diante de um quadro inusitado e inesperado. A própria cidade de Wuhan, onde o vírus foi detectado e se espalhou, ao contrario do que muitos imaginávamos, é uma metrópole de 12 milhões de habitantes, grande conglomerado industrial, capital da província central de Hubei e nona cidade mais populosa do país. A construção recente de hospitais de dimensões gigantescas e em tempo recorde dão ideia da grandeza dessa cidade. Historicamente Wuhan teve um papel de liderança  importante quando da derrubada do Império, em 1927, tirando do poder o último imperador da Dinastia Quing e estabelecida a Republica Popular da China.
Vista noturna de Wuhan.
Como a paralização é geral, para o bem da população local e mundial, as atividades econômicas sofrerão um forte debaque em nível mundial. Os chineses se tornaram fornecedores mundiais de todo tipo de produtos, dos mais corriqueiros aos mais sofisticados, levando a que a grande maioria dos mercados, mundo afora, confiasse no abastecimento chinês, agora suspenso. Por outro lado, países produtores de commodities, como o Brasil, tomados como supridores de, entre outros itens, minério de ferro, soja, carnes bovina e de frango veem-se  impedidos de abordar portos e aeroportos chineses, também paralisados, com vistas a barrar a disseminação do vírus mortal. Ou seja, a China virou um país sitiado. Com uma população de mais um bilhão e uma economia tão dinâmica era tudo que não se esperava. Quem saiu antes da eclosão do surto pode ter levado a moléstia sem perceber. E houve casos. Segundo se noticia, já faleceram mais de 700 e aproximadamente 32 mil pessoas, na China e outros países, já estão infectados.
Diante de quadro tão assustar é de se esperar, não apenas uma grave emergência mundial de saúde publica, mas também uma acentuada queda nas atividades econômicas mundiais. O clima é de muita expectativa. Indiscutivelmente, a economia foi infectada.
Estejamos atentos e esperemos que esse coranavírus seja controlado, não atinja os pobres e desestruturados países africanos e nem chegue por nossas bandas. E isso só o tempo dirá.    

NOTA: Foto obtida no Google Imagens  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Fracasso Anunciado

Tenho ouvido, nesses últimos dias, muitas críticas aos organizadores do carnaval do Recife. Faltam incentivos às legítimas e tradicionais manifestações culturais locais. Bailes que animavam o período pré-carnavalesco estão sendo cancelados, concursos de músicas carnavalescas foram esquecidos pelas entidades de fomento à cultura e o carnaval recifense virou um repetido e cansado festival de ritmos variados, muitos deles sem qualquer relação com as origens carnavalescas pernambucanas. Não foi por falta de aviso! Neste humilde espaço, tratei deste assunto com tons críticos desde que vi ser anunciado um tal de Carnaval Multicultural, durante o governo municipal petista. Era, como comentado depois, uma forma de encobrir as manobras comerciais e “arrecadatórias” que acredito rolem até hoje. Trouxeram e continuam trazendo artistas de fora em detrimento dos locais, a preço de ouro e garantindo as “vantagens” por fora. Nessa onda espúria vi até exibições de tango no Cais da Alfândega. Nada contra o tango, nem o rock, o axé ou o carimbó, mas, fazer desses ritmos base do carnaval do Recife! Francamente. Vá à Bahia e veja o que ocorre. Preservação dos valores locais!     
Numa clara conseqüência dessa incompetência cultural, lamento ao notar que as novas gerações não sabem o significado do frevo ou do maracatu. Aliás, detestam esses gêneros de música. Não tardará muito e serão lembranças do passado. Por mais que se entenda que os tempos mudaram e novas idéias e novas formas criativas aparecem é inadmissível que uma ação orquestrada por profissionais desqualificados e alienados, no comando das entidades culturais promotoras, prestem um desserviço social que vem aniquilando o que de precioso foi construído no passado. O fracasso de hoje foi, portanto, um coisa anunciada.  
Observe-se que o que norteia, atualmente, as programações carnavalescas do Recife é pautar valores artísticos de fora, na esteira do sucesso nacional, em lugar da valorosa prata da casa. São interpretes de ritmos alienígenas para iludir os alienados pernambucanos ao som de pagodes, funks, sertanejos, sertanejos universitários, axés, carimbós e rock da pesada, entre outros. Frevo que é bom e pernambucano aparece, quase pra fazer favor e à margem da programação oficial. Pior do que isto é ver que o público assiste tudo de pé numa aglomeração quase sem entusiasmo para pular ou dançar. Portanto, não passa de um festival de músicas e ritmos diversificados. Quem quiser que aprove. 
Multidão parada assistindo a um show carnavalesco no Marco Zero
A salvação do carnaval recifense vem sendo o desfile do Bloco de Máscaras Galo da Madrugada, feliz iniciativa de tradicionais foliões, arrastando no sábado de carnaval uma incalculável multidão pelo centro do Recife. Em moldes atuais o Galo vem honrando as tradições pernambucanas e divulgando o nosso carnaval. Aqui e acolá correndo riscos ao escorregar, também, na leviana ideia de trazer “axeseira” e “carimbozeira”. Mas, Spok responde a altura e mexe com o público. Também, depois do desfile do sábado, quem pode deixa a cidade porque já não encontra nada mais atrativo. Os velhos desfiles de blocos populares – frevo, maracatus e caboclinhos – não despertam mais interesse do público, seja pela pobreza que apresentam e a pouca importância que recebem das autoridades (in)competentes. Faltam apoios da Prefeitura, do Estado e da iniciativa privada. Os grandes patrocinadores comerciais, que podiam aportar recursos, mantêm-se ao largo. E quando o fazem é por meio de algum candidato a cargo eletivo. Aí já viu. Melhor nem comentar.
Fora o Galo, outras poucas agremiações são sustentadas por grupo de famílias da classe média, com poder próprio de bancar fantasias, músicos e flabelos fazendo um carnaval privado, quase sempre em ambientes restritos, relembrando os velhos carnavais, casos dos Bloco da Saudade e Bloco das Flores.
Bloco da Saudade tentando salvar a tradição local 
Muito bem! Mas, resta o Carnaval de Olinda. Bom, este é um capitulo a parte. Tem características anárquicas bem próprias, onde o deboche, a gandaia e a libertinagem dão seus tons. Agrada em cheio a turma jovem que encontra espaço para extravasar seus recalques, mágoas e traumas, além de expungir seus fantasmas. Não falta quem goste!   

NOTA: Fotos obtidas no Google imagens

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Fim de Ano

Lá se foi 2019. A rigor não foi um ano fácil de ser vivido coletivamente. Saímos de 2018 trilhando um percurso de incertezas, na dimensão nacional, devido aos abalos que sofremos no nosso "trem fantasma" da politica. Uma crise sem fim tirou nosso sono a cada noite. Muitos tombaram no meio do caminho. Foi muita dureza. Tomamos muitos sustos e mergulhamos em clima de muitas interrogações, após aquela eleição tumultuada, resultando numa nação dividida. Infelizmente, no decorrer do ano a sensação foi de que os palanques eleitorais não foram desmontados. Até quando? 
Se por aqui o clima não foi de paz e amor desejado, no plano internacional nos assustamos com grandes e negativos movimentos prejudiciais aos seus locos e, como não poderia deixar de ser, respingando em nós brasileiros. Algumas regiões pegaram fogo literalmente: a Austrália ainda arde, a Amazônia ardeu no seu período de seca e Santiago do Chile foi incendiada, por pura maldade humana de infelizes descontentes. Até a  a velha e querida Paris viu arder em chamas sua icônica Catedral de Notre Dame. De chorar... Não foi fácil. Foi fogo!
Contudo, neste momento em que, numa espécie de verdadeiro passe de mágica, baixa o espirito de cessar fogo, renovam-se os sentimentos humanos de fraternidade e uma aparente brisa de paz parece varrer nosso mundo cristão. Bom será que esta brisa se torne perene e que, aqui no Brasil, nos revele um novo tempo com a tomada do rumo de crescimento e nos leve ao sonhado desenvolvimento, provando que o nosso país é forte e resiste aos vendilhões oportunistas que tentaram tirá-lo dos eixos.  Que 2020 venha repleto de muita paz, tranquilidade e desenvolvimento socioeconômico para as famílias de Pindorama.


O Blog do GB, como ocorre a cada janeiro, entra em recesso prometendo estar de olho em tudo que ocorre ao redor e, se oportuno, interromper a pausa de rotina. 

Antes porém - por fim e não menos importante - cumpre lembrar que este  Blogueiro fica imensamente grato a todos que o acompanharam, através deste espaço, durante o ano que termina, quando o blog completa exatos 12 Anos. Grato, particularmente, pelas interações nacionais e internacionais, assim como pelos constantes incentivos que alimentaram o desejo de cumprir a agenda semanal, buscando temas e colhendo imagens  para tornar este espaço atrativo e vivo.

FELIZ 2020!

NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Sempre Perdendo Posição

O fim do ano se aproxima, as confraternizações de amigos e grupos rolam a toda hora e o Blogueiro, aqui, se esforça, debalde, para falar de coisas boas, animadoras e, sobretudo, inspiradoras para ingressar em 2020. É hora de dar balanços, jogar luzes no que houve de bom e com a os propósitos de vida. Contudo, não há como deixar passar fatos que são registrados emitindo sinais amarelos de atenção. Então, vejamos: logo no inicio da semana passada foram publicados os resultados do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano atualizado, ano base de 2018. Quem, como eu, ainda estava ressabiado com a pisa que levamos no Teste do PISA, assunto da semana anterior, logo antevia que coisa boa não viria e algo negativo apontaria para um dado a desejar para o Brasil. Acertei, claro! Segundo os dados publicados, agora, o Brasil teve uma ligeira melhora do índice que em 2017 era de 0,759 e na avaliação recente passou para 0,771. Pouco adiantou porque no ranking mundial, que envolve 189 países, saímos da 78º. para a 79º. posição. Ou seja, subimos apenas um misero degrau. Estamos atrás da Republica Dominicana (0,798), postada em  71º. lugar e do Cazaquistão (0,794), em 73º. lugar. Que jeito. O Índice em tela varia entre 0 e 1. Quanto mais próximo de 1, melhor a situação do país estudado. Educação, esperança de vida ao nascer e renda per capita, são os indicadores utilizados pelo estudo. Dá para perceber o que explica a situação de Pindorama? Na cabeça do ranking estão: Irlanda (0,968), Noruega (0,968) e Austrália (0,962). 180 países são estudados.

Retrato da Pobreza brasileira
Como fim de ano é "fogo", a coisa não parou por aí. O nosso IBGE, também, divulgou os resultados da sua Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (PNAD) e jogou na cara dos brasileiros a estarrecedora (seria mesmo?!) informação dando conta de que a concentração de renda no país bateu recorde em 2018. Ué! Em pleno governo que se gabava de haver acabando com a pobreza do país. Pouca vergonha! Decepcionado, sem querer me aprofundar nos números publicados, cito apenas duas incômodas noticias: i) a maior fatia da renda gerada no Brasil ficou "apenasmente" nas mãos de 1% da população e ii) no ano base da pesquisa (2018) 50% da população tinha renda de R$ 820,00, valor abaixo do salário mínimo vigente àquela época. E chega de dados assustadores. Para encerrar a conversa de hoje, vale à pena registar que, alheios a esta situação de pobreza "severina" dos seus compatriotas, Ministros da Controladoria Geral da União (CGU) estão, agora, participando em Abu Dhabi de uma Conferencia da ONU para discutir o Combate à Corrupção no Mundo (16 a 20/12/19). Detalhe sórdido que se comenta é que o critério de escolha dos dois representantes brasileiros foi o de ser torcedor do Flamengo (Rio de Janeiro), com direito a assistir a final do Mundial de Clubes que acontecerá em Doha, no Qatar. Quer dizer, pertinho de onde ocorre a grande decisão futebolística. Mas, que felicidade! Os Ministros foram autorizados pelo Governo a ampliar a permanência nas arábias e poder assistir a sensacional partida final! Com dinheiro gerados pelos pobrezinhos dos brasileiros. Meu Deus! desse jeito vamos continuar perdendo posição. Antes, porém, viva o Flamengo!
Vai ver, os ministros estão escondidos debaixo da bandeira!
       NOTA: Estas fotos ilustrativas foram obtidas no Google Imagens.
      

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Levamos nova pisa



Um dos assuntos mais comentados estes últimos dias foi o resultado dos brasileiros no exame do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA (na sigla em inglês), promovido periodicamente pela Organização para o Desenvolvimento Econômico - OCDE.  E, levamos uma nova pisa!
O Brasil, segunda a última divulgação de resultados (ano de 2018), figura entre os 20 piores no rank dos países participantes do exame. Uma vergonha. Os chineses estão no topo da lista, muito embora que o exame só haja sido aplicado em locais mais desenvolvidos como Pequim, Xangai, Jiangsu e Guangdong. Cá pra nós, tenho pra mim que se aplicado no restante do país esse resultado seria bem diferente. Desafio para a OCDE.
Curioso é que nossos analistas tupiniquins destacam cheios de orgulho que estamos bem melhor situados do que a Argentina, o Peru e o Panamá, entre os latino-americanos, como se isto fosse justificável. Consolo mais besta. Desculpa de amarelo. Se a intenção é comparar com os países da região, vamos destacar que  México, Costa Rica, Uruguai e Chile estão bem melhor avaliados. Isto, sim, é procurar se nivelar por cima. Ou então, melhor pensando, vamos olhar os exemplos da China e de Cingapura, que lideram o rank.
O teste do PISA é aplicado em jovens de 15 anos, em mais de setenta países. E, no teste de 2018, foram testados os níveis de conhecimentos em três disciplinas: Matemática, Ciências e Leitura. 
Diante do pífio resultado brasileiro, classificado entre os vinte piores do mundo, lembro que, por inúmeras vezes, enfatizei a falta de importância (investimentos) dada ao setor da Educação. O resultado é que o Brasil toma essas continuadas  pisas testemunhando a miopia governamental para com essa sua básica missão. 
Tem autoridade/especialista, em Brasília, que tenta justificar a decepção, afirmando que nossos estudantes não atribuem a devida importância ao exame e muitos deles abandonam o teste pela metade sem se preocupar com as consequências negativas ou sem ter noção da responsabilidade que lhe foi confiada. Ou seja, falta de sensibilidade e preparação para ser testado. É outra falha estrutural do sistema brasileiro! E aí, uma pergunta que não cala: falha do aluno ou dos professores/orientadores? Ou falta de Governo?

Na China, país que atingiu a liderança do rank, as providencias foram bem desenhadas e são tratadas num rigoroso programa estruturador de política social do governo. Simples dado o regime centralizado de governo. Pode ser dito por alguns. Mas, não interessa porque a verdade é que o Estado Chinês decidiu investir maciçamente para qualificar uma força de trabalho competitiva e capaz de colocar o país na vanguarda da capacitação de recursos humanos. Professores foram valorizados com formação rigorosa e salários diferenciados. São profissionais respeitados e destacados na pirâmide social. Vide quadro ao lado.
O mesmo se diga de Cingapura, que ocupa a segunda posição no rank.
Quanto ao Brasil, nem é bom comentar, embora que nunca será  demais sublinhar a falta de uma política governamental responsável, grades curriculares são desvirtuadas com frequência - sexualidade e militância política pontificaram durante os recentes governos petistas - a evasão escolar é expressiva, faltam escolas e professores, quando os tem são incompetentes, a formação deles é gradativamente relaxada e o resultado não pode ser outro. Tome pisa!  
Pra completar, destaco com  revolta o fato de saber que o Congresso  vai aprovar no orçamento da União do próximo exercício, a exorbitante rubrica de R$ 3,8 Bilhões destinados ao fundo eleitoral de 2020. Detalhe: os recursos serão tirados dos setores da Educação, Saúde e Infraestrutura. Absurdo! O país está fadado a continuar sendo surrado pelo PISA! Não tem país que vá pra frente desse modo.                  

NOTA: Ilustrações obtidas no Google Imagens.

Rivalidades Infelizes

A Copa Mundial de Futebol-2026 terminou e, para multidões, deixou saudades. O certame encerrado no último fim de semana, envolvendo 48 repr...