terça-feira, 6 de outubro de 2015

Portugal, Uma parada obrigatória

Quando saindo do Recife, em direção à Europa, digo sempre que Portugal é uma parada obrigatória, dados o conforto e a rapidez que nos são oferecidos pela logística aérea. Nem que seja para uma simples conexão.
Para mim, porém, já que parando na “santa terrinha”, por que não se demorar algum tempo?  Não perco as chances de fazer desse modo, como ocorreu recentemente.  Adoro Lisboa. Sempre aprazível e muita tranquila, até porque não se trata de nenhuma metrópole trepidante, quando comparada com outras capitais europeias e porque sempre nos recebe de braços abertos, após sete horas de voo. Desde o desembarque espero respirar a brisa fresca soprada desde o rio Tejo misturada com a do lado de lá do Atlântico. Levado por esses ares, é ganhar o mundo e logo procurar a Avenida da Liberdade – orgulho dos portugueses, por ser a mais larga de Europa – para descer lentamente, da Rotunda do Marques do Pombal até o Largo do Rossio, aproveitando a
sombra das frondosas castanheiras, que nestes fins de setembro já frutificam, numa fantástica explosão da mãe-natureza, espalhando castanhas por todo lado. (foto acima) São aquelas mesmas, que no Natal, compramos, a peso de ouro, para compor nossa mesa natalina. Colhidas pelos populares são vendidas, depois de torradas (o mesmo processo pelo qual torramos nossas castanhas de caju), no centro da cidade, inclusive ao longo da belíssima Rua Augusta, somente para pedestres, cujo calçamento de pedras portuguesas, com certeza,  brilha como se houvesse sido polido com especial cera e gigante enceradeira. Tudo primorosamente limpo. A vontade inicial é de tirar sapatos e meias e pisar com prazer naquela rua, que é visita obrigatória quando estando em Lisboa. Foto a seguir.
Se na Baixa de Lisboa (área central da cidade) campeia a alma lusitana, num cenário de beleza sóbria formado pelos tradicionais sobrados, ao levantarmos a vista nos deparamos com o monumental Castelo de São Jorge, sentinela alerta desde os tempos medievais, no ponto mais alto da cidade. De lá se descortina a melhor visão da capital portuguesa. Isto sem esquecer que para chegar até lá é preciso “pedir passagem” para atravessar os antigos bairros da Alfama e da Mouraria, santuários dos mais belos fados e das mais antigas tascas. Os bondinhos que sobem e descem são transportes ideias para este percurso e uma parada na Catedral e na Igreja de Santo Antonio é grande pedida, sobretudo para os católicos. Vide fotos a seguir.




Se curtir as belezas e o clima lisboeta é gostoso, o mesmo pode ser dito dos interiores portugueses. Adentrar pelas terras de Cabral é ir ao encontro das origens da nossa gente interiorana, da matutice brasileira e da alma hospitaleira e solidária que prevalece lá e cá. O interior de Portugal é uma capitulo a parte de uma viagem dessas.
Dessa vez, com minha esposa, fizemos um percorrido relativamente tradicional, mas, deveras encantador. Começamos pelos arredores de Lisboa, em direção ao litoral e fomos parar no Estoril e Cascais, os mais famosos balneários portugueses. Mas, como não queríamos praias, logo, tomamos o rumo norte para visitar Sintra, uma vila situada na Região Metropolitana de Lisboa e que guarda importantes relíquias da história portuguesa e da Península Ibérica. Por lá passaram os romanos entre os séculos II AC e V DC. Depois vieram os árabes mulçumanos que andaram por lá durante quatro séculos, por volta do século X DC, e deixaram marcas que se conservam até hoje. História, castelos e palácios fazem a festa para os olhos do visitante. A paisagem é sensacional. Para os amantes da fotografia, como é o caso da minha esposa Sonia, é “pano para as mangas”. Foto abaixo.
Era um sábado e a presença de turistas impressionava. Sintra não comportava tantos. Achar um estacionamento no sitio histórico era como um prêmio de loteria. Encantados com as paisagens e com o patrimônio histórico, seguimos adiante porque aquele sábado foi dedicado a percorrer sítios históricos portugueses. Saindo de Sintra, tomamos a direção norte e fomos desbravando terras e paisagens deslumbrantes, trilhando autoestradas e vias secundárias. Paramos em aldeias remotas, travamos conversas divertidíssimas, sentimos de perto a vibração da alma portuguesa, comemos do bom e do melhor, provamos dos doces, quase sempre com muitas calorias – não existem doces portugueses sem muita gema de ovo – e certamente que, naquele dia, pecamos pela gula!
Depois de um giro no centro histórico de Santarém, chegamos, no fim da tarde, à Vila Medieval de Óbidos, situada no Distrito de Leiria, limites com Caldas da Rainha, Região Centro de Portugal. Ir à Óbidos é tal qual um mergulho na história de Portugal. Na Vila não entra carro. Deixamos o nosso num estacionamento às portas da cidadela, cercada por forte muralha e imponente portal, e empreendemos nosso passeio caminhando. Alí, cada passo dado é um novo quadro do passado. Sem percebermos fomos tomados pelo espírito medieval, reforçados por doses o licor de ginja, típico do local, oferecidos a todo instante. Nesse ambiente mágico o visitante se perde em meio a lojinhas, bares, mercearias, padarias e restaurantes típicos esquecendo-se de voltar ao século 21, tendo que voltar. Foi interessante sair desse cenário e pilotar uma máquina moderna numa autopista igualmente atual. Fotos do local, a seguir.



Retornamos a Lisboa e fomos curtir o resto do dia numa boa mesa, onde nunca falta o bom e bem preparado bacalhau à moda local. Escolhemos o bem estrelado restaurante Gambrinus e fechamos o dia de fausto modo.  É, ou não é, uma parada obrigatória?  

NOTAS: As 6 primeiras fotos foram obtidas no Google Imagens e as 3 últimas são da autoria do Blogueiro.            

sábado, 3 de outubro de 2015

Reciclando a Mente

Uma viagem, de vez em quando, faz um imenso bem à mente humana. Areja as ideias, recarrega as baterias exauridas pelo trepidar do dia-a-dia e, por fim, recicla o sujeito. Mesmo que seja uma viagem de retorno a algum lugar conhecido, há sempre algo novo a ser notado e anotado. Eu, particularmente, não posso reclamar da vida porque a trabalho, passeando ou as duas formas combinadas tenho tido boas chances de reciclar-me. E, em tempos de crise no Brasil, o alivio é ainda maior. Acabo de chegar de uma dessas reciclagens. Passei quatorze dias pela Europa, revendo coisas, pessoas e realindo um pouco de trabalho. Estive, mais precisamente em Portugal, Itália e uma entrada rápida na Suíça. O motivo foi o combinado Trabalho/Lazer.
Já andei várias vezes nessas mesmas bandas. Mas, como disse antes, há sempre algo novo a conferir.
Andando pelo Portugal de hoje é de se observar muitas mudanças. Conheci a “santa terrinha” nos dantes da ditadura de Salazar. Acompanhei a queda do dito cujo e vibrei com a revolução dos cravos. Vi de perto monumentais manifestações na passada década de 70. De um país sombrio e subdesenvolvido nossa Pátria Mãe se transformou num moderno espaço, integrado à União Europeia e com ares de desenvolvimento ascendente. Com minha esposa de banda pilotei um veículo, locado nas portas de Sacavén, em Lisboa, e saímos explorando não somente a aprazível capital lusitana, mas, também as sempre bucólicas paisagens interioranas do país, deslumbrados com a infraestrutura viária que corta os extremos da Península Ibérica, nas mais diversas direções, nos colocando em poucas horas em locais atrativos turisticamente falando ou em pequenas aldeias, nas quais somos recebidos de braços abertos pela hospitalidade nata dos lusitanos. Lembro bem que, numa dessas, fomos recebidos num café de beira de caminho por certo Senhor Antonio Oliveira, que se fez de “amigo de infância” e cumprindo honras de anfitrião da aldeia insistiu e pagou nosso cafezinho, acompanhado de um doce bem português. Buscávamos informações de como sair daquela área remota, nos arredores de Santarém (ao Norte de Lisboa). Pouco se incomodou se buscávamos informações do rumo a tomar e, por certo, achou uma novidade aparecer um casal de brasileiros perdidos naquela remota paragem. Incrível como abraçava-nos tal como se fôssemos velhos amigos. Achou minha esposa belíssima e quando, por fim, resolvemos partir, com forte sotaque português, deu-nos uma lição de vida: “O mundo precisa de amigos. Eu sou um construtor de amizades. Certamente que nunca mais nos encontraremos, mas, é bom saber que temos amigos lá longe, no Brasil. A amizade é a chave da paz”. Ficamos impressionados com aquela alma portuguesa que nos apareceu repentinamente. Quando a emoção nos “sufocou” e olhos marejaram, tomei consciência de que estávamos em Portugal. E aquilo lá é sempre assim... Coisa que não existe entre nós brasileiros. Veja a foto de Seu Antonio comigo e outra com minha esposa, a seguir. 

 
Se em Portugal a gente é, de modo geral, afável e hospitaleira o mesmo não se pode dizer dos italianos. Excetuando-se, naturalmente, os amigos que vivem por lá. A Itália recebe imensos contingentes de turistas do mundo inteiro, todo dia e toda hora. Uma cidade como Veneza que vive do turismo, está sempre dura de gente. Chega ser incômodo para quem a visita. Imagine para quem recebe. É preciso ter muita paciência. Os italianos são objetivos nas explicações e para eles qualquer turista é simplesmente mais um. Não importa a procedência. Agora, tem uma coisa: estão sempre convencidos de que oferecem as mais belas paisagens, os mais belos vestígios da formação histórica do Ocidente, uma gastronomia invejável e uma gente que sabe viver sempre no clima de “dolce vita”. Adoro sentar-me numa praça italiana e ver o ir e vir da italianada. Vide fotos a seguir.



 
Meu objetivo principal de viagem foi participar de uma Missão Empresarial, promoção do Governo de Pernambuco e patrocínio do Governo da região italiana da Lombardia, precisamente em Bérgamo, representando o setor Metal-Mecânico pernambucano. Cumprido este compromisso profissional, estiquei a estada na Itália e revisitei lugares favoritos, como Milão, Bolonha, Verona e Veneza. Tudo relativamente corrido, mas, com tempo suficiente para curtir e conferir as novidades. Sempre reciclando a mente.
Durante a semana vou tentar postar, aqui no Blog, novas impressões de viagens. Atenderei pedidos que já me fazem por antecipação. Acho bom. Pelo menos alivia as preocupações com D. Dilma, com a Lavajato, as roubalheiras, o cambio com o Euro e tudo que com essas coisas se relacionem. Boa semana a todos.  

Notas: 1.Fotos do arquivo pessoal do Blogueiro. 2. O Blogueiro viajou integrando uma Missão Empresarial de pernambucanos ligados ao Setor Metalmecânico e representando o Sindicato das Industrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco – SIMMEPE.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sobrou pra nós

Quando o orçamento familiar estoura o jeito que tem é cortar despesas apertando o cinturão, diminuindo o consumo das despesas correntes (luz, água, telefone etc.), cortar os supérfluos no supermercado, o almoço domingueiro fora de casa, guardar o carro na garagem e usar o busão ou metrô e por aí vai...
A coisa deveria funcionar do mesmo modo no setor Governo, sobretudo quando ele assume que o orçamento público estourou. A ordem deveria ser a mesma que prevalece numa familia. Mas, não é isto que está ocorrendo no Brasil da atual conjuntura. O Governo mandou ao Congresso uma proposta orçamentária para 2016, com uma previsão de déficit de R$ 30,5 Bilhões e confirmando que quer (ou tem que) gastar mais do que prevê receber. Creio que seja uma coisa inédita neste Brasil do meu Deus. Eu, pelo menos, nunca ouvi falar.
Sem querer abdicar das regalias e gastanças corriqueiras, Dona Dilma e seus 39 ministros pretende continuar esbanjando, embora a grana dos cofres públicos não suporte. Diante de um despautério de tamanha grandeza e uma incompetência nunca vista na História deste país, vai sobrar prá nós, pobres mortais contribuintes, porque é aumentando impostos e cortando investimentos que ela vai tentar (eu disse tentar) cobrir o rombo.
Reunida com ministros da área econômica, a “Presidenta” bolou, esta semana, um pacote de medidas para sanar a situação, que, segundo analistas econômicos não vai ajudar muito. “Vai cobrir um santo, descobrindo outro”.
No âmbito do pacote, algumas coisas chamam atenção: tira dinheiro do sistema S (Sebrae, Sesi, Senar, Senai) para cobrir parte do déficit, prejudicando inclusive o Pronatec, tão celebrado e decantado na campanha à presidência da Republica. Tira verbas orçadas para o Minha casa, Minha vida e, para não parar o programa, vai buscar recursos no FGTS. Prejudica o Programa de Exportações do Ministério do Desenvolvimento  com a redução do Reintegra (crédito aos exportadores de manufaturas, por meio de devolução de até 3% do faturamento, para descontos no PIS e Cofins) e, de quebra, traz de volta a famigerada CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) abominada no passado e no presente. Isto sem falar nos cortes previstos para os orçamentos dos ministérios básicos como Educação e Saúde. Para agitar mais, desferiu na moçada da “infantaria” - funcionários públicos - um empurrão de seis meses à frente para a correção dos salários. E aí eu pergunto: sobrou ou não sobrou prá nós?
Feito isto, noutra ação “faz de conta” promete, para a próxima semana, reduzir os ministérios que na prática não servem para nada, salvo dar emprego aos parasitas asseclas petrálias que perambulam na Esplanada dos Ministérios à cata de vaga no cabide de empregos montado por esse governo tresloucado. Que falta farão ministérios como o da Pesca, da Mulher ou o da Raça Negra? Já não têm verbas consideráveis mesmo... Vai ser uma jogada política.
Resumo da ópera: sacrificar, mais uma vez, o contribuinte espoliado e cansado de trabalhar para pagar tributos absurdos, sem que haja retornos desejados e de direito do cidadão.
Haja emoções, a cada dia. E cada vez mais fortes.

domingo, 13 de setembro de 2015

Brasiloche

A Argentina está, neste momento, recebendo uma nova invasão de turistas brasileiros. Se o país dos hermanos é um dos destinos mais populares dos brazucas viajantes, com o Dólar nas alturas em que anda a coisa se intensifica e as linhas aéreas, junto com os operadores do turismo, estão fazendo a farra que há bom tempo não faziam. E quando pinta um feriadão, como o de 7 de Setembro, da semana passada, não dá outra senão a de brasileiros dançando tango e bebendo os Malbecs da vida, in loco. Como sou filho de Deus, entrei nessa onda e me escorei por quatro dias nas encostas dos Andes, precisamente na mais tradicional estação de inverno do Cone Sul, Bariloche, que já está podendo, na atual conjuntura, resgatar o velho cognome de Brasiloche.
Nunca vi tantos brasileiros antes, como essa ocasião da semana passada. Turmas alegres, sempre ruidosas e distribuindo alegria. São famílias inteiras, inclusive a minha, enchendo as ruas, lojas, restaurantes e, principalmente, as tentadoras chocolaterias (vide foto a seguir) que surgem a cada esquina que o visitante dobra. Isto sem falar nas estações de esqui, propriamente dito. 
Eu conheço Bariloche desde a passada década de 70. A cidade cresceu muito de lá para cá. Notei isto, com certa surpresa e algum lamento, na visita da semana passada. Bariloche já não é mais uma pacata vila de repouso para cansados esquiadores, após um dia inteiro de deslizar pistas abaixo do Cerro Catedral, ou turistas comuns, curiosos por ver de perto a dinâmica de uma estação de inverno diferenciada, que nunca deveu homenagens a qualquer das mais sofisticadas estações alpinas ou do Colorado.
Na verdade, é uma delicia visitar Bariloche. Começa pela paisagem deslumbrante (vide foto a seguir) que se divisa a 360 graus, o clima, independente da estação do ano, o lago Nahuel Huapi, a 
gastronomia, o burburinho do sobe e desce dos teleféricos que conduzem esquiadores ou pretensos esquiadores aos altos das montanhas, as “academias” de esqui, os cafés e chocolates quentes e os vinhos, claro. A cidade se nutre economicamente do turismo. A brasileirada, adepta ao seleto esporte na neve, faz de Bariloche a cancha das competições anuais. Nem precisa dizer, mas nossos esquiadores são, em grande parte, paulistas. Meus dois filhos, entusiasmados com a vibe reinante se meteram e, achando pouco, me meteram dentro das indumentárias exigidas e lá fui eu... Quando vi de perto a “parada”, parei. Passou do meu tempo. Preferi me encolher nas beiradas da pista e ver de camarote a minha moçada tentar (Vide foto a seguir). 
Foi um tal de cair, levantar, deslizar, equilibrar e tentar novamente. Várias vezes. Confesso meu temor. Não é coisa pra qualquer um... Agora tem uma coisa: se esquiar, mesmo, não foi possível, possível foi apreciar aquela paisagem branca cortada pelos incontáveis esquiadores hábeis, velozes e com intimidade com o ambiente. É um troço bonito demais. Vale à pena curtir. Outra coisa a destacar é o silencio da montanha, cortado apenas pelo ruído dos pequenos regatos, que surgem neste final de estação, formados pelo desgelo montanha abaixo, quando ao subir e descer naqueles teleféricos – alguns percursos de quase meia hora – induzindo o passageiro a uma contemplação fascinante e convidativa às reflexões mais raras. Subi e desci sozinho o alto do Cerro Catedral (aproximadamente 2.500m de altitude). Vide foto a seguir. Me sentido mais perto do céu, agradeci ao Deus Todo Poderoso, o dom da vida, a visão deslumbrante, a oportunidade que experimentava, a companhia da família, a saúde e a fé. Bendito seja este nosso Universo e seu Criador.
Por fim, volto a dizer que lugar bom de se fazer turismo é aquele que dá vontade de voltar. Bariloche é assim. Tem aquele gostinho gostoso de quero mais.
Bom, justiça se faça, a Argentina é um país fantástico no tocante ao Turismo. Tem paisagens de toda natureza. Se curtir a neve de Bariloche é programa de garantida satisfação, percorrer a capital Buenos Aires, a vizinhança brasileira das Cataratas do Iguaçu, o desértico Noroeste, as vinícolas de Mendonza, as geleiras de El Calafate e o extremo ponto continental de Ushuaia é igualmente tentador. Tudo ali, bem pertinho e com as facilidades, por enquanto, de cambio favorável.
 
NOTA: AS fotos que ilustram este post são da autoria do Blogueiro.

sábado, 29 de agosto de 2015

Cruel Conjuntura

Eu não tenho dúvidas de que os assuntos relativos à política e o desandar da economia brasileira não são do agrado geral. Pelo menos no rol dos que me acompanham semanalmente neste Blog. Vez por outra, recebo claros retornos a respeito dessa rejeição. E é compreensível porque as pessoas andam saturadas dessas noticias ou comentários.  Ao mesmo tempo, é impossível passar batido diante desse cenário caótico que atravessamos, na atual conjuntura. No meio do mundo há verdadeiros desastres e aqui “dentro de casa”, nem se fala. Aliás, se fala... Fala-se, sobretudo, que o “fim do poço” ainda está longe de ser atingido. A cada amanhecer, uma novidade bombástica.
Fico estarrecido com as imagens da TV mostrando aqueles pobres coitados asiáticos e africanos buscando melhores meios de sobrevivência em terras da Europa, se lançando em precárias barcas superlotadas e atravessando o Mar Mediterrâneo, na busca de uma terra firme e segura. São jovens em idade ativa, crianças, mulheres e idosos totalmente vulneráveis que, sem meios de sobreviver ou ter segurança e sem esperanças na terra natal, jogam com a sorte na busca de dias melhores. A situação é, muitas vezes, tão extrema que morrer afogado no meio do mar termina sendo uma opção considerada. O que revela a falta total de perspectiva de vida. Doloroso. Estima-se que aproximadamente 300 mil pessoas já empreenderam essa desventura e pelo menos 3.000 já morreram na travessia, somente este ano, segundo os organismos internacionais que monitoram esse movimento migratório.
Ultimamente, o que chama a atenção é que muitos desses estão acampados em Calais (França) aguardando oportunidades para se meter no Eurotunel e atravessar o canal da Mancha, a pé, pegando caronas perigosas ou pendurados – como só Deus sabe – em caminhões de carga, para alcançar a Inglaterra. É uma imagem sem precedentes. Aterradora. São seres humanos em inimaginável degradação social. (Foto abaixo)
Nisso tudo que ocorre na Europa, temos a prova concreta de que os europeus que colonizaram os países africanos e asiáticos estão pagando um preço altíssimo pelas atrocidades e atitudes predatórias que cometeram no passado. Sem nunca planejar um futuro digno e uma relação civilizada, exploraram tudo que puderam dessas nações deixando-as, em meio a lutas sangrentas, na miséria e na desorganização político-social. Eis, então, um colossal desafio para quem está, há séculos, instalado numa zona de conforto invejável. Pobres europeus. Estão experimentando do “pão que o diabo amassou”.
Outra coisa que assusta e não me conformo é a destruição criminosa do patrimônio histórico da humanidade, que vem sendo praticado pelo tal do Estado Islâmico. Esta semana destruíram, sem pena, templos romanos, com mais de 2.000 anos, em Palmira, na Síria. Esses loucos se alastram pelo Oriente Médio, espalhando medo e terror nas nações da região. (Foto a seguir)
Como se tudo isso fosse pouco, para nós de Pindorama, a situação vai de mal a pior. Um espasmo de concórdia rolou nas últimas duas semanas sem que, contudo, surtisse o efeito político desejado. Os “líderes” de plantão – geralmente com os rabos presos – não cedem nem avançam e a Nação sofre cada vez mais. Estamos vivendo um pesadelo nunca visto antes na História deste País. A inflação está corroendo os salários e a tendência é de piora, ao beirar a emblemática casa dos dois dígitos. Estima-se que em setembro ela passe dos 10%. Quando isto acontece, acende-se uma luz vermelha e a grita geral se torna mais clamorosa. O PIB (Produto Interno Bruto), anunciado nesta Sexta Feira (28.08), caiu 1,9% no segundo trimestre deste ano, apontando para o aprofundamento da recessão. Ao mesmo tempo, já se fala em cobrança de CPMF outra vez. Ou seja, mais impostos, no lombo do contribuinte. É desesperador. Se o assunto for desemprego, a coisa fica ainda mais difícil. As demissões na Indústria e no Comércio assustam qualquer analista de são juízo. Aliás, neste país, analisar a situação econômica é puro risco profissional. O que será do amanhã? Ninguém sabe!
O que nos resta, nesta cruel conjuntura, é sentar e orar. Se você não professa nenhum credo, procure um terapeuta que acalme seus ânimos abalados.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens.


domingo, 16 de agosto de 2015

Eu vi Hiroshima

Esta semana que terminou, o mundo lembrou com comemorações o final da Segunda Guerra Mundial,  há 70 anos, após a traumática rendição dos japoneses destroçados pela derrota geral imposta pelos aliados e, particularmente, abatidos pelas explosões de duas bombas atômicas que ceifaram as vidas de aproximadamente 200 mil cidadãos civis, nas cidades de Hiroshima (06.08.45) e Nagasaki (09.08.45).
O Japão que formava com a Alemanha, de Hitler, e a Itália, de Mussolini, um Pacto Tripartite, denominado de Eixo, resolveu resistir ao final do conflito que já havia ocorrido nos campos da Europa desde maio anterior, quando as Forças Aliadas (norte-americanos, britânicos, franceses e seus aliados) invadiram a Normandia, no episódio que entrou na Historia como o Dia D.
O Japão era governado pelo Imperador Hirohito (1901-89), um homem orgulhoso, resistente, provido de muita autoridade e comprometido com seus súditos, que o veneravam e lhe atribuíam poderes divinos. Um verdadeiro deus, conforme a tradição japonesa. Hirohito, celebrou um pacto com o Eixo, entrou de cabeça na Guerra e sensibilizou-se com as doutrinas nazistas e fascistas, chegando inclusive a autorizar a organização do Partido Nazista Japonês. Para o Imperador o mais difícil foi reconhecer a derrota que terminou o levando aos mais esmagadores ataques daquele conflito mundial. No processo de reconstrução e reestruturação política  do país teve, por várias vezes, que enfrentar confrontos e atentados dos que o acusavam de criminoso de guerra. Não fosse a benevolência dos comandantes norte-americanos que, por imposição dos Aliados, assumiram o controle do país até 1950, teria sido destronado. Os americanos tomaram medidas democratizantes, anularam o caráter divino do Imperador e instituíram uma monarquia constitucional. Passado o conflito e a retomada da ordem, Hirohito conseguiu dar ao seu país notável impulso econômico colocando-o entre as maiores potenciais industriais do mundo moderno.
Já estive por duas vezes no Japão. A primeira foi no Outono de 1984, quando  fiquei por lá cerca de três meses, participando de um curso de especialização. A segunda vez foi mais recente, em 2012, numa passagem mais rápida defendendo negócios empresariais para Pernambuco e que durou apenas uma semana.
Visitar aquele país é sempre muito oportuno. Desde muito jovem alimentei a esperança de viver essa experiência. Cheguei a produzir, na época de Faculdade, uma monografia sobre a economia e a cultura japonesa, o que me proporcionou um mergulho no mundo nipônico de maneira indelével. Lembrar-me da destruição que sofreram e a maneira como se recuperaram sempre foi algo que exerceu imenso fascínio na minha cabeça de jovem estudante. Quando me surgiu a chance de ir até lá, não tive dúvidas em aceitar. Nem preciso dizer da minha curtição. Ver de perto aquela gente, aquelas paisagens, a pujança econômica, a riqueza cultural marcou-me para o resto da vida.
Uma coisa, porém, quero destacar: sai do Brasil decidido a ver de perto Hiroshima ou Nagasaki. Previamente li alguns livros, reportagens e artigos sobre os episódios das bombas atômicas jogadas sobre essas cidades. O horror que senti ao longo dessas leituras e a crescente curiosidade que alimentei justificavam este desejo.
Com um natural misto de curiosidade e uma pontinha de temor pelo risco de sofrer alguma radiação nuclear – fui recomendado por amigos mais cuidadosos – desembarquei de um Trem Bala (Shikansen), num belo dia de novembro de 1984, na estação de Hiroshima. Confesso que tomado de forte emoção e satisfeito pelo desejo realizado, deparei-me com um cartão de visitas inesquecível: um parque florido, aprazível e caprichado à moda japonesa. Minha primeira impressão foi de imensa surpresa. Fui tomado, desde o primeiro momento, por uma sensação de paz e PAZ foi a palavra que mais ouvi e encontrei grafada nos mais distintos pontos da cidade. A reconstrução é algo monumental e tudo leva a entender a grande intenção de apagar o dantesco quadro que restou daquele 6 de agosto de 1945. Dificil acreditar que ali existiu um momento em que a imagem daquilo que conhecemos como inferno foi reproduzido de maneira rigoroso, devido a uma insana manobra de guerra, sabidamente desnecessária. O Japão se renderia mais dias ou menos dias. Havia perdido a sustentação estratégica que norteava o Eixo e o Imperador teimoso não teria saída. Lamentável.
Percorrer Hiroshima, sua região central, onde a bomba explodiu, e o estarrecedor Museu Memorial da Paz, (vide fotos a seguir) foi uma das melhores lições de vida que recebi. Já visitei também o Museu do Holocausto, em Washington (USA) e não sei dizer onde sofri mais, diante de visões tão estarrecedoras. Ainda hoje não consigo entender como pode haver seres humanos capazes de produzir tantas carnificinas. Em nome de que? Por que? Quanta maldade! O mais repugnante e atroz filme de terror que venha a ser produzido não conseguirá suplantar as imagens expostas no museu japonês.  



No Japão sobrou uma tênue vida, brotou a paz e foi construída a maior e mais forte rede de solidariedade. Das cinzas de Hiroshima surgiram águias vigorosas e precursoras de tempos de progresso que se experimenta no arquipélago japonês.
Eu vi Hiroshima. É uma cidade viva e bela.
A seguir, duas fotos em dois momentos da minha vida no Japão. A primeira em Hiroshima, em 1984, jovem e barbudo seguindo a moda da época, às margens do Rio Motoyasu, vendo-se ao fundo o predio do Banco do Japão, o unico que restou de pé, embora que bem avariado. Este edificio é preservado como ficou após a destruição. A segunda foto, mais abaixo, é do recente 2012, diante do Buda de Kamakura, um cartão postal da Terra do Sol Nascente.

 
NOTAS: 1) As três primeiras fotos foram obtidas no Google Imagens e as particulares são do Arquivo Pessoal do Blogueiro. 2) A primeira viagem ao Japão foi a convite da Japan International Cooperation Agency - JICA, enquanto fui funcionario da Superintendencia do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE e a segunda viagem foi integrando uma Missão Empresarial de Pernmabuco, representando o Sindicato das Industrias Metalurgicas de Pernambuco - SIMMEPE. 
 

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Cuidado com o mês de Agosto

Quando chega o mês de agosto muitos brasileiros ficam de “orelha em pé” e cheios de expectativas em relação ao quadro político reinante. Eu, pessoalmente, fico torcendo que passe logo. Agosto sempre foi emblemático, politicamente falando, para o país. Conheço político que entra o mês cruzando os dedos, pendura figa no pescoço, se benze e pede aos deuses que o tempo passe logo.
Também pudera, Getúlio Vargas deu fim a vida no fatídico 24 de agosto de 1954, em meio a uma crise política profunda, provocando uma consternação social de dimensão nacional. Janio Quadros, após seis meses de um governo cheio de bombásticas medidas administrativas e ridicularizadas nos quatros cantos de Pindorama, surtou e terminou renunciando no dia 25 de agosto de 1961, provocando uma crise político-institucional que veio desaguar no golpe militar de 1964. Em Pernambuco, particularmente, agosto já proporcionou duas surpresas que entraram na história do estado e do país: a primeira foi a morte súbita do governador Agamenon Magalhães, na trepidante madrugada de 24 de agosto de 1952. Saiu de cena e entrou para a história como tendo sido um governante cruel nas atitudes e perseguidor de prostitutas, afrodescendentes, homossexuais e, sobretudo, seus opositores. A outra surpresa foi mais recente, cuja lembrança ainda está fresquinha nas mentes brasileiras, que foi a trágica morte de Eduardo Campos, no brutal acidente aéreo de 13 de agosto de 2014, em Santos (SP), quando se encontrava em pujante campanha à presidência da República. Diante desses fatos concretos, como não temer os ventos de agosto?
Lembrando-me desses episódios desagradáveis à vida nacional fico, mais do que nunca, desejando que este agosto de 2015, sobrecarregado de crises – econômica, ética, moral e política – seja breve e leve, de uma vez por todas, esses ares malfazejos que vêm soprando o cenário brasileiro desde que encerrado o processo eleitoral de 2014. Uma eleição de diferença apertada entre vencedora e derrotado, não assimilada por setores importantes da sociedade organizada, secundada por uma exposição cruel do estado deplorável no qual a economia brasileira havia sido irresponsavelmente jogada, nos últimos anos.
Bom, uma coisa é certa: não há Governo que se sustente quando provoca tropeços à economia. Quando a cortina de fumaça gerada no Palácio do Planalto para encobrir as manobras de sustentação do poder se dissiparam e a realidade veio a público, um clima de instabilidade sócio-político-econômico implantou-se, cujo controle está perdido até hoje. Ao descobrir a realidade, os próprios eleitores da candidata vencedora, a torcida do Flamengo e o povo em geral, juntos e de mãos dadas, mergulharam de cabeça na maior onda de frustração social, como nunca antes na história deste país. Preocupante é que esta coisa vem rebolando até o presente agosto, no qual forças opositoras deitam e rolam sem dó, muitas vezes de forma irresponsável – sem pensar nos prejuízos que acarretam aos que representam – deixando pessoas, como eu, em permanente expectativa diante de cada novo assalto nesse verdadeiro ringue poliédrico, onde forças políticas antagônicas são medidas a qualquer preço e em qualquer hora.
Ora, minha gente, é lógico que o debate, mesmo que acalorado, além das dialéticas mais apuradas, é necessário e benéfico ao estado democrático. Sem isto, aliás, não existe Democracia. Para isto, contudo, é preciso que haja um Parlamento consciente, comprometido com a Pátria e a Nação, que haja responsabilidade do Estado e, sobretudo, haja líderes de fato que patrocinem a retomada da ordem e do crescimento socioeconômico.  Infelizmente, não vejo nada disso na atual conjuntura brasileira. Estamos como num barco à deriva. Nossa “presidenta” perdeu a bussola que lhe colocaram nas mãos e o descrédito e o pessimismo tomaram conta dos cidadãos. Ao mesmo tempo, as “lideranças” políticas estão mais preocupadas em garantir seus quinhões do que qualquer outra coisa e pouco se incomodam com a coletividade, agora abandonada.
Diante deste quadro caótico urge que apareça um grupo de coalizão política responsável que promova o entendimento como os brasileiros esperam e assumindo o comando dessa locomotiva desgovernada, pare, olhe e escute e, depois, escolha qual caminho tomar. O Brasil merece e o povo vai agradecer. Mas, que façam logo porque agosto está aí.

Chegando para Ficar

Cansei de acompanhar as “futricas” politicas. Dei um tempo, inclusive, de postar meus artigos deste gênero. Um desgosto sem limites. Contudo...